
Como identificar um vinho genuíno? Adotando um selo fiscal. Porém, a medida, já aprovada pela maioria das entidades abrigadas na Câmara Setorial de Viticultura, Vinhos e Derivados, está longe de ser consenso no ramo vinícola. Tanto que um grupo de pequenos produtores contrários a ferramenta enviou na quinta-feira uma carta-manifesto, incluindo um abaixo-assinado com 74 assinaturas, a três ministérios: da Agricultura, da Fazenda e do Desenvolvimento Agrário.
Conforme o enólogo e proprietário da Vallontano Vinhos Nobres, Luís Henrique Zanini, porta-voz dos discordantes, incluindo as assinaturas recolhidas após o envio do documento, já são 102 vinícolas da Serra que disseram não ao selo fiscal.
A alegação é que esse rótulo burocratizaria o setor e geraria uma despesa extra, comprometendo a competitividade e as margens de lucro das cantinas. Outro argumento é que colocaria o vinho no mesmo âmbito de produtos selados, com imagem nada positiva no mercado, como os destilados e o cigarro.
Apesar da polêmica, a medida ajudaria a coibir a sonegação, a falsificação e a entrada de vinhos importados por descaminho (sem o pagamento dos impostos devidos), dizem as lideranças favoráveis. E não é por menos: a fiscalização estadual recolheu 3.982,8 litros irregulares de vinho nos primeiros 15 dias de abril em 10 municípios gaúchos. Foram apreendidos 791 garrafões de 4,6 litros e 229 garrafas de 2 litro sem procedência definida.
Portanto, o selo fiscal poderia minimizar a concorrência desleal enfrentada por cantinas que trabalham dentro das normas e pagando pesados impostos. Mas, como se percebeu, essa opinião não encontra eco em todo o setor.
Para defender os interesses dos pequenos produtores, que carecem de representação, segundo o proprietário da Vallontano, acaba de ser criada a União Brasileira das Vinícolas Familiares e de Pequenos Vinicultores (Uvifam). A diretoria, a ser apresentada no dia 30 de maio, terá como presidente o próprio Zanini. É nítida a divisão no segmento, o que nada contribui para o fortalecimento da categoria.
Postado por Silvana Toazza, Caxias do Sul,