Cacau anunciou há duas semanas que ficaria neste blog até o final do mês, que está terminando hoje. Achei que o espaço poderia ser melhor aproveitado por iniciantes, os jovens criativos que procuram por vitrinas e oportunidades e que nasceram nesta era de informática. Mas a vontade de parar, para ganhar mais tempo para a minha vida pessoal, para cuidar melhor de meus filhos, dois deles, Manoel, de 12 anos, e Maria Cândida, de 10, que não vão ter tanta convivência comigo quanto as maiores, Maria Cláudia, de 27, e Maria Vitoria, 23, foi impiedosamente contestada por algumas das pessoas que mais prezo, a começar por minha filha Maria Cláudia, que estuda jornalismo e tem um certo orgulho do seu pai, sempre comentado, bem ou mal, nas rodas de estudantes e amigas. Na sequência, ouvi conselhos de diretores como Cláudio Thomas e Marcos Barboza, da RBS, e de colegas como Pedro Sirotsky, que me fez ver que já devemos ter mais leitores no blog do que no jornal impresso, de venda avulsa, e que não tem mais volta: o futuro, que já chegou, está na internet, na comunicação instântanea, 24 horas por dia, sete dias por semana.
Pedro é um dos meus gurus. Tenho muito carinho e respeito por ele. Carlos Alberto, diretor da rádio CBN/Diário, me disse hoje pela manhã que eu tirasse o cavalinho da chuva, porque nosso destino é trabalhar até o fim da vida. O jornalismo não admite mais preguiçosos. É dedicação, sacrifício, doação e que, para quem como eu trabalha desde os 13 anos de idade, sair agora poderia representar um ato de covardia.
Porra, meu. Fiquei intrigado. Covarde nunca fui. Frouxo também não. Meu pai não ia gostar de me ver amarelando. E sempre trabalhei no que gosto, me divertindo. Foi o trabalho que salvou a minha vida e me permitiu construir uma família que preservo há 30 anos. Foi o trabalho que me levou a cinco Copas do Mundo, a ter milhares de fãs, amigos, anônimos e importantes, Vips e Nips, artistas, jogadores de futebol, políticos, magnatas e gente humilde, muito humilde. A conhecer os prazeres da vida. A ter uma casa, um bom carro, uma vida de felicidade. Minha mãe adora dizer que é a mãe do Cacau. Quero ver essa mesma felicidade por parte dos meus filhos. Quero que se orgulhem de mim, esse velho playboy vagabundo, chegado em chope, futebol, microfone e nas coisas boas da vida.
Acabei de dar a mesada para Maria Vitória sair no seu carrinho, um Fox, com as amigas para a Praia da Vila, curtir o WCT. Fiquei tão feliz em vê-la botando a mochila no carro com seus R$ 150 de mesada como nos meus tempos de rock, surf e brotos. Pensei nas carinhosas manifestações dos leitores deste blog, pedindo para que seu criado continuasse a servi-los com suas besteiras, mesmo que com as deficiências conhecidas, mas com as melhores e mais atualizadas notícias da nossa cidade, da nossa gente, do nosso passado, do nosso presente, do nosso Estado, do Brasil e, às vezes, do mundo, onde o jornalismo me fez conhecido.
E, mais do que isso, pensei nesta nova fase do grupo RBS, nestes novos veículos, novos comandantes, novas marcas, novos desafios. Ano que vem vou completar 30 anos nesta casa. E se nunca me botaram para rua, se me deram todas essas oportuniddes, se me ajudaram a ser um cidadão, então não vou pedir para sair, logo eu que o que mais sempre quis foi trabalhar aqui essa máquina de malucos belezas.
Nem ingratidão, nem medo, nem acomodação. Agora é que está começando o segundo tempo. E, mais experiente, mais seguro, mais observado, quero mais é arrebentar. É o que me cabe fazer para dizer muito obrigado pelo voto de confiança. E que assim seja até que a morte nos separe.
Conte comigo, RBS. Não seria justo desprezar tão qualificada audiência. Ela custou muito tempo e esforço para ser construída. Quero continuar aprendendo muito com todos e, agora, pelo blog, com os meus magníficos leitores.
Vamos continuar remando. Porque o bom cabrito não berra.
Postado por Cacau Menezes - Floripa



