No verão dos anos 70 o que bombava era Balneário Camboriú, onde se destacavam o Dimas na ponta sul e a Kizumba no centro, enquanto as praias de Floripa ficavam reservadas para os coroas. Também naquele tempo, as moças de família faziam as refeições em casa, e é assim que começa essa história.
Era uma vez, num sábado pela manhã daquele tempo, que dois casais de Floripa saíram para curtir Camboriú. Foram em dois automóveis, sendo um deles um vistoso Karmann-Guia. Praia a mil, galera sadia, bonita e inteligente, aproveitando ao máximo, música, sorrisos, beijinhos, um espetáculo.
Quando chegou perto do horário do almoço, as mocinhas tinham que retornar para casa e então, lá veio o Karmann-Guia com seu dono conduzindo as duas. Depois da refeição e com o ambiente controlado, o Karmann-Guia é lançado de volta para Camboriú, mesmo piloto e mesmas companhias. E naquele reduto segue a festa com tudo em cima até perto da hora do jantar, quando o alerta é acionado e novamente o Karmann-Guia se coloca em trânsito pela BR 101, com seu motorista e as duas beldades.
Depois do jantar, o valente Karmann-Guia segue de volta para Camboriú com os mesmos ocupantes que agora partem para noite enquanto o carrinho permanece descansando, em algum lugar próximo da Kizumba, mas só até por volta da meia-noite, quando as cinderelas precisam voltar para casa. Quem as leva? O Karmann-Guia claro, que com seu intrépido pintassilgo ao volante, sai mais uma vez pela BR 101, lépido e faceiro, e as deposita sãs e salvas nos respectivos lares.
Como ainda era muito cedo para o piloto ficar em casa, ele resolve dar uma passadinha na escadaria do Rosário e num reduto que por ali havia, pega duas mocinhas acostumadas a batalhar na “”difícil vida fácil” e se manda, mais uma vez, pela BR 101 para Camboriú, com o Karmann-Guia já acostumado tanto com a estrada, quanto com a carga de 1 + 2.
Chegando no apartamento onde os colegas se encontravam, deu de cara com a casa lotada... com garotas de outro padrão (se me entendes) e não tinha lugar para as piriguetes levadas. Fazer, o que? A solução foi colocar o Karmann-Guia na BR 101 mais uma vez.
Só que agora, cansado de fato, afinal era a oitava vez que fazia o trajeto no mesmo dia, o motorista “exigiu” das coitadinhas que elas trocassem as marchas... no seu câmbio... ao argumento que era para manter-se acordado.



