A citricultura, além de ser uma atividade economicamente importante para o Rio Grande do Sul, é uma das alternativas para diversificação da produção, em especial em pequenas propriedades rurais. Em Liberato Salzano, a cadeia da citricultura já é a principal atividade econômica do município. Diante dessa importância, há nove anos é realizada a Abertura da Safra da Citricultura, que neste ano contou com um Dia de Campo, realizado na propriedade de Jocemar Marta.
A citricultura é o carro-chefe da propriedade de Jocemar Marta e família. São 13 hectares destinados à cultura. Há 18 anos eles iniciaram a atividade com apenas um hectare e foram aumentando gradativamente.
- O capricho e o cuidado são fundamentais para o sucesso - diz o produtor anfitrião do Dia de Campo.
A filha de Jocemar, a agrônoma Angélica, ressalta também a necessidade da análise e correção de solo, além da adubação. Na estação apresentada pela família, eles informaram que é possível alcançar um salário de mais de R$ 8 mil apenas com essa atividade, na forma como vêm conduzindo.
Também houve uma estação sobre adubação, na qual foi ressaltada a importância da análise de solo, apresentada por profissionais da Yara, e uma estação sobre manejo do cancro cítrico e da pinta preta, as quais estão entre as maiores pragas da citricultura, apresentada por técnicos da Ihara Bras.
O técnico da Emater Valtemir Bazeggio falou sobre tecnologias de aplicação e adequação ambiental, em função dos agroquímicos. Ele falou sobre o local adequando de abastecimento do pulverizador, de armazenagem dos agrotóxicos e destino das embalagens vazias, além do uso de equipamentos de proteção individual (EPI).
- Estamos alertando para que os produtores busquem orientação técnica, pois tecnologia de aplicação não é apenas o equipamento. É necessário fazer uma avaliação das culturas, ver qual é o problema, qual produto usar, qual o momento da utilização, a dosagem adequada e o equipamento - explica.
Segundo ele, fazer uso de um equipamento mal regulado ou um produto inadequado poderá acarretar na ineficiência, na contaminação do meio ambiente e no aumento do custo de produção.
Outra estação que chamou a atenção dos produtores foi a de manejo de fruta de mesa e pomares adultos, orientada pelo técnico da Emater Clair Olavo Bertussi. Ele ressaltou que o chefe do citricultor é o consumidor e que para entrar no mercado de frutas de mesa são necessários alguns cuidados.
- A fruta de mesa precisa ter uma boa aparência, bom tamanho, boa coloração. Procuramos abordar as práticas necessárias para que o produtor consiga frutas com esses aspectos, como a utilização de quebra-vento nos pomares, controle de pragas e doenças nos pomares, cuidados na colheita, armazenagem e transporte, caso contrário, terá frutas destinadas apenas a indústria com valor menor - explicou Bertussi.
O técnico da Emater Clair Bertussi também salientou que, para se manter no mercado, é preciso saber o que o comprador está querendo e ficar atento a novas espécies, citando como exemplo as frutas sem sementes. Falou ainda da necessidade de um fornecimento constante de frutas, pontualidade nas entregas, embalagem adequada e organização.
- Além da comercialização de frutas frescas, temos outras alternativas de mercado como a merenda escolar, o mercado justo e também o mercado orgânico. Em termos de rentabilidade, a fruta fresca sempre foi maior e melhor do que a destinada para a indústria - ressaltou.
Para o gerente regional adjunto da Emater, Jorge Buffon, a atividade da citricultura, em especial no município de Liberato Salzano, agregou-se às demais e está se apresentando como uma ótima alternativa econômica, ressaltando a já realidade da indústria no município, segundo ele, um elo importante da cadeia.
* Com informações da Emater