Em minhas colunas anteriores aqui no Canal dos Games, escrevi sobre a épica saga do jogo Command & Conquer e suas duas principais “divisões”: Tiberium e Red Alert. A primeira infelizmente chegou a um fim, e a segunda ainda tem esperanças, mas infelizmente incertas. Ainda faltou um universo para eu comentar, e este é o universo Generals. Também, irei comentar sobre a versão “transgênero” de Command & Conquer, chamada “Renegade”. Ficou curioso?
Command & Conquer Generals, lançado em 2003 diretamente pela Electronic Arts, marcou o abandono da série pela falecida Westwood Studios, que foi adquirida e posteriormente fechada pela EA. Primeira aparição do game de estratégia em tempo real no mundo 3D, Generals, ao contrário de seus antecessores, não contava com uma história mirabolante e muito menos com armas impossíveis. Generals era totalmente baseado na guerra moderna, com armas existentes. E adivinhem o que não pode faltar em um enredo de guerra moderna? Exato! Não podem faltar os terroristas do Oriente Médio e suas bombas! Sem sombra de dúvidas, esse é o Command & Conquer mais clichê de todos…
Adoraria comentar sobre a história do jogo, mas cadê? É… A EA tentou inventar um C&C com foco unicamente no modo multiplayer, deixando a história de lado, que sempre foi o chamariz da série. No modo campanha, curtíssimo, você apenas seguia algumas instruções ESCRITAS que apareciam na tela, e nada mais. Algo bem “sem sal” mesmo para quem estava acostumado com longas cenas com atores reais e belos efeitos. Isso foi mudado um pouco na expansão, chamada “Command & Conquer Generals: Zero Hour”, onde entre cada missão apareciam, conforme a facção que você escolhia, alguns vídeos que demonstravam jornalistas falando sobre o conflito. EA, não precisava disso! Se fosse pra fazer isso, a gente continuava assistindo Globo News! Mas tudo bem…
Ah, e as facções. São 3 no total. A mais poderosa e cheia de tecnologia, com inúmeros aparatos, melhor defesa e melhor super-arma (um canhão de partículas parecido com o Canhão de Íons dos jogos anteriores) é a facção dos Estados Unidos. Bombas conhecidas (lembram-se da tão falada “Mãe de Todas as Bombas” durante a invasão afegã pelos EUA? Está no jogo), aviões invisíveis, snipers, lançadores de mísseis guiados por laser e os famosos humvees fazem parte do seu arsenal.
Depois, temos o Exército do Povo, a China. Basicamente, a força em números, como o próprio jogo faz questão de informar. A cada soldado que você mandava treinar nas barracas, saiam dois ao mesmo tempo. Além disso, a China possuía os melhores tanques e era mais forte, ainda por cima com a super-arma mais temida: a bomba nuclear. Um exército bastante focado em ataques com fogo (tanques lança-chamas fazem parte do arsenal), quando o jogador sabe usar a China, ela se torna um combatente mortal.
Ainda possuia uma unidade ótima: hackers que podiam trazer dinheiro sem parar para o exército, podiam roubar o dinheiro inimigo ou mesmo inutilizar estruturas inimigas. E por último, mas não menos importante, temos o exército formado pelos terroristas, chamados GLA, ou Exército de Liberação Global. Formados por rebeldes com tecnologia zero (sequer precisavam de energia), é uma facção que dá bastante dor de cabeça, pois além de possuir homens e carros bomba, possuia inúmeros ataques com bombas tóxicas, capazes de dizimar rapidinho qualquer exército, e também uma super-arma composta de mísseis Scud (supostamente encontrados em Bagdá, lembram?). Se eles são uma pedra no sapato atualmente, não seriam diferente no jogo…
O jogo em si não é RUIM, mas não posso dizer que realmente é um Command & Conquer. Primeiro, você não mandava construir diretamente as estruturas: você precisava selecionar um trabalhador ou um trator, para então essa unidade construir o que você deseja. Age of Empires?? Pois é…
Segundo, a barra de ferramentas do jogo, que sempre foi na direita da tela, ficou em baixo (e assim foi seguido pelo péssimo Command & Conquer 4). Terceiro, que eu já comentei: não havia história e nem cenas com atores reais.
Podemos dizer que o jogo foi uma “cobaia”, pois a partir dele foram retiradas muitas coisas boas. Foi o jogo que trouxe os poderes de suporte, usados nos jogos posteriores, e também trouxe upgrades às unidades (mais Age of Empires?) e estruturas. Tudo indica também que teremos um “Generals 2″, pois a própria EA considera Generals como um universo à parte mesmo, tanto que assim está no site deles.
Mas antes do Generals, a série Command & Conquer, ainda nas mãos da finada Westwood Studios, passou por uma peripécia: uma versão FPS de um RTS. Ou seja: Command & Conquer em primeira pessoa, de tiro!!
Com gráficos feios até pra época, e requisitos relativamente pesados, o jogo tinha um ótimo potencial, mas não deu muito certo… Foi bastante popular apenas entre os fãs da série, nada mais. A história, baseada no universo Tiberium, gira em torno de um capitão GDI que está atrás de alguns membros sequestrados pela Irmandade de NOD. Você precisa então ir atrás deles! Vários elementos do jogo original estão lá: unidades e tanques conhecidos, Tiberium e até as torres de raios mortais (Obelisk of Light). O “respawn point” das unidades se dava nas barracas, e você possuia para gastar no que quisesse o dinheiro de toda a base, que era coletado com caminhões coletores de Tiberium.
Dentre os gastos estavam unidades melhores para você se tornar, tanques e até super-armas. As super-armas, pra começo de conversa, precisavam ser plantadas, e não simplesmente jogadas em qualquer lugar. Os tanques você podia pilotar, e era algo bem legal. Se você quisesse ganhar, precisava primeiro acabar com o coletor de Tiberium inimigo, depois lidar com as defesas das bases (automáticas como no jogo original) e por último destruir as construções. Poxa, bastante inovador para um jogo de tiro, não acham? Pena mesmo que não fizeram um jogo com uma boa jogabilidade e uma ótima campanha single player. Tinha muito potencial…
Rumores de uma segunda versão da série Renegade sempre estiveram no ar, inclusive com a EA uma vez anunciando outro jogo de FPS da franquia, chamado “Tiberium”, mas que foi cancelado posteriormente por motivos de brigas e desentendimentos entre as equipes de produção. Outra pena, pois o jogo estava simplesmente lindo!
Veja nos vídeos abaixo como ele estava sendo preparado e a maravilha que a EA deixou escapar:
Então, pessoal… Chego ao fim das minhas reviews sobre esta série de estratégia em tempo real que angariou inúmeros fãs por todo mundo, inclusive este que vos escreve. Espero que o jogo não seja simplesmente jogado no limbo pela EA, mas tudo indica que talvez seja. Uma pena, pois essa série épica foi o pai de todos os jogos de estratégia que conhecemos hoje.
_________________________________________________________________________________
Post de Murilo Dantas, em contribuição para o Canal dos Games. No Twitter, pode ser encontrado em como @mudantas

















Gamemaster:











