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Posts de outubro 2010

Trabalho, eleição e família - em tópicos

30 de outubro de 2010 Comentários desativados

Estou absolutamente sem inspiração hoje, mas só para manter um ritmo de atualizações - ao menos - sabatinas, vou escrever um pouco sobre meu dia a dia.

No trabalho, esta semana foi atípica: muito calma. Em partes isso se deve a eu estar entendendo melhor que linguagem usar em cada informativo que escrevo (faço revistas ultra finas para algumas empresas). Alguns são para comunicação interna/endomarketing, para os funcionários (ou colaboradores); outros são para clientes externos e outros para acionistas, estes sim mais espinosos.

Uma coisa que fiz que tem me ajudado foi uma lista com palavras corporativas, que eu chamo de empresariês. Meu pequeno dicionário não segue ordem alfabética e é encabeçado pelo verbete da moda - stakeholders. Teve um almoço essa semana no qual fizemos, eu e meus colegas, amplas discussões à respeito de seu significado. Acho que a melhor definição foi da Katia Hochberg: "todas as pessoas e instituições envolvidas no seu trabalho com quem você deve ter cuidado e manter um excelente relacionamento". That's it.

Não estou com ele aqui (em casa), senão eu o reproduziria.

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Sofro de um distúrbio chamado TPE, tensão pré-eleição. É muito parecido com aquelas pessoas que ficam eufóricas durante a Copa, apesar de não acompanharem futebol jamais. Neste período me torno maniqueísta e lamento muito o terrível mau gosto de quem não tem a mesma opinião que eu. Duas coisas: já percebi que muita gente é assim (na verdade todo mundo que está certo de estar votando em alguém que acredita ser melhor) e que os apáticos políticos, nulos e brancos não me incomodam quase nada.

Com certeza esta inflamação de véspera que sinto advém da forma que fui criada. Eu lembro da chuva de papéis na praça Santos Andrade, em Curitiba, durante a campanha das Diretas Já; muito frequentei comícios com meus pais e voto (com eles, à príncipio) desde uns 10 anos, eu acho. Mas, na última década, a política se tornou algo tão promíscuo que não recordo de ter me empolgado tanto em alguma eleição como nessa. Acho que é possibilidade de algo mudar para as mulheres que me causa este frio na barriga e este fervor no sangue.

Infelizmente a maioria absoluta das pessoas à minha volta pensa diferente. Mas, pouco importa, no bolo são a fatia menor. Eu, que gosto de encher o saco dos outros, insisto em convidar todos para um suposto churrascão da vitória, para o qual digo ter encomendado um barril de Eisenbawn Pale Ale. Nem assim meu povo se empolga. E, à despeito do resultado da eleição, o tal assado não deve sair mesmo.

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Estou um pouco cansada de passar os finais de semana sozinha. Meu marido tem viajado constantemente e isso me deixa triste. Apesar de ter mil amigos, sinto falta de família. Na real, estou num momento eu quero a minha mãe. Mas, como não posso pegar um avião hoje e não votar amanhã, vou me concentrar em ser eu uma boa mãe, ou melhor, uma boa pãe (pai+mãe) mais esse final de semana.

Ah, os comentários estão desabilitados, mas quem quiser pode comentar no twitter, @casadeanita. Eu até prefiro porque pouco acesso meu email pessoal durante a semana.


Manifesto feminista

23 de outubro de 2010 Comentários desativados

As pessoas estão perdendo completamente a noção de respeito em sociedade e agindo de maneira muito pior que animais (estes, cada vez mais acuados e tímidos). Ops, começo a entender um pouco aqueles que preferem os seres de quatro patas.

Porto Alegre está recebendo a Cow Parade, uma exposição com 80 vacas pintadas por designers, espalhadas pela cidade. É bonito, é lúdico, alegra a vida da gente. No entanto, muitos de meus concidadãos pelo visto parecem não concordar comigo: na primeira semana, atearam fogo em algumas vacas, picharam outras tantas e teve até uma que foi roubada (ainda que devolvida depois).

Nessa semana tivemos mais um festival de baixarias públicas. Independente de eu gostar ou não dos candidatos à presidência fiquei horrorizada com as hostilizações que ambos receberam. Não podemos bater em ninguém, nem no mendigo da esquina, nem num (a) futuro (a) presidente (a). Um deles será nosso dirigente máximo, poxa vida, e ouso dizer quem não os respeita, só pode ser mentalmente regido ou pelo crack, ou por alguma entidade religiosa-financeira.

E os verdes, hein, resgatando os príncipios da TPF em pleno 2010? A Marina, à essa hora, deve estar tirando passaporte para ir aos EUA, dar as mãos à Sarah Palin em sua bizarra Tea Party Tour.

Pra que tanto conservadorismo? As mulheres perderam uma grande oportunidade de conquistarem o direito a vida, à escolha do seu destino quando ajudaram a jogar pás de areia em uma discussão urgente, que é a legalização do aborto. À respeito disso, encontrei um texto genial no blog da humanista Denise Arcoverde, do qual recortei um trecho:

Todo bebê é concebido por uma mulher em associação com um homem. Todo aborto é feito por uma mulher com a participação (e/ou omissão) de pelo menos um homem. Bebês abortados são utilizados para demonizar e inculcar toneladas de culpa nas mentes femininas – exclusivamente das mentes femininas, como se os homens não participassem da concepção e do nascimento, ou do aborto. O abominável homem das florestas demoniza o aborto, mas não é porque queira defender a vida – ele quer é atentar contra ela, por intermédio do controle dos corpos (e das mentes) das mulheres.

Os homens da cervejaria Brahma que gostam mais de cerveja e de futebol que de mulher são os homens que não assumem o pedaço de gente que injetam no corpo de “suas” mulheres – e preferem ir ao futebol com uma cervejinha na mão a acompanhá-las até a clínica clandestina de abortos. (Pedro Alexandre Sanches)

Ontem saí com umas amigas casadas e percebi o quanto elas andam inseguras. Na segunda-feira também conversei com outra amiga e vi que ela estava passando pela mesma situação. Na real este post era pra ser só sobre isso, mas acho que a exposição acima é relevante para entendermos PORQUE nós estamos ficando tão inseguras.

Minhas amigas - inseguras - não fizeram 30 anos ainda e são muito mais bonitas e novas que seus maridos. Mas, enquanto a mídia (e até as campanhas políticas) representam o homem como um ser evoluído, que não está nem aí para a mulher, que toma cerveja e fica rodeado de beldades; representa a mulher como frágil, que deve lutar contra o tempo e o envelhecimento, que precisa ser linda e dócil. Só que a mídia não avisa que todo este esforço será em vão, porque o seu macho está orientado para outras coisas (que mesmo? futebol, cerveja, piadinhas misóginas e por aí vai).

Com isso não estou dizendo que não devemos ser vaidosas, apenas devemos nos arrumar e planejar nossas vidas de forma a deixarnos felizes e não dependentes da opinião de um homem. Se existe uma fórmula para não viver insegura e dependente, acho que é esta. Nós somos maioria no mundo, nas empresas, em breve assumiremos os cargos mais importantes do mundo (dále, como diz Angélica Següi), no entanto continuamos nos comportando como Amélias e Bibianas. PRA QUÊ?

Vamos sorrir mais, encarar a vida numa boa, ser Poliana em doses homeopáticas não faz mal a ninguém, lutar pelos direitos, respeitar os outros e principalmente nós mesmas e os nossos corpos e abrir os olhos para não deixar que os reacionários decidam nosso futuro, senão daqui uns anos ainda vão querer suprimir nosso direito de voto.


Jura que é grande

16 de outubro de 2010 Comentários desativados

A pequena está matriculada. Na primeira série. As aulas só começam no fim de fevereiro, mas os planos - ou os planejamentos estratégicos - já estão bombando. Ontem o Marcos me contou que ela pulou de alegria quando soube ía mesmo estudar na escola X. E, em meio à comemoração, indagou: Pai, sabia que eu vou ter uma mochila nova, um celular e a chave de casa?

Ele, surpreso, questionou-a. Como assim, Anita? Mochila nova tudo bem, mas celular e chave_ pra quê?

Celular pra avisar quando eu for chegar mais tarde, e chave de casa pra não fazer barulho nem acordar vocês quando entrar. Ela tá pensando que primeira série é como um episódio da Hannah Montana, acha que vai virar adolescente. Mal sabe que a primeira série de hoje é apenas o prezão da minha época.

Essa semana assistimos pela décima vez Operação Cupido, com a Lindsay Lohan pequena. No filme, que passa umas 4 vezes por dia no Disney Channel, Lilo (depois de vê-la tantas vezes, é natural que estejamos íntimas, não?) então com 11 anos, faz o papel de duas irmãs gêmeas fofíssimas que vivem separadas desde pequenas. É impossível não ficar aborrecida ao pensar que aquela ruivinha tão cativante virou uma adolescente e jovem problemática.

Isso, e a distorção da passagem infância-adolescência na cabeça da Anita, me fez refletir que hoje em dia não existe uma valorização da idade escolar na mídia. Há o mundo dos bebês e o dos adolescentes. Tirando o Sítio do Pica-pau Amarelo e alguns programas na Futura não vejo a criança de 7 anos representada como tal. Em consequência disso, quem não é mais bebê assiste programação para adolescente, brinca com Polly e pensa que vai aprender a dirigir antes mesmo de saber a tabuada.


Crônicas do ônibus

09 de outubro de 2010 0

Peguei o T2A mais duas vezes essa semana. Cada viagem, uma história.

Na terça, bem no trecho de uma vila que ele passa no Partenon, um carro com vários caras dentro e música remixada alta nos ultrapassou e saiu cortando o trânsito e furando sinais. Os caras estavam muito loucos. Me senti num filme tipo Tropa de Elite. Todo mundo ficou olhando longe, com a certeza de que aqueles caras íam bater em alguém logo mais. Eles estavam correndo muito e a única coisa que eu pensava era: tomara que eles não atropelem ninguém. Era hora de saída escolar. Não tem jeito, mãe sempre pensa nessas coisas.

Por falar em mãe, minha chefe foi incrivelmente humana e criou um programa de incentivo que prevê uma hora a menos por dia na jornada de trabalho das mães. Eu amei, isso me deu 45 rugas e 1.500.000 de cabelos brancos a menos. Comentei com a Anita e ela perguntou: e as outras, mãe, tuas colegas, estão todas tentando engravidar agora?

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Quem mora em Porto Alegre sabe que toda quarta tem jogo do Grêmio. Nem sempre é aqui, mas essa semana era. E eu, banza que sou, não considerei este detalhe na hora de pegar o busão. Cmo ele passa na Oscar Pereria, atrás do Olímpico, estava lotadaço.

Logo que entrei, sentei ao lado de uma mulher revoltada com a linha. Me fez mil perguntas a respeito da rota e disse que não aguentava mais, que não acreditava que um ônibus pudesse dar tantas voltas. E dá. Era uma senhora muito simples, de uns 60 anos, imagino. Ela estranhou minha placidez. Abri uma revista e fiquei lendo, bem tranquila. Expliquei a ela que já que o caminho é longo mesmo, pelo menos eu ía me distraindo. Me senti muito Poliana. Claro que é revoltante levar uma hora para fazer um caminho que de carro leva 10 minutos, mas... se é o que tem, que seja o menos pior possível, né?