Após pequena alta apresentada há 15 dias, o mercado de açúcar volta a fechar em quedas. A baixa se apresenta em todos os vencimentos ao longo da extensa curva de preços – que vai até maio de 2015.
- Ninguém entendeu o porquê desse derretimento tão rápido e não faltaram especulações. O fato é que as soft commodities – açúcar, cacau, café e algodão – estão dando canseira aos gestores. Todas elas apresentaram queda nesta última semana - comenta Arnaldo Corrêa, gestor de risco e diretor da Archer Consulting.
As chuvas que caem no Centro-Sul, que têm atrasado o corte de cana, ajudaram o açúcar a recuperar parte da recente queda de preços no mercado internacional.
- Embora ninguém esteja entusiasmado com possibilidades de alta, muitos operadores do mercado acreditam que as mínimas (18,86 no início deste mês) já foram vistas e não teremos mais esse quadro - completa Arnaldo.
De acordo com o diretor da Archer Consulting – empresa especializada em gestão de riscos para commodities agrícolas –, alguns pontos podem reforçar a ideia de que o mercado encontrou o nível de suporte nos preços atuais.
- Apontamos alguns, como o sentimento do aumento iminente no preço da gasolina na bomba, que tem o efeito de elevar, em tese, o preço base do hidratado. Também devemos considerar pontos como as mudanças no imposto sobre operações financeiras, que facilitariam a entrada de dólares e, consequentemente, trariam um fôlego para o real; assim como a eventual mudança da mistura de combustível, alterando o percentual de anidro para 25% dos atuais 20% - explica Arnaldo.
Mas na contrapartida, existem as argumentações de que o recrudescimento do cenário macroeconômico que valorizaria o dólar jogaria as commodities para baixo. O petróleo foi a commodity que mais caiu este mês: 14,8% de queda. Suco de laranja, soja e açúcar são as únicas que subiram em junho até agora, com 13%, 6,8% e 4,5% respectivamente.
Segundo Arnaldo, respostas a algumas questões poderiam justificar os preços do açúcar. “Estariam refletidos nesses preços o crescimento da produção na Índia e Paquistão, as excelentes condições climáticas na Rússia e consequente aumento de produção e as revisões para baixo das safras no Brasil, México e Estados Unidos? Outra questão que se faz é: quais elementos seriam necessários para que o mercado subisse além dos níveis atuais?”, se pergunta.
O cenário macroeconômico aponta para uma desaceleração da economia mundial, apesar de o consumo mundial de açúcar ter aumentado em média 1,5% ao ano.
- Aumento de disponibilidade e preços baixos costumam andar de mãos dadas. Mas uma esperada desaceleração no crescimento econômico global pode minar as perspectivas de expansão da indústria de alimentos sensível à variação de renda. Ou seja, o horizonte é carregado de nuvens negras. Se por um lado, entendemos que abaixo de 19,50 o mercado teria vida curta; por outro, acima de 23 ou 24 centavos de dólar por libra-peso, seria igualmente de curta duração - pondera Arnaldo Corrêa.
* Com informações da Archer Consulting