Desmotivados pelos custos da atividade, produtores trocam gado de leite por soja no RS
03 de setembro de 2012 0Os altos custos na produção de leite estão levando muitos produtores a abandonarem a atividade em troca da produção de soja. Entre os motivos da perda, está a estiagem que secou as pastagens e diminuiu o alimento do gado. A consequência é a menor produção de leite. Os custos com irrigação e suplementos alimentares para os animais, muitas vezes, não compensam. Por isso, produtores estão optando pelo plantio de grãos, especialmente a soja. Alguns deles estão vendendo equipamentos e animais. Luiz Borgone, podutor de leite no município de Selbach, no Alto Jaucuí, cria gado de leite há 40 anos. Ele trocou os animais pelos grãos e na semana passada, vendeu a última cabeça de gado. Segundo ele, foi um bom negócio.
- É muito terrível para quem não tem irrigação. Eu tenho irrigação há 20 anos, por isso mesmo deu certo a produção de leite. Mas agora resolvi sair do gado de leite e começar a trabalhar com soja, milho e trigo. Fica bem interessante em uma pequena área produzir 4/5 mil sacas de grãos por ano, e o preço do grão está bom - ressalta Luiz.
O presidente da Associação de Laticinistas do Rio Grande do Sul confirma a tendência de mudança do setor econômico. Embora a instituição não tenha estatísticas, Ernesto Krug, afirma que o fenômeno acontece há alguns meses e prevê, inclusive, a queda na produção de leite na próxima safra. O principal motivo é o aumento no preço da soja no mercado.
- Praticamente nos últimos meses a soja duplicou o preço, a rentabilidade está sendo alta como nunca foi. Está havendo realmente uma retração do leite, ou do corte, ou de outra atividade. Estimo uma queda com certeza de 20% a 30% da produção - afirma o dirigente.
O resultado a longo prazo para o consumidor pode ser a alta no preço do leite, por causa da menor oferta. Segundo a Emater, a área plantada com soja deve aumentar 6,2% na próxima safra. O valor da saca de 60 quilos no Porto de Rio Grande ultrapassou a barreira dos R$ 70,00 no início de agosto, o que é considerado um recorde histórico para o setor.
Évelin Argenta

