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Posts na categoria "universo infantil"

O maior tesouro da dona Roseli

16 de agosto de 2013 0

Ana Emília Cardoso

Depois de algumas andanças por outras cidades, os pais do Deco, que estão entre 50-60, voltaram a morar na casa da finada Toca, em Eldorado do Sul, na entrada da Ilha da Pintada.

A morada tem mais de cem anos e foi tombada. Baixinha porque antiga e úmida porque fica em frente a um riacho onde aposentados, crianças e vagabundos pescam; a casa pertencia à mãe do Antero, pai do André, o Deco.

Ainda que ele e seus dois irmãos tenham nascido lá, não foi naquelas bandas que se criaram, mas em Alvorada, cidade com fama nada simpática hoje em dia. Antero sempre gostou de mudança, de viajar bastante.

Roseli, a esposa, gosta de sossego. Quando as crianças eram pequenas, as criava praticamente sozinha, uma vez que Antero pegava a estrada a trabalho e só voltava nos finais de semana. Devia ser uma trabalheira: três miúdos, uma escadinha, com diferença de poucos degraus entre si.

Era difícil, eu precisava sempre ameaçá-los com uma varinha verde pra me obedecerem. Quando o pai voltava então, era só mimo com os filhos. André, o mais velho, chegava a deixar os brinquedos reservados na loja da esquina, um bazar Pequetitas. O Antero comprava tudo. Dava tudo pra eles. Eu ficava com a parte difícil, dar banho, cobrar os deveres, educar.

Quando ele podia, não havia o que não desse pros filhos. Mas hoje não é assim: a vida não tá fácil pra gente. Temos saúde, isso que importa. Mas, sabe o que eu guardei de valor desses últimos 40 anos? Vem aqui que eu vou te mostrar.

São três caixas. Uma de cada filho. Todo ano, esse fotógrafo tocava lá em casa. Eu passava 11 meses esperando. Olha que amor, a Mariana bebê, coisa mais gorducha. E o André, a mesma carinha até hoje. O Fi, esse mudou bastante. Era gordinho que nossa e hoje é seco de dar dó.

Pra mim não tem tesouro maior. Eles reclamam, ficam envergonhados. Mas, pensa na emoção de uma mãe de poder reviver esses dias, essas carinhas levadas, essas roupinhas? Muitas roupinhas eu mesma fazia, eu costurava na época. Outras, o Antero trazia, até de Minas Gerais. Esse vestidinho xadrez vermelho e branco, com bordado, que a Mariana tá usando na foto, veio de Diamantina. Se duvidar, tenho ele empacotado por aí.

Eu vou guardando minha vida em sacolas. Muita coisa não sei onde enfiei, mas essas caixas, esses álbuns, são sempre a primeira louça que guardo na cristaleira da casa nova.

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Lendas do Colégio Americano

04 de agosto de 2013 Comentários desativados

O colégio atual da Anita existe desde 1889. A sede onde ela estuda foi construida em 1926 e já funcionou como internato, escola de magistério, economia do lar, dietista escolar e outras coisas de antigamente.

Até o ano que nasci, 1977, só admitia moças. As meninas de hoje reclamam das mudanças: estão naquela fase de odiar os guris. Em especial os palavrõezentos, ou seja 99%.

Árvores enormes e arquitetura do século passado dão ao lugar aquela aura de Hogwarts que tanto fascina as crianças. Para o pavor dos pais, o pátio é um bocado frio e sombrio. A junção deste cenário com esta atmosfera instiga a criação de lendas que perturbam -num grau saudável- os pequenos neste dias cinzentos de inverno.

Quatro delas:

1) O faxineiro do sexto andar. Após anos de celibato, casou-se com uma moça que tinha uma filha. Como não gostava da menina, um dia empurrou-a das escadas, o que a levou à morte. O fantasma da menina ainda quer vingança e vive pelas escadarias procurando seu assassino. Quando alguém tropeça, provavelmente foi ela, entediada, que lhe pregou uma peça.

2) O assassino do elo. O elo é um barrancão que existe na escola. Dizem que lá embaixo (ninguém nunca vai lá) mora um velho. Ele só sai à noite e quando encontra alguém perambulando pelo colégio depois das 22, mata e congela o corpo para comer.

3) A arquimorta. Dizem que nos tempos de internato, uma menina suicidou-se, mas antes disso assinou com sangue seu armário. Os pequenos morrem de medo de visitar o museu do próprio colegio por causa da tal assinatura, que embaixo do nome escreveu arquimorta.

4) A árvore da forca. Uma das inúmeras árvores têm uma corda vermelha pendurada. As crianças contam que muita gente se enforcava naquela árvore. Haja imaginação.

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Os quatro meses da Aurora

20 de setembro de 2012 Comentários desativados

Amanhã a Aurora completa quatro meses. E tudo tem saído melhor que a encomenda. Já que usei este termo ~encomenda~, confesso: estava preparada para o pior, maldito pessimismo virginiano, por isso fiz terapia com psiquiatras a gravidez toda.

Eu tinha medo de choro, noites insones, de me arrepender terrivelmente de ter engravidado novamente, de me sentir presa e uma infinidade de situações que quem teve o primeiro filho conhece bem. Mas, não, nada disso me aconteceu desta vez.

Não sei se é sorte ou é resignação, que traz a calma e contagia toda a família, tornando-a harmônica. É evidente que eu sou o centro da casa, como qualquer mulher com dois filhos pequenos o é. Logo, se eu estiver tranquila, tudo que orbita à minha volta tende a ser menos entrópico. Será que eu estou viajando nas galáxias, me achando o sol doméstico?

Vou dar um exemplo de uma situação nada-nada-nada hipotética: todos os dias meu marido quer sair tomar um chope na rua. É óbvio que eu não gosto, mas longe de ficar completamente indignada, eu penso: a Aurora tem apenas quatro meses e ainda mama no peito exclusivamente. Essa situação não é permanente, pelo contrário, é bem transitória. Em pouquíssimo tempo eu nem estarei mais amamentando e poderei sair também, quando bem entender, negociar melhor a divisão no cuidado da bebê, então, ao invés de me irritar com ele (que é incapaz de me substituir nesta hora) eu curto os momentos com ela.

Em questão de meses eu torno a trabalhar, não amamento mais e volto a ter uma vida quase normal. Eu sei disso, eu conheço o roteiro. Claro que o meu ~normal~ é com horas de buscar filhos, pagando babysitter pra poder ir no cinema com o marido e rezando pra não ter reuniões de trabalho depois das 17h30, mas ok. Minha vida é uma gincana mesmo, então um filho a mais só aumenta a adrenalina das etapas. E quando eu voltar a ser ~eu~ e não mais ~eu+aurora~, vou ser um ~eu sem culpas ou arrependimentos~, porque agora, que ainda somos grudadas, estou dando o melhor de mim, toda a minha paciência, atenção e amor.

O amor que a gente sente pelo segundo filho é compulsório. Quando ele nasce, a gente já vê o filminho todo do que vai acontecer até o novo bebê ficar do tamanho do nosso filho mais velho. Isso dá uma alegria, uma certeza de que seremos ainda mais felizes, que todos aqueles medos que eu falei no segundo parágrafo esfacelam-se.

PS – Hoje vou tentar dar um suquinho de laranja do céu pra ela.. se ela gostar, veja bem, já não sou mais o restaurante exclusivo da minha Aurora Boreal (não, não é esse o nome dela).



Mami, dá pra mudar o nome deste blog pra Casa de Aurora?



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Outrora era assim

26 de julho de 2012 Comentários desativados

Mãe de bebê escuta coisa. Eu me divirto. Segue aí um pot-pourri de pérolas que tenho ouvido:

Você cozinha o arroz com mais água, tira a água, põe numa mamadeirinha e dá. É igual o leite do peito, a mesma coisa. Melhor que dar leite de vaca ou chá.

Seis meses já é hora de tomar caldo de feijão. Sem os grãos.

E se a menina tá dormindo mais de dia e acorda muito à noite, tens que botar a roupinha virada nela. Bota do avesso que ela para com essa troca de turno.

Um peito é doce, o outro salgado. Isso explica muita coisa: tem criança que só gosta de um peito, anos depois pode mostrar a predileção por um destes sabores. Sabe quando o bebê quer trocar de peito o tempo todo? Vai gostar de agridoce, pizza califórnia, essas coisas.

Criança é que nem pão, se não esquenta, não cresce. [ Essa é SUCESSO dos velhinhos que têm medo do frio ].

E por fim (agora não me lembro de outras) a única que eu adoro e sigo da finada Vó Mirte: os pediatras passam, a chupeta fica! Gênia.

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Duas semanas depois

04 de junho de 2012 Comentários desativados

Hoje faz 15 dias que a Aurora nasceu. Não posso dizer que to dormindo a noite toda, mas não tenho do que reclamar desta pequena, ela é um docinho. Raramente chora, mama direitinho, parece uma bonequinha.

A única traquinagem, se é que se pode falar isso de um serzinho tão pequeno, é que ela adora fazer xixi quando estamos trocando sua fralda. Parece um guri! Mas agora já pegamos a manha, tem que ficar alerta.

Tenho deixado meu ceticismo de lado e ando acreditando em coisas que nunca imaginei. Por alguma razão, penso que a Aurora já tem uma personalidade própria, bem diferente da Anita.

Por fora, elas são idênticas, salvaguardas feitas à diferença de sete anos que as separa. O mais curioso disso é que a Anita, que nunca se pareceu com ninguém, agora tem seu mini me. Mas o temperamento parece ser TÃO diferente: a Anita chegou chegando, berrando, conquistando seu espaço, como uma boa ariana. A Aurora é discreta, nem se faz notar. Será que os geminianos são assim?

Minha culpa em relação à Anita já passou e minha barriga já desinchou também. Ou seja: acho que estou psicológica e fisicamente recuperada do parto. Agora meu desafio é não definhar nem virar um zumbi por dormir pouco. Por isso, se os posts tornarem-se muito escassos nas próximas semanas, saiba que eu estou aproveitando meu tempo livre pra dar uns cochiloszZZZZZ

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No hospital (dia 22 de maio)

25 de maio de 2012 Comentários desativados

Nada no hospital me irrita mais do que enfermeiras que adentram o quarto com o propósito de verificar os sinais meus e da bebê assim que ela dormiu. Poxa, às vezes dá tanto trabalho fazê-la dormir.

Outra coisa chata é a quantidade absurda de vezes que te apertam os mamilos para saber se há leite ou colostro. Se vc responde sim, te apertam, se responde não, te apertam igual.

Já faz um dia e meio que a Aurora nasceu e eu não vejo a hora de fugir do hospital. Estou super bem, sem dor, sem nada, a Aurora também e provavelmente a gente só consiga sair daqui amanhã ao meio-dia.

Sabe aquele blá-blá-blá que segundo filho é isso e aquilo? É tudo verdade, é BEM mais fácil. Até a amamentação que da outra vez quase acabou comigo eu to tirando de letra desta vez.

Ontem uma mãe que não estava conseguindo amamentar me pediu pra dar o peito pra sua filha. Isso se chama amamentação cruzada e não se usa mais. É equivalente a fazer uma transfusão de sangue. Expliquei que focinho de porco não era tomada e ela ficou surpresa.

Falei tanto dos partos alheios que agora sou obrigada a contar o meu. Pois então, desde quarta eu estava sentindo contrações, mas não sabia ao certo o que era aquilo. Eu sentia fisgões, não conseguia me mexer.

No domingo tive a impressão que a bolsa tinha rompido no meio do almoço, entre outras emoções. Domingo à noite senti muitas cólicas, mas achava que era a Aurora se mexendo ou gases.

Na segunda vim pro hospital, respondi mil vezes as mesmas perguntas – quantas semanas, quantos filhos, alergias, altura, etc – tomei uma anestesia e minha médica abriu minha barriga.

A Aurora nasceu saudável, cabeluda, com 47 cm e 2,8 kg. Se abraçou na mão da médica, bem fofinha. Tive uma alergia às luvas dos médicos e meus olhos ficaram um inchados no pós-parto. Tomei anti-histamínico e fiquei chapada, talvez tenha sido da anestesia. Me lembro vagamente do dia de ontem.

A bebê é ótima, mama, dorme, é quentinha e macia. Eu não lembrava como era um bebê. E acho que era tão nervosa e preocupada com a Anita que não dava espaço pra essa contemplação que estou tendo com a Rory.

O hospital ajuda muito também, eles são hiper solícitos, fazem tudo pra gente, trazem muita comida, explicam muito as coisas… Bem diferente do que passei em Curitiba, algo no estilo “toma que o filho é teu”.

Ela é a cara da Anita quando nasceu, uma Piangers. Os olhos são meio azuis, como de 95% dos bebês e as unhas das mãos são longas como as minhas, em alguma coisa essas menininhas têm que me puxar, afinal.

[escrevi este post no hospital, mas nao consegui publicar pq não lembrava a senha pra configurar o app. espero ter tempo de escrever muito mais, aqui e no quempariu.blogspot.com, mas ainda é cedo para fazer previsões]

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Últimas da gravidez e mais Anitices

17 de maio de 2012 Comentários desativados

Estou contando os dias para o parto. Faltam só três. Isso se ela esperar até segunda. Sinto muita pressão pélvica. Na barriga, parece que tem uma hélice de lancha. Ontem, eu comecei a sentir pontadas no meio da feirinha orgânica. Imagina que prosaico, nascer na Secretaria do Meio Ambiente. Mas não. Isso combinaria mais com a minha cunhada, que vai ter a sua Flora em setembro. Meu irmão é quase um Policarpo Quaresma paranaense, seu filho mais velho (que só tem um ano) chama-se Heitor Pinhão. Juro. A Flora provavelmente será Flora Araucária (eu acho).

Ontem fiz minha última eco de controle. Foi rápido, ela está bem, com 3 kgs, e eu ainda tenho 10 cm cúbicos de líquido, um litro. Vi a carinha da Rory rapidamente e achei bem bonitinha. Conheci só uma grávida na sala de descanso do hospital. Estava com 20 semanas e sentia dores abdominais. Sempre foi gorda, mas no ano passado se submeteu a uma cirurgia bariátrica (é isso que o Hugo, meu irmão Policarpo faz) e perdeu 53 quilos.

Ela contou que no começo, logo depois da operação, não se reconhecia naquele corpo magro. Quando passava perto de um espelho ou vidro nem se olhava porque achava que era outra pessoa (!). Disse também que demorou meses pra parar de entrar nas lojas e procurar roupas enormes. Não se dava conta que tinha virado outra pessoa. Agora, grávida, engordou pouquinho e tem tido cólicas. Tomara que esteja tudo bem.

Já estou com tudo mega pronto, só falta mais um sutiã amamentação, a cinta e uma chaleira elétrica, para esquentar a água do banho no banheiro bem rápido (eu e minhas ideias). Agora à tarde vou ao shopping e já resolvo tudo isso.

Agora vem a parte dramática do post. Sério, eu não imaginava que era tão querida pelos mais próximos. O que tem de gente se lamentando porque acha que eu não lhe darei mais atenção… Ontem minha faxineira mandou uma mensagem à noite dizendo que estava chorando porque gostava muito de mim e que ía sentir a minha falta. Porque eu arrumei uma babá e não posso ficar com as 2. Algumas amigas também têm falado coisas assim, mas o que me dói mais é a Anita. Ela tá muito triste.

Essa é de partir o coração. Hoje de manhã fomos ao salão pra eu me depilar. Eu comprei uma maquininha santinelle que tornou a minha vida mais fácil, principalmente no que tange axila e meia perna. Sempre posso sair de regata ou de perna de fora, MAS, com a barriga, tem toda uma região que eu sequer enxergo que precisava de um tratamento profissional.

A Anita foi junto e ficou brincando com as crianças do salão (a Sofia, neta da Ione que é a dona e o Cauã, filho da Luana, manicure). Tem até espaço kids. Como a Sofia também tinha prova de LETB (já escrevi sobre isso no post anterior)), elas passaram a manhã lá estudando. Eu até voltei pra casa e depois a peguei mais tarde.

Perto do meio-dia encontramos uma ex-professora dela. Ela correu, abraçou e elogiou um pouco a Anita. Quando a Anita ía começar a contar histórias, o papo mudou pra minha barriga, Aurora, parto e tal e a Anita ficou no vácuo. Ele fez uma carinha que me deu muita pena.

Que coisa. Anda se divertindo com histórias de irmãos que pedem aos pais para devolver os bebês ou querem jogá-los no lixo. Ontem falou isso para uma vizinha, que pretendia jogar a Aurora no lixo. Ao que a vizinha, que é psiquiatra, respondeu: Joga lá em casa Anita, ap 704, torre 2. E a Anita: Vou anotar!

Tirando isso ela tá muito fofinha e criativa como sempre. Criou uma pastinha no meu iphone chamada Sacaniação, com apps de brincadeirinhas do tipo avacalhar o Justin Bibier. Outro dia estávamos brincando de rima e ela disse: Mãe, Emíla combina com o quê? E eu: Ervilha. Ela: Não, melhor com tomilha, aquela tua plantinha que tu sempre me pede pra pegar umas folhas pra cozinhar. Óin.

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Anitices

15 de maio de 2012 Comentários desativados

Ficou com febre e dor de garganta. Deixei faltar aula na sexta. “Enforcar”, ela diz. Como eu to evitando ficar pra cima e pra baixo, porque tenho umas dores na barriga, não a levei ao médico. E, consequentemente não dei antibiótico. Só dei Alivium, que ela jura que chama “Melhorium”. Chamar não chama, mas ela já melhorou.

A bichinha tá meio enciumada porque eu fico horas mostrando as coisinhas da Aurora pras visitas que vêm aqui justo com esse propósito: ver as coisas do bebê. Noto que a Anita não curte muito, mas faz parte…

Ontem ela trouxe um caderno pra casa chamado LETB, que é uma disciplina que a escola dela inventou – Leitura Espaço-temporal e Biológica, que me pareceu o que eu chamava de Estudos Sociais na escola há mil anos atrás. Nesse caderno tinha uma entrevista com ela e duas respostas me chamaram a atenção:

Em que você pensa? Na minha mãe.

Com que você se preocupa? Com a minha irmã.

Tadinha. Eu sei que ela tá insegura. Mas a gente tá fazendo o possível e impossível pra ela não se sentir assim. Olha a carinha dela aí, segurando os sapatinhos da Aurora.

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Quanto tempo falta pra daqui a pouquinho?

21 de março de 2012 Comentários desativados

Na semana passada estive na escola da Anita para aquela primeira reunião com os pais. Duas coisas me chamaram a atenção: a postura da professora em relação ao combate da ansiedade das crianças e alguns comentários idiotas dos pais, do tipo: meu filho já perdeu todos os lápizes e eu repus, se ele não puder ir ao banheiro é capaz de mijar no pé da profe e por aí vai.

Hoje vou falar do primeiro caso. A situação era a seguinte: a professora de música não deixa as crianças fazerem xixi. Algumas mães pediram à tutora oficial que levasse todos ao banheiro antes da aula de música, que antecede o recreio, como a professora do ano passado fazia.

A nova professora explicou que se ela fizesse esta “combinação”, as crianças passariam mais da metade da aula só falando nisso, perguntando sobre a hora de ir ao banheiro, enfim, completamente ansiosas e dispersas. Eis o X da questão (que bom que a professora sacou isso), as crianças de hoje não funcionam nesta lógica de recompensa que nós fomos criados. O “se você se comportar agora, ganha tal coisa” não cola com elas. Elas só vivem o agora.

Se na segunda-feira mencionarmos que viajaremos no próximo final de semana, pronto, tá feito o estrago. Elas vão passar a semana toda perguntando quantos dias faltam e se falta muito. Exatamente como fazem com o aniversário, Natal e outras datas.

Casualmente meu irmão comentou comigo que uma de suas filhas, que também tem 7 anos, está tendo crises terríveis de ansiedade. O quanto tempo falta de hoje pode virar insegurança e paranoia na semana que vem, porque elas não conseguem enxergar o tempo como linear nem tampouco entender que a morosidade e o lento encadeamento dos fatos é normal. Talvez porque nos desenhos animados não seja, mas eu, sinceramente não sei a causa ou as causas exatas deste fenômeno.

O que eu sei é a forma que eu criei para lidar com a minha filha. Uma coisa por vez. Se agora vamos fazer o tema, faço disso um grande momento. Porque, se eu apresentar uma sequência do tipo tema- descer pra brincar-almoçar fora, ela vai ficar tão ansiosa pra descer, ou pra sair pra almoçar que jamais conseguirá concluir o tema em tempo de brincar, por exemplo.

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O inexorável acúmulo de tralhas

12 de dezembro de 2011 Comentários desativados

Este post pode parecer devaneio de uma grávida neurótica, mas duvido que todas as pessoas não passem por este momento de vez em quando. Minha casa está atolada de coisas: roupas, sapatos, brinquedos, papéis, revistas, cabos e brindes sortidos das mais variadas marcas.

Os primeiros itens nós mesmos compramos e os demais, cabos e brindes, se multiplicam como gremlins que se alimentaram depois da meia-noite, imersos em uma piscina olímpica. Na categoria cabos entram fones de ouvidos, adaptadores, pendrives e assemelhados. Na brindes, je-sus, imagine de tudo um pouco. Agora eleve ao cubo. Bem-vindo à minha casa neste fim de ano.

Eu, definitivamente não sou um caso digno daquele programa de colecionadores patológicos. Não coleciono nada, nem esmaltes tenho. Procuro concentrar tudo no celular, em nuvens na internet. Nem agenda, nem nada. No entanto, experimente entrar no meu quarto, closet ou no quarto da Anita. Você sairá correndo como o papa-léguas. A situação é periclitante.

Quando a gente fica grávida do primeiro filho, olha vitrines, compra revistas e frequenta lojas de bebês. Nesse universo, tudo é lindo, harmônico, poucos brinquedos, todos do mesmo tom. Na vida real, especialmente depois de uns anos, não tem bom-gosto que resista. TODOS os dias as crianças aparecem, ganham ou pedem coisas novas. É tanto bicho de pelúcia, caixinha com gavetas, revistinhas de colorir, chaveirinhos, brinquedinhos do Mc Donald’s e trabalhinhos da escola, que fica difícil até de caminhar num quarto infantil DE VERDADE.

Aí vou eu lá, munida de alguma sacola bem grande, daquelas que os mercados empacotam travesseiros ou  papel higiênico e vou jogando parte fora. Doo para crianças pobres da Ilha da Pintada, para os filhos do pessoal da Rudder que trabalha no condomínio ou boto no lixo mesmo.

Antes ficava com pena, lembrava da minha mãe me ensinando que tudo custa dinheiro. Ela falava isso para me conformar com as muitas permutas que sempre pagaram o meu serviço, provavelmente. Hoje em dia, dispenso este excesso cada vez com mais gosto. Eu quero respirar, preciso de espaço.

Nesta tarde tenho uma missão hercúlea, esvaziar uma cômoda (jogar tudo fora, pode?). Depois vou arrumar o resto das coisas. Espero não morrer soterrada.

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