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Filhos: melhor tê-los?

30 de junho de 2013 3

 

(Por Edmundo Arruda)

Hoje dou continuidade, diriam alguns, amigos ou não, a um mais um reflexão conservadora, talvez em busca do que realmente sou.

Hoje penso nas crianças, crianças que chegam ao mundo e querem pouco, querem brincar, carinho, amiguinhos, aconchego do lar, sobretudo, pai e mãe juntos.

Claro, dirão os “iluminados” da vanguarda moral,  “revolucionária” dos bons costumes, melhor pais separados que unidos repassando para os filhos suas inseguranças, traumas, ódios, etc. Isso é uma obviedade. A questão é outra.

Os filhos têm nos pais o amor em sua pura animalidade, seus protetores, provedores de alimentos e de instintos, conhecimentos. As crias amam seus genitores por paixão pela vida, que visam reproduzir.  Isso pode ser observado no contrato natural entre várias espécies, e come feito vale para os seres humanos.

Volto ao ponto, eu dizia que a questão era outra, e é. Se os que se casam e reproduzem não se dão bem, melhor separar como uma real e inequívoca prova de amor, pelos filhos, por eles mesmos. Mas as pessoas se juntam e se amam, mas não pensam que ter filhos é coisa muito séria.

Hoje estou convicto que um mundo melhor pode ser molecularmente mudado se pensarmos duas vezes antes de termos filhos, porque filhos são coisa seriíssima. O preferível é produzir herdeiros para deixar para eles uma herança de vida, de valores, a começar pelo simbólico que os marcará para sempre: o amor do pai pela mãe, a gestão cuidadosa do cotidiano, a atenção pelas coisas profundas que todos os filhos colocam para os pais.

Os filhos querem uma herança que não é nem pode ser a do luxo dos valores materiais. Não almejam poder, dinheiro, bens raros e signos de distinção e privilégios. Querem receber dos pais valores, valores éticos, valores morais, valores que tudo tudo mudam.

Por exemplo, querem que haja uma coerência do valor amor. Se seu pai é o Pai, o referencial do Homem, querem o que de melhor ele puder expressar, não em palavras, mas em condutas. Da mãe querem a potência do Feminino, o equilíbrio do olhar singelo, o acompanhar lado a lado em tudo que importa. Da mãe se espera o que o Homem não pode dar, o equilíbrio e o tempero do viver.

Ora, o que vemos, filhos abandonados por poderosos. O abandono de menores por miseráveis é até compreensível. A miséria material gera miséria espiritual, embora a dignidade recalcitrante seja uma resistência contra uma certa ideia elitista que a pobreza somente gera pessoas pobres. Nada mais falso. Há uma incrível capacidade dos excluídos, ou parte deles, de se superar. Mas volto ao ponto, volto às elites e às classes médias e aos seus filhos.

Os filhos das elites e os filhos das classes médias quando oriundos de pais separados, são carentes de algo mais que os pertences materiais não alcançam. Essas crianças também sofrem uma violência simbólica imensa. A denominada alienação parental é somente a ponta do iceberg da tortura que pais impingem aos seus filhos, dilacerados pela separação que para eles, jamais será algo natural, como pensam os seus genitores numa espécie de racionalização piegas.

Então, fugindo de qualquer discurso moralista, se isso é possível, filhos não devem ser projeto de vida para qualquer um, somente para os que de fato entendam que essa opção implicará em limites para um outro viver, do passado.

Filhos exigem a superação do egoísmo individualista dos hedonistas na maravilhosa vida de solteiros, ou de amantes sem preocupações com o outro, o terceiro/

Esse terceiro que vem e revoluciona, em todos os sentidos.

Já estou no quarto casamento e tive quatro filhos em três desses matrimônios. Sei por experiência própria o que filhos de pais separados sofrem. Eles são seguidores do sentido de religião, querem re/ligare, religar pai e mãe. Mesmo com meses e anos do desenlace entre seus pais, sonham em vê-los juntos.

 Muito triste ver nos olhos de seus filhos pequenos o olhar que pergunta: por quê? como se para eles não fosse óbvio, serem frutos do amor e ao mesmo do desamor.

Então, sem querer ser chato já sendo, volto ao ponto, filhos, melhor não tê-los se o casal não estiver preparado para tal, e haja preparação. Amigos meus que se preparam há anos para um filho, vão desistindo, trocando-os por belos cachorros de apartamento. Belo exemplo.

 Claro, muitas vezes de um namoro, de um “ficar”  surge O descuido e uma gravidez. Aí temos que recolocar outra questão, para outro momento, o dilema do aborto, questão de saúde pública, anuncio. Ele veio e espera algo chamado amor. Mas como dar amor se não recebemos? Ou recebemos um amor truncado? Um amor pequeno, com cristo ou sem cristo, sem Marx ou com Marx?

 Finalizando, filhos valem a pena,  mas teríamos uma sociedade muito melhor com pais unidos, ao menos nas fases de formação da personalidade e do caráter, e de um conjunto de sentimentos e virtudes que o se sentir amado produz naqueles seres pequenos em formação, para os betoquais os pais são, até prova em contrário, o exemplo de heróis e a prova de que eles são diferentes, especiais, enfim, pessoas destinadas a serem seguros e felizes, inteligentes e amáveis. 

 Estou sendo conservador? Talvez, mas conservar algo bom, no caso, o sonho de ver crianças no seu lugar, o lugar idílico, o lugar da fantasia, o lugar dos circos e das festas juninas, parece razoável, e necessário. Afinal, a vida adulta já não nos espera e espreita com tantas armadilhas contra as quais será ainda mais difícil enfrentar sem as armas do equilíbrio,  somente experimentado pelos que são amados, desde sempre?


Comentários (3)

  • jair de oliveira diz: 30 de junho de 2013

    Edmundo, vc sabe a diferenca entre: Error, terror e horror?
    Error é qdo a tua secretária e amante descobre que está gravida; terror é qdo a tua esposa descobre que vc tem uma amante e ela está gravida e horror é qdo vc descobre que o filho não é teu…

  • maneca diz: 1 de julho de 2013

    Kkau. O tal Arruda, autor do texto, informa que já está no 4º casamento e quer dar aos outros lições sobre família e como educar filhos.
    O mo filho, quando é que que voce vai por em prática as suas idéias ou o que voce copiou e achou interessante ?.

  • aldo diz: 1 de julho de 2013

    Casar quatro vezes e confessar que em quatro ocasiões ele foi burro? Tentou passar a imagem de conquistador, mas não passa de um irresponsável. Principalmente pq se propos a ter filhos com todas (sim, a atual ainda poderá, com certeza, dar ao articulista mais um filho).

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