Pular a barra do clicRBS e ir direto para o cabeçalho.
clicRBS
Nova busca - outros

Perdas e ganhos

23 de setembro de 2010 Comentários desativados

 

 

Em ZH de hoje, comento, ao final da cobertura, que levamos mais tempo entre a Ponte do Guaíba e o Palácio Piratini do que entre Camaquã e a entrada da Capital. Um nó no trânsito de Porto Alegre foi o que enfrentamos na chegada - um problema que também deve ser dos futuros governantes. Rodamos no total 6.077 quilômetros em 31 dias. Neste fim de semana, faremos um mosaico dos problemas e personagens que encontramos.

Durante a viagem, buscamos ousar em alguns tipos de formato e linguagem, especialmente na televisão (veja aqui reportagens no Jornal do Almoço). Algumas vezes erramos, outras acertamos. Acreditamos que o conteúdo, a história contada, é o mais importante, a despeito do formato ou da plataforma que estiver - TV, rádio, internet, celular. Por isso, buscamos personagens de diferentes escalas sociais, do campo, da cidade, da serra ou do litoral. Nossa caravana está nas diferentes mídias, com linguagem adaptada a cada uma delas.

A vocês que nos acompanharam nessa viagem em busca dos sonhos dos gaúchos, o nosso muito obrigado. Abaixo, alguns bastidores que não foram ao ar, muitas risadas, erros, babadas durante o trajeto. Porque a vida com bom humor é sempre melhor.

Abraços

 

Bastidores

22 de setembro de 2010 1

Um dos pesadelos de repórteres - iniciantes ou experimentados - em campo é a transmissão do material produzido. Porque não adianta termos as melhores fotos, um baita texto, uma notícia exclusiva ou flagrante, se esse material não for publicado.

- Texto bom é texto pronto - já dizia um velho editor de jornal.

Em tempos de jornalismo online, algumas horas sem atualizações em um blog, minutos de silêncio no Twitter podem significar o mesmo que dias e dias sem notícias de um front, como na Segunda Guerra Mundial. E dizer que, em conflitos passados, os leitores só ficavam sabendo de batalhas semanas e semanas depois que elas aconteciam. Hoje, é preciso comunicar - e isso nem sempre é fácil, por incrível que pareça, mesmo aqui no nosso Rio Grande. Existem verdadeiros buracos negros da comunicação - sem rede de celular, internet ou rede 3G. Driblá-los virou nosso desafio maior nessa viagem. E fazer chegar nosso material até vocês, uma missão.

Nesses 30 dias pelo Rio Grande profundo, recebemos vários e-mails de leitores e colegas profissionais perguntando que tipo de equipamentos estávamos utilizando, como era a transmissão, etc. Por isso, decidimos fazer a foto deste post e explicar aqui um pouco dos bastidores.

Para esta aventura, usamos alguns dos equipamentos mais modernos em termos de comunicação: três notebooks de última geração, placas 3G, dois blackberry, três celulares convencionais. Para capturar imagens que foram ao ar na RBS TV, pela primeira vez foi usada uma câmera SLR,uma NIKON D3s, que fotografa e filma em HD. O mais bacana nessa câmera são as lentes cambiáveis. Lentes com grandes ângulos e bastante desfoque são duas de muitas vantagens que essas lentes proporcionam.

Todo o material de vídeo foi editado por nós e enviados prontos para as redações de RBSTV e Zero Hora.com. Ou seja, da origem ao produto final, fomos responsáveis pela captação, edição e geração, em um avanço considerável em termos de jornalismo nas diferentes plataformas.

Tudo para que, nesses 30 dias, vocês, nossos leitores, internautas, ouvintes e telespectadores vissem o que vimos. Com as mesmas cores e sabores.

 

Caravana no JA

22 de setembro de 2010 0

Se você perdeu e quer ver a nossa reportagem de hoje no JA, clique aqui

Canguçu, uma serra no caminho do Pampa

21 de setembro de 2010 0

É estranho - e lindo - deixar a Lagoa dos Patos, Pelotas, e dirigir-se de volta ao Pampa, mas antes cruzando uma serra. Sim, não há serra apenas na região de Caxias, como poderíamos pensar.

Canguçu está incrustada na serra dos Tapes, que junto com a serra do Herval, forma a região conhecida como serras do Sudeste, divididas pelo Rio Camaquã. Subimos até um dos morros de Canguçu para fotografar um dos monumentos considerado ponto turístico do município: a imagem de Nossa Senhora da Conceição. A vista lá de cima é bonita, a imagem da santa também. Mas a área no entorno parece abandonada pelo poder público, a começar pelo acesso de terra e estrada esburacada. Espero que seja apenas uma primeira impressão. Mas foi a que ficou.

Sobre o banho e outras mazelas da estrada

21 de setembro de 2010 0

O dia amanheceu cedo, com a sirene de incêndio do hotel ecoando pelo corredor. Só deu tempo de colocar a roupa, abraçar os dois laptops e pegar a máquina fotográfica. Depois do que já passamos em hotéis do interior do Estado nessa caravana, só faltava mesmo... um incêndio. Felizmente, era um alarme falso. Uns cinco minutos de sirene e (aleluia!) silêncio de novo. Mas daí até voltar o sono, vocês sabem como é...

Os hotéis do interior do Estado deveriam ser um capítulo a parte dessa aventura. Alguns são antigos demais, com estrutura precária, sem ar-condicionado, frigobar. Se houver um banho quente, já comemore. Desses 29 dias de caravana, pelos menos três passamos em hotéis onde não havia um banho daqueles que a gente possa dizer... "que banho!!!!". Acho que o Jefferson vai concordar comigo: o pior de todos foi em São José do Norte, naquela noite de ventos de 100 km/h, depois de enfrentar a Estrada do Inferno, ter a roda dianteira direita do carro amassada e a travessia de balsa para Rio Grande interrompida. Não vou tentar descrever, porque é difícil imaginar. Mas tente pensar em algo como um banheiro invadir o quarto. Na mesma peça. Só separado por uma porta de acrílico, aquelas de box de chuveiro. Você sai da cama, abre a porta de acrílico e (surpresa!!), dá de cara com vaso sanitário.

Nessa expedição pelo interior, dá pra aguentar quarto assim, afinal, este era um pouco do clima da viagem. Pior seria não ter internet - nossa principal ferramenta de trabalho para manter a cobertura online. Não me lembro de nenhum dia termos ficado sem rede, graças é claro às nossas plaquinhas 3G. Não fossem elas, teríamos caído em buracos negros da comunicação do nosso Rio Grande - lembro de Chuí, São Gabriel, Iraí.

Estou falando das exceções, é claro. E, daqui a dois dias, quando estivermos de volta a Porto Alegre, tenho certeza de que esses percalços (e aprendizados) serão as lembranças mais divertidas.

Charqueada São João

20 de setembro de 2010 1

Peça importante da engrenagem da Revolução Farroupilha, Pelotas abriga a região onde funcionavam as charqueadas. No século 19, eram mais de 40 próximas ao arroio Pelotas. Conhecemos hoje a Charqueada São João, fundada em 1807 por Antônio José Gonçalves Chaves. Ele manteve a área até 1836, quando teve que fugir para o Uruguai, quando a charqueada foi invadida pelas tropas imperialistas.
No auge das charqueadas, 1 milhão de cabeças de gado foram abatidas. O sangue dos animais escorria para o arroio. Por isso, ele ficou conhecido como Rio Vermelho - Arroio de Sangue. Cerca de 200 escravos trabalhavam na São José, uma das mais antigas. As telhas eram feitas pelos escravos, que usavam as coxas como molde - por isso, elas têm formatos diferenciados umas das outras. O local foi cenário para gravações da série A Casa das Sete Mulheres, da Rede Globo. Hoje, a área pertence a Marcelo Mazza.

Missa Crioula em Rio Grande

19 de setembro de 2010 0

Um padre vestindo bombacha e, no pescoço, lenço vermelho. No altar, a bandeira do Rio Grande do Sul, um espeto de costela, a cuia e o chimarrão. Este era o cenário na Catedral de São Pedro, em Rio Grande, o mais antigo templo do Estado. No vídeo, acompanhe trechos da missa celebrada pelo padre Raphael, o pároco da igreja (tema da reportagem de hoje em ZH).

Rio Grande, uma cidade de contrastes

18 de setembro de 2010 0

Contrastes. Está aí uma palavra que gosto. Porque para descrever cidades, pessoas, situações, não existem unanimidades, rótulos. Nenhuma pessoa é assim ou assado. As pessoas são feitas de contrastes. Podem ser conservadoras sobre um assunto. Liberais em outro. Por isso, acho que somos o templo dos contrastes. E assim também é Rio Grande, a cidade onde estamos atracados nesta caravana.

Ao mesmo tempo em que é uma das cidades mais antigas do Estado, Rio Grande respira modernidade do ponto de vista econômico - o polo naval deu um gás à economia, mexe com os sonhos de muitos trabalhadores -, mas ao mesmo tempo preocupa. Com a pujança econômica, como fica o aspecto social? A população deve dobrar em cinco ou 10 anos, o mesmo acontecerá com a frota de veículos. Mas as ruas são ainda do século 20 - há sérios problemas de trânsito. E a mão de obra não está preparada para ser absorvida por essas mudanças que estão por vir.

A cidade construiu sua riqueza ao longo de sua história devido à forte movimentação industrial. Ainda hoje é uma das mais ricas do Rio Grande do Sul, e a mais rica da região sul do Estado, principalmente devido ao porto. Mas paga o ônus disso: há muita desigualdade social, prostituição, drogas.

É uma cidade belíssima de ser conhecida. Transpira história em sua praça central, onde estão os restos mortais de Bento Gonçalves, mesmo sem ter sido um município farroupilha - os revolucionários não conseguiram entrar na cidade.

A cidade guarda os restos mortais do líder porque venceu um concurso público que elegeu o melhor projeto para abrigá-los. O monumento foi encomendado ao escultor português Teixeira Lopes.

Em agosto de 1900, os despojos de Bento Gonçalves foram entregues ao município. A transferência da urna de mármore para o pedestal do monumento ocorreu em 20 de setembro de 1909. No monumento, há dois leões lutando, símbolo da briga entre irmãos - a Revolução Farroupilha. Não se consegue definir quem é o vencedor ou o vencido.

Caravana no JA

18 de setembro de 2010 0

Hoje, estivemos ao vivo no Jornal do Almoço em Rio Grande. Foi um agradável bate-papo com os colegas aqui da sucursal (na foto). A reportagem que produzimos na Estrada do Inferno foi ao ar para todo o Estado. Se você perdeu, veja aqui.

A longa travessia

18 de setembro de 2010 0

Na verdade, a travessia em si, não é longa. São apenas 45 minutos. Mas se você levar em conta o tempo que chega na fila, a lotação da balsa (em alguns casos, como no nosso), a demora para carregá-la... entra... sai... Levamos quase quatro horas, como você viu alguns posts abaixo.

Acompanhe no vídeo, um pouco do suplício de quem depende de uma balsa para cruzar o canal entre São José do Norte e Rio Grande. Os bastidores na nossa viagem.