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Posts com a tag "casamento"

Os perigos da literatura

16 de dezembro de 2011 Comentários desativados

Eu sempre tendo a acreditar que de alguma forma o que estou lendo influencia a minha vida. Mas, obviamente, não levo isso ao pé da letra.

Na minha cabeceira repousa Nelson Rodrigues. Que perigo.

Felizmente, desta vez não sou eu a protagonista na vida real. Mas é uma amiga, bem próxima. Calha de ela estar desconfiada que o marido está tendo um caso com a psiquiatra que ela lhe indicou. A mesma psiquiatra que trata minha amiga há mais de uma década. Pelo pouco que me contou, eu, que não sou paranóica, teria as mesmas preocupações.

Ó universo bizarro! Aí me lembrei da história de outra amiga muito especial que foi vítima de uma intriga matrimonial que teve origem no consultório de sua própria ginecologista. Esse drama culminou em divórcio. Mas, sem sangue, nem suicídios, porque na época eu andava lendo Capote. E não era À Sangue Frio, eram meras frivolidades de Os Cães Ladram.

Ontem peguei o telefone de uma nutricionista funcional para o meu marido. Mas, quer saber? Vou guardar e passar pra ele outra hora. Não é um bom momento.

A aliança do meu marido

13 de dezembro de 2011 Comentários desativados

O que passa na cabeça de uma mulher quando o marido perde a aliança? Coisa boa que não é, certo?

Vamos fazer uma breve retrospectiva do assunto: ele sugeriu que usássemos pós-casamento. Eu comprei. Ele sempre reclamou de usar, dizia que apertava. Eu gostei, no começo (me livrava do assédio de muitos malas). Ele não queria mais usar, eu meio que insistia.

| Dezembro de 2010, há exatamente um ano |
Uma quarta-feira, dia em que ele não trabalhava naquela época. Chego do trabalho entre 19 e 20 e encontro marido e filha no sofá. Estava irritada, odiava aquele emprego. Sento com eles e noto a ausência da aliança. Pergunto sobre. Ele diz que está no bolso. Revira a calça, procura embaixo das almofadas do sofá e sentencia que passou o dia todo com a Anita, que só pode ter perdido em casa. Não dá maiores explicações.

Fico puta da cara. Paro de usar a minha aliança e procuro sublimar o assunto. Afinal, casamento orbita muito em torno disso, para quem não sabe.

Eu não estava feliz, mas resolvi da melhor forma que pude. Nada mais patético, na minha opinião, do que a mulher usar a aliança e o homem não.

| Dezembro de 2011, semana passada |

- Mãe, vamos abrir meu cofrinho pra comprar os presentes de Natal.
- Mas, Anita, não deve ter nada aí dentro.
- Tu acha que não, olha só o peso.

Ela tinha razão, não sei como o bibelô de porcelana comportou tanta moeda. Havia bem uns cinco quilos de metal ali. Com muito trabalho retirei todas as moedas do interior do suíno. Tinha de vários valores e formatos. Poucas de um real (umas 8 só) porque evitamos colocá-las, já que elas trancam na saída. Tive que tirá-las com uma faca.

Agrupei por valor e modelo. O que mais tinha era de 50 centavos, daquelas gordinhas. Mas, contei umas 40 magrinhas também. Para poder somar, agrupei-as em montinhos que somassem sempre um real. Em quatro de 25, duas de 50, dez de dez e 20 de cinco. Criei uma tabela que me permitiu uma multiplicação fácil e logo percebi que nossa fortuna chegava a R$ 85,00.

Mas, o mais inusitado da operação, foi quando encontrei, entre as douradinhas de dez centavos, uma com a lateral bem lisinha e brilhante. Estava lá a aliança do Marcos, vestidinha na moeda. Eu e a Anita quase engasgamos de tanto rir.

Liguei pra ele para contar do ocorrido:
- Tu vê, guardei a aliança no cofre, no lugar mais seguro da casa e você ainda ficava brigando comigo.

Muito tempo depois

14 de outubro de 2011 Comentários desativados

Tenho um amigo, o Rodrigo, que trabalhava na Cristófoli do Praia de Belas. Ele nasceu em Porto Alegre e foi criado pelos avós, como filho legítimo. Um dia, quando tinha seus dezesseis anos, descobriu que uma irmã mais velha que ele adorava, a Beth, era sua verdadeira mãe.

Ela havia engravidado no Rio de um namorado. Como era de uma família super conservadora, que jamais aceitaria seu caso bicho-grilo, veio embora para casa dos pais e nunca deu notícias ao ex. Teve o bebê, que foi criado e registrado pelos avós.

Quando Rodrigo descobriu a trama toda, a mãe estava casada com um cara. Durante três anos, o jovem insistiu tanto com ela que conseguiu alguns dados sobre o seu pai. Nome completo e endereço na mão, o garoto pegou um busão e se mandou para a Cidade Maravilhosa.

Aos vinte anos conheceu o pai, que já não era tão alternativo como a mãe havia pintado e que seguia solteiro, sempre fiel a um amor do passado; uma gaúcha, de nome Beth, sua mãe, no caso. Rodrigo lhe contou a história toda, inclusive o estado civil e a suposta felicidade conjugal de quase duas décadas da mãe. Tornaram-se amigos.

Pouco tempo depois, a mãe separou-se do marido por causas desconhecidas e retomou o contato com o namorado carioca, aquele com quem havia tinha um filho. Resultado: voltaram a namorar, ficaram noivos e ele veio para o Sul antes de casarem.


A festa de matrimônio foi um bocado inusitada. Rodrigo, o filho-cupido, entrou de braços dados com a mãe, já que o avô não está mais entre nós. Cinco anos depois, os pombinhos mudaram-se para o Rio, e lá têm vivido no maior love, como há 35 anos atrás.

* Olha a foto aí!

A vida (bem curiosa) dos outros

23 de setembro de 2011 Comentários desativados


O sedutor

Eram um casal normal, com duas filhas que hoje são mocinhas. Esta história aconteceu há uns 5 anos, quando as meninas estavam decorando a tabuada ainda. Cansados da mesmice de Floripa (bem sei eu o que é isso) decidiram se aventurar em Barcelona. Lá foram recebidos por um casal de amigos, aparentemente tão normais quanto eles.

Com certeza o que aconteceu em terras catalãs não fazia parte do plano de viagem de nenhum deles. Desde o início, tudo encantava o casal visitante. Estavam maravilhados, demais até. Gaudí, Passeio de Graça, Tibidabo e por aí vai.

Ela foi a primeira a se apaixonar por quem não devia, o dono da casa. O marido não ficou pra trás, mas engana-se quem pensou num swing. O destruidor de lares era um só, o amigo, espanhol, casado e até onde se sabia heterossexual, como os demais personagens desta trama julgavam-se ser.

O mais surpreendente disso tudo foi que ambos se envolveram sem que o outro soubesse. E apaixonaram-se loucamente pelo mesmo homem.

A iniciativa de abrir o jogo foi dela. Nós mulheres, sempre na frente... Muito sincera, desvelou o seu coração para o marido, que também já não lhe demonstrava muito interesse. A surpresa foi geral, ele ficou chocado (sentindo-se duplamente traído) e ela então, quase enfartou.

Ela voltou antes para o Brasil com as filhas e o coração partido. O amante não se posicionou, nem tampouco sua mulher catalã. Ele, o marido, também ficou resignado com o desdém daquele que lhe mostrou o universo sob uma nova ótica sexual. Meses mais tarde, desembarcou de volta na Ilha da Magia.

Acredite você, eles são bons amigos hoje em dia. Cada um com seu namorado novo.

A sedutora

Imagine uma mulher que ficou viúva aos 34 anos e criou sozinha dois filhos que lhe adoram. A vida não foi muito fácil pra ela, mas hoje, aos 50, sente-se retribuida tanto na trabalho quanto na vida pessoal, que se resume aos filhos.

O que esta mulher tem de especial, para figurar num microconto intitulado 'A sedutora'? você deve estar se perguntando. Por alguma razão, que foge ao seu controle, muitos garotos de 20 a 30 anos se apaixonam pela pequena senhora.

Os amigos de seu filho mais novo (28), não saem de sua casa, sempre querendo abraçá-la, ficar vendo tevê com ela, a convidam para sair e tudo mais. O garoto, uma das pessoas mais ciumentas e machistas que eu conheci, fica furioso, rompe amizades, parte pra violência e sonha com o dia em que a mãe vire 'apenas uma mãe e deixe de ser cobiçada pelos homens'.

Outro dia foi o professor de Pilates que tentou beijá-la, na semana passada um colega do trabalho teve um acesso de ciúmes por ela nunca aceitar carona e entrar num carro branco toda quinta. O carro em questão é da sua filha mais velha (31).

Há quem diga que o segredo de tanto sucesso é que os homens na faixa dos 30 que estão solteiros dificilmente entram em sintonia com as mulheres desta mesma faixa. Ou saem com adolescentes ou se intimidam com a vida sexual intensa das solteiras de 30_ e acabam preferindo uma mulher mais madura que teve poucos relacionamentos na vida, o que lhes deixa mais seguros.

Um outra hipótese, na qual eu acredito mais, é que ela NÃO quer nada com nenhum deles, logo, não COBRA nada, só faz graça, é simpática. Claro que o fato de ser bonita, agradável, cheirosa e se vestir bem com certeza tem lá sua influência.

Mas, engana-se quem acha que ela sai pegando geral. A mãe da minha amiga (sim, ela é bem próxima e me contou estas e outras histórias pessoalmente) nem lembra o que é um beijo na boca. Esse assédio todo que ela recebe é totalmente em vão, porque ela nem cogita ficar com estes rapazes. Tanta mulher novinha solteira por aí... vai entender a cabeça dos homens. E depois eles dizem que nós que somos complicadas.

Pílula: a melhor amiga malvada

17 de fevereiro de 2011 Comentários desativados


O post anterior me remeteu à uma questão muito antiga, debatida, resolvida e superada: a pílula anticoncepcional. Eu fiquei imaginando a vida das mulheres antes da dita cuja. Calcula o estrago, uma mulher em casa, de saco cheio de cuidar dos filhos, um marido nada participativo e ainda a iminência de engravidar a cada trepada. Socorro!

Isso explica muita coisa. Claro que a tabelinha sempre existiu, especialmente para as mais esclarecidas. E também havia outros métodos, como o fantástico 'coito interrompido', que se fosse um medicamento já teria sido cassado pela Anvisa há tempos. Na hora do bem bom_ para tudo! Agora! Eu fico pensando quanto por cento das mulheres sabia o que era um orgasmo.

As prostitutas e amantes supriam a falta de vontade das esposas de transar. Mas, estavam elas também sujeitas à mesma natureza: procriar. E assim a dominação ía se reproduzindo, como filhos em úteros férteis. Por isso, Simone de Beauvoir sabiamente postulou que a maternidade era a prisão da mulher em sua condição de submissão.

Não sou contra a maternidade, muito pelo contrário. Eu amo ser mãe e a Anita é, de longe, a coisa mais fantástica da minha vida (junto ao Marcos), mas ter o controle sobre o corpo e não engravidar em momentos inoportunos é muito bom. Tudo isso porque eu quero parar de tomar pílula, mas não desejo ter mais filhos neste momento. E o pior: não confio em DIU, não gosto de camisinha e nem considero a hipótese de usar diafragma, essas coisas. E também não acho que o Marcos deva fazer vasectomia, porque penso em ter mais filhos num futuro indefinido. Um bem ruivinho, de preferência.

Nos últimos tempos têm aparecido muitas manchas nas minhas pernas, além das varicoses, das quais jamais escaparei a julgar pelas pernas dos meus esbeltos genitores. Além disso, minha amiga Mikauê me contou que teve uns piripaques de estresse (que eu tive também no fim do ano passado, naquele inferno onde trabalhei) catalizados pelo anticoncepcional. É, não tem bom_ como costumo dizer.

A pilula tem esses efeitos, mas ainda é o método mais confiável e fácil. E como sugeri no início desta postagem, é a maior maravilha da modernidade. Minha geração já pegou tudo pronto. Com cinco anos eu já sabia o que era sexo, o que era pílula e principalmente, que não iria engravidar se não quisesse. Talvez eu já soubesse até o que era aborto. Por isso nunca tinha pensado tão carinhosamente naquela cartelinha levemente adocicada que me acompanha há anos.

Como fazer sexo se você tem filhos?

23 de novembro de 2010 1


Taí uma pergunta que adoraria saber responder com uma longa lista. Lá em casa temos optado pelo banho juntos. É só abstrair as batidas na porta. Se você é do tipo que brocha por qualquer coisa, esse método não é o mais indicado porque tem muitos fatores complicantes, encabeçados pela temperatura da água que pode esfriar o clima ou pior, escaldar os pombinhos. Mas é divertido. E seguro.


Uma vizinha disse que a filha sempre comenta: quando eu tomo banho com o pai ou a mãe eles não fecham a porta; quando são eles que tomam juntos, trancam a porta, que estranho, né?! Uma amiga dela contou que um dia desses chaveou a porta do quarto à noite quando os filhos já estavam dormindo para ficar mais à vontade, pero... esqueceu-se de abrir mais tarde. No dia seguinte acordou com a porta sendo esmurrada e os pequenos indignados que haviam sido trancados pra fora do quarto. Ah, essas crianças.

Basta um mãe grávida para começarem as indagações a respeito de sexo numa turminha. As escolas geralmente instruem os pais a dar aqueles livrinhos com termos técnicos para pessoinhas que recém aprenderam a ler. É tão complicado pronunciar espermatozóide que eles se distraem e perdem o foco.

A filha de uma amiga, após concluir a leitura de tal material, entrou no carro e falou: pai, eu sei que você colocou o teu pênis da vagina da mamãe. Eles falam assim, anunciam a verdade do universo e sossegam. As escolas têm razão, esses livros são bons mesmo. O curioso é que eles acham que é uma vez e pronto.

Uma guriazinha do meu prédio, de 8 anos, ao saber que a mãe estava grávida, ergueu as sombracelhas, e constatou, em tom levemente indagativo: hum, vocês fizeram sexo de novo então...

Esse assunto veio à tona porque, além do nosso malabarismo para ter alguma vida sexual, coisa de pais de uma criança esperta de 5 anos, numa cidade sem avós, ontem ela chegou da escola com uma pergunta: - mãe, é verdade que o papai do céu botou uma sementinha na tua barriga e eu nasci? Bom, eu não vou enrolar ela com essa história, isso é certo. Então, devolvi: - quem disse isso? - A profe. -Bom, Anita, então deve ser verdade. Ah, não to preparada pra explicar essas coisas todas pra ela ainda. Acho que vou comprar um livrinho daqueles pra me preparar.



Nem aí pra Copa

13 de junho de 2010 1

Há quatro anos atrás passei por uma experiência inusitada. Meu companheiro de alcova, que nunca sequer havia mencionado a palavra futebol no pouco mais de par de anos que estávamos juntos, se transformou no 'homem-copa'. A saber, um ser que coleciona figurinhas, assiste a todos os jogos, torce por diversos times, não fala sobre outro assunto que não o onipresente evento desportivo, não escuta nem responde nada durante os jogos (ah, a tradicional audição seletiva masculina), enfim_ uma surpresa.

O casamento sobreviveu
. E eu jurei aos quatro ventos que juntaria dinheiro para em 2010 viajar para um país distante onde ninguém jamais tivesse ouvido falar do Pelé e/ou dos Ronaldos, de preferência com uma amiga bem legal que gostasse (não gostasse nesse caso se aplica melhor) das mesmas coisas que eu. Virei a ampulheta e a escondi no fundo do armário, para que s grãozinhos de areia a cair não me lembrassem que o tempo passava e o próximo mundial estava a caminho.

O lance da viagem não rolou. No começo do ano cheguei a pensar em ir pra Curitiba, minha Passárgada, onde certamente encontraria meus pares; gente que não tá nem aí pra Copa e que - no máximo - se reúne nos jogos do Brasil para tomar muitas cervejas. Copa pra mim sempre foi isso. E tava de bom tamanho. A comemoração de 1994 e a da 2002 foram memoráveis. Naquela época se torcia para o Brasil e ponto. Hoje cada pessoa que eu conheço torce para umas 10 seleções diferentes e não se empolga muito com a seleção canarinho (essa eu desenterrei do fundo do baú).

Por fim acabei ficando por aqui mesmo. Há um mês o clima da Copa me perturbava, mas agora que os jogos começaram, percebo que superestimei a importância do evento em minha vida. Na real, nos últimos dias asisti a fragmentos de diversos jogos. Hoje fomos a um churrasco bem legal, cuja mote eram os jogos, mas ninguém estava muito aí para o Maradona, Messi ou quem quer que fosse.

Mesmo para uma pessoa que não gosta de futebol, admito que é emocionante o clima das torcidas e eventualmente os comentaristas falam alguma coisa aproveitável. As vuvuzelas têm deixado os jogos com barulho de caixa de abelha, o que me remete a uma expressão inglesa - doghouse - que é um lugar subterrâneo e tedioso embaixo de uma casa de cachorro que os homens vão quando se comportam mal. - Quer ver o jogo hoje, é? Não vai fazer o que tínhamos combinado? Então, ok, fique com essa barulheira aí!

Sobre o dia das mães

10 de maio de 2010 0

[como estou muito sem tempo, vou postar aqui o email que mandei para minhas amigas, assim quem é minha (meu) amiga (o) leitora (or) e eu não conheço ou não estava na lista, pode ler também]

oi amigas mães,

eu, a bem da verdade, sempre detestei o dia das mães. todos foram iguais, o marcos viajando, a anita gritando e eu - vcs me conhecem - puta da cara.

mas hj, cinco anos depois, estou aqui, bem faceira numa porto alegre que abandonei quente e reencontrei gelada após a saga pelo meio-oeste catarinense e por minha adorada (e limpa!) (e linda!) cidade natal para acompanhar minha sogra, e finalmente cheguei à conclusão que ser mãe ainda é a melhor das invenções humanas.

mesmo estando, mais uma vez, sozinha, em decorrência do onipresente trabalho do marcos, estou plena e realizada com a minha fofinha, que me ajudou a fazer um almoço maravilhoso, no qual trocamos várias ideias e compreendemos/sentimos o como é bom compartilharmos essa vida.

ser mãe é, muitas vezes, dificílimo; mas paradoxalmente tem esse milagre de ser a melhor coisa do mundo. e não apenas por alguns instantes, como a maioria de nossos prazeres hedonistas, mas por uma eternidade. aliás, passei muitos dias em curitiba com a minha mãe e ontem, que voltei aos pampas, tive vontade de ligar pra ela umas 500 vezes_ mas só liguei três...

às que já são mães, parabéns pelo nosso dia, às que estão a caminho ou que fazem planos, go ahead e se precisar de ajuda, grita que eu to aqui.

Os homens e a decoração

02 de março de 2010 0

Pode ser coincidência, mas eu ousaria falar em padrão. Vocês já repararam como os homens têm dificuldade em aceitar mudanças... na decoração da casa?

Digo isso porque há meses estava namorando uns quadros, esses aí em cima, de um designer que não conheci em São Paulo. Mas conheci a sua casa, onde estive tomando umas geladas com a sua amiga e colega de casa Cris, assessora de imprensa do HSBC, amiga da minha amiga Jandira, a quem eu, carinhosamente me refiro como Pequena Jandi.

Eu me apaixonei pelos quadros e há meses venho trocando emails com o artista para negociar descontos e possíveis logísticas
para que os quadros viessem de São Paulo para Porto Alegre sãos e salvos e por um custo baixo.

Quando eu e o Renato Diniz finalmente chegamos num acordo - eu pagaria o vermelho em 3 X e ele me daria o azul de presente - casualmente uma amiga estava lá e topou trazê-los para mim.

Eu tinha quase certeza que meu marido ía gostar, mas fiquei apreensiva. Sabia que ele não ía gostar da conta, mas supus que a alegria oriunda da contemplação do belo lhe colocaria um sorriso no rosto.

Ledo engano
. Ele não deu o braço a torcer. Primeiro, não deu bola nenhuma. Segundo, colocou uns defeitos. No dia seguinte, lhe peguei a observar as obras, em silêncio. Estou certa de que se eu retirasse os quadros agora, lhe faria no rombo no seu coraçãozinho orgulhoso.

Essa história me lembra muita outra parecida que ocorreu com a Dani Entrudo, que escrevia nesse blog comigo. Quando ela se amasiou com o André, botou na cabeça que precisavam urgentemente de um sofá. Ele achou um absurdo. Imagina, pra quê, um sofá?!

Ficou até bravo. Quase se escapou do matrimônio falando que ela teria que escolher, ou ele, ou o sofá. Determinada como todas temos que ser, lá foi a Dani pra Ipiranga, em busca de um confortável assento para descansar as ancas depois dos longos dias de trabalho.

Ele, no auge da fúria, acusou-a de estar gastando dinheiro com coisas surpérfluas e deu uma aviso prévio: Nas férias, eu vou viajar com minhas economias. E tu, pode ficar aí, olhando pro teu sofá.

Quanto o sofazinho branco chegou o carrapato, é assim que eles se chamam, fechou-lhe a cara por um tempo. Passou uma semana e ele já se encostava nos braços do indesejado mobiliário. Até que um mês depois, se rendeu: Sabe que eu gostei desse sofá.

Virando a megera

24 de dezembro de 2009 4

Ana Emília Cardoso

Dia desses, numa mesa de bar, solteiros convictos discutiam a prisão que é casamento. Fora dele. Falavam de um amigo, cocainomâno, que havia casado, tido filho e agora vive a obedecer a patroa. Trocando em miúdos, virou um chato.

Não defendo o casamento, mas defendo a felicidade. E tenho certeza que é muito mais fácil ser feliz com alguém do que em carreira solo. Por isso, fui obrigada a expor lo que pasa desde el otro lado.

Minha ótica é feminina, da parte que pariu, por supuesto. Que graça há em casar e saber seu marido virando noites na rua com os amigos? Nenhuma, a menor mesmo. E foi isso que lhes expliquei. Não sei se entenderam.

O papel da mulher no casamento é complexo. Além de educar os filhos, administrar a casa, a carreira, a cabeça, ainda temos que reeeducar ou reprogramar o marido. E nessa árdua tarefa, meus amigos, é difícil não virar a megera, como bem colocou minha melhor amiga (que fui visitar em São Paulo na semana passada).

A megera é uma mulher normal, jovem, bonita e inteligente que - de uma hora pra outra - passa a dar ordens a torto e a direito. Não temos verrugas no nariz, não fazemos greve de sexo nem usamos chicotes como supõem os solteiros, mas somos duras na queda, isso é certo.

Ninguém vira a megera por ter surtado ou por achar isso legal, mas simplesmente para que as coisas funcionem. Lembra da raivinha que sentia da mãe ao ouvir os gritos tá na hora- almoço na mesa- já fez o tema? e por aí vai?

A questão é: um dia você - mulher - vira ela.
E em nome disso, a culpa de tudo que der errado passa automaticamente a ser sua.

Por isso, se você é mulher e solteira e quer fazer a canastra real, ou seja, casar, saiba que o torneio continua ad infinitum e você terá que pegar vários mortos, fazer umas canastras sujas e não vai bater nunca. No máximo, dará uns tapas nos demais membros do clã.

O lado bom disso tudo é que a megera não é de todo má, e - de quando em quando - seu marido lhe agradece pela dedicação e seus filhos lhe devolvem o amor numa progressão geométrica capaz de amainar as piores inquietações humanas.