O viajante curioso não precisa gastar tempo perguntando sobre quem ajudou a erguer dezenas de cidades agrícolas ao norte do Rio Uruguai, na divisa do Rio Grande do Sul com Santa Catarina. Basta olhar ao redor.

Estátuas foram erguidas em homenagem à contribuição dos gaúchos, como é o caso de uma existente no centro de São Miguel do Iguaçu, no oeste paranaense. Elas também são encontradas com abundância dando nome a casas comerciais e ruas.

Assim é o Brasil de Bombachas, um território desbravado a pouco mais de meio século. Nesta época do ano, as lavouras de soja e milho podem ser vistas até onde os olhos alcançam.
Nas rodovias da região, centenas de agricultores e trabalhadores rurais circulam cuidando das plantações. Mas ninguém é de ferro. No fim de semana, eles lotam os bares das cidades agrícolas.
Na noite de ontem, por exemplo, em Naviraí, um município do Mato Grosso do Sul — que há 30 anos era apenas uma amontoado de casas de madeira — os povoadores do Brasil de Bombachas se divertiam nos bares ouvindo música gaúcha e o sartanejo universitário. Nós chegamos a Naviraí no final do dia. Conheço a cidade desde 1985, quando andei por aqui pela primeira vez em busca de histórias para escrever.

Com algum orgulho, ontem, eu falava para os companheiros de viagem, o fotógrafo Mauro Vieira e o motorista Everton de Jesus, sobre a história de personagens que ergueram a economia da região. A maioria deles, hoje, é bem sucedida. Mas continuam sendo pessoas simples, que se alegram ao receber visitantes vindo da "Terra Natal".
Hoje, é nossa intenção seguir rumo ao norte do Mato Grosso do Sul.


