Depois de publicar um post sobre quem deve administrar as redes sociais em uma empresa (clique aqui para ver), resolvemos buscar mais informações sobre essa nova área de atuação, inclusive em relação aos grupos de comunicação. O que eles estão fazendo e como estão se mobilizando para captar o público-alvo nas mídias tradicionais, mas também nas sociais? Entrevistamos Nívia Carvalho, Editora da Mídias Sociais de O Globo, para entender melhor o ambiente do jornal. Veja abaixo as respostas dela:
Break Digital - De que forma o Globo prioriza a área de Mídias Sociais? Existe uma equipe ou apenas um responsável?
O Globo criou a editoria de Mídias Sociais em março de 2010. Naquela ocasião, entre as principais atribuições estava a disseminação de boas práticas nas redes sociais entre os profissionais da redação. Hoje, por exemplo, ao passar entre os computadores na redação vemos que as páginas do Twitter e do Facebook estão entre as abas abertas em PCs ou laptops. As redes, felizmente, estão sendo incorporadas à rotina dos jornalistas, assim como o telefone e o e-mail foram um dia. E com ganhos importantíssimos, como a possibilidade de interagir com o público, 'medir' a temperatura do noticiário e acompanhar, em tempo real, a repercussão das histórias contadas. Em novembro de 2010, houve a fusão das editorias 'Mídias Sociais' e 'Interatividade'. Atualmente, a equipe tem 6 jornalistas, profissionais que alimentam, interagem, monitaram o perfil do Jornal O Globo no Facebook, no Twitter e no Google Plus. Essas funções nos demais perfis estão a cargo de jornalistas das editorias, colunistas e blogueiros. Ou seja: já estão integradas ao dia a dia da redação. E não há um projeto editorial importante que não englobe ações nas redes.
Break Digital - Como é o cotidiano do profissional que trata de Mídias Sociais em O Globo?
De modo geral, os profissionais da editoria são responsáveis por distribuir conteúdo, interagir com o público, aumentando o engajamento. E sempre levando em conta o DNA de cada rede. Além de monitorar, a equipe também se dedica à mensuração e ainda participa do planejamento de projetos editorais - eleições e olimpíadas são dois em curso, atualmente.
Break Digital - Desde quando existe essa editoria e por quais motivos foi criada?
Quando foi criada, em 2010, a editoria tinha como tarefas expandir o uso das redes sociais entre os jornalistas, otimizar a distribuição de conteúdo - especialmente para uma audiência que já estava espalhada pelas redes - e promover a interação com o usuário. O engajamento da audiência tem sido alto, felizmente. Claro: estamos todos aprendendo. Mas as métricas indicam que estamos num bom caminho. Os números dão uma dimensão: o perfil @JornalOGlobo tem hoje mais de 596 mil seguidores; a página no Facebook, 392 mil, com alto índice de 'pessoas falando sobre' o conteúdo (em inglês, o People Talking About, que contabiliza todas as histórias criadas numa página - ou seja quem curtiu, compartilhou, comentou, participou de uma enquete); e no Google Plus, mais de 128 mil.
Break Digital - Quais são as principais dificuldades dos profissionais que atuam na área atualmente?
O fluxo de informações nas redes sociais é intenso. Temos que monitorar as menções, manter a interação, responder ao usuário, checar informações, passá-las adiante, mensurar, etc... Não é pouco trabalho! Além disso, não existe uma única ferramenta que consiga coletar todos os dados de que necessitamos, aumentando o tempo na busca de informações em ferramentas distintas. E além de intenso, o fluxo nas redes é rápido - o que pode trazer outra dificuldade: cair na tentação de ser rápido demais. É preciso pensar antes de tuitar ou atualizar as páginas nas redes sociais.
Break Digital - De que modo o Globo engaja o público a participar de sua rotina de produção? Como aumentar o número de internautas/leitores?
O Eu-Repórter foi a primeira seção de jornalismo colaborativo dos sites de jornais do Brasil. A seção foi criada em 2006, e desde então recebe a colaboração de usuários. As redes sociais potencializaram isso. Recebemos informações, fotos e vídeos diariamente. A equipe de Mídias Sociais e Interatividade checa as informações, complementa a apuração e publica as matérias no site. Uma delas é publicada também na página 8 da edição impressa, ao lado de tweets de seguidores e uma seleção de comentários feitos nas páginas do GLOBO no Facebook e no Google Plus. Em outras ocasiões, as informações passadas pelos usuários são encaminhadas às respectivas editorias.
As redes sociais fizeram os veículos de comunicação romperem fronteiras, certamente atingindo um público que talvez sequer visitasse o seu site.
Como vocês administram as redes sociais da empresa?
