Acho que já ouvi essa frase umas cinquenta vezes na última semana. Acompanhada do aviso que a Hello Kitty Pocket (sandália com pochete), a pantufa igual à minha e o chaveiro de Lego com luzinha não servem como presentes. Ai, meu Jesus. Malditos sejam os breaks comerciais dos canais infantis. É um bombardeio de sugestões.
Eu queria era não dar nada como faziam os meus pais meio comunistas. Alegavam que era uma mera data comercial e punto finale.
A falta de noção de tempo infantil torna a pressão sobre os pais para ganhar presentes ainda mais pesada. Os pequenos têm uma dificuldade gigantesca em entender o significado de duas semanas, um mês, amanhã e até mesmo de 'daqui a pouco'. Ironicamente o 'daqui a pouco' apesar de ser temporalmente mais próximo para eles, é o que mais atiça sua ansiedade e frustração de não possuir uma máquina do tempo capaz de tornar AGORA qualquer outro momento.
.............
Sexta a Anita dormiu na casa da Lívia, sua melhor amiga. Sábado de manhã, busquei-a e passamos numa loja de brinquedos para comprar um presente para um ex-colega que nos convidara para sua festa de 6 anos, que seria neste domingo. Eu falei CINCO VEZES: ANITA, VAMOS COMPRAR UM PRESENTE PRO GUSTAVO R. (Muitas crianças chamam os colegas assim Fulano X. ou Y., a não ser em casos de pais engenhosos que dão nomes diferentes para os filhos como nós).
Dentro do templo de perdição, a saber a nova Del Turista da José de Alencar, ela afirmou: - Vamos levar aquela lanterna de Lego. Ok, pensei eu, estava dentro do orçamento.
No caixa, a sem-vergonhinha me abraça e diz: - Ai, mami. Obrigada, eu queria tanto. O QUÊ? Enquanto ela se encolhia e chorava, tive que gentilmente explicar que fucinho de porco não era tomada e que não levaria o leguinho. Escolhi um presente para Gustavo R. e fui firme de não comprar nada para ela. Mas, é difícil. Como consequência o papo sobre o dia da criança tornou-se uma constante desde então.







