Tudo errado Grená
* O Caxias - e aqui referindo-se em vários aspectos ao contexto institucional, não de arquibancada, que é outra história - teve a capacidade de comemorar no clássico de hoje duas coisas que não aconteceram: sua vitória, nem falando em classificação, e o rebaixamento do Juventude. Exatamente. Você sabia que o Juventude não está rebaixado? E que o Caxias não está classificado?
* O torcedor do Caxias pode e deve comemorar do jeito e com a intensidade que quiser DENTRO DOS LIMITES a ele estabelecidos. Quais sejam: na sua arquibancada e sem arremesso de objetos no gramado. Felicidades. Mesmo com dois pontos perdidos em casa.
* Jogadores e funcionários do Caxias poderiam haver poupado, a si e aos profissionais do futebol, do desfile de caixõezinhos no final. Para quem tem um poder de assimilação mais apurado, ficou evidente uma festa que teve mais de satisfação pessoal de alguns contra o lado contrário do que de comunhão com a torcida pelo empate (?). A (gratuita/inútil) provocação à enfurecida torcida contrária foi de uma irresponsabilidade difícil de ser mensurada após a troca da primeira dentição.
* E se algum dirigente grená teve qualquer participação no ato - coisa que destaco não ter visto e pouco me interessa se alguém acha que viu ou ouviu que viu - está completamente fora de propósito. Deve buscar tratamento.
* O helicóptero antes do jogo foi algo juvenil para qualquer cidadão familiarizado com as circunstâncias que cercam 75 anos de rivalidade e um mínimo de história do futebol. Convite à derrota. Quase conseguiu. Parabéns.
* Só em jogo do campeonato carioca deve ter tanta gente que não está trabalhando em volta do gramado, pronta para invadir no final. Ridículo.
Tudo errado Papo
* O Juventude talvez ainda nem tenha se dado conta do tempo comprometedor que desperdiçou tentando reinventar a Escola de Frankfurt de Comunicação, durante o qual manteve o foco desviado do que realmente lhe interessava. Ou deveria.
* Enquanto preocupou-se em fabricar um inimigo estratégico para consumo externo, o Juventude tornou-se impermeável à critícas. Mas não as externas, porque essas jamais ocorreram da maneira como se tentou fazer parecer - e alguns, santa inocência, batman, acreditaram. Parabéns. Isso dá certo na maioria das ocasiões sociais e no futebol principalmente. Sangrando por todos os orifícios, tomou por problema quem ensaiou (e nem sequer chegou a fazê-lo) apontar onde estava a hemorragia.
* O Juventude deixou de ganhar o clássico de hoje só e unicamente - vou repetir: só e unicamente - pelo bagaço físico. Por que o Rodrigo Poletto é incompetente? Pelo contrário, pois o trabalho dele ainda evitou o pior. Porque mais da metade do time que teve de suportar a pressão desesperada do Caxias até os 51 minutos do segundo tempo estava sem ritmo de jogo. Pois não vinha sendo utilizado. A produtividade desta parcela do grupo fala por si. Principalmente, de novo, a respeito do tempo (e sabe-se lá, se não a divisão) perdido.
* O Juventude não poderia ter jogado mais uma ou duas partidas assim antes de hoje? E não pode jogar depois? É interessante constatar o que Beto Almeida conseguiu extrair em tão pouco tempo de um grupo que não montou e com o qual tem pouca convivência.
* Um dia ainda vou descobrir por que Christian Yeladian era reserva. Sim, Espiga me queimou a língua. Que siga jogando pouco e fazendo muito.
* Jonatas poderia ter evitado a provocativa dominada de bola no peito. Não influiu no resultado do jogo, como obviamente também não influiu a entrevista que deu na sexta-feira. Sua contribuição foi para o festival de imbecilidade coletiva no final.
* O torcedor do Juventude pode e deve protestar do jeito e com a intensidade que quiser DENTRO DOS LIMITES a ele estabelecidos. Quais sejam: na sua arquibancada e sem arremesso de objetos no gramado ou depredação do estádio. É fácil: seja menos infantil do que o profissional do futebol com o caixão.
Tudo errado da dupla Ca-Ju
* Quatro pontos perdidos de cada lado em dois clássicos. A previsão mais fácil de ser acertada na história do futebol se confirmou, ao caírem dois rivais históricos no mesmo grupo de uma competição nestes moldes. Vamos fazer uma carreata e um foguetório na praça para comemorar o baita momento do futebol caxiense.