A redução para 20 clubes e criação da Série D sinalizava para uma Série C mais forte, à imagem e semelhança das A e B. Ilusão pura.
Em duas edições com o novo modelo, a competição ficou ainda pior do que era. Em 2007 e 2008, era preciso jogar 32 partidas para subir. Hoje, são apenas 10. De torneio, a terceira divisão foi rebaixada à categoria de torneio chinfrim.
Não é possível submeter clubes a um "calendário" de apenas oito jogos, sujeito a desaguar no rebaixamento a uma realidade ainda pior, a Série D.
A adoção da fórmula ideal _ pontos corridos, ida e volta _ pressupõe que a CBF, ou algum patrocinador, banque todas as viagens e estadas, como acontece na Série B. Dinheiro para isso existe. A Seleção Brasileira, com seus patrocinadores e as cotas para realização de amistosos, é uma máquina de arrecadação.
Outra saída seria a CBF, como parte interessada do negócio, determinar que 1% ou algo assim do que a televisão paga aos clubes pelos direitos de transmissão das Séries A e B fosse destinado à C e à D. Simples. Infelizmente, a CBF não demonstra qualquer disposição em colocar a mão no bolso para subsidiar a Série C ou em dar um pitaco nas negociações entre clubes e TVs.
Ainda assim, é possível, com um mínimo de inteligência, organizar uma competição bem melhor que a atual, com a preocupação de garantir um período maior de atividade a todos os clubes.
Seguem abaixo um resumo das duas sugestões, apresentadas na edição desta segunda do Pioneiro
SUGESTÃO 1 - 2 GRUPOS DE 10
Os 20 clubes são divididos em duas chaves regionalizadas de 10 times cada, com jogos em ida e volta dentro dos grupos.
Os quatro primeiros de cada grupo se classificam para decidir a Série C, no sistema mata-mata.
Os dois últimos em cada chave caem para a Série D.
Esse modelo garante 18 partidas _ ou seja, 18 semanas de atividade _ a todos os participantes. Seria possível antecipar o começo da competição para junho e manter todos os times em ação até o primeiro domingo de outubro. Em relação ao sistema de pontos corridos, os gastos caem pela metade. Haverá mais jogos e mais deslocamentos, mas numa primeira fase não acontecerá, por exemplo, de o Rio Branco do Acre ter de jogar em Pelotas e Caxias do Sul.
SUGESTÃO 2 - 4 GRUPOS DE 5
Mantém-se o modelo atual na primeira fase, com quatro chaves regionalizadas de cinco times.
A diferença crucial, visando a garantir um período maior de atividade a todos os clubes, reside na classificação de todos os 20 participantes para a segunda etapa, divididos entre os que lutarão pelo acesso e os que brigarão contra o rebaixamento.
Os três primeiros de cada grupo (total de 12 clubes) classificam-se para decidir o acesso, divididos em quatro triangulares.
Os outros oito disputarão em campo a permanência na Série C, em dois quadrangulares (uma espécie de torneio da morte).
Essa fórmula preserva o princípio da regionalização, mas amplia o número de partidas que as equipes disputarão. Somando-se as duas primeiras fases, cada time ficará 16 semanas em atividade, pelo menos.