Fazer o molho de tomate em casa ficou mais caro nos últimos 30 dias. É o que aponta levantamento feito pelo Instituto Brasileiro de Economia, da Fundação Getúlio Vargas (IBRE/FGV).
Segundo estudo da entidade, o tomate é o principal vilão da alta de preços, com um aumento de 63,13% na capital entre junho e julho.
– Mas a alta não afetou só Porto Alegre. Das sete capitais pesquisadas, todas tiveram, entre os cinco itens que mais aumentaram, o tomate. No Rio de Janeiro chegou a aumentar 98% – destaca o coordenador da FGV no Rio Grande do Sul, Márcio Mendes da Silva.
Entre os motivos apontados para a alta no Rio Grande do Sul está a entressafra do produto no Estado, que tem seu período de plantio e colheita entre os meses de outubro e abril, além de problemas climáticos em alguns dos principais Estados produtores, como chuva em excesso em São Paulo e seca em Minas Gerais. Com isso, o mercado gaúcho precisa competir com outros mercados compradores pelo fornecimento do produto, que teve redução de oferta.
A safra gaúcha foi considerada uma das melhores da história em qualidade e produção, com uma colheita de 128 mil toneladas. Mas o agrônomo da Emater, Ênio Todeschini, ressalta que o tempo entre a colheita e a chegada nas gôndolas é muito rápido, o que causa essa dependência da produção do sudeste do país assim que o produto colhido no solo gaúcho acaba nos supermercados.
– Além de ser uma cultura que demanda bastante mão de obra e muitos insumos, ela tem uma rapidez no seu pós-porteira – enfatiza.
Dados da Associação Gaúcha dos Supermercados (Agas) apontam que o reajuste no preço do tomate aos consumidores foi acima de 60% se comparado ao mesmo período do ano passado. O quilo do produto, conforme pesquisa semanal da entidade, chegou a R$ 6,14 na terceira semana de julho. No início do mês, este preço era de R$ 4,18.
O presidente Antônio Cesa Longo lembra que é normal uma alta nesta época do ano devido à queda na oferta. Ele indica que houve uma redução de 15% na procura pelo produto por causa deste reajuste do preço.
– Os preços estão estáveis, mas não vemos uma tendência de queda nos próximos 15 dias ao menos. O tomate, mesmo tendo quatro variedades, como o Longa Vida, o Paulista, o Gaúcho e o Cereja, todos tiveram reajuste – informa Longo.
A boa notícia vem do atacado, onde o preço do tomate já apresenta uma queda de 6,25%. A cotação do quilo do Tomate Caqui Longa Vida está em R$ 3,50 de acordo com levantamento da Central de Abastecimento do Rio Grande do Sul (Ceasa), mas a menor oferta elevou os preços no início do mês, chegando a R$ 4,00 o quilo.
– O Estado está produzindo nesses meses de inverno apenas 5% do que consome neste momento. O resto vem de estados onde os problemas climáticos causaram grandes danos às culturas – afirma o gerente técnico da Ceasa, Amauri Moraes Pereira.
Enquanto isso, a dica é que os consumidores busquem alternativas para substituição ao tomate.
– Se o consumidor continuar pressionando pela procura do item, ainda haverá alta no preço. Se ele for mais moderado na procura, o que geralmente acontece, haverá uma desaceleração neste aumento – alerta Mendes da Silva, da FGV.

