Me converti ao kefir, uma religião com mais de 4 mil anos de história, que teve sua gênese na região da Cordilheira do Cáucaso, a saber no extremo oriental da Europa, fronteira com a Ásia.
Lá foram desenvolvidos os venerados grãos brancos da substância mais saudável que já se teve notícia. Sua aparência simplória, que remonta a uma ambrosia albina, oculta os mais magnifícos poderes de cura da biologia.
Tem gente que tem cachorro, há quem crie gatos, eu optei por esta espécie de fungo em função dos benefícios acima mencionados. O kefir demanda cuidados diários, como um tamagotchi não de carne e osso, mas de leite e lactobacilos.
Estou com o meu há cerca de uma semana e ainda estamos nos adaptando. Fora ou dentro da geladeira? lavo ou não os grãos na peneira? leite desnatado ou integral? frio ou quente? Um dia todas estes questionamentos serão parte do passado e eu não porei mais minha fé de lado, nem considerarei a heresia de talvez me cansar desta missão e desistir de criá-los para o bem da humanidade.
O kefir não é indulgência e não está a venda. Alguns sites prometem (e não são aqueles que falam de aumento peniano) mudas, mas fiz uma busca e vi que estão todos com a mesma desculpinha: sem sementes no momento. Pudera, a prática religiosa não permite o comércio, apenas as doações, o que é no mínimo complicado nos dias de hoje, na sociedade capitalista.
Acho que quem inventou isso - de não vender, logo não existir para o grande público - foi a indústria dos lacticínios que tem medo de perder espaço, compactuada com a indústria farmacêutica, já que o milagroso kefir previne desde o câncer, à asma, às doenças de pele, ao envelhecimento, às depressões e tudo mais.
Em suma: o kefir é um bichinho que faz iogurte. Todo dia, de graça, pra você. E ainda se multiplica de forma que pode ser compartilhado com outras pessoas que também gostam dessas coisas saudáveis. Eu tenho falado tanto que já estou cheia de encomendas e os meus ainda nem se reproduziram muito.
A parte chata é que todo dia você tem que cuidar deles, ou seja, peneirar o leite que ele está e colocá-lo num leite novo. O iogurte, que os sites de kefir dizem que não é iogurte, é uma delícia. É azedinho, dá pra misturar com frutas e já descobri até um jeito de deixá-lo aerado, como se tivesse batido no liquidificador. É só tampar bem o vidro, de forma que as bolhas de fermentação não consigam sair.
E quando for viajar, ou tem que levar junto, ou emprestar para alguém cuidar. Estou totalmente apaixonada, tomara que eu não enjoe nunca nem mate jogue fora esta iguaria tão divina. Hoje me bateu uma preocupação "E quando eu for pra maternidade?". Meu marido me garantiu que vai levá-los junto. Ufa.
PS - Como TUDO publicado neste blog, as informações deste post são verdadeiras.

























