Situada entre lindos vales, cobertos de parreirais, habitada por um povo hospitaleiro, que sabe manter unidos tradição e progresso, Bento Gonçalves oferece cantinas de vinhos rudimentares, adegas de vinhos familiares e vinícolas de grande porte, além da arquitetura centenária. A partir deste final de semana até o dia 8 de maio, no Parque de Eventos de Bento Gonçalves, os visitantes terão a oportunidade de conhecer cantinas de várias regiões produtoras do Brasil, além de conferir uma gastronomia diversificada.
O presidente da Fenavinho enfatiza a importância do evento em divulgar as indústrias vinícolas e principalmente valorizar o vinho brasileiro. João Strapazzon salienta a questão da concorrência com o produto importado.
- Nós precisamos mostrar para o Brasil que nós temos um produto bom, autêntico, fazer com que o pessoal veja que essas medalhas, esses prêmios, que as vinícolas da região ganham em concursos internacionais, são merecidos. Nós recebemos pela qualidade do nosso produto.
Bento Gonçalves nasceu forte com a cultura da uva e produção do vinho, mas destaca-se ainda em outras atividades como móveis, setor metalúrgico e plástico, alimentício, têxtil e outros. A historiadora Terciane Luchese afirma que é importante agregar ao desenvolvimento econômico do município alguns elementos históricos, como, por exemplo, a questão da colonização que se diferencia do resto do Brasil. Ela destaca que as pequenas propriedades, a policultura e a mão-de-obra livre são diferenciais que marcam o início da história de Bento Gonçalves. Terciane salienta a importância dos imigrantes italianos e também de outras etnias.
- Nós tivemos a participação de outros grupos importantes, de outras etnias, poloneses, tivemos outros pequenos grupos, inclusive de espanhóis, que foram colonizando essa região, e que pelos conhecimentos que trouxeram, já vivendo uma era industrial na Europa, acabam fazendo sim a diferença, e acabam tendo incentivos prá já no início do século 20 terem uma pequena industrialização, mesmo que artesanal, uma série de processos de manufatura.
A historiadora enfatiza o empreendedorismo da população que ao longo das gerações foi transmitindo para os jovens a cultura de ter o seu próprio negócio.
Entre as diversas atrações turísticas da região, estão os Caminhos de Pedra, um roteiro criado em 1992. Em um dos primeiros núcleos da imigração italiana no Rio Grande do Sul, as construções de pedra retratam com fidelidade a história de mais de um século da imigração. O caminho possui casas totalmente de pedras, construídas em 1880, outras com porão de pedra e o restante de madeira, erguidas em 1910, e as casas de alvenaria construídas sobre o porão de pedra, no ano de 1940. O Caminhos de Pedra é um roteiro onde se tem a maior concentração de casas de pedra numa única Linha, a Linha Palmeira, segundo o presidente da rota turística, Wilson Strapazzon.
- São várias casas, todas elas distantes uma das outras, não são bem próximas, mas todas ao longo de uma mesma linha, saindo de Bento Gonçalves, passando por várias comunidades. Tem a comunidade de Santo Antoninho, São Pedro, Santo Antonio, e vai seguindo até o Santuário de Caravaggio. É um roteiro que começou com algumas casas e ao longo do tempo as famílias estão aderindo a esse roteiro, esse projeto.
Em muitas dessa casas ainda vivem descendentes diretos dos imigrantes. São "noninhos" de 70, 80 e até 90 anos de idade, que tropeçam no português para contar a história dos antepassados. Strapazzon, que é da quarta geração, afirma que muitos visitantes são descendentes de italianos e se emocionam ao conhecer como seus antepassados viviam e ao ouvir o dialeto vêneto, ainda utilizado pelos moradores da Linha Palmeira. Entre as maiores atrações do Caminho estão a Cantina Strapazzon, o moinho Bertarello, a ferraria dos Ferri e a casa dos teares, da família Vanni.
Áudio Campo e Lavoura: Bento Gonçalves divulga a qualidade e a evolução dos vinhos elaborados em terras brasileiras