Caro e prezado Cacau,
Por tantas vezes vimos você escrever em sua coluna ou comentar quadro do JA sobre várias questões de interesse público e econômico, e levantar polêmicas, como os elevados preços dos combustíveis (e uma possível existência de "cartel". Hoje querendo ou não, estamos com preços melhores aqui na cidade); ou então sobre os abusos de restaurantes mequetrefes que, se aproveitando da "onda chic" de Floripa, praticam preços "fora da casinha"...
És hoje uma voz nessa cidade e por isso estou lhe escrevendo.
Há um setor aqui na Ilha, que desde sempre sofreu com o PATERNALISMO. Os tempos mudam, as coisas mudam, mas um grupo ainda luta para manter sua hegemonia, aproveitando-se que a cidade é pequena e todo o trade se conhece: o trade da propaganda.
O fato é que, nos dias 19 e 20 de agosto, será realizado um encontro com grandes lideranças da propaganda brasileira, na FIESC, promovido pelo SINAPRO, que é o sindicato que, por tese, teria de defender a categoria dos publicitários. O motivo deste Encontro é debater a qualidade e propostas para qualificar a propaganda regional.
O problema é que estes senhores virão para cá, de todas as partes do País, e sem saberem da realidade do nosso mercado, farão longos discursos, que em nada mudarão a realidade dos publicitários daqui.
E que realidade é esta? A realidade da opressão, promovida por um grupo de donos de agência. A começar pelo Presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Propaganda, que é DONO de agência.
Você já imaginou o dono da General Motors presidente do Sindicato do Metalúrgicos em São Paulo?
Pois, pra começar, é isso que acontece aqui na Ilha. Ou seja, não temos para quem reclamar.
- Hoje a Ilha é a capital, entre as do Sul do País, que pior paga a categoria. Diversos profissionais migraram para São Paulo e Porto Alegre. E já tem a agência querendo contratar, mas não há mais mão de obra disponível. Apenas recém-formados, que não têm experiência para fazer uma comunicação eficiente e responsável ou fazer uma gestão de marca.
- Cacau, como se já não bastasse a prática coletiva de assinar meia carteira de trabalho (e isto, a turma até aceita); se houvesse uma VARREDURA, feita pelo Ministério Públicos, sei lá... iriam ver que a quantidade de agências que trabalha sem assinar carteira para NENHUM de seus funcionários, não é pouca.
- E pra ficar melhor ainda, os funcionários são várias vezes obrigados a fazer jornadas de até 16h ou mais, virando a noite, e HORA EXTRA é outra coisa INEXISTENTE no mercado. Ninguém se manifesta, reclama, porque não há pra quem fazer isso. Antigamente, era muito comum o publicitário varar a noite trabalhando. Só que era um profissional BEM PAGO. Ele ganhava para isso. Hoje tabelaram os salários na Ilha (isso mesmo, tabelaram. Todo mundo sabe que houveram reuniões entre os principais donos de agência. E isso se chama prática de cartel).
- Além disso, plano de saúde, odontológico ou previdência é coisa rara entre o meio.
- Os salários foram severamente achatados de seis anos para cá, enquanto o custo de vida de Florianópolis subiu muito.
- Hoje há muitas agências e agenciazinhas na Ilha. Claro, o principal capital delas é o humano/intelectual... e que aqui em Floripa está custando muito pouco, não se paga carteira, não há fiscalização e o Sindicato não atua, porque seu Presidente é DONO de agência. Entendeu a conta?
- Por fim, estas mesmas pessoas que administram o meio sequer são capazes de atrair grandes marcas da indústria do Estado para trabalharem com agências daqui (não vamos nem citar Perdigão, Sadia e Seara, porque seria covardia, elas todas estão com seus marketings em São Paulo), mas outras menores como do setor de cerâmica do Sul do Estado. A grande maioria das indústrias não entrega suas contas para a propaganda catarinense.
Aqui em Floripa, não temos publicitários. Temos PubliciOTÁRIOS, que trabalham por uma merreca, se saciam com seus egos fazendo campanhas bem mais ou menos, não se mobilizam e ficam sempre vendo seus chefes disputando as CONTAS PÚBLICAS para fazer propaganda para o Governo (Estadual ou Municipal), que AINDA É O que mantém o setor de pé, aqui na Ilha (praticamente sozinho).
E por falar nisso, vamos ver quem ganha nas eleições de 2010? A Agência X ou a Y?
Abs, Cacau
Erico Fontana!