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Amém, kefir

24 de abril de 2012 Comentários desativados

Me converti ao kefir, uma religião com mais de 4 mil anos de história, que teve sua gênese na região da Cordilheira do Cáucaso, a saber no extremo oriental da Europa, fronteira com a Ásia.

Lá foram desenvolvidos os venerados grãos brancos da substância mais saudável que já se teve notícia. Sua aparência simplória, que remonta a uma ambrosia albina, oculta os mais magnifícos poderes de cura da biologia.

Tem gente que tem cachorro, há quem crie gatos, eu optei por esta espécie de fungo em função dos benefícios acima mencionados. O kefir demanda cuidados diários, como um tamagotchi não de carne e osso, mas de leite e lactobacilos.

Estou com o meu há cerca de uma semana e ainda estamos nos adaptando. Fora ou dentro da geladeira? lavo ou não os grãos na peneira? leite desnatado ou integral? frio ou quente? Um dia todas estes questionamentos serão parte do passado e eu não porei mais minha fé de lado, nem considerarei a heresia de talvez me cansar desta missão e desistir de criá-los para o bem da humanidade.

O kefir não é indulgência e não está a venda. Alguns sites prometem (e não são aqueles que falam de aumento peniano) mudas, mas fiz uma busca e vi que estão todos com a mesma desculpinha: sem sementes no momento. Pudera, a prática religiosa não permite o comércio, apenas as doações, o que é no mínimo complicado nos dias de hoje, na sociedade capitalista.

Acho que quem inventou isso - de não vender, logo não existir para o grande público - foi a indústria dos lacticínios que tem medo de perder espaço, compactuada com a indústria farmacêutica, já que o milagroso kefir previne desde o câncer, à asma, às doenças de pele, ao envelhecimento, às depressões e tudo mais.

Em suma: o kefir é um bichinho que faz iogurte. Todo dia, de graça, pra você. E ainda se multiplica de forma que pode ser compartilhado com outras pessoas que também gostam dessas coisas saudáveis. Eu tenho falado tanto que já estou cheia de encomendas e os meus ainda nem se reproduziram muito.

A parte chata é que todo dia você tem que cuidar deles, ou seja, peneirar o leite que ele está e colocá-lo num leite novo. O iogurte, que os sites de kefir dizem que não é iogurte, é uma delícia. É azedinho, dá pra misturar com frutas e já descobri até um jeito de deixá-lo aerado, como se tivesse batido no liquidificador. É só tampar bem o vidro, de forma que as bolhas de fermentação não consigam sair.

E quando for viajar, ou tem que levar junto, ou emprestar para alguém cuidar. Estou totalmente apaixonada, tomara que eu não enjoe nunca nem mate jogue fora esta iguaria tão divina. Hoje me bateu uma preocupação "E quando eu for pra maternidade?". Meu marido me garantiu que vai levá-los junto. Ufa.

PS - Como TUDO publicado neste blog, as informações deste post são verdadeiras.


O segredo do feijão

22 de fevereiro de 2011 Comentários desativados

Você que come aquele feijãozinho ralo do refeitório da firma, é com você mesmo que eu estou falando!

A maternidade faz coisa, eu que sempre fui metida a cozinhar, nunca havia feito um feijão até uns 3 anos atrás. Que preste, então, até a semana passada, para ser bem exata. É foda! Feijão bom é uma arte.




Comida pra Anita é isso. E "pronto final", como costuma dizer.



Na casa da minha mãe, jamais poderia faltar. Meus irmãos simplesmente se negavam a almoçar se não tivesse. Era um molho que unia todas as outras coisas.  Meu negócio na cozinha era inventar moda, não me preocupava com algo tão trivial quanto o feijão. Quando sai de casa, malemal cozinhava lentilha, que é mil vezes mais fácil.

Foram anos sem feijão, uma década talvez. Até que inventei de fazer sei lá porquê. Panela de pressão (meda), louro e umas coisas de porco à mão e lá fui eu. Sempre ficava ruim, aguado. Uma vez em um milhão eu acertava, que significava obter uma consistência de caldo grosso e saboroso. E nesses dias eu comia a panela toda.

Uma amiga falou que devemos jogar a água da primeira fervura fora, para não dar gases. Nops.

Minha mãe (que sempre acerta) fala que o feijão tem que ser novinho
. E eu, tenho que ser adivinha para saber a idade do feijão?! Bola de cristal, talvez?

Minha assistente, Beth, me deu uma mega dica: uma xícara de óleo de cozinha na panela. Nem pensar.

Cheguei num quociente. Feijão orgânico bem escolhido, pouco tempo de molho, alho, cebola, sempre ele - lovely bacon - pimenta seca e louro. Ah, e percebi que é bom variar de cor. Os mais claros são bem mais macios e leves.

Outra coisa que descobri é que a quantidade de água na panela faz toda a diferença. Mais vale cozinhar meio quilo com pouca água e depois multiplicá-lo do que fazer porções pequenas com "mais água no feijão" e querer que o caldo engrosse (#fail na certa).

Eu cozinho sem sal e congelo os potinhos. Depois refogo cebola, alho e mais bacon (eeeeeeeeeeee) ou linguiça, boto sal, azeite de oliva (um fio só, não uma xícara) e fica uma delícia. Como sou meio louca às vezes refogo alho-poró, pimentão e cenoura junto. Mas, acho que isso não é recomendável, a não ser para pessoas com paladar tão esquisito quanto o meu.

Ah,  e tem outra coisa: engrossar com farinha é coisa de loser!

PS - Há tempos estou editando uns textos sobre culinária do chef Felippe Sica com dicas de verdade e não esse bla-bla-blá. Em breve...

Notinhas florianopolitanas

17 de janeiro de 2011 0

Estou em Floripa, de férias, e o slogan da estação, do verão 2011, é 'o que você faz em Floripa, fica aqui' . Isso traduz um pouco da mentalidade e das atitudes das pessoas na Ilha. Cada vez que venho pra cá, me irrito um pouco com esse lifestyle.

Não que a maternidade justifique, mas o fato é que eu estou ficando muito caretona. Muito, num grau máximo. Pra mim, droga é uma coisa datada a ser experimentada ou usada com fins recreativos na adolescência. Adulto que fuma maconha é como criança de sete anos com chupeta ou vovô que quer ser garotão.

Aqui pode tudo. Em contrapartida, encontro também um alento. Minhas amigas são muito certinhas, verdadeiras, com valores sólidos e admiráveis. Os errados que me perdoem, mas conviver com pessoas assim, puras na alma e nos gestos, é um presente.

Existe entre os manezinhos uma noção tão bonita de respeito ao próximo, de amizade, de coletividade que - às vezes - passa pela minha cabeça voltar pra cá.

Para além do Jurerê, dos espumantes com fogos, das Ferraris e da babaquice generalizada que impera em terras florianopolitanas, ainda existe a Lagoa, onde as pessoas se conhecem há anos e andam de chinelos e sem bolsa
. Como nem tudo é perfeito, existe uma trapizombagem forte, típica de pontos turísticos onde os saltos não são bem-vindos e a natureza e a beleza ainda encantam mais os olhos que a suposta conta bancária de quem está de férias, desfilando.

No prédio da minha sogra, em Coqueiros, tem uma turma que é um barato, muito mais empolgada que a minha adorável gang de Porto Alegre. Eles passam os dias na piscina, que apelidaram de V12, em alusão ao tal day club P12. Promovem diversos eventos paralelos aos que agitam a cidade. Quando o Cacau Menezes faz a sua Feijoada, ou hordas de pessoas deslocam-se para a Peixada do Gui, acontece - aqui no prédio - um evento semelhante e, sem dúvida nenhuma, muito mais divertido.

Via de regra há pastéis de berbigão, bruschettas e drinks dos mais variados nas mesas. Enquanto os adultos se divertem, as crianças treinam saltos sincronizados na piscina, nas modalidades bomba, parafuso, palito e ponta.

Dos papos com minhas amigas e de minhas andanças por aí, extraí as seguintes novidades: tem muita mulher tomando bomba pra ficar sarada (o que não era comum antes), a Lagoa tá cheia de albergues, os assaltos viraram rotina e o trânsito é o que parece ser, uma naba mesmo, o ano todo. Cabe até a piadinha do meu marido sobre cidades pequenas. Ele adora dizer que tal lugar é uma cidade de primeira, porque quando se engata a segunda, a cidade já ficou pra trás. Floripa é uma cidade de segunda, porque é impossível engatar a terceira. A velocidade média no trânsito é 15 km/h, haja saco.

Gastronomicamente, o prato da vez é a lula recheada. Comi uma de lamber os beiços na praia do Pântano do Sul, no restaurante Pedacinho do Céu, com minha amiga Maria Carmencita. Mas, outra amiga, a Vicky, disse que a lula mais cobiçada do momento é feita num barzinho da Lagoa, ao qual se tem acesso apenas pela servidão que ela morava, no Morro da Mole. Deve ser incrível. Jantamos num australiano (ou ostraliano, como dizem os manés bem manés) novo da Beiramar bem qualquer coisa. Por falar em ostra, minha preferida do verão é a natural do Porto do Contrato, bem geladinha.

Estou até enjoada de tanta ostra. E, pra quem veio só pra ver a Amy, já fiquei tempo demais aqui. Hoje à noite volto para Forno Alegre e pretendo atualizar mais este blog.

Comer comer

23 de novembro de 2010 2

Eu estava abaixo do peso. Há meses sentia meus ossos e via as calças sobrarem próximo às costuras. Fiz uma avaliação física para a aula de Pilates e o diagnóstico da professora não deixou dúvidas: além de magricela, tenho pouquíssima força muscular.

Pela quarta vez em vida adulta botei em ação um projeto de engorda. Acredito piamente que a força virá com as calorias e com a enérgica aula de alongamento isométrico de Renate Reuwsaat. Este é o nome de minha germânica tutora. Basta comer bem que tudo se resolverá. Num passe de mágica.

A primeira vez que entrei nessa, de comer tudo que via pela frente foi há uns dez anos. Eu trabalhava num programa de surfe na tevê (oh, céus, eu já paguei esse mico) e estava meio deprimida com aquilo tudo, que resumidamente eram a falta de recursos do programa, o temperamento do meu chefe e a certeza de que encarava meu entorno como uma grande bobagem. Foi nessa época que conheci uma de minhas melhores amigas até hoje, a Tânia, esposa de um cara chamado Tânio.

Ela era muito parecida comigo no biotipo, nos objetivos de vida (tirando que eu era solteiríssima e ela casada com um cara que namorava desde os 14 anos) e nas frustrações. Ah, isto é importante: tínhamos 23 anos, medíamos 1,70 e pesávamos 49 quilos. Como crianças que gostam da mesma coisa, nos unimos em um objetivo fisiológico, engordar.

Entre voltas de carro pra cima e pra baixo, caminhadas, idas à praia, trabalhos, festas, aulas e pequenas confusões, nos encontrávamos para o almoço e lanches. No cardápio estava tudo até então evitado: batata frita, tortas com profiteroles e o diabo a quatro, queijos, é claro.

Funcionou. Eu comia e malhava, logo ganhei muito corpo. Cheguei a pesar uns 60. Era muito elogiada. A Tânia foi mais longe, engordou quase 30 quilos. Sem pânico! Ela engravidou e teve o Lucas. Depois amamentou e perdeu tudo em questão de meses. Ainda hoje reclama de suposta barriga, a qual nunca vi.

Logo me enchi daquela vida de academia. Não nasci pra isso. Gosto mesmo de hidroginástica, colegas idosas, troca de receitas. Essa sou eu. Assim que entrei no mestrado, em 2002, abandonei em definitivo a maromba. Nunca ergui mais que um quilo na aula de localizada, só para constar.

Emagreci, parei de comer tudo que estava em meu caminho e assim permaneci por anos, com 55 kilos, em média. Quando engravidei da Anita, tive muita dificuldade em ganhar peso. Fui obrigada a retomar à dieta das porcarias, com direito a hambúrgueres de madrugada para conquistar os míseros 6 ou 7 quilos a mais, que na verdade, eram a coisa mais fofa, linda e importante do mundo, Anitonski.

Nem bem deixei a maternidade e o processo de desaparecimento do mapa instaurou-se em meu metabolismo. Nos primeiros meses cheguei a 47 quilos. Calça 36 ficava larga.

Só sai dessa em 2007, ano que os prazeres da culinária campeira me fisgaram. Vinhos, queijos, entrecots e cogumelos- hummm Risotos - hmmmm Nunca cozinhei com tamanha verve. O resultado foi chegando aos poucos. Era calça que arrebentava, blusa ficando curta, o corpo estava em plena expansão. Eu, como toda ex-palito, tava me achando bem, corpuda! Meu marido nunca me admirara tanto na vida. E não tenho a menor dúvida de que ele gosta de mulher magra, de outra forma não teria casado comigo.

Em 2008/9 eu lutava contra uns quilinhos a mais. Corria, cuidava a comida. Até que este ano - subitamente - os ponteiros começaram a descer. Demais até. Mudei o corte das calças. Odeio skinny, mas eu precisava me modernizar e parar de expor minhas calcinhas a cada sentada. Comprei duas calças no último mês: ambas com elastano e número 36. As duas estão meio larguinhas.

Sinceramente não aguento mais comer. Meu estômago dói e me sinto como uma criança que não gosta das refeições e engole colheradas, não alimentos. Comentários como: você sempre está mastigando alguma coisa tornaram-se frequentes ultimamente. Me sinto uma vaca ruminante.

Ontem era domingo e eu fui pra piscina, botar o cabide de ossos pra tirar o mofo. De repente me lembrei de um shorts, da época ser amamentador, que é bem pequeno. É lindo, lilás bem clarinho, nem sei porque o guardei. E se... ele me servisse novamente? Estava escondido no fundo do closet, entre miniblusas de lurex e bermudas de tactel.

Tentei vestí-lo e ele... não fechou! Ou seja, não estou mais tão magra. Meu super size me pessoal funcionou. A partir de hoje desacelerei a comilança desenfreada, vou parar de pedir torrada da padaria pelo telefone no meio da tarde e de comprar Fandangos dia sim, o outro também. Na janta fiz uma sopa de legumes para nós meninas (é dia do Marcos tomar chope) sem caldo knorr, é claro, e planejo um dia sem carne gorda amanhã.

Já to até vendo a professora de Pilates daqui uns dias toda achando que o mérito da minha força é dela, sem sequer imaginar o quanto gastei nos restaurantes, feiras e vendinhas no último trimestre.

Culinária para iniciantes

23 de setembro de 2010 3

Há anos eu não fazia cursos de culinária. Ontem não resisti ao convite do chef Felippe Sica (ex- Koh Pee Pee, Constantino, Le Bristot_ a lista é longa) e assisti ao último módulo do Curso de Culinária para iniciantes. O menu era: bruschettas, arroz mediterrâneo e mousse de chocolate.

Antes de falar da aula, preciso fazer dois comentários, um bondoso e outro malvado. BOM: o chef é muito legal, super calmo, educado, paciente, organizado, humilde mesmo do alto de sua enorme sabedoria.

RUIM [preciso um parágrafo inteiro]: a turma. Tinha umas mulheres - que chegaram atrasadas (lógico) e atendiam celular (lógico) e ficavam conversando, criticando a aula, apontando erros nas quantidades e falando abobrinhas (não sobre aquelas que estavam sendo descascadas) de dar vergonha alheia. Nem sempre as pessoas que usam joias verdadeiras (créditos para Katia Suman, que cunhou esta expressão) são tão finas quanto imaginam ser. Uma pena. Se achando Nigellas e não sabem nem fritar um ovo (conclusão baseada nos comentários expelidos durante a aula).

Em compensação havia várias senhorinhas, algumas talvez com joias verdadeiras, que manjavam TUDO. Sabiam onde encontrar o creme de leite fresco Campos de Vacaria, sugerido pelo professor; como grelhar aspargos (uma dúvida minha) e variedades raras de arroz para risoto. Queria muito uma vovó daquelas na minha família. Verdadeiras Ofélias.

A aula começou com o preparo do mousse, que deveria ficar gelado até o final para sua correta degustação. Dicas: usar chocolate garoto com 55% de cacau, o tal creme de leite Campos de Vacaria, não deixar pingar nadinha de gema nas claras, usar ovos resfriados para facilitar esta separação e mexer com muito cuidado com um lambe-lambe. Me dei conta que preciso urgentemente de um. Como não queimei todas as minhas panelas até agora?!

O professor é super anti-grumos. Eu confesso que gosto. Gosto é gosto, mas sei que sou exceção. O lambe-lambe ajuda a evitar grumos também, porque evita grudes nas panelas, tigelas e terrinas.

As bruschettas estavam incríveis. Eram só de tomate, as mais simples e saborosas segundo nosso tutor. Aprendi que os tomatinhos devem ser virados para cima e que podemos laminar o manjericão. Ah, e dá pra ensopar bem menos de azeite do que eu faço. Como a aula era com degustação, só se ouvia o crac-crac nessa hora.

O prato principal era um risoto super leve, que eu vi no cardápio do Le Bristot Gourmet na segunda. Só legumes. Aprendi duas coisas importantíssimas: o caldo pode ser apenas uma fervura de legumes sem mil temperos como faço e o corte dos ingredientes. Sou adepta de um modo rústico de cozinhar, faço tudo correndo, sem muitos cuidados. O Felippe nos ensinou a retirar os miolos da beringela, da abobrinha, do tomate e cortar tudo direitinho. A cebola e o alho-poró ficaram lindos cortadinhos daquele jeito. Será que eu consigo nesta encarnação?

Conclusão final: adorei. Quero mais. Olha aí uma foto da lagosta que fiz no sábado, antes do curso.

Quem quiser saber mais sobre os cursos do Felippe Sica, o blog dele é felippesica.blogspot.com

Echalotas e creme fresco

01 de setembro de 2010 1

Ontem terminei de ler um livro que coloco na categoria Delicioso. Chama-se "Mil dias em Veneza", escrito por Marlena de Blasi e traduzido por Fernanda Abreu (Editora Sextante, 2010). A tradutora, homônima da cantora, é muito boa. Ela também traduziu "Comer, Rezar, Amar" e diversos outros livros super conhecidos. Só pecou numa coisa: não explicar direito o que vêm a ser as tais echalotas.

Não fosse a "Cozinha tradicional portuguesa" (Ed. Lisma, 2006) e suas ilustrações eu não saberia o que eram as supracitadas echalotas e ficaria o livro inteiro incomodada com isso.

Imagina a situação: uma viagem de horas sem internet ou um final de semana chuvoso numa cabana nos confins do mundo e tu lá, lendo o livro, sem poder saber que diabos são as tais echalotas. Duvido que algum vivente pudesse lhe explicar, mesmo que produzisse alho-poró, alho e cebolas.

Custa botar uma frase assim: planta parecida com uma cebola, mais comprida e adocicada? Ahhh, as cebolinhas doces, diríamos. No final do livro (a parte das receitas) ela fala em família das liláceas, mas aí é tarde de demais.

"A Itália de Jamie" (Ed. Globo, 2005) também tem uma coisa estranha. Ainda que a grafia correta de mozarela (Aurélio) seja muçarela (Houaiss), é no mínimo muito estranho encontrar a tal MUÇARELA no livro todo, após anos comprando e vendo queijo mussarela no mercado, na padaria e na feira.

Os programas de culinária na GNT têm mania de traduzir o créme fraîche como creme fresco ao invés de creme azedo. Aí fica difícil acertar a receita, porque se a pessoa pensar que é creme de leite, que tem uma textura bem mais líquida e um sabor mais doce, a consistência  final do prato já pode não ser a mesma. Nem o gosto. Para que ensinar uma receita que as pessoas não podem copiar direito?

À esse respeito, encontrei um blog fofo e elucidativo. Aliás, descobri na internet que eu não sou a única que se incomoda com isso. Somos muitos.

Ainda sobre comidas e bebidas no Uruguai

09 de abril de 2010 2

Apesar de eu já ter escrito sobre a viagem, o Marcos me mandou este email- originalmente escrito pro Diogo Carvalho, do guia Destemperados e aqui vão mais algumas peculiaridades da nossa viaje al Sur.

Por Marcos Piangers

Olá peregrinos. Fiz um pequeno resumo dos lugares mais legais que visitamos em nossa trip mais ao sul. Nosso pequeno carro popular, depois de adquirir barulho de kombi nos buracos da estrada do Forte de Santa Tereza, nos levou nesses mais de 2 mil quiilômetros rumo à Colônia (e Buenos Aires, quase que por consequência, dada a mínima distância entre as duas cidades) por estabelecimentos aconchegantes, surpreendentes, constrangedores e divertidíssimos, conforme resumo a seguir:

Perto de Punta, fomos ao famosíssimo La Huella, na beira da praia de José Ignácio. Drinks ótimos, o astral do lugar é algo. Quero voltar pra comer lá. Chegamos na hora do pôr-do-sol, a cozinha só abria às 20:30. Como estávamos com fome, resolvemos tentar o Restaurant T, do tal chef Hernan, na praia La Barra, no caminho de volta à Punta, mas tava fechado. Ele deve fechar no inverno, coisa que eu certamente faria uma vez que a praia estava meio fantasmagórica.

Acabamos no Il Barreto, que na minha opinião foi o melhor de Punta. Pedimos um risoto do chef, com ervilha e cenoura e umas almondeguinhas deliciosas. Que restaura, que astral.



No Virazón (foto acima) curtimos um fim de tarde, mas achei muio turístico demais. Pegamos mesa na ponta do deck, tudo perfeito, mas o camarão a milanesa tava um pouquinho queimado. A Ana curtiu o rango dela. Fomos no Al Mar, na beira da praia, no Hotel Serena, num outro fim de tarde, mas tava vazio e eu não curto ser o único cliente de um restaurante, ainda mais um tão "metido". Não me entenda mal, é o tipo de lugar que eu ADORARIA voltar, mas com mais gente ao redor. O restô sem dúvida é incrível e a piscina é ALGO.



O Lo de Tere achei bom. Pedi um prato com peixe gratinado, um pouco pesado, também achei muito turístico, muitos tiozinhos ao redor. O ambiente é descontraído e a sobremesa de doce de leite é sensacional [El homenaje al dulce de leche]. Os garçons são muito gente boa.

Em Montevideo (↑) fomos no único que o Destemperados recomenda, no mercado público. Bem bom. Em Colônia comemos em um memorável, La Florida, na entrada da fortaleza, cujo dono é um argentino gente boníssima. Ficamos 4 horas comendo e trocando idéia, o cara que sugeriu a entrada, o vinho, os pratos principais, as sobremesas. Fomos os únicos clientes daquela terça-feira, mas acho que nessa situação vale. Parecia que estávamos comendo na casa de amigos. Foi inesquecível e sem duvida a melhor experiência gastronômica da viagem. Olha minha cara de feliz.



Em Buenos, fomos ao Antares tomar chope, depois no Otcho7Otcho tomar drinks muito anos 80 - rolou até um cosmopolitan. Eu fui de white russian (Big Lebowski, meu ídolo) - e de lá pra um mexicano do lado do Te Matare Ramirez, que era nossa opção pra janta, mas tava fechado. O mexicano era um lixo. Então tomamos margaritas e pegamos o taxi pro Sucre. Camarão de entrada e salmão, com um vinho recomendado pela sommelier (achei o vinho médio, não sou gênio em vinhos, mas to meio mal acostumado com os valontanos e anghebens que compramos no vale esses dias).

Mas achei o Sucre incrivel. Decoração, astral, atendimento. Pedimos pra chamarem um taxi, ficamos de papo com garçonetes, fomos os últimos a sair do restaurante. Voltei completamente bêbado - preocupado com onde o taxista estava me levando, tentando ler as placas que, por causa da bebida, eram só borrões. O saldo foi eu mijando na pia (!) do Be Hollywood, um hotel boutique mega moderninho em Palermo Hollywood, bem perto do Soho, localização fantástica ao lado da linha férrea.

Nota da editora (AnaE): Essas fotos nos ajudaram a reconstituir o trajeto etílico da noite anterior, Hang Over pra caramba.

(Nessa noite, então, eu bebi um chope, um shot de jack daniels, um white russian, um whisky sour, uma margarita, e um tannah no sucre, devidamente devolvido as 3 da manhã no box do hotel. Lindo. A Ana bebeu um chope dunkel no Antares, um pisco sour e um cosmopotilan no 878, uma marguerita e o vinho comigo. Não fez xixi na pia, mas me contou que eu havia feito).

Los restos uruguayos

01 de abril de 2010 1

A comida em geral é boa, bifes suculentos, frutos do mar fresquíssimos, batatas cortadas em pedaços grandes e sempre muito bem servido. Ou seja, para quem gosta de comer como eu, é uma maravilha. No Uruguai os preços são muito parecidos com os nossos, uma refeição para dois num restaurante bem bom pode custar até R$250,00 dependendo do vinho. Eu fiz uma imersão profunda numa dieta de moluscos e crustáceos. Lá pelas tantas já estava enjoada, principalmente dos molhos à base de morrones, ou pimentões.

Esta paella eu comi no Virazón, que é um daqueles restaurantes na rambla principal de Punta del Este, que eles chamam de costanera, perto do porto. O mais louco são os garçons atravessando a rua o tempo todo, em pleno movimento, porque as mesas são no calçadão, mas o restaurante, a cozinha e o banheiro não. Será que eles ganham adicional de insalubridade? Na foto não dá pra ver, mas tinha um pulpito (polvinho) inteirinho dentro, com cabeça e tudo, sem os miolos, muy sencillo.

Isto é um Risoto do Chef, a sugerencia (sempre confio nas indicações) do Il Barreto, um italiano perfecto também em Punta. O prato tem cenoura, ervilhas verdes, suculentas almodegazinhas de carne e lascas de parmesão.

Esta saladinha foi nossa entrada (sempre compartimos a entrada para encarar o prato principal com fome) no El Palenque, mais uma dica excelente do Diogo, dos Destemperados. Aliás, o Mercado Público de Montevideo é uma loucura. Imagina um El Viejo Pancho muy melhorado e multiplicado por 30. São inúmeras parrilladas e o melhor, com frutos do mar e  os 'vinhos'. Quero voltar. Muitas vezes. O preço é mais em conta que Punta. Isto são nossas picanhas e lomos con papas, respectivamente:

O lomo tava melhor. E a sobremesa, não me lembro o nome, mas era mega dulce, con dulce de leche, por supuesto.

Abaixo, painel do Lobo, em Colônia do Sacramento. O restaurante era lindo, mas a comida tri ruim. Eu não-comi um cordero com purê de hongos (cogumelos). Veio três peças torradas por fora, cruas por dentro e incomestíveis.

Em Colônia os preços são bem mais baratos e isso se reflete na qualidade da comida também. Mas, foi lá que seguindo os conselhos de David Coimbra, fomos ao La Florida e provamos muitas gostosuras. O chef, o argentino Don Carlos, é altamente excêntrico. Ele gosta de cozinhar, e para pessoas com bom paladar. Não foi um turista que o vi despistar naquele dia. Ele só abre ao meio dia porque - segundo ele - a noite é para dormir.

Fala pra caramba, ensina receitas e é melhor comer o que ele tá a fim de cozinhar. No dia em que estivemos lá, tomamos bom vinho, ouvimos jazz e -sim - pedimos cordeiro. Ele perguntou umas 5 vezes: - Entonces, queieres lo cordero, ã? Quem éramos nós para recusar o cordeiro que ele havia acabado de buscar numa estância? Olha o Marcos aí, todo deslumbrado com o rack francés e sus papas rústicas.

Eu fui de cazuela de mariscos, com gambas, chipirones (lulinhas), berbigões e vieiras, além de muitos mariscos e mexilhões. Sin palavras, mas é pra quem curte realmente frutos no mar, não recomendo para quem só come camarão à milanesa e salmão. Não saiu barato, tivemos que pagar em 3 moedas - pesos uruguayos, argentinos e reales.

Como mencionei no post anteiror, demos um pulinho em Buenos Aires porque, oras, porque nos encanta mucho! De Colonia sai o Buquebus, um mini cruzeiro, ferry, sei lá como chamá-lo, para diversas cidades. Entonces, para a capital porteña leva apenas uma hora. Inevitável. Irresistível. E se tem um motivo que nos levou de volta a Bs As em tão pouco tempo (estivemos lá em novembro) foi o restaurante Olsen.

O Olsen, a exemplo de MUITOS estabelecimentos na Argentina, é um grande galpão, com decoração moderna e maravilhosa, bem iluminado, com garçons jovens, simpáticos e eficientes_ bem, esta é a definição padrão da maioria dos lugares em Palermo, mas o Olsen é ainda mais tudo isso. A comida tem inspiração nórdica e não é caro, além de servir drinks incríveis.

Entrada: não é bicho. Canapés nórdicos.

Papas rústicas, omelete, salada e um pão com carne suína. Era o prato dele. O meu:

Salmão krawlax (acho que é isso), omelete de papas e um molho de queijo divino. Amei.

Eu tenho mais muitas dicas, como o Sucre, em Buenos Aires, e outros. Mas, como não tenho fotos, vou deixar pra depois, para o post sobre bebidas e tragos em geral.

A síndrome do X-tudo

18 de março de 2010 2

Ontem eu tava analisando a propaganda de uma casa de doces e cachorros-quentes para a festa que vou fazer de aniversário da Anita. No item bauru, a coisa ía bem. O máximo de excentricidade do sanduíche era um ovo a mais. Nada de milho, ervilha e maionese.

Mas, quando o assunto era os 'xis' e os cachorros tinha de tudo. Socorro. Tem um que vai [vou copiar aqui] carne, calabresa, coração, bacon, frango, pão, presunto, queijo, ovo, tomate, milho, ervilha, alface, cebola na chapa e batata palha. Custa R$ 12,50 e provavelmente alimenta uma família brasileira média.

Na real, não vejo mal em juntar as comidas que a gente gosta. Acontece que na culinária, por exemplo, os sabores se misturam e o resultado pode ser desagradável. Ontem fiz uma receita de talharim com molho funghi bem interessante. Aí hoje pensei em fazer um risoto com a mesma base e adicionar aspargos, o que pode estragar tudo. Ou arruinar, como diz a Anita. Não tem como cozinhar sem considerar o comportamento químico-físico dos ingredientes. E misturar tudo que a gente gosta num mesmo prato é muito arriscado.

O que me desagrada mesmo são aqueles restaurantes que se propõem a servir lanches, pizzas, sushis, assados. Não tem como ser bom. Há muito tempo atrás eu passei o mês de julho em Maresias, no litoral norte de São Paulo com umas amigas. Era bem paradão, meio vazio. E nossa vida girava em torno de uma padoca. Lá era mercado, restaurante, pizzaria e de noite ainda tinha uma nightzinha, com direito a brigas de cachorro no meio da pista do forró.

Estou muito em dúvida com relação à comida da festa da Anita e confesso que hoje acordei como uma ideiazinha que contraria todas as minhas teorias sobre a não-misturança. Que tal uma mesinha com sushi, ou alguém preparando mini-temakis?

Um lanche no meio da tarde

05 de março de 2010 1

Cheguei do centro, onde estou fazendo fisioterapia, azul de fome. Hoje foi mais um daqueles dias que entramos - eu e Anita - uma na dieta da outra de sopas e não dá pra chamar de almoço o que aconteceu entre meio dia e uma hora nesta residência.

Como a Av. Getúlio Vargas estava sem luz em função de algo que aconteceu enquanto eu tomava meus choquinhos no calcanhar direito, pressenti que meu prédio (numa transversal) poderia estar as escuras e eu não estava a fim de subir 12 andares a pé, ainda mais na minha condição de manca.

Desci um ponto antes e passei num mercado desses de gringo com açougue, na R. Botafogo. Para minha grata surpresa, lá tem até carré de cordeiro. Peguei algumas carnes e vim pra casa, sem 'estragar meu apetite' com um doritosinho, como me é de praxe.

Felizmente tinha luz aqui. Subi, juntei as coisas que tinham voado e sequei o closet que tava semi-alagado. E aí, sim, fui pra cozinha, merecendo um sanduíche digno.

Salguei e pimentei um bife de contra-filé e fritei com nada de azeite numa frigideira de teflon. Em quanto isso tostei fatias de pão integral. Pão, bife, queijo brie e uma salsinha por cima. Coisa mais gostosa do mundo. Tente fazer em casa, é uma delícia!