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Bertrand Chaverot: O Brasil ainda não iniciou na era de desenvolvimento de games

09 de dezembro de 2009 8

Bertrand Ubisoft

Responsável pelas operações da Ubisoft no Brasil, o francês Bertrand Chaverot (foto D) concedeu uma entrevista exclusiva para o Canal dos Games na última semana. Nela, conta um pouco dos objetivos da multinacional e analisa a situação brasileira no mercado desenvolvedor de games, frente a um país cheio de impostos.
Com 15 anos de Ubisoft, Bertrand disse que é um jogador versátil. Gosta de jogar Wii com as filhas e games como Gran Turismo, Uncharted e Assassin’s Creed. Mas quando está sozinho, prefere ler um livro.

Canal dos Games: Como você vê o estúdio de Porto Alegre em relação aos demais da Ubisoft?
Bertrand:
Estúdio novo, mas já com experiência. Ficará dentro de uma universidade (PUCRS) e participará de um curso de pós-graduação. É a mistura de experiência de veteranos com sangue novo.

Canal dos Games: Esse modelo universidade/empresa já é adorado onde?

Bertrand: O ideal é unir universidade, governo e empresa. Temos esse tipo de parceria em Singapura e Montreal. Aqui estamos começando parceria empresa e universidade. Governo, vamos ver pro futuro. 

Canal dos Games: Como os altos impostos no Brasil atrapalham vocês?
Bertrand: Tem dois assuntos. Os impostos sobre as importações atrapalham o negócio. A Ubisoft não tem filiais aqui, já que é impossível competir com a pirataria. Uma pena para a Ubisoft, porque perde um mercado, e grande pena para o país, que perde uma indústria com faturamento superior ao do cinema e música juntos.
Segundo assunto é imposto sobre trabalho. É um problema no Brasil. Se pagar “100” a alguém, o custo sairá mais de “200”. É um problema para o país em geral, problema de competitividade internacional. Os planos da Ubisoft são de crescer de 50 hoje para 100 funcionários no futuro. Depois, uma equação a calcuar entre a eficacidade, produtividade e o custo mensal. Se o país não tivesse cargas patronais malucas, teria muito mais empregos nessa indústria de software.

Canal dos Games: O Brasil está muito atrasado no desenvolvimento de games?
Bertrand: Não é que está atrasado. É que ainda não começou. Tem que ter mais empresas que venham para o país. Não só a Ubisoft. Vários competidores criam uma indústria e geram um ecossistema. O país tem uma população jovem muito importante, uma paixão pela tecnologia. O Brasil tem que se posicionar também para mídias interativas como videogames.

Canal dos Games: Acha que no Brasil será possível projetos grandiosos como Assassin’s Creed ou Modern Warfare?
Bertrand: Para montar um estúdio capaz de fazer jogos “next-gen”, requer antes ter feito três projetos, ter aprendido com seus erros, treinado pessoas. Isso tira pelo menos cinco anos. Mas o mercado de videogames será muito diverso no futuro. Continuará tendo jogos de US$ 30 milhões, mas também terá outro mercado para outros tipos de games, mais curtos, criativos, personalizáveis, para multijogador. É só o começo. O objetivo não é que cada estúdio da Ubisoft tenha times de 400 pessoas.

Canal dos Games: Como a Ubisoft vê a potencialidade de jogos casuais, como para o Facebook?
Bertrand: A Ubisoft começou a fazer jogos casuais há três anos, na linha “Games for Everyone”, baseado nas plataformas Wii, DS e PC. Agora, estamos nos focando em títulos com função online para PC. Queremos aproveitar dessas redes sociais que já têm dentro delas ferramentas para compartilhar conteúdo, competir, desafiar e conhecer novas pessoas. É um novo mercado que está aparecendo e ainda tem muito que melhorar a qualidade, a experiência dos jogadores.

Canal dos Games: O que representa para você o lançamento de um jogo recordista de vendas e faturamento como Modern Warfare 2?
Bertrand: Isso é ótimo. Mostra que o mercado reconhece a qualidade. Mas também é um desafio para todos. Significa que a Ubisoft deve continuara investir na qualidade. Não tem outra direção.

Comentários (8)

  • Sabrina Naud diz: 9 de dezembro de 2009

    Concordo com ele que a indístria auqi ainda nnao começou olhando pelo share que eles atuam. E também considerando que são pouquíssimas as empresas aqui, que conseguem alcançar um nível de produção internacional. Exemplos do bom lado: Seagull e Aquiris. Mas considerando a produção de webgames e jogos de celular, nosso mercado merece alguma consideração.

  • Giovanni diz: 9 de dezembro de 2009

    Espero que um dia o “pre-conceito” que existe no Brasil contra esse mercado mude e que, como pais emergente em importante posição sócio-econômica como nos encontramos, cada vez mais tenhamos notícias boas como a criação de mais esse estudio no Brasil!

  • Carlos Eduardo Chies diz: 9 de dezembro de 2009

    Isto aqui é chave “Segundo assunto é imposto sobre trabalho. É um problema no Brasil. Se pagar “100” a alguém, o custo sairá mais de “200”. É um problema para o país em geral, problema de competitividade internacional.”

    Precisamos de um governo que pare de aumentar impostos e deixe o dinheiro na mão de quem tem vontade de produzir.

  • Josue diz: 9 de dezembro de 2009

    “…pagar “100” a alguém, o custo sairá mais de “200””. Uma empresa de jogos não poderia se valer da Lei de Informática (já usada por várias empresas no país) para ter exoneração da folha de pagamento ?? Acho que sim pois jogo é software.

    Não quero começar uma guerra política aqui no blog, mas o atual governo federal foi que mais deu dinheiro para quem tem vontade de produzir desde na era democrática. São varias iniciativas através do BNDES, Prime (primeira empresa inovadora, não procurei mas é possível que haja alguma de jogos que recebeu grana neste último Prime), Fundos Setorias, Lei de Informática, Lei de Inovação (Lei 10973), todos os mais de 300 milhões de reais investidos na área de microeletrônica (SIM, o Brasil irá fazer chips aqui, e em Porto Alegre)… apenas para citar o que lembro de cabeça. Obviamente para alguém botar a mão nesta grana muitas vezes dada a fundo perdido pelo governo, é preciso escrever um bom/ótimo plano de negócios (apenas para começar)… :)

    See ya !

  • Gustavo S. diz: 10 de dezembro de 2009

    Não se pode esperar pelo governo, nunca. Aliás, deve-se fugir dele, sempre. Política e tecnologia não andam juntas. E os nossos bons profissionais, que acabam saindo do país, não voltam. Grandes empresas nascem em garagem, junta-se 2, 3 pessoas e se começa. Altos tributos, CLT e dinheiro a um custo altíssimo impossibilitam o surgimento de pequenos estúdios. Tudo isso associado a impostos abusivos de importação. Nossa juventude de massa não tem acesso ao topo da tecnologia, e sem pirataria (PS3), não terá acesso tão cedo. Lembro da quantidade de horas que perdi para entender como funcionava o PS2, trabalho este que foi publicado na Internet e amplamente usado até os dias de hoje, inclusive para o PSP. Sim, foi um brasileiro, de Porto Alegre, que fez isso.

    Para desenvolver esse mercado, tem que ter grana a fundo perdido sim. No meu entendimento, fundo perdido não necessitaria de plano de negócios. Quanta grana foi colocada na industria nacional e quanta porcaria foi feita até um blockbuster emplacar como em “Cidade de Deus”? O que a gente precisa é gente que faça, e não administradores ou políticos querendo essa grana a fundo perdido. E essa história sempre acaba do mesmo jeito: acaba a grana do fundo, faz-se qquer coisa para pagar as contas (aluguel, luz, funcionario, impostos, salario do administrador/politico), e acaba todo mundo fazendo web page, flash, ou animação gráfica.

    Sim, tem que deixar essa molecada errar, e errar muito. Encher essas empresas de game de dinheiro, produzir tecnologia de base – talvez seja mais facil produzir “libs” de apoio para desenvolver jogos lá fora, do que sair direto a produzir o game. Em uma analogia ao cinema, talvez aprender a montar cenários, técnicas de maquilagem em atores, produção de roteiros cinematográficos sejam mais importantes do que a produção de um filme em si.

    Ai eu pergunto pra quem está iniciando na carreira. Voce gostaria de trabalhar em um projeto para um game tipo “Modern Warfare 2″/”Uncharted 2″, ou um game do tipo “Kids for glory 2010 – learning how to count 1,2,3″. Se, por exemplo, alguém fizesse uma lib para som espacial, altamente qualificado, e que por ventura fosse usado no Modern Warfare 3, não seria uma conquista incrível?

    Fica aqui meu comentário.

  • Carlos Eduardo Chies diz: 10 de dezembro de 2009

    “o atual governo federal foi que mais deu dinheiro para quem tem vontade de produzir desde na era democrática.”

    Tenta fazer o balanço entre as iniciativas – e o tipo de empresa que deles se vale – e os impostos.
    Tu vais logo perceber a diferença.

    abraços

  • Josue diz: 10 de dezembro de 2009

    Não vou me aprofundar muito mas vejam este link http://tinyurl.com/yjgtn82 que deve BASICAMENTE ao investimento anterior que o governo fez em microeletrônica (vide http://www.ceitec-sa.com) pois se não tivesse nada de microeletrônica no país claro que ninguém investiria. Por isso, na minha opinião, o governo deve estar sempre junto com as indústrias emergentes, acredito que a hora do jogos vai chegar. O governo já enxergou à anos a maior indústria do planeta que é a microeletrônica e acho que ele logo enxergará os jogos.

    Faço um adendo de que a comunidade acadêmica brasileira de microeletrônica, leia-se professores (inclusive da UFRGS), fizeram muitos esforços para que o governo viste a microeletrônica com os olhos que vê hoje. Ou seja, o professores TROVARAM, explicaram, e convenceram os políticos a liberar a grana para área. Houve ou está havendo esforço semelhante dos nomes fortes na área de jogos no Brasil ? Sem falar que não é nenhum favor os políticos ‘darem’ (de maneira legal) grana para qquer indústria afinal o dinheiro é nosso mesmo.

    Btw, nunca produziremos um jogo de $30 milhoes se não começarmos pelos “Kids for glory 2010 – learning how to count 1,2,3″… e diga-se de passagem a Hoplon é belo exemplo muito acima deste nível do ‘learning to count…’.

  • Caio diz: 3 de fevereiro de 2010

    É de fundamental importância a assistência do governo às empresas promissoras como as de jogos. É com a experiência de anos dos extrangeiros que conseguiremos a longo prazo criar os nossos estúdios nacionais que começarão a disputar espaço com esses veteranos. Gera empregos e ajuda no desenvolvimento do país. O que não pode continuar são esses impostos absurdos. Hoje em dia um jogo que custa U$70,00 não sai por menos de R$180,00 aqui no Brasil. O povo só recorre a pirataria porque os preços são elevados. Quem realmente é fã dos jogos vai querer dar apoio aos seus desenvolvedores para que continuem a lançar ótimos exemplares. Falta realmente a união entre governo (dinheiro), universaidade (criatividade) e as empresas internacionais de jogos (experiência) para que o Brasil inicie sua jornada pelo mundo dos jogos a preços acessíveis a população. Mas um governo que visa lucros exorbitantes torna-se um imenso empecílho.

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