Estreiou hoje a 8° temporada de 24 horas na tv brasileira. Com transmissão da Fox, o oitavo dia da vida de Jack Bauer vem para tentar dar uma sobrevida para a série. Desde o primeiro ano, 24 foi uma das minhas séries favoritas. O tom emergencialista, as tramas nos corredores do poder na Casa Branca, os debates sobre a validade da tortura para a retirada de informações e a criatividade e coragem dos roteiristas. Não faltou ataques terroristas, seja de ataques a candidatos ao posto maior do governo americano ou bombas nucleares em solo ianque, de tudo acontecia nos dias mais agitados de Jack Bauer.
Ator sem grande destaque no cinema, ele encarnou o personagem de um modo excepcional. Morreu duas vezes, matou dezenas de agentes por episódios, sobreviveu a torturas, morte de familiares, perda de amigos querida, traições inesperadas e depois de muito lutar pela segurança dos americanos ou pela tensão que a profissão lhe proporcionava, Jack deixou a vida de agente. Inesperadamente, viu um novo propósito na vida ao ganhar a chance de se reaproximar da pouca família que lhe restava. Na oitava temporada, Jack envelheceu e agora é vovô.

Mas no roteiro da esperada 8° temporada deixa a desejar. Na exibição americana, estamos na metade (12) de mais um dos longos dias de Jack Bauer. Mas parece que a fonte secou.
Com uma história desconexa, traições esperadas, problemas já rotineiros no dia-a-dia do agente, a impressão que dá é que 24 só sobrevive porque gostamos e nos acostumamos a assistir as dificuldades de Jack para conseguir deter mais uma ameaça. Porque já não há mais poço criativo que jogue mais uma sequência incrível de fatos estourarem em um final surpreendente.
Nesse ano, os atores não convencem. Freddy Prince Jr. até tenta, mas não consegue convencer como o agente Ortiz. Como Dana Walsh, a Kate Sackhoff não agrada. Nem de longe lembra a Starbuck de Battlestar Galactica. Além do mais, a sub-trama dos dois irrita pela previsibilidade e por ser uma repetição de outros fatos tão conhecidos.

Para dar suporte ao anti-herói, pelo menos dois retornos foram garantidos. Chloe (Mary Lynn Rajskub) e Renee (Annie Wersching). Mas as duas, somadas a Kiefer Suterland parece que participam da história por um simples arremedo do roteiro. Já que vão de um lado para o outro e não tem uma função definida na trama.
Com custos estimados em R$ 40 milhões (cerca de R$ 3,3 milhões por episódio), a personagem mais sóbria e consistente desta oitava é a presidente americana, Allison Taylor. Novamente envolvida em uma trama com o Oriente Médio e a existência de terroristas, a governante busca conseguir fechar um acordo de paz com um país fictício do Oriente. Talvez seja mesmo a hora da paz chegar a região e os roteiristas de 24 horas deixarem para lá o pós-11 de setembro.
Da minha parte, espero que os 12 episódios finais queimem minha língua e que Jack figure novamente forte e intrigante, como sempre foi. Porque mais do que todos os personagens da TV, Jack Bauer merece um final digno!





