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Posts com a tag "anita"

Lendas do Colégio Americano

04 de agosto de 2013 Comentários desativados

O colégio atual da Anita existe desde 1889. A sede onde ela estuda foi construida em 1926 e já funcionou como internato, escola de magistério, economia do lar, dietista escolar e outras coisas de antigamente.

Até o ano que nasci, 1977, só admitia moças. As meninas de hoje reclamam das mudanças: estão naquela fase de odiar os guris. Em especial os palavrõezentos, ou seja 99%.

Árvores enormes e arquitetura do século passado dão ao lugar aquela aura de Hogwarts que tanto fascina as crianças. Para o pavor dos pais, o pátio é um bocado frio e sombrio. A junção deste cenário com esta atmosfera instiga a criação de lendas que perturbam -num grau saudável- os pequenos neste dias cinzentos de inverno.

Quatro delas:

1) O faxineiro do sexto andar. Após anos de celibato, casou-se com uma moça que tinha uma filha. Como não gostava da menina, um dia empurrou-a das escadas, o que a levou à morte. O fantasma da menina ainda quer vingança e vive pelas escadarias procurando seu assassino. Quando alguém tropeça, provavelmente foi ela, entediada, que lhe pregou uma peça.

2) O assassino do elo. O elo é um barrancão que existe na escola. Dizem que lá embaixo (ninguém nunca vai lá) mora um velho. Ele só sai à noite e quando encontra alguém perambulando pelo colégio depois das 22, mata e congela o corpo para comer.

3) A arquimorta. Dizem que nos tempos de internato, uma menina suicidou-se, mas antes disso assinou com sangue seu armário. Os pequenos morrem de medo de visitar o museu do próprio colegio por causa da tal assinatura, que embaixo do nome escreveu arquimorta.

4) A árvore da forca. Uma das inúmeras árvores têm uma corda vermelha pendurada. As crianças contam que muita gente se enforcava naquela árvore. Haja imaginação.

Duas semanas depois

04 de junho de 2012 Comentários desativados

Hoje faz 15 dias que a Aurora nasceu. Não posso dizer que to dormindo a noite toda, mas não tenho do que reclamar desta pequena, ela é um docinho. Raramente chora, mama direitinho, parece uma bonequinha.

A única traquinagem, se é que se pode falar isso de um serzinho tão pequeno, é que ela adora fazer xixi quando estamos trocando sua fralda. Parece um guri! Mas agora já pegamos a manha, tem que ficar alerta.

Tenho deixado meu ceticismo de lado e ando acreditando em coisas que nunca imaginei. Por alguma razão, penso que a Aurora já tem uma personalidade própria, bem diferente da Anita.

Por fora, elas são idênticas, salvaguardas feitas à diferença de sete anos que as separa. O mais curioso disso é que a Anita, que nunca se pareceu com ninguém, agora tem seu mini me. Mas o temperamento parece ser TÃO diferente: a Anita chegou chegando, berrando, conquistando seu espaço, como uma boa ariana. A Aurora é discreta, nem se faz notar. Será que os geminianos são assim?

Minha culpa em relação à Anita já passou e minha barriga já desinchou também. Ou seja: acho que estou psicológica e fisicamente recuperada do parto. Agora meu desafio é não definhar nem virar um zumbi por dormir pouco. Por isso, se os posts tornarem-se muito escassos nas próximas semanas, saiba que eu estou aproveitando meu tempo livre pra dar uns cochiloszZZZZZ

Últimas da gravidez e mais Anitices

17 de maio de 2012 Comentários desativados

Estou contando os dias para o parto. Faltam só três. Isso se ela esperar até segunda. Sinto muita pressão pélvica. Na barriga, parece que tem uma hélice de lancha. Ontem, eu comecei a sentir pontadas no meio da feirinha orgânica. Imagina que prosaico, nascer na Secretaria do Meio Ambiente. Mas não. Isso combinaria mais com a minha cunhada, que vai ter a sua Flora em setembro. Meu irmão é quase um Policarpo Quaresma paranaense, seu filho mais velho (que só tem um ano) chama-se Heitor Pinhão. Juro. A Flora provavelmente será Flora Araucária (eu acho).

Ontem fiz minha última eco de controle. Foi rápido, ela está bem, com 3 kgs, e eu ainda tenho 10 cm cúbicos de líquido, um litro. Vi a carinha da Rory rapidamente e achei bem bonitinha. Conheci só uma grávida na sala de descanso do hospital. Estava com 20 semanas e sentia dores abdominais. Sempre foi gorda, mas no ano passado se submeteu a uma cirurgia bariátrica (é isso que o Hugo, meu irmão Policarpo faz) e perdeu 53 quilos.

Ela contou que no começo, logo depois da operação, não se reconhecia naquele corpo magro. Quando passava perto de um espelho ou vidro nem se olhava porque achava que era outra pessoa (!). Disse também que demorou meses pra parar de entrar nas lojas e procurar roupas enormes. Não se dava conta que tinha virado outra pessoa. Agora, grávida, engordou pouquinho e tem tido cólicas. Tomara que esteja tudo bem.

Já estou com tudo mega pronto, só falta mais um sutiã amamentação, a cinta e uma chaleira elétrica, para esquentar a água do banho no banheiro bem rápido (eu e minhas ideias). Agora à tarde vou ao shopping e já resolvo tudo isso.

Agora vem a parte dramática do post. Sério, eu não imaginava que era tão querida pelos mais próximos. O que tem de gente se lamentando porque acha que eu não lhe darei mais atenção… Ontem minha faxineira mandou uma mensagem à noite dizendo que estava chorando porque gostava muito de mim e que ía sentir a minha falta. Porque eu arrumei uma babá e não posso ficar com as 2. Algumas amigas também têm falado coisas assim, mas o que me dói mais é a Anita. Ela tá muito triste.

Essa é de partir o coração. Hoje de manhã fomos ao salão pra eu me depilar. Eu comprei uma maquininha santinelle que tornou a minha vida mais fácil, principalmente no que tange axila e meia perna. Sempre posso sair de regata ou de perna de fora, MAS, com a barriga, tem toda uma região que eu sequer enxergo que precisava de um tratamento profissional.

A Anita foi junto e ficou brincando com as crianças do salão (a Sofia, neta da Ione que é a dona e o Cauã, filho da Luana, manicure). Tem até espaço kids. Como a Sofia também tinha prova de LETB (já escrevi sobre isso no post anterior)), elas passaram a manhã lá estudando. Eu até voltei pra casa e depois a peguei mais tarde.

Perto do meio-dia encontramos uma ex-professora dela. Ela correu, abraçou e elogiou um pouco a Anita. Quando a Anita ía começar a contar histórias, o papo mudou pra minha barriga, Aurora, parto e tal e a Anita ficou no vácuo. Ele fez uma carinha que me deu muita pena.

Que coisa. Anda se divertindo com histórias de irmãos que pedem aos pais para devolver os bebês ou querem jogá-los no lixo. Ontem falou isso para uma vizinha, que pretendia jogar a Aurora no lixo. Ao que a vizinha, que é psiquiatra, respondeu: Joga lá em casa Anita, ap 704, torre 2. E a Anita: Vou anotar!

Tirando isso ela tá muito fofinha e criativa como sempre. Criou uma pastinha no meu iphone chamada Sacaniação, com apps de brincadeirinhas do tipo avacalhar o Justin Bibier. Outro dia estávamos brincando de rima e ela disse: Mãe, Emíla combina com o quê? E eu: Ervilha. Ela: Não, melhor com tomilha, aquela tua plantinha que tu sempre me pede pra pegar umas folhas pra cozinhar. Óin.

Anitices

15 de maio de 2012 Comentários desativados

Ficou com febre e dor de garganta. Deixei faltar aula na sexta. “Enforcar”, ela diz. Como eu to evitando ficar pra cima e pra baixo, porque tenho umas dores na barriga, não a levei ao médico. E, consequentemente não dei antibiótico. Só dei Alivium, que ela jura que chama “Melhorium”. Chamar não chama, mas ela já melhorou.

A bichinha tá meio enciumada porque eu fico horas mostrando as coisinhas da Aurora pras visitas que vêm aqui justo com esse propósito: ver as coisas do bebê. Noto que a Anita não curte muito, mas faz parte…

Ontem ela trouxe um caderno pra casa chamado LETB, que é uma disciplina que a escola dela inventou – Leitura Espaço-temporal e Biológica, que me pareceu o que eu chamava de Estudos Sociais na escola há mil anos atrás. Nesse caderno tinha uma entrevista com ela e duas respostas me chamaram a atenção:

Em que você pensa? Na minha mãe.

Com que você se preocupa? Com a minha irmã.

Tadinha. Eu sei que ela tá insegura. Mas a gente tá fazendo o possível e impossível pra ela não se sentir assim. Olha a carinha dela aí, segurando os sapatinhos da Aurora.

O mistério da barriga desaparecida

05 de abril de 2012 Comentários desativados

Esta semana finalmente desvendei um enigma que há meses vinha me intrigando. Logo que engravidei, encontrei uma grávida bem barriguda diversas vezes na portaria do condomínio que eu moro. Não a conheço, mas sabia que ela tinha um filho de mais ou menos 8 anos e que morava na torre um (eu moro na três).

Não sou nenhuma especialista em saber de quantos meses é uma barriga, mas imaginava que ela estivesse no sétimo ou oitavo mês. Nunca puxei papo com ela, que sempre passava rapidamente pela portaria.

Quando as férias da Anita começaram, eu nunca mais fiquei lá, de bobeira, esperando a van chegar e tampouco vi aquela grávida.

Durante o verão, vi o filho dela e ela própria andando rapidamente pelas áreas do condomínio, mas barriga, bebê, choro ou carrinho…necastipitibiriba. Minha curiosidade me levou ao ponto de cometer a pequena indelicadeza de especular com conhecidos. Mas, ninguém sabia dela, onde morava, quem era. Parecia que eu, grávida louca, tinha inventado essa história toda.

No entanto, esta semana, já em abril, eu vi, bem de longe, a tal mulher, uma morena, de cabelos lisos na altura do ombro, empurrando um carrinho de bebê. Eu sabia que não era uma alucinação, que ela tinha estado grávida lá por outubro e novembro do ano passado.

Neste mesmo dia fez um final de tarde bem quente e eu fiquei esperando a Anita voltar da escola embaixo do prédio, conversando com outras mães e babás. De repente, adivinha quem surge com uma menininha de 4 meses? Ela e sua mãe, uma senhora de uns 70 anos que é a verdadeira moradora do prédio. Agora entendi tudo, ela mora num outro condomínio aqui perto, teve a Alice um pouco antes da hora e nunca apareceu por aqui com a bebê porque os pais, um casal de jovens idosos, a exemplo de muitos outros casais da capital, passou o verão todo na praia.

As vezes que a vi no verão, deviam ser porque o filho tem amigos no prédio, que é um antro de crianças, e ela veio rapidamente trazê-lo ou buscá-lo na casa de alguém. Mas, enfim, fiquei bem aliviada de saber que está tudo bem porque eu odeio casos de grávidas que perdem os bebês, principalmente as que já estão bem no final.

Quanto tempo falta pra daqui a pouquinho?

21 de março de 2012 Comentários desativados

Na semana passada estive na escola da Anita para aquela primeira reunião com os pais. Duas coisas me chamaram a atenção: a postura da professora em relação ao combate da ansiedade das crianças e alguns comentários idiotas dos pais, do tipo: meu filho já perdeu todos os lápizes e eu repus, se ele não puder ir ao banheiro é capaz de mijar no pé da profe e por aí vai.

Hoje vou falar do primeiro caso. A situação era a seguinte: a professora de música não deixa as crianças fazerem xixi. Algumas mães pediram à tutora oficial que levasse todos ao banheiro antes da aula de música, que antecede o recreio, como a professora do ano passado fazia.

A nova professora explicou que se ela fizesse esta “combinação”, as crianças passariam mais da metade da aula só falando nisso, perguntando sobre a hora de ir ao banheiro, enfim, completamente ansiosas e dispersas. Eis o X da questão (que bom que a professora sacou isso), as crianças de hoje não funcionam nesta lógica de recompensa que nós fomos criados. O “se você se comportar agora, ganha tal coisa” não cola com elas. Elas só vivem o agora.

Se na segunda-feira mencionarmos que viajaremos no próximo final de semana, pronto, tá feito o estrago. Elas vão passar a semana toda perguntando quantos dias faltam e se falta muito. Exatamente como fazem com o aniversário, Natal e outras datas.

Casualmente meu irmão comentou comigo que uma de suas filhas, que também tem 7 anos, está tendo crises terríveis de ansiedade. O quanto tempo falta de hoje pode virar insegurança e paranoia na semana que vem, porque elas não conseguem enxergar o tempo como linear nem tampouco entender que a morosidade e o lento encadeamento dos fatos é normal. Talvez porque nos desenhos animados não seja, mas eu, sinceramente não sei a causa ou as causas exatas deste fenômeno.

O que eu sei é a forma que eu criei para lidar com a minha filha. Uma coisa por vez. Se agora vamos fazer o tema, faço disso um grande momento. Porque, se eu apresentar uma sequência do tipo tema- descer pra brincar-almoçar fora, ela vai ficar tão ansiosa pra descer, ou pra sair pra almoçar que jamais conseguirá concluir o tema em tempo de brincar, por exemplo.

O Vale sempre vale ser visitado

11 de março de 2012 Comentários desativados

Aviso aos eno-amantes: recém cheguei do Vale dos Vinhedos e descobri que esta safra, de 2012, foi a melhor ever. Bem melhor que a de 1999, a de 2005 e a razoavelzinha de 2008. Ou seja, bons vinhos estão a caminho. Mas, não adianta ter pressa. Os produtores, que de burros não têm nada, já botaram o vinho nas baricas e de lá, só vão pras garafas daqui uns 3 ou 4 anos.

Soubemos do êxito das vindimas na Pizzato e na Cavalleri. A Dom Laurindo (detentora do vinho mais caro do Brasil – um especial comemorativo que custa 100 euros a garafa) já fala em uma edição especial a ser lançada em 2016, a Reserva 2012.


Nessa foto eu pareço a minha avó num 'pareral'.



As poucas uvas que restaram nos parerais estão dulcílimas, como é caso da cabernet franc da Valmarino (nos Caminhos de Pedra). Fiquei triste em saber que eles não têm mais malvasia, uma de nossas uvas preferidas. Nem um garafinha sequer. Mas, produzem um vinho interessante com moscatel, malvasia e chardonnay que é especial para tomar com sushi! Malvasia agora, só na Dom Laurindo (safra 2005) a 30 pila a garafa.

Por falar em caminhos de Pedra, hoje almoçamos no delicioso Casa Vanni, um restaurante italiano charmoso, com pratos criativos e um jardim com redes pra deitar e esquecer da vida. Lugar pra entrar na categoria ‘me belisca’. Claro que estava um calor senegalês e no frio este passeio deve ser ainda mais legal.



Ops, não consigo virar a foto.



Obviamente não degustei muitos vinhos, só tomei uns golinhos, em respeito à minha futura filha que vai adorar aquela região. O nome dela está por toda parte… Aurora. E como você pode perceber neste post, minhas filhas só nascem em anos de boas safras. A Anita é de 2005 e a Aurora nasce em 2012.

Ontem jantamos no Primo Camilo, em Garibaldi, que é muito bom também. Um lugar que eu não almocei, mas fiquei encantada foi o El Paradiso, em Morro Reuter. Lá testemunhei uma família de macacos fazendo trilha, muitas borboletas brancas enormes, lagartos, galinhas com pelagens incríveis e muitos gatos de raças exóticas, como pêlos curtos americanos e rag dolls (parecem bonecos gigantes). Não vou opinar sobre a comida, que é buffet, porque não comi, mas o lugar é ótimo para quem tem crianças, cheio de parquinhos e brinquedos. E eu, grávida com dores nas pernas, até aproveitei para molhar os tornozelos – ainda com os ossos aparentes (?hasta cuando?), numa piscininha do jardim. Como diria o Michel Teló…


Delícia, delícia.



A dona do lugar é cheia de histórias, diz que foi a primeira a trazer aquelas raças de gato pro Brasil, usa joias de ouro com gatos e nos contou que seus felinos estrelam vários comerciais da Whiskas. Eu, que não quero mais animais na minha vida, me apaixonei por um rajadinho bem prateado.

Não muito longe dali, ainda em Morro Reuter, nos encantamos com uma casa no alto de um pequeno penhasco. Entramos e conhecemos o trabalho do artista Flávio Scholles. Esse é outro que tem história pra contar. Acredita que estamos prestes a nos comunicar apenas por imagens e arte, não mais por palavras, como vem acontecendo desde o apogeu grego na Antiguidadade. Seu traço é cubista e ele produz mais de 300 quadros por ano. Figuraça.


Na estrada pro El Paradiso, é fácil de achar.


O Vale dos Vinhedos estava cheio de policiais hoje cedo. Paramos numa vinícola próxima à Monte Belo, atrás dos maravilhosos espumantes que eles produzem e até lá havia uma viatura. Não resisti e perguntei pra dona que nos atendeu, uma senhora bem gringa, que diabos aqueles policiais faziam por lá.

- Nem me fala, esses desgraçados estão na rua recolhendo os cones de uma corrida que teve hoje de manhã. Como não têm o que fazer, viram que a gente tinha um cone aqui na vinícola, que é nosso há anos e vieram pegar. Meu marido ficou nervoso, e não tiro a razão dele, e botou aqueles quatro pra correr!

Atualizações

26 de janeiro de 2012 Comentários desativados

Há algum tempo não tenho escrito sobre a minha vida aqui. Estou me dedicando mais à leitura e tentando, com muita dificuldade, escrever contos e roteiros. É um parto normal, com todas as complicações possíveis. Às vezes, publico alguma coisa (vide posts anteriores). Tenho pelo menos uns dez inacabados ou impublicáveis. Não é fácil.

Mas, vamos lá, algumas trivialidades da minha vida:

* Estou entrando na vigésima terceira semana, no meio do segundo trimestre. Sim, a gestação é como o atual calendário escolar do ensino fundamental, dividida em módulos de 3 meses.

* Não tenho enjoos, sono, pesadelos nem desejos estranhos. Mas, como a barriga de fato está crescendo, uma mudança no guarda-roupa faz-se urgente. Esta noite sonhei que eu tava na Renner, provando vários vestidos.

* Engordei um pouco e consegui voltar para o que eu pesava antes de engravidar. A Aurora me chuta o tempo todo. A Anita, coitada, ficava tão esmagada na minha micro barriga que nem tinha espaço pra se mexer. Imagino que a Aurora vai ser aquele tipo de criança que as pessoas pensam: meu deus, que criança agitada, tem que botar essa guria fazer um esporte!

* Eu andava meio triste com a Anita. A forma germânica com que lidava com a chegada da Aurora me agredia, de alguma maneira. Alternava momentos de indiferença com outros de planos para não ser legal com a irmãzinha. Felizmente está mudando. Há dias começou a brincar de bonecas, aquelas que falam, mamam, choram e dizem ‘te amo, mamãe’. Agora mesmo, acabou de descer com uma delas num carrinho. Antes, perguntou: “Vou poder levar a Aurorinha pra passear?”. Ela tem uma amiga aqui no prédio, a Duda, cuja mãe também está grávida. Tem sido interessante observá-las brincando de boneca e conversando. “Onde vai ficar o berço na tua casa?”, ouvi uma tarde dessas.

* Eu e a Maria estamos promovendo outro curso aqui em Porto Alegre, desta vez de monitoramento de tendências. Está tendo muita procura, vai ser ótimo. A Maria finalmente está se mudando pra cá, o que me deixa feliz também, porque além de trabalharmos juntas, somos muito amigas. E, como temos a mesma idade e filhos, nossos problemas também coincidem. Por que, hein, que a vida tem que ser assim, recheada de sombras?

* O calor dessa semana, escaldante diga-se de passagem, me fez sentir saudades do frio. É sério, e isso que eu odeio o frio, profundamente. Quando a Aurora nascer vai estar frio. Bem frio, no fim de maio. Às vezes, fico horas pensando no verdadeiro ninho que esta casa vai se tornar quando ela chegar. Um ninho bem quentinho e aconchegante.

Licenças de grávida

05 de dezembro de 2011 Comentários desativados

A Anita faz piadinhas (de quem será que ela herdou esta verve cômica?) o tempo todo sobre a minha condição. Na verdade não é sobre eu estar grávida, mas sobre as coisas que eu falo que vou fazer ou deixar de fazer por causa da gestação.

Por exemplo, se eu quero dormir às 20 hs, deito e pronto. E durmo profundamente. Se como um quilo de pêssegos por dia, idem. Imagino que para eles deve ser meio chato conviver com uma pessoa que de uma hora pra outra odeia sushi e vive com vontades estranhas, mas faz parte do pacote.

Eu não sou do tipo sentimental e tenho até uma teoria que a gravidez me preenche de tal maneira que nunca me sinto sozinha, mas um dia desses, confesso, chorei de soluçar vendo um comercial. Sim, foi o de Natal do Zaffari. O mais curioso é que eu nunca passei por aquela situação, não me identifico nem um pouco, mas abri um berreiro mesmo assim.

Essa semana eu e a Maria fizemos um curso de pesquisa aqui em Porto Alegre. Foi muito legal, surpreendente mesmo. Já estamos até tramando o próximo. Então, todas as noites eu cheguei hiper tarde em casa. No sábado eu só tinha uma programação (além do pilates, que acordei não sei como pra ir, e da feirinha orgânica): DORMIR.

Mas, eis que a Anita queria ver a Lívia, sua melhor amiga, que passou a semana toda de molho e vomitando.  Eu estava levemente resfriada e tive uma atitude meio egoísta, na opinião da Anita. Não quis que a Lívia viesse aqui, fiquei com medo de pegar sua virose.

Também ando evitando eventos de fim de ano. Ou seja, to pagando de chata mesmo. Mas, o que eu vou fazer se não me sinto disposta? Depois, quem vai ficar cansada, com dores no corpo e contraçõezinhas na barriga sou eu e não quem me acusa de anti-social.

Filosofias da geração Z

30 de setembro de 2011 Comentários desativados

A Anita está com seis anos. Na boca, faltam dois dentes e tem mais uns quatro pela metade. Sua letra cursiva é cheia de laços e nos bate-papos que frequenta (skype e FB) escreve as palavras de um jeito todo próprio. É da Anita, não meixa é um exemplo de bilhetinho que encontro pela casa.





Comeu amorinha até ficar com diarreia, ou "diabetes" segundo ela.




Ontem deu pra filosofar sobre o tempo. “Mãe, eu adoro ‘um pouco’ de adulto. Sempre é muito. Se eu to vendo tv e tu diz:  Só mais um pouco, eu logo sei que vai ser bastante. Mas, tem o lado ruim, quando eu quero alguma coisa e tu fala: daqui a pouco, pode saber que vai demorar”.

Amanhã tem Olimpíadas na escola e ela oscila entre momentos de empolgação e de desmotivação completa. Eu a entendo, porque também não gostava, mas não tem jeito, tem que participar.

Hoje resolvi o drama de uma forma bem baratinha, fui no bazar Pequetitas, uma daquelas lojas horríveis com balanços de plástico, bicicletas marca diabo, flores de tecido e embalagens de suco em caixa espalhados pela rua, e comprei uns pompons para torcer amanhã. Ela é da equipe vermelha. Pronto, no almoço, repetiu o prato duas vezes e confessou que não vê a hora de chegar o dia das Olimpíadas.

Fiz o tema de hoje com ela e percebi que a leitura evoluiu bastante, tirando a palavra acreditar, ela leu todas as outras direitinho, meio rápido até. Na matemática também foi bem, apesar de ainda espelhar alguns números.

Uma coisa curiosa dessa geração é que eles têm um aprendizado complexo e seletivo. O filho de uma amiga, Mateus Nassif (que gosta de ser chamado de Nassif até pela própria mãe), tem quatro anos e não sabe escrever o próprio nome, mas sabe de cor a senha do itunes da mãe – uma sequência de oito números e letras com algumas maiúsculas – que usa para baixar aplicativos no celular, na maioria das vezes sem a permissão da mesma.