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GRANDE, COMO O CÉU

31 de janeiro de 2013 2

Por     Ademar A. Cirimbelli

 Aquariano, completando hoje  83 anos, titular da cadeira nº 15 da Academia Catarinense de Letras (ACL) e com mais de vinte livros publicados, o neoveneziano CELESTINO SACHET lançou, no final de outubro, o mais completo painel da literatura catarinense: “A Literatura dos Catarinenses – Espaços e Caminhos de uma Identidade”. É resultado de “extensa pesquisa que levou mais de uma década  para ser concluída, contemplando prosa, poema e teatro de cerca de 1600 autores catarinenses. O estudo ganhou também uma versão reduzida, com ilustração de Rodrigo de Haro” (DC 25/10/2012) . Entrevistado, declarou: “Namoro com a literatura e tenho paixão pelo livro. Sempre gostei muito de ler”. A obra, da Editora Unisul, rendeu-lhe o prêmio “Othon Gama D´Eça de 2012”, concedido pela ACL aos destaques do ano, que lhe será outorgado no próximo dia 12.

Recentemente, lhe mandei cópia do ato de provisão dos primeiros “fabriqueiros” da Capela de Nossa Senhora de Caravaggio – Nova Veneza, datado de 17/2/1915, que obtive no Arquivo Histórico Eclesiástico de Santa Catarina (Matéria publicada, em novembro, neste Portal Veneza: 2014 – Centenário na Colina Sagrada). Decidi compartilhar a resposta que dele recebi, por carta manuscrita de 03/12: … “Meus parabéns por mais essa vitória: você conseguiu localizar meu avô, Celeste Sachetti, pai de meu pai e que me deixou metade da herança vocabular para chegar a Celestino. Aliás, na família , três netos dele receberam-lhe o nome: um Celeste e dois Celestinos. Não cheguei a conhecê-lo. Ele já era falecido, quando a cegonha me desembarcou por aquelas bandas venezianas. Mas papai sempre se referia a ele. Aliás,  papai era caçula da família e, em 1915, estava com 9 anos. Muito obrigado pelo documento. …. Um abraço do Celestino”.

Pensei em dar outros títulos a este modesto artigo, como: Do Tamanho do Céu; O Céu  por Limite; Dom Celestial; Dádiva Celestial. Você também está convidado(a) a participar!

 

 

 

Comentários (2)

  • Fabrício Schweitzer diz: 31 de janeiro de 2013

    A subjetividade catarinense agradece!

  • maneca diz: 2 de fevereiro de 2013

    Literatura :

    ALEMANHA: A BANALIZAÇÃO DA GARGALHADA DO MAL
    01 fevereiro 2013
    LE TEMPS GENEBRA

    Oitenta anos após a chegada de Adolf Hitler ao poder, “Er ist wieder da” — “Ele está de volta” — do escritor alemão Timur Vermes, encena o regresso do ditador a Berlim, no verão de 2011. O livro permanece no topo das vendas, mas também provoca grande ranger de dentes.
    Nathalie Versieux
    30 de agosto de 2011.

    Um velho acorda num terreno baldio de Berlim. Deitado no chão, só vê o céu azul por cima da cabeça e fica surpreendido ao ouvir o canto dos pássaros, sinal de que estamos a testemunhar pelo menos uma pausa nos combates.
    O homem tem uma grande dor de cabeça e não sabe onde se encontra nem como ali chegou. Tenta lembrar-se do que fez na véspera: a amnésia não pode ser explicada pelo álcool – porque o Führer não bebe! Em vão, procura em redor o seu fiel Bormann. Hitler levanta-se com dificuldade e dirige-se para as vozes de três rapazes da Juventude Hitleriana, certamente de licença porque não estão fardados e jogam à bola. “Ei, velhote, olha p’ra isto! Quem é este velho?” “Devo estar mesmo com mau aspeto”, pensa o Führer, ao registar a falta da saudação regulamentar. “Onde está o Bormann?”, preocupa-se novamente. “Quem é esse?” “Bormann! Martin Bormann!” “Não conheço, tem cara de quê?” “De dirigente de topo do Reich!” Hitler olha novamente para os três rapazes. Estão de camisolas coloridas. “Jovem hitleriano Ronaldo! Onde fica a rua mais próxima?” Ninguém reage. Então, vira-se para o mais novo dos três, que aponta para um canto do terreno.
    No quiosque de jornais da terra, Hitler procura o seu velho diário Völkischer Beobachter. Só vê títulos turcos… “Estranho, os turcos permaneceram fora do conflito, apesar das nossas inúmeras tentativas de o associar à nossa causa.” Desmaia ao ler a data, 30 de agosto de 2011, num dos jornais que não conhece. O dono do quiosque julga estar na presença de um ator saído de uma série de televisão. Deixa Hitler ficar uns dias com ele no estabelecimento. “Olhe que o senhor imita-o bem, hã?” Hitler fica indignado. “Pareço algum criminoso?” “Parece o Hitler”, diz o vendedor de jornais. “Precisamente!”, responde o Führer…
    Transformado em vendedor de jornais, o ditador é “descoberto” por uma empresa de conteúdos para televisão. Os produtores veem nele um “enorme potencial”. Ele fica danado… O êxito do programa é impressionante. Desamparado, Hitler acordou numa sociedade onde o sucesso é medido em termos de audiências, em “gostos” no Facebook e coisas do género. Torna-se um ator cómico reconhecido… “O senhor vale ouro, meu caro! Isto é apenas o início, acredite em mim!”, felicita-o o produtor.

    A FAMOSA MADEIXA DE CABELO PRETO

    “Este livro é tão engraçado que não se consegue largar”, entusiasma-se Peter Hetzel, crítico literário do canal televisivo Sat 1. Na verdade, o romance – de capa branca adornada apenas com a famosa madeixa de cabelo preto e com o título a ocupar o lugar do bigode – obteve um sucesso inesperado, apesar do preço (19,33 euros, em referência ao ano da chegada de Hitler ao poder) e da extensão (396 páginas escritas na primeira pessoa do singular, maioritariamente de reflexões pessoais do Führer, no estilo seco e sombrio do Mein Kampf [A minha luta, livro de Hitler transformado em Bíblia do nazismo]). “O Hitler de Vermes enfrenta uma sociedade para quem rir dele é há muito um sinal de que aceita o confronto com o seu próprio passado. Mas é também uma sociedade que entendeu que este passo é necessário para se livrar desse mesmo passado”, defende o diário Süddeutsche Zeitung.
    Com uma tiragem de 360 mil exemplares e lançado no outono de 2012, Er ist wieder da é topo de vendas há várias semanas. O romance – de que foi feita uma versão áudio muito boa, lida por Christoph Maria Herbst – será publicado em francês, inglês e 15 outros idiomas, e a imprensa já especula sobre uma futura carreira no cinema. Evidentemente, esta não é a primeira vez que a encarnação do mal é recuperada por comediantes e outros artistas. Charlie Chaplin ridicularizou Hitler em O grande ditador, em 1940. E, em 2007, estreou o filme de comédia Mein Führer, do cineasta alemão Dani Levy.

    O REFLEXO DO ESPELHO NÃO É LISONJEIRO

    O primeiro romance do jornalista Timur Vermes provoca, contudo, muito ranger de dentes na Alemanha. Daniel Erk, autor de So viel Hitler war selten (Raramente vimos tanto sobre Hitler), um livro que critica a “banalização do mal”, está preocupado com o número crescente de comédias sobre o Terceiro Reich. “Para quê interrogarmo-nos sobre o profundo antissemitismo da sociedade alemã, ainda hoje, quando um louco é apresentado como o único responsável?”, pergunta ele. “Esta é uma boa oportunidade para os alemães se libertarem de qualquer culpa e responsabilidade. Este Hitler é [afinal] o único responsável pela guerra e pelo genocídio.”
    Para Timur Vermes, os mesmos argumentos justificam o seu romance pela leitura contrária. Em Er ist wieder da, descreve um Hitler com medo, inquieto quando o público que não o teme lhe resiste. “Não temos Hitler em excesso”, considera Timur Vermes. “Temos em excesso um estereótipo de Hitler, sempre o mesmo: o monstro que nos deixa tranquilos. Eu próprio, durante muito tempo, aceitei essa visão de Hitler. Mas ela não basta. Hitler exercia um verdadeiro fascínio. Se tantas pessoas o ajudaram a cometer crimes, foi porque gostaram dele. As pessoas não elegem um louco. Elegem alguém que as atrai ou por quem sentem admiração. Apresentá-lo como um monstro equivale a fazer dos seus eleitores idiotas. E isso tranquiliza-nos. Pensamos que, hoje, somos mais inteligentes. Nunca elegeríamos um monstro nem um palhaço. Mas, na época, as pessoas eram tão inteligentes como nós! Isso é que custa… Muitas vezes, diz-se que, se um novo Hitler surgisse, seria fácil de contrariar. Tentei mostrar, pelo contrário, que ainda hoje, Hitler teria boas hipóteses de ser bem-sucedido. Só que de outra forma.”
    O romance de Vermes mostra como, na Alemanha do século XXI, um demagogo teria novamente oportunidades: os meios para conquistar as massas mudaram, tornaram-se mais modernos. Mas a intenção permanece a mesma. “Vermes segura um espelho perante a sociedade alemã, que lhe devolve, apesar do riso, uma imagem pouco elogiosa”, conclui o crítico literário do canal N-TV. Talvez resida aí a chave do seu sucesso.

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