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Posts de fevereiro 2010

A energia das roupas

23 de fevereiro de 2010 1

Você acredita em duendes? E Papai Noel? Então leia isso.

Quando a Anita era bebezinha, certa vez, fui visitar a filha de um amigo nosso, que assim como eu, fazia freelas na Rádio Atlântida em Floripa, o Maurício Ventura. Sua Marina, na época com 2 anos, era um aviãozinho. Escrevia umas palavrinhas, ele riscava uns arcos e ela já mandava um: Ponte. Hecílio Luz. Contava até dez em inglês entre muitas outras gracinhas que os pequenos fazem.

Como a empatia entre as crianças foi grande, e isto também é bastante comum no universo infantil, o Maurício foi ao quarto da pequena e voltou com um casaquinho de lã, begezinho, de capuz. Ele disse: Pra tu andares de carrinho com ela e a bebê não ficar com dor do ouvido de vento sul. Leva que a Marina amava essa blusinha, tá impregnada de boas energias.

Usei muito o tal casaquinho, que de fato, por alguma razão deixava a Anita confortável, serena e esperta. Devia ser coisa da minha cabeça, mas eu realmente gostava de acreditar nisso. Acho que o passei para filha sobrinha mais nova, a lindíssima Lorena, que mora em Curitiba, dois anos mais nova que a minha pessoa pequena.

Outro dia, aconteceu comigo isso de sentir energias em roupa. Era 18 de setembro e todas as meninas da escola, do prédio e da pqp rodavam seus vestidos de prenda. Me rendi. Tarde demais, é verdade. Quando fui ao centro, procurar o indumentário, não havia mais um exemplar, nem mesmo na Voluntários ou na Pinto Bandeira. Pra quem não mora em Porto Alegre, explico: essa ruas são antros de roupas baratas, cheias de cestos, fantasias, sapatos_ ou seja, o lugar prefeito pra encontrar qualquer coisa. Mas não foi dessa vez.

Dia seguinte: minha agenda lotada de Acampamento Farroupilha; estava previsto um almoço com amigos lá e uma janta. No calendário da Anita ainda tinha uma festa gaudéria na escola. Trocando em miúdos, ela realmente estaria bem com um vestido de prenda na ocasião.

Munida de muita boa vontade e de esperança no acaso resolvi encarar os brechós da Cidade Baixa. Não teve biboca que não entrei entre a Lima e Silva e a João Pessoa. Não achei roupa para a criança e pra piorar eu tava com uma cara de defunto aquele dia. Pálida, com aspecto meio anêmico, levemente resfriada e aquela garoa fria me puxando mais pra baixo ainda.

Vi uma blusinha numa loja, cinza grafite com uns desenhos. Gostei. Entrei, provei e comprei, mesmo achando que nada naquele dia prestava. Em casa, tomei banho, botei minha blusinha nova, umas botas cowboy, arrumei a Anita bem fofinha e lá fomos nós pro Parque Harmonia. A blusa cinza fez eu me sentir tão bem, que eu nem parecia a mesma pessoa que tinha revirado Porto Alegre, sem sucesso e estava acabada. Todo mundo elogiando, dizendo que eu tava bonita, magra, isso e aquilo. Foi curioso.

Não vou nem entrar no mérito das calcinhas da sorte, porque este assunto merece um post à parte.

Ser do contra é poder sonhar

22 de fevereiro de 2010 1


Tá quente pacas e eu fico só pensando no inverno, em vestidos, botas e cachecóis. Parece uma doença, ando até planejando abrir de novo minha máquina Singer, do século XIX para fazer uns modelitos. De inverno, óbvio, com longos capuzes e mangas que deixem só os dedos à mostra.

Isso é um pouco parecido com o estranho desejo de usar calças jeans que tinha quando grávida. Eu era muito magra, quase sem barriga, mas não as usava para não apertar a Anita. Então, quando sai do hospital, cheguei em casa, provei todas as minhas calças e fiquei me achando. Foi uma sensação ímpar de auto-enamoramento. Logo logo aquelas calças ficaram enormes e eu tive que dar todas elas e voltar a usar leggings e saias porque tinha virado um esqueleto humano, o que corrobora com a teoria que diz que alegria de pobre dura pouco.

Hoje de manhã fui a um ortopedista para que ele avaliasse as múltiplas lesões que tenho no tornozelo e então ouvi uma novidade tão surpreendente que é como se tudo que eu sempre acreditei fosse mentira. Ele moveu meus pés e minhas mãos para frente e para trás e disse que meus tendões eram super frouxos. Logo eu, que me achava uma pessoa atrofiada, sem elasticidade.

Conversamos sobre sapatos, joanetes - que ele fala fechado joanÊte e eu falo como uma nordestina falaria joanÉte, como cotonete. E saltos. E foi aí que me ocorreu uma segunda revelação: nenhum saltinho presta ou ajuda na circulação. Segundo o médico, dr. Luciano Keizerman, todos prejudicam e muito os pés e a coluna. Logo, tudo que dizem por aí, de saltos baixos serem bons, é balela.

Há uns dois anos eu não uso salto porque eles me dão muitas dores nos pés. E, felizmente, passei a achar feio e cafona salto. Pra mim, cool é sapato rasteiro, sapatilha, bota baixinha e - até - confesso, crocs! O fato é que eu sai do médico e fui no shopping almoçar. E me apaixonei por um sapato na Cristofóli, que eu nunca vou ter ou usar, mas que tenho que dar os parabéns para o designer. É absolutamente maravilhoso. Cinza, com salto médio e como se fosse uma golona em volta de todo ele. É um sapablusa. Não pra mim, é claro, que tenho meses de fisioterapia pela frente e um futuro repleto de tênis com amortecedores e tensores apertados.

Ok, sei que não poderia jamais usá-los, os tais sapablusas da Cristófoli, que me dariam uns 5 cm a mais, mas imaginar como eles ficariam maravilhosos com meus vestidos e casacos de inverno mesmo sob os atuais 35 graus, disso ninguém pode me impedir. Felizmente.

Uma noite no Jockey

19 de fevereiro de 2010 4

Foi ontem ainda que isso aconteceu. Cansados da mesmice de nossos programas rotineiros, nos aventuramos nos prados do Jockey Clube de Porto Alegre. O critério de distinção social lá é simples: bermuda, vai pra geral; calça? és um senhor distinto, bem vestido e pode desfrutar de todo o luxo das melhores cabines. Meu marido, de bermudão e eu, de short, imagina só nosso destino...

Na verdade não é tão simples assim: a área vip não comporta bermuda, chinelo, boné e regata. E o calor, que fazemos? Isso realmente não é problema no Jockey, que pega um vento encanado suficiente para refrigerar o inferno.

Da próxima vez - e talvez isso aconteça já na quinta-feira que vem, porque as corridas ao vivo acontecem sempre às quintas, nos domingos só é possível apostar no que passa na tevê,  vou de vestido e echarpe, muito fina. Como deve ser.

As corridas acontecem com um intervalo de 25 minutos a partir das 17 hs, são 8 e o espetáculo equino termina às 21 hs. Talvez haja alguma incoerência matemática, mas estou com pressa e não vou fazer essas contas, que envolvem horas e são chatas.

Bem acomodados na geral, em meio a muitas crianças, jovens e velhos vidrados (somente os velhos estavam vidrados) em cavalos, tomamos várias cervejas bem geladas e até nos arriscamos num pastel de carne surpreendentemente bom.

Se o pastel contrariou as expectativas, os cavalos não. Sem apostar dinheiro, escolhíamos nós dois, nossos preferidos para cada páreo. Meu critério era sempre as últimas 3 colocações e se não estava sob medicação: anti-inflamatorio e diurético. A grande estrela da noite foi My Majesty, um égua com tantos títulos e tanta pose que perto dela os demais pareciam pangarés.

De vez em quando, havia um azarão, um cavalo com péssimas colocações, como u (de último) e até x (pior que a nona!) cruzava a linha de chegada antes, como foi o caso do Initial Run. Pomposo mesmo era o Rico e Famoso, mas não fiquei até o fim para ver se fazia jus ao nome, porque eu, como já disse anteriormente, não estava à caráter e quase congelei lá.

Animais de estimação

17 de fevereiro de 2010 1

 

Daniela Entrudo (convidada)

Eu sempre tive cachorro, quando eu era pequena nós morávamos em casa, com pátio grande, então a cada ano tínhamos um vira-lata diferente, sem contar os gatos, que sempre apareciam na nossa casa também.

Com uns três anos de idade eu tinha o Dominique, ele era um vira-lata lindo e pequeno, mas quando o meu irmão nasceu tivemos que doa-lo, pois um dia ele subiu na cama onde estava o meu irmão e lanhou o seu rosto por inteiro, querendo brincar. Então até o meu irmão completar uns 3 ou 4 anos, não tivemos bicho em casa, a não ser o periquito Chiquinho, que morreu de depressão quando o Bob e a Bolinha chegaram, os dois primeiros vira-latas que eu tive em conjunto com o meu irmão. Depois desses ainda tivemos a Frida e o Bené, em épocas diferentes, a Frida morreu por falta de vacina e o Bené atropelado.

Agora, uma coisa é verdade, se você tem cachorro tem que cuidar, nessa época eu e meu irmão éramos muito pequenos e só queríamos brincar com os pobres cachorros, os adultos da nossa casa trabalhavam pra caramba e não tinham quase tempo nem pra eles mesmos. Por isso que tivemos vários, eles não chegavam a completar um ano de vida, que tristeza!

Mas quando eu tinha por volta de 10 anos fomos morar em um apartamento pequeno, era a primeira vez que morávamos em um. Aí não teve jeito, tivemos que nos desfazer dos dois cachorros, que eu nem lembro quais eram. Mas mesmo assim não nos abalamos, cada um de nós, um belo dia apareceu em casa com um porquinho da Índia. A minha mãe queria matar a gente e os porquinhos também, é claro! Eles roíam tudo, um dia fomos ligar o ventilador o mesmo nem sinal de vida, o que tinha acontecido? Os pobres porquinhos haviam roído o fio do ventilador.

Então minha mãe teve a infeliz ideia de dar banho nos bichos, pra ver se assim eles pegavam uma pneumonia terrível e morriam, o que não adiantou de nada, pois os bichos adoraram água. Lembro então, que minha mãe nos convenceu de darmos os porquinhos, então nós resolvemos vende-los, nem me lembro por quanto, acho que até trocamos por bala ou picolé com o filho do dono do armazém da esquina. Minha mãe teve sossego por uma semana, pois na outra o guri apareceu lá em casa trazendo os bichos de volta dentro de uma caixa der sapato, porque a família estava enlouquecendo com eles.

Depois desse episódio eu realmente não lembro o que aconteceu com eles, não sei se demos pra alguém ou se devolvemos pro cara que nos vendeu no mercado público de Porto Alegre.

O gérmen da paixão pelo futebol

16 de fevereiro de 2010 3


Há uns dias atrás eu estava num churrasco animadíssimo com várias pessoas conversando agradavelmente sobre variada gama de assuntos, até que, de relance, surgiu um papo sobre futebol.

Dali em diante a conversa se transformou em escalações, títulos, dirigentes, campanhas, resultados em disputas internacionais e - óbvio, porque estamos no RS - Inter e Grêmio, Inter e Grêmio, Inter e Grêmio.

Com todo respeito a quem gosta de futebol (e eu realmente prefiro sapatos), observando com um olhar sociológico, enxerguei nessa forma de comunicação um tom competitivo, não no sentido 'do meu time é melhor que o seu', e sim pessoas agindo como se estivessem numa gincana cultural ou um desafio de matemática. Quem é o mais rápido? Quem lembra mais?

Há também uma quantidade exagerada de achismo. Em que outro assunto é possível dar tantos pitacos, ter tantas opiniões e propor tantas soluções impunemente, sem que haja a menor consequência? Talvez resida aí o mistério da grande paixão pelo futebol.

Auto-boicote: dizer A, querendo B e fazendo C

09 de fevereiro de 2010 3


Aviso aos leitores: não estou no melhor dos dias!

Você conhece gente que diz não quando quer dizer sim e vice-versa? Principalmente quando o assunto é sua própria felicidade? Eu vejo isso aos montes. O pior é que quando a gente faz isso está longe, bem longe de conseguir o que realmente quer.  Há quem atribua essa característica às mulheres.

Discordo, obviamente. Os homens também fazem isso. Geralmente sem qualquer classe e num intuito infantil de "forjar" uma visão que de fato não têm para obter algo que dizem não gostar mas que - a bem da verdade - é o seu objetivo único. Como no caso: eu não gosto de ir lá, tenho que ir, é a trabalho... hahaha, cuentame otra!

Mas, algo que realmente tem me chamado a atenção é a forma com que as pessoas se boicotam ou se protegem se negando, cometendo excessos na comida. É como se assim, ingerindo calorias por dois ou três, pudessem ser felizes sozinhas, sem precisar de mais ninguém; como uma criança triste que diz que a televisão é a sua melhor amiga, quando na verdade gostaria de conseguir se relacionar com o grupo.

Tenho amigas que fazem isso, se entopem de refrigerante o dia todo, mesmo tendo plena consciência de que precisam com urgência perder uma boa quantidade de quilos. Não entendo porque o fazem, mas aos meus olhos soa como uma 'desculpa' para não enfrentar situações complicadas, que podem transformar a vida em caos, lhes tirando da mesmice, da solidão, de uma relação de apatia consigo mesmo para quem sabe - encontrar o amor, uma paixão arrebatadora ou sofrer horrores, mas se sentir viva.

Eu acho que todo mundo têm que ser feliz e sei na pele o quanto isso é difícil. Dar a cara a tapa, brigar pelo que a gente acredita, se sacrificar pelos nossos sonhos, fazer papel de ridícula às vezes, ser amiga de verdade das pessoas, não mentir nem ser hipócrita é muito desgastante e trabalhoso. Por isso, nem todo mundo encara essa, seja por preguiça, porque acha que não merece ser feliz ou por maucaratismo mesmo.

O calor de Forno Alegre e seus desdobramentos

08 de fevereiro de 2010 0

Sou apenas mais uma das pessoas que não suporta esse calor. E olha que hoje está um pouquinho mais agradável. À exceção do dia que o Inter foi campeão do mundo, em meus primeiros meses de Forno Alegre, não me lembro de ter vivenciado condições tão escaldantes.

Na semana passada, em um dos dias mais críticos, eu estava voltando para casa de táxi e vi várias pessoas correndo naquele bafo. Pensei que o ser humano tem uma capacidade absurda de adaptação. Na vida real somos aqueles monstros da ficção que acabam com todas as outras espécies.

O mesmo certamente não acontece com os animais menores ou menos complexos. Fiquei pensando nos microorganismos, vários deles morrendo e outros tantos se reproduzindo absurdamente. No sábado vi a notícia dos milhares de frangos que não aguentaram o calor nas granjas. Era exatamente isso que eu tinha em mente. Um desequilíbrio cada vez mais próximo e evidente.

Segue agora uma lista com as coisas inusitadas que me aconteceram nos últimos dias, já que não tive tempo de escrever sobre o assunto antes (apenas tuitei):

1) Tudo estragou - queijo, melancia, bananas, pães. Ando com muito nojo das comidas em geral.

2) Vários dias tentei tomar banho frio, mas a água sempre estava morna.

3) A piscina do meu prédio - que era geladíssima - anda quente. Nunca mais vai ter bate-boca nas reuniões do condomínio para aquecer o piscinão de ramos.

4) Ver gotas escorrendo da ponta do queixo das pessoas tornou-se normal.

5) Nunca mais dormi. Eu apago, mas acordo umas mil vezes. Ligo o ar, me fecho no quarto, parece um bunker da segunda guerra. Meu ar condicionado obviamente não funciona direito.

6) Torci o pé de novo, no asfalto, quase morri de dor, mas não desmaiei dessa vez. Fui parar no hospital e estou usando um tensor.

O pior é que eu tenho certeza que por mais horríveis que esses dias sejam vou sentir falta deles no inverno.

A dieta do bacon

02 de fevereiro de 2010 3

Hoje chutei o balde, fiz bacon com ovos no café da manhã. E o mais estranho é que achei super normal, nenhum pouco gorduroso, nojento ou exagerado. Para fins de registro não tenho nenhuma admiração pela dieta norte-americana e meu consumo de junkie food se restringe ao Doritos e ao Fandangos, occasionally.

A entrada do bacon em minha vida (e geladeira) se deu no final do ano passado. Eu ía preparar caldinho de feijão para uma multidão num evento que promovo de vez em quando - o Boteco Ehmília. Mas, um erro na quantidade de espumante consumida na noite anterior me fez afastou das panelas no dia em que eu precisava recepcionar convidados, monitorar a Anita e passar mais de 10 horas num salão de festa, o que é muito cansativo. Congelei o feijão e só filei comida dos outros.

O resultado dessa história foi que fiquei com aqueles potinhos de bacon picado em casa. Consultei minha atual bíblia - Jamie Oliver na Itália - e descobri que o bacon era um plus a mais agregado no molho ao sugo de tomates pelados, que eu já fazia exatamente como o Jamie sem saber.

Pronto, dá-lhe bacon no feijão e nos molhos a partir daí. No finalzinho do ano visitei minha amiga ítalo-brasileira e conversei sobre isso com seu marito também. Ambos citaram o bacon - ou pancetta - como peça-chave do sucesso mesmo na purista cozinha napolitana.

Ando a comprar bacon sempre_ é carbonara, bacon no risoto, em tudo. Mas, no café-da-manhã, é novas. É um paliativo aos embutidos, que estamos tentando tirar de nossa dieta, porque meu avô morreu de câncer no intestino e certamente grande parte da culpa é dos salames, salsichas e presuntos que ele devorava.

Bueno, cá estou eu, trabalhando no feriado e enlouquecendo minhas colegas falando de bacon, que agora boto bacon em tudo, até no xampu.