Cacau compartilha com o que escreveu o jornalista Cosme Rimoli sobre nosso Marquinhos Santos. Poucos têm esse privilégio.
"Nesses tempos de profissionalismo levado ao extremo...
Com jogadores não se importando em beijar escudo do time preto, verde, vermelho, azul...
O que aconteceu no estádio da Ressacada no domingo foi emocionante demais.
De cair o queixo. Marquinhos é um jogador rodado. E taxado entre os empresários como um atleta para time médio. Que não consegue se firmar em clube grande. Teve passagens fracassadas no Flamengo, no São Paulo e no Atlético Mineiro. Bastava falhar em um clube e corria para buscar o carinho onde nasceu para o futebol:o Avaí. Além de ter surgido para o futebol por lá, passou três vezes pela equipe de Santa Catarina. Contudido, ele não poderia atuar pelo Santos e enfrentar sua ex-equipe. Mas, mesmo assim, fez questão de ir para a Ressacada. Viu o Avaí conseguir uma surpreendente virada.
Perdia por 2 a 0, mas ganhou a partida por 3 a 2. Por respeito aos companheiros e ao clube que lhe paga, Marquinhos se conteve.
Mas, assim que a partida acabou, ele desabou em um choro contagiante.
Ele estava emocionado de verdade.Chorava de alegria pela permanência do seu amado Avaí na Série A do Brasileiro.A cena é impressionante. Foi o que mais se falou ontem à tarde na Vila Belmiro.
Mas ele foi perdoado.
Quem é de Santa Catarina sabe a enorme ligação afetiva que ele cultiva com o Avaí.
Já se comprometeu, inclusive, a encerrar a carreira lá.
Enquanto isso, torce com paixão. Um paixão rara em jogador de futebol.
A maioria vira as costas para o clube que o lançou no futebol.
Mas Marquinhos não é assim.
Tem coração e amor ao Avaí.
E não teve vergonha nenhuma de mostrar.
Não é um dos maiores ídolos da história do clube por acaso...
Um exemplo inesperado e raro.
Não há como não encarar Marquinhos de outra maneira daqui por diante..."
(Cosme Rimoli:Trabalhou 22 anos no Jornal da Tarde. Começou com o blog no Uol, no início de 2009. Em sete meses, teve mais de 11 milhões de acessos. Cobriu as últimas cinco Copas do Mundo, cinco Eliminatórias para a Copa, quatro Copas América e dezenas de finais entre Libertadores, Brasileiros e Campeonatos Paulistas. Ganhou o Prêmio Aceesp por seis vezes, como o melhor repórter esportivo de jornais e revistas de São Paulo nos anos 2000, 2001, 2005, 2006, 2007 e 2008).