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Posts de fevereiro 2011

O primeiro dia de aula

23 de fevereiro de 2011 Comentários desativados

Foi ontem. Logo cedo, o pai:

- To tão nervoso. É como se ela estivesse saindo de casa-

Eu, pragmática e matemática que sou, também estava tensa. A ponto de ficar com o corpo doído à noite.

- E se ela não conseguisse fazer amigos? E se a escola nova fosse tão grande que ela se perdesse? E se a rua fosse atrolhada de carros e não houvesse como estacionar?-

Acordamos às 7h30. Nosso normal é pelas 9... 10. Confesso.

- Mãeeeeee. Primeira série! Vamos levantar, rápido. Tu me pode me vestir na cama pra não perder tempo?-

- Ih, Anita, relaxa! A aula é só depois do almoço-

- Não vou almoçar na escola? Aaaaa -

Há quem não entenda as mulheres. Eu não entendo as crianças. A vida toda reclamando que ficava o dia todo na creche, que o almoço da escolinha era ruim, agora, com essa carga horária reduzida (das 13h30 às 18 hs) imaginei que ela ficaria feliz.

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Na escola

Chegamos mais cedo e nos dirigimos ao auditório, onde crianças + pais da primeira série deveriam aguardar. A escola estava tumultuada. Fazia calor e eu fiquei até com medo de passar mal no meio daquele caos. Ah, não tive problemas para estacionar. De tarde tem bem menos alunos.

A primeira pessoa que vimos foi a diretora. A Anita, bem puxa-saco, foi lá e abraçou- a. Entramos no auditório e sentamos. Mães apreensivas amainavam filhos nervosos, pais observavam que haviam comprado alguns itens do material errado e uns guris de cabelos de pinico e covinhas nas bochechas já começavam a bagunçar atrás das cadeiras.

Fiquei muito feliz e aliviada quando vi entrar, tão nervosos quanto eu, os pais da Bruna, que havia feito o maternal 2 com a Anita na Tartaruguinha Verde. A recíproca foi verdadeira. De pronto elas se reconheceram, sentaram juntas e nós, pais, suspiramos aliviados. Nossas filhas não ficariam isoladas nem perdidas na escola nova.

Daí em diante, ficou tudo mais fácil. As turminhas são grandes, com quase 30 alunos. Pobre professora Shirley. Espero que ganhe suficientemente bem para pagar um psiquiatra depois, como dizia uma amiga minha de Floripa.

Na hora de ir pra sala, as meninas dão a mão pra professora, saem arrastando suas mochilas novas, não param de tagarelar. Os guris agarram as mães e choram. Eita Rio Grande do Sul!

Tem uma poesia do Leminski que eu sempre gostei, porque era muito emblemática pra mim. [Primeiro dia de aula. Eu e a sala.] Que bom que pra ela não foi assim. Vou ficando por aqui porque tenho que supervisionar o tema.

O segredo do feijão

22 de fevereiro de 2011 Comentários desativados

Você que come aquele feijãozinho ralo do refeitório da firma, é com você mesmo que eu estou falando!

A maternidade faz coisa, eu que sempre fui metida a cozinhar, nunca havia feito um feijão até uns 3 anos atrás. Que preste, então, até a semana passada, para ser bem exata. É foda! Feijão bom é uma arte.




Comida pra Anita é isso. E "pronto final", como costuma dizer.



Na casa da minha mãe, jamais poderia faltar. Meus irmãos simplesmente se negavam a almoçar se não tivesse. Era um molho que unia todas as outras coisas.  Meu negócio na cozinha era inventar moda, não me preocupava com algo tão trivial quanto o feijão. Quando sai de casa, malemal cozinhava lentilha, que é mil vezes mais fácil.

Foram anos sem feijão, uma década talvez. Até que inventei de fazer sei lá porquê. Panela de pressão (meda), louro e umas coisas de porco à mão e lá fui eu. Sempre ficava ruim, aguado. Uma vez em um milhão eu acertava, que significava obter uma consistência de caldo grosso e saboroso. E nesses dias eu comia a panela toda.

Uma amiga falou que devemos jogar a água da primeira fervura fora, para não dar gases. Nops.

Minha mãe (que sempre acerta) fala que o feijão tem que ser novinho
. E eu, tenho que ser adivinha para saber a idade do feijão?! Bola de cristal, talvez?

Minha assistente, Beth, me deu uma mega dica: uma xícara de óleo de cozinha na panela. Nem pensar.

Cheguei num quociente. Feijão orgânico bem escolhido, pouco tempo de molho, alho, cebola, sempre ele - lovely bacon - pimenta seca e louro. Ah, e percebi que é bom variar de cor. Os mais claros são bem mais macios e leves.

Outra coisa que descobri é que a quantidade de água na panela faz toda a diferença. Mais vale cozinhar meio quilo com pouca água e depois multiplicá-lo do que fazer porções pequenas com "mais água no feijão" e querer que o caldo engrosse (#fail na certa).

Eu cozinho sem sal e congelo os potinhos. Depois refogo cebola, alho e mais bacon (eeeeeeeeeeee) ou linguiça, boto sal, azeite de oliva (um fio só, não uma xícara) e fica uma delícia. Como sou meio louca às vezes refogo alho-poró, pimentão e cenoura junto. Mas, acho que isso não é recomendável, a não ser para pessoas com paladar tão esquisito quanto o meu.

Ah,  e tem outra coisa: engrossar com farinha é coisa de loser!

PS - Há tempos estou editando uns textos sobre culinária do chef Felippe Sica com dicas de verdade e não esse bla-bla-blá. Em breve...

Pílula: a melhor amiga malvada

17 de fevereiro de 2011 Comentários desativados


O post anterior me remeteu à uma questão muito antiga, debatida, resolvida e superada: a pílula anticoncepcional. Eu fiquei imaginando a vida das mulheres antes da dita cuja. Calcula o estrago, uma mulher em casa, de saco cheio de cuidar dos filhos, um marido nada participativo e ainda a iminência de engravidar a cada trepada. Socorro!

Isso explica muita coisa. Claro que a tabelinha sempre existiu, especialmente para as mais esclarecidas. E também havia outros métodos, como o fantástico 'coito interrompido', que se fosse um medicamento já teria sido cassado pela Anvisa há tempos. Na hora do bem bom_ para tudo! Agora! Eu fico pensando quanto por cento das mulheres sabia o que era um orgasmo.

As prostitutas e amantes supriam a falta de vontade das esposas de transar. Mas, estavam elas também sujeitas à mesma natureza: procriar. E assim a dominação ía se reproduzindo, como filhos em úteros férteis. Por isso, Simone de Beauvoir sabiamente postulou que a maternidade era a prisão da mulher em sua condição de submissão.

Não sou contra a maternidade, muito pelo contrário. Eu amo ser mãe e a Anita é, de longe, a coisa mais fantástica da minha vida (junto ao Marcos), mas ter o controle sobre o corpo e não engravidar em momentos inoportunos é muito bom. Tudo isso porque eu quero parar de tomar pílula, mas não desejo ter mais filhos neste momento. E o pior: não confio em DIU, não gosto de camisinha e nem considero a hipótese de usar diafragma, essas coisas. E também não acho que o Marcos deva fazer vasectomia, porque penso em ter mais filhos num futuro indefinido. Um bem ruivinho, de preferência.

Nos últimos tempos têm aparecido muitas manchas nas minhas pernas, além das varicoses, das quais jamais escaparei a julgar pelas pernas dos meus esbeltos genitores. Além disso, minha amiga Mikauê me contou que teve uns piripaques de estresse (que eu tive também no fim do ano passado, naquele inferno onde trabalhei) catalizados pelo anticoncepcional. É, não tem bom_ como costumo dizer.

A pilula tem esses efeitos, mas ainda é o método mais confiável e fácil. E como sugeri no início desta postagem, é a maior maravilha da modernidade. Minha geração já pegou tudo pronto. Com cinco anos eu já sabia o que era sexo, o que era pílula e principalmente, que não iria engravidar se não quisesse. Talvez eu já soubesse até o que era aborto. Por isso nunca tinha pensado tão carinhosamente naquela cartelinha levemente adocicada que me acompanha há anos.

Tempos antigos (e ruins)

14 de fevereiro de 2011 Comentários desativados

Claro que hoje em dia tem mais poluição, as crianças não respeitam nem o Papa (essa é boa, minha geração já não tava nem aí) e tudo mais, agora dizer que antes  a vida era melhor, é no mínimo, um absurdo.

Uma dia desses, a mãe da Dani Entrudo saiu com a gente para tomar um chope e papo vai, papo vem, a conversa tomou um rumo quase inverossímel. Ela, que deve ter uns 50 e poucos, falou que quando era pequena NUNCA NINGUÉM havia lhe explicado sobre sexo, menstruação, essas coisas.

Quando menstruou, a mãe, que mal falava com ela, mandou-a para o setor pai. Era um assunto muito íntimo e como elas não nenhuma proximidade, o pai poderia ajudar mais. Ele também não foi de grande auxílio, convenhamos. Instruiu a pequena Eli a 1) nunca falar sobre o assunto com ninguém, nem com ele novamente 2) esconder aquela sujeira vergonhosa 3) pronto!

Em contrapartida, hoje em dia, as meninas da quarta série, já andam com um kit menstruação na mochila. Vai que... estão sempre preparadíssimas para o primeiro dia ensaguentado de suas vidas. A filha da Inês, minha amiga ex-rbs, é cheia de histórias sobre coleguinhas que passaram o maior mico na sala, no recreio, etc.

Meu pai me contou que, quando ele estudava num colégio interno, fez uma excursão com os padres à uma caverna cheia de estalactites. Lá, ele cortou-se e machucou-se. Detalhe: ninguém nunca soube no colégio. Segundo ele, não era permitido falar, pedir auxílio, essas coisas. Por que me contou? Porque eu vi umas cicatrizes na perna dele e perguntei, quase 60 anos depois do ocorrido.

Anitices III

10 de fevereiro de 2011 Comentários desativados

Há dois dias, um serzinho de 1,15 m me pediu: - Mãe, corta um chamelzinho no meu cabelo -.

Não resisti, abandonei o trabalho e a levei no instituto, como dizem as gaúchas de outrora. Num salãozinho infantil, do Nacional da José de Alencar.

Ela deixou lá aquela franjona emo que cultivava há meses e uns 20 centrímetros de cabelo castanho queimado nas pontas.

Mal saiu do estabelecimento e já começaram as comparações com a personagem Amélie Poulain. Em casa, assistimos uns trechos do filme no youtube. Adorei seu comentário: - Eu pareço ela, mas acho que tá mais pra Willy Wonka, mami -.

- E chocolate é bom demais - complementou.

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No avião pra cá (Curitiba) ontem, já de cabelo repaginado, ela veio com uma que eu achei o cúmulo da fofura. Essa minha filha é realmente o máximo.

- Eu acho uma injustiça essas moças pedirem pra gente soprar nas máscaras do avião, ficar dando ar de graça pra eles. Não tá certo! -

Óoooooooooooo não tá certo mesmo, coisinha mais linda do mundo!

Tristeza, depressão e loucura

07 de fevereiro de 2011 Comentários desativados

É incontável a quantidade de histórias bizarras que chegaram aos meus ouvidos depois daquele post escatológico. Mas, por hora, não vou escrever sobre esses assuntos, pois até eu fico nauseada.

Sexta passada, num papo tragicômico com a minha amiga Nídia Klein, decidimos compartilhar aqui uns casos de depressão. Primeiro porque estou corrigindo uma tese sobre este assunto, segundo porque a doença acomete muitos à minha volta há anos e terceiro porque nós duas já passamos por maus bocados e percebemos que rir da própria cara é o caminho mais garantido para a sanidade.

Coque Pedrita é comigo mesma. Mas essa não sou eu.

Segundo a Nídia, em uma pesquisa sobre depressão entre mulheres brasileiras nos anos 20, descobriu-se que o principal motivo da "loucura" das moçoilas era sempre o mesmo: homens. Sempre eles. O estudo dizia que a loucura/depressão era identificada nas seguintes situações: quando as mulheres corriam peladas, rasgavam suas próprias roupas, falavam palavras incomprensíveis ou tentavam se suicidar.

Em geral, elas chegavam a este estado ou porque o marido tinha morrido ou porque tinha fugido com outra. De lá pra cá, quase um século se passou, mas o quadro não mudou muito. Bem é verdade que existem diversas outras causas como as acrobacias necessárias para conciliar trabalho e família. A tese que estou corrigindo é surpreendente e mostra como as políticas de produtividade e os prazos dos cursos de doutorado acabam com a saúde física e mental das mulheres mães.

A última vez que me peguei deprimida foi... hoje de manhã porque cheguei toda quebrada de Floripa. É brincadeira. Eu tive uma depressão pós-parto forte. Não cheguei a tomar remédio, mas passei quase dois anos muito melancólica. Falar essas coisas depois que já nos curamos é fácil, mas - pelo que me lembro - melhorei à base de muitos quilômetros caminhados, trabalhos manuais, quinhentos livros bons (não de auto-ajuda, é claro) e uma proposta bem séria de encarar a vida de forma leve, mesmo quando ela parecer um pesadelo medonho.

Não estive naquele grau máximo, de não ter vontade de comer nem tomar banho, mas acho que passei bem perto. Outra coisa que eu incorporei na minha vida, àquela época, era fugir de gente que eu não gostava. Eu evitava completamente. Bueno, em 2008 também fiquei um pouco mal e comecei a correr e escrever este blog (na verdade o outro, no wordpress).

Sempre achei que quem corria estava fugindo de algo. De uma realidade que lhe desagradava, de questões de ordem metafísica, lá sei eu. No meu caso, essa tese se confirmou: eu pensava em tudo que me transtornava, nos motivos daquela fúria toda e o velocímetro subia. Funciona!

O mais louco dos estados depressivos é que ficamos très très male, cacos humanos e depois, subitamente, como se aquilo nunca tivesse acontecido, ressurgimos poderosas. Essa semana vou postar uns casos...