Você acredita em duendes? E Papai Noel? Então leia isso.
Quando a Anita era bebezinha, certa vez, fui visitar a filha de um amigo nosso, que assim como eu, fazia freelas na Rádio Atlântida em Floripa, o Maurício Ventura. Sua Marina, na época com 2 anos, era um aviãozinho. Escrevia umas palavrinhas, ele riscava uns arcos e ela já mandava um: Ponte. Hecílio Luz. Contava até dez em inglês entre muitas outras gracinhas que os pequenos fazem.
Como a empatia entre as crianças foi grande, e isto também é bastante comum no universo infantil, o Maurício foi ao quarto da pequena e voltou com um casaquinho de lã, begezinho, de capuz. Ele disse: Pra tu andares de carrinho com ela e a bebê não ficar com dor do ouvido de vento sul. Leva que a Marina amava essa blusinha, tá impregnada de boas energias.
Usei muito o tal casaquinho, que de fato, por alguma razão deixava a Anita confortável, serena e esperta. Devia ser coisa da minha cabeça, mas eu realmente gostava de acreditar nisso. Acho que o passei para filha sobrinha mais nova, a lindíssima Lorena, que mora em Curitiba, dois anos mais nova que a minha pessoa pequena.
Outro dia, aconteceu comigo isso de sentir energias em roupa. Era 18 de setembro e todas as meninas da escola, do prédio e da pqp rodavam seus vestidos de prenda. Me rendi. Tarde demais, é verdade. Quando fui ao centro, procurar o indumentário, não havia mais um exemplar, nem mesmo na Voluntários ou na Pinto Bandeira. Pra quem não mora em Porto Alegre, explico: essa ruas são antros de roupas baratas, cheias de cestos, fantasias, sapatos_ ou seja, o lugar prefeito pra encontrar qualquer coisa. Mas não foi dessa vez.
Dia seguinte: minha agenda lotada de Acampamento Farroupilha; estava previsto um almoço com amigos lá e uma janta. No calendário da Anita ainda tinha uma festa gaudéria na escola. Trocando em miúdos, ela realmente estaria bem com um vestido de prenda na ocasião.
Munida de muita boa vontade e de esperança no acaso resolvi encarar os brechós da Cidade Baixa. Não teve biboca que não entrei entre a Lima e Silva e a João Pessoa. Não achei roupa para a criança e pra piorar eu tava com uma cara de defunto aquele dia. Pálida, com aspecto meio anêmico, levemente resfriada e aquela garoa fria me puxando mais pra baixo ainda.
Vi uma blusinha numa loja, cinza grafite com uns desenhos. Gostei. Entrei, provei e comprei, mesmo achando que nada naquele dia prestava. Em casa, tomei banho, botei minha blusinha nova, umas botas cowboy, arrumei a Anita bem fofinha e lá fomos nós pro Parque Harmonia. A blusa cinza fez eu me sentir tão bem, que eu nem parecia a mesma pessoa que tinha revirado Porto Alegre, sem sucesso e estava acabada. Todo mundo elogiando, dizendo que eu tava bonita, magra, isso e aquilo. Foi curioso.
Não vou nem entrar no mérito das calcinhas da sorte, porque este assunto merece um post à parte.






