Foi ontem. Logo cedo, o pai:
- To tão nervoso. É como se ela estivesse saindo de casa-
Eu, pragmática e matemática que sou, também estava tensa. A ponto de ficar com o corpo doído à noite.
- E se ela não conseguisse fazer amigos? E se a escola nova fosse tão grande que ela se perdesse? E se a rua fosse atrolhada de carros e não houvesse como estacionar?-
Acordamos às 7h30. Nosso normal é pelas 9... 10. Confesso.
- Mãeeeeee. Primeira série! Vamos levantar, rápido. Tu me pode me vestir na cama pra não perder tempo?-
- Ih, Anita, relaxa! A aula é só depois do almoço-
- Não vou almoçar na escola? Aaaaa -
Há quem não entenda as mulheres. Eu não entendo as crianças. A vida toda reclamando que ficava o dia todo na creche, que o almoço da escolinha era ruim, agora, com essa carga horária reduzida (das 13h30 às 18 hs) imaginei que ela ficaria feliz.
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Na escola
Chegamos mais cedo e nos dirigimos ao auditório, onde crianças + pais da primeira série deveriam aguardar. A escola estava tumultuada. Fazia calor e eu fiquei até com medo de passar mal no meio daquele caos. Ah, não tive problemas para estacionar. De tarde tem bem menos alunos.
A primeira pessoa que vimos foi a diretora. A Anita, bem puxa-saco, foi lá e abraçou- a. Entramos no auditório e sentamos. Mães apreensivas amainavam filhos nervosos, pais observavam que haviam comprado alguns itens do material errado e uns guris de cabelos de pinico e covinhas nas bochechas já começavam a bagunçar atrás das cadeiras.
Fiquei muito feliz e aliviada quando vi entrar, tão nervosos quanto eu, os pais da Bruna, que havia feito o maternal 2 com a Anita na Tartaruguinha Verde. A recíproca foi verdadeira. De pronto elas se reconheceram, sentaram juntas e nós, pais, suspiramos aliviados. Nossas filhas não ficariam isoladas nem perdidas na escola nova.
Daí em diante, ficou tudo mais fácil. As turminhas são grandes, com quase 30 alunos. Pobre professora Shirley. Espero que ganhe suficientemente bem para pagar um psiquiatra depois, como dizia uma amiga minha de Floripa.
Na hora de ir pra sala, as meninas dão a mão pra professora, saem arrastando suas mochilas novas, não param de tagarelar. Os guris agarram as mães e choram. Eita Rio Grande do Sul!
Tem uma poesia do Leminski que eu sempre gostei, porque era muito emblemática pra mim. [Primeiro dia de aula. Eu e a sala.] Que bom que pra ela não foi assim. Vou ficando por aqui porque tenho que supervisionar o tema.




