O atual panorama da produção animal de base ecológica vem crescendo de forma importante em função de um número crescente de pessoas que questionam a forma tradicional e industrial de criação de animais.
- Especialmente na Europa - destaca o médico-veterinário do escritório municipal da Emater de Santa Maria, Ricardo Machado.
O assunto será abordado pelo técnico durante a abertura da 3ª Semana dos Alimentos Orgânicos que começa nesta quarta-feira (23), às 18h, no Auditório da Pós-Graduação em Extensão Rural do Centro de Ciências Rurais, prédio 42, no campus da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). O evento é organizado pelo Núcleo Interdisciplinar de Extensão e Pesquisa sobre Alimentação e Sociedades (Nepals), da UFSM.
- Estes consumidores conscientes querem comprar e consumir produtos de origem animal, cuja produção tenha respeitado o bem estar destes animais, e que o modelo de criação seja sustentável no âmbito social, econômico e ambiental - ressalta Machado.
No Brasil, segundo Ricardo, a produção animal de base ecológica está geralmente restrita a pequenos criatórios da agricultura familiar que agregam valor a estes produtos através de agroindústrias.
- Produtos como derivados lácteos e ovos chegam aos consumidores através de feiras de produtores - detalha o técnico.
Ricardo diz, porém, que este fato não significa que seja um processo restrito à pequena escala.
- Há alguns grandes empreendimentos de pecuária de corte, com criação de animais à pasto e com fornecimento de homeopatia ao rebanho, onde a carne produzida é exportada para a França - afirma Machado.
Como vantagem para os produtores, o técnico diz que, quando bem implementadas, as tecnologias de base ecológica representam menor mão de obra para os criadores, diminuição dos custos de produção e agregação de valor por ser um produto diferenciado.
- Cada vez mais se abrem nichos de mercado em função de um público consumidor disposto a pagar mais por este produto - diz ele.
Em relação aos animais, Ricardo ressalta que terão sua dignidade respeitada.
- Por terem as suas necessidades básicas satisfeitas, são utilizadas tecnologias como homeopatia e a fitoterapia animal e, no caso de ruminantes, criação à base de pastagens. Com isso a sanidade dos animais e a saúde dos agricultores está equilibrada - destaca.
De acordo com o técnico da Emater, os consumidores também são beneficiados porque recebem um produto de alto valor biológico e nutricional, sem resíduos, como por exemplo, de antiparasitários e promotores de crescimento.
- Além disso, tem a satisfação de contribuir com o desenvolvimento de uma cadeia que garante a permanência dos agricultores no campo, com garantia de trabalho e renda e, fundamentalmente, contribuindo para que estes agricultores preservem e respeitem os recursos naturais de que todos nós e as gerações futuras dependem - afirma Ricardo Machado.
A programação da 3ª Semana prossegue no dia 24, às 18h, na Sala Cláudio Mussói, com o Seminário Produção Orgânica: dos circuitos curtos à sedução dos mercados, com o professor da UFSM, Paulo Roberto da Silveira. No dia 26 de maio, a professora da UFRGS, Magnólia Silva, e o fiscal do Ministério da Agricultura, José Cleber Dias de Souza, encerram o evento com o Seminário Produção Orgânica e Política do Ministerio, às 10h, no Centro de Referência em Economia Solidária Dom Ivo Lorscheister.
* Com informações da Emater