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Padilha e os sinais, publicado em Zero Hora e Diário Catarinense de 05/12/15

05 de dezembro de 2015 0

O ambiente do impeachment é de campo minado. Grupo de Temer se afasta

A saída do ministro da Aviação Civil, Eliseu Padilha (PMDB-RS), do governo Dilma Rousseff é interpretada por grupos do PMDB como uma senha para um desembarque ainda maior. E a leitura está correta. Padilha é o ministro mais próximo do vice-presidente da República, Michel Temer, a ponto de muitas de suas declarações serem confundidas com as do próprio Temer.
- É uma sinalização do afastamento do vice-presidente do governo – entendeu o deputado Mauro Mariani (PMDB-SC).
A interlocutores mais próximos, Padilha já vinha comentando que não se sentia à vontade diante do atual cenário. Questionado, não podia falar bem nem mal do processo de impeachment. Se a presidente cair, quem assume o cargo é Temer. Se isso acontecer lá na frente, certamente o gaúcho ficará responsável pelas negociações em torno de um novo governo de coalizão.
Motivos práticos não faltam para o descontentamento do ministro. Do corte de recursos que paralisa o programa de aviação regional à indicação frustrada para cargo na Anac. Quem conhece Padilha sabe, no entanto, que ele é homem de partido. Se o vice considerasse fundamental, ele teria ficado. Foi assim quando a presidente Dilma o convidou para assumir a Secretaria de Relações Institucionais. Padilha disse não, Temer assumiu. Quem tocava a rotina da articulação política, no fim, era o gaúcho. Além disso, o ambiente é de campo minado.
O movimento de Padilha é tão delicado que os petistas reunidos na Executiva do partido, ontem, evitaram posições radicais. Integrantes da cúpula do partido avaliam que há duas possibilidades: se depois da conversa com Dilma, Padilha voltar atrás é porque ele só queria pressionar por melhores condições à frente da pasta.
- Mas se ele decidir sair mesmo, é golpe – classificou um petista.
Além de Padilha, mais seis peemedebistas de diferentes plumagens estão na Esplanada. Há os mais afinados com o presidente do Senado, Renan Calheiros (AL), os indicados pelo deputado Leonardo Picciani (RJ) e uma mais fiel a Dilma, Kátia Abreu (TO), do Ministério da Agricultura. Se Temer assumir, no entanto, será o PMDB em peso no poder. Ou seja, todos continuarão contemplados.

Coluna na Zero Hora e Diário Catarinense de 02/12/2015

02 de dezembro de 2015 0

Desespero petista
Foi com alívio que boa parte da bancada do PT viu a sessão do Conselho de Ética ser suspensa sem a votação da abertura de cassação contra o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). O ato protelatório foi mais uma vez conduzido pelos aliados de Cunha. Embora liberados pelo partido, os três deputados petistas do conselho passaram a tarde sob forte pressão do Planalto para que não votassem contra Cunha em troca do engavetamento do processo de impeachment. Qualquer deputado com um mínimo de bom senso – e sem o rabo preso com o próprio Cunha – sabe que proteger o presidente da Câmara é suicídio político. A boa parte da bancada petista tem consciência de que o voto pró-Cunha é enterrar o próprio partido. A lógica do Planalto é que o peemedebista deve ser derrubado pela oposição e que o partido da presidente Dilma não deve ser o protagonista da derrubada do deputado com contas na Suíça. Mas isso seria a desmoralização total do PT. Quem sabe disso acredita que ganhou mais tempo para convencer o trio do Conselho.

ATESTADO
Desta vez todos os deputados da bancada gaúcha do PT na Câmara assinaram documento contra o presidente da Câmara, Eduardo Cunha. Até o ex-presidente da Casa, Marco Maia, que da outra vez não havia participado do movimento, desta vez assinou. Ao todo, 31 parlamentares assinaram, de um total de 60 deputados.

COLEGIAL
Suplentes no Conselho de Ética, Onyx Lorenzoni (DEM) e Sérgio Moraes (PTB) brigaram pelo direito a votar, em caso de ausência de um titular. Sérgio foi o primeiro da fila, mas Onyx, um voto aberto contra Cunha, foi mais rápido no registro da presença.
- Isso não é coisa de homem e muito menos de gaúcho – reclamou Moraes, apontado pelos colegas como um provável voto para Cunha.

PAPÉIS TROCADOS
A Comissão de Orçamento aprovou a previsão da CPMF para 2016, mas com polêmica. O deputado Caio Narcio (PSDB-MG) votou não para a contribuição, criada no governo FHC.
- Engraçado que no passado vocês votavam a favor – provocou o deputado Paulo Pimenta (PT-RS)
- E vocês votavam contra – rebateu o tucano.

 

Coluna na Zero Hora e Diário Catarinense de 01/12/2015

01 de dezembro de 2015 0

Desmoralizado
Apesar das ameaças de impeachment contra a presidente Dilma, os deputados petistas do Conselho de Ética estão liberados para votarem pela admissibilidade do processo de cassação contra o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Embora ele negue que tenha recebido os R$ 45 milhões para negociar uma emenda em uma MP, a informação divulgada às vésperas da reunião do conselho acaba entrando como mais um elemento na ficha corrida do parlamentar. Se ele não conseguir colocar em prática nenhuma medida protelatória, a votação de hoje no conselho será pela abertura do processo. Vale lembrar que o voto é aberto, assim como foi a sessão no Senado que manteve a prisão do senador Delcídio do Amaral (PT-MS). Neste clima de indignação, em que a corrupção virou a principal preocupação do brasileiro, qual deputado votará para livrar Cunha da abertura de um processo?

KASSAB LIGOU
Comandante do PSD, o ministro Gilberto Kassab ligou para Porto Alegre para dar orientações sobre o destino do deputado estadual Jardel. Diante do escândalo, o deputado deverá ser expulso do partido. O caso Jardel deixa uma lição para a sigla: na ânsia de inchar os seus quadros, o PSD nunca deu bola para a biografia dos filiados.

DURA REALIDADE
Sem chance de pedalar ou de apelar para a contabilidade criativa, a presidente Dilma chega às vésperas do recesso parlamentar mergulhada em uma confusão orçamentária. Ministros mais fieis ligavam ontem, quase em desespero, para mobilizar suas bancadas a favor da votação da nova meta fiscal.

AGONIA
O senador Delcídio do Amaral não terá vida fácil no Conselho de Ética. Dos 15 integrantes, nove votaram para que ele permanecesse preso. O DEM vai trocar um parlamentar e o PSDB pretende indicar Aloysio Nunes (SP) e Cássio Cunha Lima (PB) para titular e suplente de uma vaga em aberto.

MOTIVO
A Procuradoria Geral da República encaminhou ao STF novos inquéritos contra o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL). Isso explica porque ele se empenhou tanto para que a votação da prisão de Delcídio do Amaral fosse fechada.

DESPEDIDA
Entre os petistas gaúchos, o comentário é que o senador Paulo Paim já começou a se despedir dos companheiros de partido e que anuncia a saída do PT até o dia 15. Paim continua dizendo que uma decisão sai até o final do ano e não confirma que já está acertada a migração para a Rede.

Coluna na Zero Hora e Diário Catarinense de 30/11/2015

30 de novembro de 2015 0

Lula sangra
Líder absoluto do PT, Lula perde a aura do candidato imbatível para 2018, aquele capaz de segurar o projeto de poder que está por um triz. Essa era a crença de muitos petistas que, agora, terão mesmo que reinventar o partido. Pesquisa Datafolha mostra que a taxa de rejeição do ex-presidente avança na mesma rapidez com que novos lances da Operação Lava-Jato são desvendados. A prisão do senador Delcídio do Amaral (PT-MS) só agrava esse quadro de desconfiança do eleitorado com o PT, com Lula e, por consequência, com o governo Dilma. Ele ainda mantém o segundo lugar nas simulações. Mas a mesma pesquisa revela que, hoje, a maior preocupação da população é com a corrupção. E o combate à corrupção era a principal bandeira do PT, que foi abandonada nos últimos anos. Isso ajuda a explicar tamanho desgaste.

PARALISOU
A prioridade absoluta do governo é conseguir votar a mudança da meta fiscal ainda amanhã no Congresso. A oposição, no entanto, já anunciou que vai obstruir em protesto contra o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ) e uma ala significativa do PMDB ameaça fazer corpo mole.

PEDALANDO
Se as empreiteiras já estavam reclamando de atrasos nos repasses do governo, com o novo corte no orçamento, podem se preparar para receber somente em janeiro. A partir de hoje, ministérios começam a se organizar para manter o pagamento do essencial.

SOLIDARIEDADE
O Conselho de Ética do Senado dificilmente conseguirá votar a abertura do processo de cassação contra Delcídio do Amaral (PT-MS) ainda neste ano. Único gaúcho do grupo, o senador Lasier Martins (PDT-RS) defende que a decisão seja acelerada, mas reconhece que, além dos prazos apertados, o conselho é dominado pelo presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL). No plenário, Calheiros fez de tudo para que o voto sobre a prisão de Delcídio fosse fechado.

CADA UM POR SI
Diante do contínuo desgaste do partido, deputados petistas pressionados pelas suas bases estão chutando o balde por conta própria. O deputado Dionilso Marcon, ligado ao MST, divulgou nota defendendo a expulsão do senador Delcídio do Amaral do partido e a punição do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ).

Nem benzendo, publicado em Zero Hora de 28/11/2015

28 de novembro de 2015 0

Delcídio conhece os segredos da República. Uma delação pode ser a gota d´água que falta para o caldeirão transbordar

Sem dinheiro para pagar água, luz, telefone, diárias e com a volta do risco de impeachment rondando o Planalto, a presidente Dilma Rousseff faz bem em cancelar as viagens ao Japão e Vietnã. Aliás, não é hora de um presidente da República mergulhado em uma crise crônica deixar o país. O ano chega ao fim e a situação não poderia estar pior para Dilma e para o PT.

A prisão do senador Delcídio do Amaral (PT-MS), até então líder do governo no Senado, trouxe de volta a tensão das relações com o Congresso. Câmara e Senado ameaçam paralisar as atividades a três semanas do recesso parlamentar. E há medidas urgentes a serem votadas, como a mudança da meta fiscal de 2015. Sem essa alteração, o governo fecha o ano de maneira irregular. Um crime que poderá alimentar mais ações na tentativa de afastar a presidente. Nas mãos do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), o governo aposta no poder de articulação do peemedebista para aprovar a medida na próxima terça-feira. O preço será alto.

Ao mesmo tempo, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), volta a usar o impeachment como moeda de barganha. Assustado com a prisão de Delcídio, Cunha manda recados. Já avisou que terminou a análise das ações contra a presidente. A decisão sai depois da reunião do Conselho de Ética que votará a abertura do processo de cassação. Cunha quer votos para ser liberado. Por isso, ameaça.

Para piorar, um corte de R$ 10,7 bilhões no orçamento de 2015. Em razão da queda de arrecadação e da incompetência no corte de gastos, a economia prevista não foi feita. Pelo contrário. O corte é um reconhecimento do fracasso das ações de ajuste.
Na sede da Polícia Federal, o senador Delcídio vira uma bomba ambulante. Furioso com a notícia de que Lula o teria criticado, além do abandono do PT, o petista não escondeu a irritação. Delcídio conhece todos os segredos da República. Se resolver apelar para a delação, poderá ser a gota d´água que falta para o caldeirão transbordar.

Coluna no Diário Catarinense e A Notícia de 28/11/2015

28 de novembro de 2015 0

Dilma sem poder de barganha
Semana tensa para a presidente Dilma. O governo precisa assegurar a votação na terça-feira da proposta que muda a meta fiscal de 2015, caso contrário será acusado de crime de responsabilidade fiscal. Isso poderá alimentar – de maneira concreta – novos pedidos de impeachment. As atenções dos ministros da área econômica estão voltadas para essas negociações, mas o momento não poderia ser pior. Com a prisão do senador Delcídio do Amaral (PT-MS) as relações do Planalto com o Congresso estão ainda mais desgastadas. Câmara e Senado ameaçam uma paralisia. O governo, por sua vez, não tem qualquer trunfo e está totalmente nas mãos do poder de articulação do presidente do Senado, Renan Calheiros.

BOM SENSO
O corporativismo está matando o Hospital Universitário. Somente duas universidades que mantém hospitais – UFSC e UFRJ – resistem a aderir a Empresa de Serviços Hospitalares (EBSERH), com a seguinte alegação: privatização do setor. Além de ser um erro de informação, essa resistência está prejudicando o cidadão de Santa Catarina. O Hospital Universitário de Rio Grande – que já aderiu – abre concurso para contratação de funcionários dentro de 15 dias.

DEFENSOR
De volta ao Ministério da Educação, Aloízio Mercadante, é um defensor da Empresa de Serviços Hospitalares. Se alguém esperava vencer o MEC pelo cansaço, agora pode esquecer.

TEMOR
Por trás da reunião do governador Raimundo Colombo com o ministro Joaquim Levy (Fazenda) pode existir uma desconfiança. O governador foi buscar informações a respeito da renegociação da dívida dos Estados com a União, marcada para fevereiro. Mas até agora o governo não enviou aos governadores qualquer orientação sobre os trâmites. Sem conseguir fechar as contas, será que o governo não vai inventar outra pedalada?

CAUTELA
A posição do PSDB no Senado sobre apresentar um pedido de cassação contra o senador Delcídio do Amaral deve ser discutida na próxima terça-feira na reunião da bancada. O senador Paulo Bauer lembra que ainda falta a manifestação do judiciário, depois da apresentação da defesa do petista.
- O Senado não pode assumir o papel que cabe ao poder judiciário – afirma o senador Paulo Bauer (PSDB).

 

Coluna na Zero Hora e Diário Catarinense de 27/11/2015

27 de novembro de 2015 0

Dias contados
A expectativa do ministro do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, é que ainda no início de 2016 a corte decida se o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), vai ou não virar réu em um processo da Lava-Jato. Em entrevista à Rádio Gaúcha, Mendes lembrou que a denúncia foi apresentada em agosto pela Procuradoria Geral da República. Até agora, o advogado de Cunha vem conseguindo a dilatação de prazos, pedindo acessos a documentos para elaboração da defesa. Mesmo que o peemedebista consiga manobrar para adiar as deliberações do processo de cassação no Conselho de Ética, é muito difícil que ele escape da denúncia no STF. A equipe do procurador-Geral, Rodrigo Janot, tem sido cuidadosa e detalhista nos encaminhamentos ao Supremo. A ordem é evitar o risco de ter um pedido rejeitado. Com a prisão do senador Delcídio do Amaral (PT-MS), Cunha ganha um fôlego. Mas por pouco tempo.

IRADOS
A nota do PT que negou “solidariedade” a Delcídio do Amaral (MS) irritou os senadores do partido, que se sentiram “rifados”. A bancada pediu uma reunião com Dilma Rousseff e outra com Lula. Quer explicações sobre o “desencontro”.

SUBIU NO TELHADO
Relator das contas de 2014 da presidente Dilma, o senador Acir Gurgacz (PDT-RO), confirmou que o projeto do orçamento para 2016 deixa de fora a volta da CPMF. Para o governo, conseguir ressuscitar o tributo é fundamental para engordar a arrecadação. A única chance será por meio de um destaque ao texto principal, que precisa ser aprovado por maioria dos parlamentares. A votação será na semana que vem.

FELIZ NATAL
Temendo a paralisia do Congresso, o governo está preocupado em aprovar a redução da meta fiscal o quanto antes, para não virar o ano cometendo crime de responsabilidade. A oposição, contudo, prevê que seja uma sessão esvaziada e sem quórum para votar outro tema importante: o orçamento de 2016.

KAMIKASE
O medo das delações está generalizado na capital federal. Quem conhece o empresário José Carlos Bumlai, conhecido como amigo do ex-presidente Lula, afirma que ele não suportará uma semana de cárcere.

Coluna na Zero Hora e Diário Catarinense de 26/11/2015

26 de novembro de 2015 0

A casa caiu

Senado confirmou decisão do STF para não agravar ainda mais o desgaste político

A lenta e difícil recuperação política do governo Dilma volta à estaca zero com a prisão do senador Delcídio do Amaral (PT-MS). Até a venda superfaturada da refinaria de Pasadena, que já estava silenciada, volta à tona. É devastador o efeito dos diálogos escandalosos a favor da fuga de Nestor Cerveró, em que alguns dos principais nomes da República são citados. São as entranhas da corrupção explicitadas pela Lava-Jato. E o impacto é maior porque Delcídio não é um simples senador. Ele era líder do governo no Senado, homem de confiança da presidente da República, à frente das negociações dos principais projetos. Ele estava mandando Cerveró para a Espanha só para salvar a própria pele ou servindo também de porta-voz de outros interesses?
O clima ontem no Senado era de velório, perplexidade e medo. A prisão de um senador no exercício da função deixou de ser tabu. Se mais alguém resolver usar da influência para atrapalhar as investigações – e se as provas forem contundentes – também poderá passar uma temporada no xilindró. Sempre vale lembrar que do presidente Renan Calheiros (PMDB-AL), passando por Edison Lobão (PMDB-MA) a Gleisi Hoffmann (PT-PR) e Ciro Nogueira (PP-PI), todos estão sendo investigados. Mesmo assim, a prisão de Delcídio foi confirmada por esse plenário, que não quis assumir um desgaste ainda maior. Uma vitória foi a opção dos senadores pelo voto aberto. O eleitor tem o direito de saber como se comportou o seu parlamentar.
No Planalto, ontem foi dia de barata voa. Para variar, o governo demora a reagir. Gripada, a presidente Dilma se encastelou no Palácio da Alvorada. A única saída do Planalto é afirmar que Delcídio agiu por conta própria, defendendo os seus interesses. Assim como José Dirceu, ele será abandonado à própria sorte. A carreira política de Delcídio do Amaral, ex-presidente da CPI dos Correios, está sepultada. O governo, agora, é que vai remar para sair de mais essa.

MALA PRONTA – No cafezinho da Câmara era grande o boato de que a PF estaria pronta para prender mais seis deputados. Investigadores na Lava-Jato avisam que, por enquanto, não há essa previsão.

 

Coluna na Zero Hora e Diário Catarinense de 25/11/2015

25 de novembro de 2015 0

Esplanada sob tensão
Os investigadores podem até negar que o ex-presidente Lula seja o foco principal das novas etapas da Lava-Jato, mas em Brasília é difícil achar um petista que não esteja preocupado com os rumos da operação. Nos bastidores, o temor é que o empresário José Carlos Bumlai, preso pela Polícia Federal, resolva apelar para a delação premiada, abrindo um passado de quem foi bem próximo do ex-presidente. Acusações contra Lula detonariam diretamente a imagem do PT e, por consequência, piorariam ainda mais a situação política da presidente Dilma. No próprio despacho para a prisão de Bumlai, o juiz Sérgio Moro afirma que não há provas de que o ex-presidente estivesse envolvido em ilícitos. Mesmo assim, o dia foi de tensão na Esplanada.

DÚVIDA CRUEL
Cotado para assumir como titular no Conselho de Ética, Sérgio Moraes (PTB-RS), mandou mensagem para um grupo de amigos no WhatsApp perguntando o que seria menos pior, cassar Cunha ou deixá-lo em nome do impeachment de Dilma. No texto fala em “quadrilha” da presidente e “suposto estelionatário” em relação a Cunha.

PREFEITURA
Negociando apoio de outros seis partidos, o deputado Onyx Lorenzoni (DEM) confirma que pretende concorrer à prefeitura de Porto Alegre nas próximas eleições. O deputado vem conversando com lideranças de siglas como Solidariedade, PPS e PP.

DE SAÍDA
Depois de seis anos de Advocacia Geral da União, o gaúcho Luís Inácio Adams vai deixar o cargo. Ele ainda precisa acertar a saída com a presidente Dilma, que já começou a procurar um outro nome. Adams esteve à frente, por exemplo, de toda a defesa das pedaladas no Tribunal de Contas da União (TCU).

DEU CIÚMES
Ex-ministro das Comunicações e atualmente na Secretaria de Governo, Ricardo Berzoini (PT), fez de tudo para cancelar a cerimônia do Palácio do Planalto que oficializou os valores da migração das rádios AM para FM. Ele chegou a defender que o ato fosse transformado em uma audiência pública. O novo ministro, André Figueiredo (PDT), foi ovacionado pelos empresários presentes ao evento pela agilidade no caso.

CARGAS
A Secretaria de Aviação Civil ainda não abandonou a ideia de transformar o aeroporto de Navegantes em um terminal de cargas. O deputado Mauro Mariani (PMDB) que ontem participou se reunião com o ministro Eliseu Padilha, adianta que a obra da pista depende De desapropriação de famílias. A prefeitura participou do encontro.

ESPECIAL
Também ficou acertado que a Receita Federal poderá organizar um atendimento no Aeroporto de Navegantes em horários pré-determinados. Neste caso, seria para o recebimento de voos charter.

Coluna na Zero Hora e Diário Catarinense de 24/11/2015

24 de novembro de 2015 0

Biografia no lixo
Acolher o parecer preliminar do relator Fausto Pinato (PRB-SP), que defende a continuidade das investigações contra o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), é uma obrigação dos integrantes do Conselho de Ética. Diante de tudo o que já divulgado, o processo precisa ao menos começar, sob o risco da desmoralização do parlamento. Fragilizado pelas próprias manobras agressivas, Cunha vem buscando no PMDB e em governistas preocupados com o processo de impeachment uma boia para se manter na superfície até o recesso. A quatro semanas do fim dos trabalhos parlamentares, isso não é difícil. Mas quem jogar contra essa primeira ação do Conselho de Ética estará colocando a sua biografia no lixo. E esse é o medo da bancada do PT.

TETO
Uma manobra poderá engavetar projeto que regulamenta o teto do funcionalismo público. Se Eduardo Cunha colocar em votação o relatório concluído pela Comissão do Trabalho, o limite salarial será oficialmente flexibilizado. Parecer do deputado Nelson Marchezan (PSDB-RS), que estabelece regras rígidas para o cumprimento da lei, aguarda votação na Comissão de Finanças.

PISO
Será instalado hoje, no Ministério da Educação, um fórum para analisar a mudança no cálculo do piso do magistério. Não é a primeira vez que prefeitos e governadores pressionam pela alteração no cálculo, alegando falta de recursos para arcar com reajustes normalmente bem acima da inflação. É um assunto difícil e que precisa também passar pelo Congresso.

CONSTRANGIMENTO
Deputados da bancada gaúcha do PT viajaram ontem à tarde para Brasília para pressionar a cúpula do partido por uma posição fechada contra Eduardo Cunha no Conselho de Ética. Os ministros Jaques Wagner (Casa Civil) e Ricardo Berzoini (Secretaria Geral) promoveram reuniões ontem à noite.

FALHA
Técnicos da área ambiental do governo reclamam da falta de um comando central para colocar em prática um plano de recuperação do Rio Doce. Cada órgão federal está realizando o seu projeto de recuperação, depois do rompimento da barragem da mineradora Samarco. Falta, no entanto, alguém que ligue diversas ações em um só plano de médio e longo prazo.

RECURSOS
O Ministério das Cidades libera amanhã R$ 43,9 milhões para obras de mobilidade urbana em Santa Catarina. Os recursos fazem parte do PAC 2 e vão beneficiar os municípios de Santo Amaro da Imperatriz, Ouro, Ilhota, Guaramirim, Itapema, Gravatal e Florianópolis. A capital ficará com R$ 35 milhões. O anúncio será feito em Brasília pelo ministro Gilberto Kassab e contará com a participação do governador Raimundo Colombo.