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Lembranças

29 de julho de 2010 2

Caro Cacau…
 
Ao ler a sua nota “Memórias de um Repórter”, não tive como conter as minhas próprias lembranças da invasão da TV Cultura, poucos comentam o fato de ter ocorrido uma outra invasão dias antes.

Naquela oportunidade eu era ainda sonoplasta da rádio Cultura, trabalhava com Miguel Livramento e Roberto Alves, eu era o “operador” da manhã, meu horário ia das cinco ao meio-dia, o primeiro locutor da manhã se chamava Zé do Mato, seu programa, claro, era de música sertaneja. Pois bem, ao chegarmos aos estúdios da TV e da rádio Cultura, eu, Zé do Mato e o motorista da Kombi da emissora fomos rendidos por um policial armado e fora de si, ela já tinha rendido outros três policiais, nosso porteiro e, armado com oito revólveres 38, queria de qualquer jeito entrar ao vivo na programação da TV, como eu era o único operador no local, coube a mim explicar que aquilo seria impossível, que a única chance era entrar ao vivo na programação da rádio.

Assim fomos todos em fila indiana, sob ameaça de morte, para o pequeno estúdio da Rádio Cultura, sem contar, é claro, que os disparos que ele fazia para nos apavorar.

Bem, ao colocar o policial ao vivo na Cultura, logo o Morro da Cruz viu um grande desfile de sirenes e luzes, mas sem qualquer tentativa de nos resgatar, o policial estava realmente desequilibrado e o motivo também era pelos baixos salários da PM na época. E nós, aproveitando desse “desequilíbrio”, ao poucos cada um foi conseguindo fugir.

Minha fuga foi acompanhada de vários disparos do dito policial, trago até hoje cicatrizes na minha perna ao rolar o Morro da Cruz abaixo, indo dar na recepção da RBS, onde encontrei todos “entrincheirados” atrás de um grande sofá.

Finalizando a saga do primeiro policial: ele acabou indo se entregar somente no comando geral da PM, isso depois de furar a balas o nosso estúdio, viaturas e instalações da própria corporação.

Bem, fiquei uma semana sem trabalhar, levei alguns pontos na perna e, ao aparecer na emissora, ainda lembro da rapaziada (Miguel, Roberto e outros) tirando aquele sarro dos companheiros, só que eles não esperavam que outro policial inspirado pelo primeiro também lhes faria uma “visita” logo em seguida.

Bem, ainda trabalho com rádio e televisão aqui em Rio do Sul, nunca guardei mágoa alguma da PM, até mesmo tenho com orgulho o título de Amigo do Batalhão aqui de nossa cidade.

Só fico meio preocupado quando ouço algum PM reclamar do salário rsrsrsrs…

Um grande abraço do seu  leitor…

Chico Santos

Comentários (2)

  • Vinicius diz: 29 de julho de 2010

    Eu estava assistindo o programa do Bob quando o poliocial entrou ao vivo!
    Betão, realmente tremeu na base (mais quem não tremeria) kkk
    sei lá quando foi isso, mas eu era bem criança, ainda.
    Cacau, tu nunca pensou em entrevistar esse policial?
    Tenho curiosidade em saber o que aconteceu com ele, e o que ele anda fazendo hoje em dia.
    Coitado. Devia de estar muito desesperado, mesmo.

  • silverio diz: 29 de julho de 2010

    Este policial mora em Coqueiros. No conjunto residencial ARGUS. Se não me engano. Aposentado, gente finissima. É que naquele tempo a polícia honrrava a farda e exigia respeito até destas “otoridades”. Hoje em dia, ganham “por fora”, então….

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