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Posts com a tag "crianças"

Rachando o suco

24 de abril de 2012 Comentários desativados

Eu não diria que o tempo passou voando, mas uma coisa é certa, no prazo de um mês a Aurora nasce. E nessas últimas semanas de espera que me restam, só tenho pensado em coisas boas e feito planos fantásticos. A Anita tem estado incrivelmente fofinha e me ajuda tanto em tudo e até na arrumação das coisas pra novo bebê, que cada dia tenho mais certeza de que fiz a coisa certa, de engravidar de novo depois de tanto tempo, sete anos.

Adoro uma história do Kurt Vonnegut sobre uma mulher de 43 anos que escreve pra ele perguntando se estava errada de querer ter um filho, trazer ao mundo sujo e mau que vivemos uma criatura bondosa, doce e inocente. Ele morre de vontade de dizer que sim, que numa sociedade com pobres obesos e sem qualquer  programa de saúde público disponível (ele mora nos EUA e a mulher da carta também), é erradíssimo ter um filho.

Mas, não. Ele fala que vale a pena sim ter um filho, mesmo neste mundo escroto que tá aí. E o que o faz pensar assim é a música, em primeiro lugar, e em segundo, os santos, ou seja, as pessoas que têm um comportamento decente numa sociedade chocantemente indecente. E comportamento decente não tem a ver com moral, mas sim com ser bom e fazer o bem, outra grande premissa da existência humana para Vonnegut.

Hoje perguntei pra Anita no almoço se topava rachar um suco de laranja, daqueles de caixinha. Ela não entendeu nada. 'Mãe, como rachar um suco, suco é líquido, é como água, não racha!'. Expliquei a expressão rachar com o exemplo clássico de 'rachar a conta' e ela entendeu. Agora me diz, é ou não uma coisa mágica conviver com essa pureza que são as crianças? Posso ser ingênua, mas eu acredito que as crianças são tábulas rasas e que cabe a nós mostrar o certo e ensiná-las a serem boas e honestas. Aliás, se não acreditasse nisso, eu jamais estaria com uma barrigona chutativa desta mais uma vez.

Quanto tempo falta pra daqui a pouquinho?

21 de março de 2012 Comentários desativados

Na semana passada estive na escola da Anita para aquela primeira reunião com os pais. Duas coisas me chamaram a atenção: a postura da professora em relação ao combate da ansiedade das crianças e alguns comentários idiotas dos pais, do tipo: meu filho já perdeu todos os lápizes e eu repus, se ele não puder ir ao banheiro é capaz de mijar no pé da profe e por aí vai.

Hoje vou falar do primeiro caso. A situação era a seguinte: a professora de música não deixa as crianças fazerem xixi. Algumas mães pediram à tutora oficial que levasse todos ao banheiro antes da aula de música, que antecede o recreio, como a professora do ano passado fazia.

A nova professora explicou que se ela fizesse esta "combinação", as crianças passariam mais da metade da aula só falando nisso, perguntando sobre a hora de ir ao banheiro, enfim, completamente ansiosas e dispersas. Eis o X da questão (que bom que a professora sacou isso), as crianças de hoje não funcionam nesta lógica de recompensa que nós fomos criados. O "se você se comportar agora, ganha tal coisa" não cola com elas. Elas só vivem o agora.

Se na segunda-feira mencionarmos que viajaremos no próximo final de semana, pronto, tá feito o estrago. Elas vão passar a semana toda perguntando quantos dias faltam e se falta muito. Exatamente como fazem com o aniversário, Natal e outras datas.

Casualmente meu irmão comentou comigo que uma de suas filhas, que também tem 7 anos, está tendo crises terríveis de ansiedade. O quanto tempo falta de hoje pode virar insegurança e paranoia na semana que vem, porque elas não conseguem enxergar o tempo como linear nem tampouco entender que a morosidade e o lento encadeamento dos fatos é normal. Talvez porque nos desenhos animados não seja, mas eu, sinceramente não sei a causa ou as causas exatas deste fenômeno.

O que eu sei é a forma que eu criei para lidar com a minha filha. Uma coisa por vez. Se agora vamos fazer o tema, faço disso um grande momento. Porque, se eu apresentar uma sequência do tipo tema- descer pra brincar-almoçar fora, ela vai ficar tão ansiosa pra descer, ou pra sair pra almoçar que jamais conseguirá concluir o tema em tempo de brincar, por exemplo.

O inexorável acúmulo de tralhas

12 de dezembro de 2011 Comentários desativados

Este post pode parecer devaneio de uma grávida neurótica, mas duvido que todas as pessoas não passem por este momento de vez em quando. Minha casa está atolada de coisas: roupas, sapatos, brinquedos, papéis, revistas, cabos e brindes sortidos das mais variadas marcas.

Os primeiros itens nós mesmos compramos e os demais, cabos e brindes, se multiplicam como gremlins que se alimentaram depois da meia-noite, imersos em uma piscina olímpica. Na categoria cabos entram fones de ouvidos, adaptadores, pendrives e assemelhados. Na brindes, je-sus, imagine de tudo um pouco. Agora eleve ao cubo. Bem-vindo à minha casa neste fim de ano.

Eu, definitivamente não sou um caso digno daquele programa de colecionadores patológicos. Não coleciono nada, nem esmaltes tenho. Procuro concentrar tudo no celular, em nuvens na internet. Nem agenda, nem nada. No entanto, experimente entrar no meu quarto, closet ou no quarto da Anita. Você sairá correndo como o papa-léguas. A situação é periclitante.

Quando a gente fica grávida do primeiro filho, olha vitrines, compra revistas e frequenta lojas de bebês. Nesse universo, tudo é lindo, harmônico, poucos brinquedos, todos do mesmo tom. Na vida real, especialmente depois de uns anos, não tem bom-gosto que resista. TODOS os dias as crianças aparecem, ganham ou pedem coisas novas. É tanto bicho de pelúcia, caixinha com gavetas, revistinhas de colorir, chaveirinhos, brinquedinhos do Mc Donald's e trabalhinhos da escola, que fica difícil até de caminhar num quarto infantil DE VERDADE.

Aí vou eu lá, munida de alguma sacola bem grande, daquelas que os mercados empacotam travesseiros ou  papel higiênico e vou jogando parte fora. Doo para crianças pobres da Ilha da Pintada, para os filhos do pessoal da Rudder que trabalha no condomínio ou boto no lixo mesmo.

Antes ficava com pena, lembrava da minha mãe me ensinando que tudo custa dinheiro. Ela falava isso para me conformar com as muitas permutas que sempre pagaram o meu serviço, provavelmente. Hoje em dia, dispenso este excesso cada vez com mais gosto. Eu quero respirar, preciso de espaço.

Nesta tarde tenho uma missão hercúlea, esvaziar uma cômoda (jogar tudo fora, pode?). Depois vou arrumar o resto das coisas. Espero não morrer soterrada.

Filosofias da geração Z

30 de setembro de 2011 Comentários desativados

A Anita está com seis anos. Na boca, faltam dois dentes e tem mais uns quatro pela metade. Sua letra cursiva é cheia de laços e nos bate-papos que frequenta (skype e FB) escreve as palavras de um jeito todo próprio. É da Anita, não meixa é um exemplo de bilhetinho que encontro pela casa.





Comeu amorinha até ficar com diarreia, ou "diabetes" segundo ela.




Ontem deu pra filosofar sobre o tempo. "Mãe, eu adoro 'um pouco' de adulto. Sempre é muito. Se eu to vendo tv e tu diz:  Só mais um pouco, eu logo sei que vai ser bastante. Mas, tem o lado ruim, quando eu quero alguma coisa e tu fala: daqui a pouco, pode saber que vai demorar".

Amanhã tem Olimpíadas na escola e ela oscila entre momentos de empolgação e de desmotivação completa. Eu a entendo, porque também não gostava, mas não tem jeito, tem que participar.

Hoje resolvi o drama de uma forma bem baratinha, fui no bazar Pequetitas, uma daquelas lojas horríveis com balanços de plástico, bicicletas marca diabo, flores de tecido e embalagens de suco em caixa espalhados pela rua, e comprei uns pompons para torcer amanhã. Ela é da equipe vermelha. Pronto, no almoço, repetiu o prato duas vezes e confessou que não vê a hora de chegar o dia das Olimpíadas.

Fiz o tema de hoje com ela e percebi que a leitura evoluiu bastante, tirando a palavra acreditar, ela leu todas as outras direitinho, meio rápido até. Na matemática também foi bem, apesar de ainda espelhar alguns números.

Uma coisa curiosa dessa geração é que eles têm um aprendizado complexo e seletivo. O filho de uma amiga, Mateus Nassif (que gosta de ser chamado de Nassif até pela própria mãe), tem quatro anos e não sabe escrever o próprio nome, mas sabe de cor a senha do itunes da mãe - uma sequência de oito números e letras com algumas maiúsculas - que usa para baixar aplicativos no celular, na maioria das vezes sem a permissão da mesma.

Dentro, em cima, fora, cruza e sai

04 de março de 2011 Comentários desativados

Atendendo a pedidos de mais posts sobre a primeira série e as peraltices da Anita, vou revelar nossa nova moda: pular elástico. Nova pra ela, porque pra mim é super anos 80. Quando pequena eu praticava os seguintes esportes: nadava a contragosto, jogava caçador na escola (era boa em desviar da bola por causa do raquitismo), pulava corda (uma vez a corda abaixou minha calça e eu fiquei de pijamas bem no meio do colégio, quase morri de vergonha) e pulava muito elástico. Eu era meia boca em tudo, mas no elástico eu ar-ra-sa-va!

O segredo de tamanho sucesso eram as tardes de treino. Na casa dos meus pais tinha umas cadeiras bem altas. Eu as abraçava com meu elástico encardido e delequetedele pular. Conseguia acertar em cima até na altura do pescoço. Aí, na escola eu repetia o espetáculo.

A grande questão era que todo mundo era bom. Não era exclusividade minha. De onde concluimos que pular elástico É uma barbada. A Anita não é muito afeita aos esportes, normal considerando seu histórico familiar. Noto que ela fica meio frustrada por não saber fazer algumas coisas que as outras crianças (que não ficam no computador, não sabem baixar jogos de iphone ou procurar vídeos no youtube) fazem. Eu disse meio porque realmente não é algo que a incomode. -Você sabe que eu sou mais tecnológica. Costuma dizer.

Mas, enfim, na terça-feira, conforme combinado, fomos a uma loja de armarinhos e compramos uma peça de elástico. Roxa, a sua atual cor preferida. A saber, roxo e rosa. Ela amaaaaaaaaaaaaaa.

Quando cheguei em casa, armei as cadeiras, que são BEM mais baixas que as da minha mãe, amarrei o elástico e começou a aula. O basicão eu lembro, as mil e uma fases, nem pensar. É de conhecimento público que não tenho tratado meus neurônios com muito carinho nos últimos anos. Mas, antes fosse esse o maior dos meus problemas. Pulei umas 4 vezes e ai ai ai, começou a doer tudo! Jesuis, não é fácil.

Já meio alquebrada apelei pro youtube pra Anita saber comment faire. Pra minha decepção, a maioria absoluta dos vídeos é muito tosca. E, supreendentemente, muito assisitida. Ou seja, deve estar cheio de mãe maluca como eu a fim de lembrar a brincadeira. Os mais didáticos são os alemães, até apareceu uma pulada de balãozinho que eu não lembraria jamais. Os vídeos são ruins e as crianças não pulam do meu jeito, não ajuda muito.

Ninguém aí ta a fim de gravar um vídeo bom? Prometo que uso minhas influências midiáticas domésticas e faço bombar. Meu marido pelo visto, também anda pesquisando. Ontem sai com minhas amigas e hoje quando abro meu computador, tinha uma janela aberta com vídeos de elástico.

A Anita tá progredindo. Tomara que ela fique tão boa quanto eu era. Esse papo todo de elástico me deixou bem ensimesmada. Quando estivermos PRO eu gravo um tutorial para os interessados.





Reunião de pais

01 de março de 2011 Comentários desativados

Bem que eu suspeitava que tinha mais gente do que os que encontro na fila. Antes da aula, as crianças ficam alinhadas no saguão da escola. Mil decibéis é pouco, ainda não me acostumei com a algazarra. O sinal toca e eles sobem pra sala. Nós pais semidesocupados conversamos um pouco e vamos embora, com o coração na mão. Nunca pensei que eu seria assim, tão mãe.

A reunião foi ontem, às 19h30, depois de uma aula experimental de dança criativa (?). Eu era a única com filho. Meu respectivo tá em Sumpaulo e eu não quis pedir favores pra ninguém. #momentopãe.

Resumidamente diz a professora que estarão todos lendo em dois meses. Recebemos um calendário com as aulas do sábado. Quase todos do mês estavam marcados. Pânico. Levantei a mão e ela esclareceu que nosso caso - as séries iniciais - é só de vez em quando. Contei e deu uns 6 sábados. Much better.

Os professores especiais se apresentaram e mais um momento de tensão. A flauta. Sim, ela vai ficar na escola. Na boa, é humanamente inviável uma flauta doce em casa. Me dá uns flashbacks da minha infância barulhenta. Eu que perguntei, como sempre. E comemorei a resposta da professora, uma senhora muito phyna.

Eu não consigo não fazer piadinhas nessas reuniões. O problema é que agora o grupo é de aproximadamente 60 pais. É gente. Só de pensar numa festinha de aniversário com todo aquele povo, me dá calafrios.

Uma outra mãe, piadista de reunião como eu, indagou sobre festas na escola.
Nem nós podemos ir, mas - sim - elas podem ser feitas lá. Alívio coletivo. Sexta já tem uma. Vou começar o F.P.P.I, fundo para presentes infantis. Pode parecer bobagem, mas não é, quem tem filho sabe o rombo no orçamento que os aniversários representam.

Estou plenamente satisfeita com a escola, principalmente porque a Anita está mega feliz, empolgada e tranquila. Ela tá se sentindo muito importante na primeira série. Ai, fofinhaaaaaaaaaaa.

Pra finalizar soube que eles têm aulas de princípios e valores. Gente, que ótimo. Toda semana a diretora, que é uma outra senhora (parece de filme) muito doce, faz atividades com eles. Isso, dá-lhe sociologia nessas crianças. Não é o máximo?!

Hoje estaremos no manifesto da Massa Crítica. Infelizmente sem bicicleta, porque é mais seguro assim. A Anita sabe todos os gritos de guerra. Quem puder, por favor, compareça também, às 18h30, no Largo da EPATUR, na perimetral!

Um bicho geográfico

25 de janeiro de 2011 Comentários desativados

Coitadinha da Anita, não para de coçar os pés. Nossas férias em Floripa foram ótimas, mas trouxemos de lá um souvenir nada agradável, um bicho geográfico. Pra quem não conhece, são pequenas larvas (Larva Migrans) que se enfiltram pela nossa pele e vão fazendo um caminho de dor e ardência.

A cura não é das mais complicadas, basta passar uma pomada chamada Thiabena e manter o local infectado sob rigorosa refrigeração. As minhocas odeiam frio. Faz uns três dias que estamos nessa função. No começo ela chorava de coceira e eu achava que era frescura. Depois vi que o negócio era sério, consultei uns médicos e tratei com Fernergan, Allegra e Berlison porque o caminho ainda não estava evidente, então parecia ser apenas uma alergia de picada de mosquito.

Eu já tive alguns bichos geográficos na época que vivia na Ilha do Mel. Não adianta, praia com cachorro é encrenca brava. Tenho certeza que a Anita pegou essas perebas num belíssimo dia de sol que passamos no Pântano do Sul. E pensar que ela até se enterrou na areia, meodeus!

O mais difícil é convencer uma criança a não coçar as feridas. Mas, estamos indo bem_ com os gritos  de ESTÁ COÇANDOOOOOOOOOO mais espaçados a cada dia.


Uma montanha de tema

12 de dezembro de 2010 Comentários desativados

Tema de casa é mais uma expressão que incorporei ao meu vocabulário. Explico: eu sempre falei e fiz lição de casa. Mas, logo que cheguei aqui - em 2006 - tive contato com crianças que reclamavam do volume de seus temas e, deve ter demorado um pouco, mas saquei que tema não era uma autobiografia que todos deveriam começar a redigir na terceira série.

Minha relação com lição de casa sempre foi das melhores. Eu adorava chegar em casa, almoçar e fazer todas as lições ainda com as matérias fresquinhas na cabeça. Além disso, não me recordo de NENHUMA vez que pedi ajuda aos meus pais. No meu tempo, a lição era absolutamente destinada às crianças. Mas vejo que isto mudou radicalmente de uns anos pra cá.

Muitas vizinhas minhas reclamam que ficam horas auxiliando seus pimpolhos no tema, que está cada vez mais complexo. Sei de criança de 8 anos que teve que escrever praticamente uma monografia sobre a imigração alemã agora no último trimestre. E o que é pior: na mesma escola que a Anita vai estudar.

Simone, minha vizinha que me dá carona para o trabalho, sempre me conta as estripulias que faz para dar conta do tema de sua filha Julia. Não raro, sai mais cedo do escritório e se vira nos trinta para encontrar os materiais que precisa para fazer coisas como uma maquete de Porto Alegre.

Ontem o papo na piscina era esse. Médicos, juízes e professores acadêmicos estão receosos da tal quinta série, o ano que muda e complica tudo, segundo a criançada. Seus filhos estão indo para o que chamávamos de ginásio e eles estão com medo de não dar conta da montanha de tema prevista no script. Se com quatro ou cinco matérias tá difícil, imagina quando entrar química, biologia, história.

Ainda não refeita desta conversa, me liga - de Curitiba - minha melhor amiga de infância, Maitê, com a seguinte indagação: - Você tá preparada para a primeira série? E eu: - Sim, lógico, já matriculei a Anita há meses. Papo vai, papo vem caimos no mesmo assunto ou tema, de casa, mais especificamente.

Maitê é funcionária pública da Justiça Federal, ou seja, entra às 11hs - o que é uma barbada - mas não sai antes das 19 hs, nem com reza brava. Ela tem empregada, marido, 2 carros e mora perto do trabalho e da futura escola. Logo sua maior preocupação não é deixar o Pedrinho mofando na escola, mas sim QUANDO ela vai fazer a lição de casa com o sapeca.

Eles, assim como nós, têm o costume de sair pra jantar, ir a churrascos, teatros e afins sempre. De manhã, o guri dorme. Discutimos algumas soluções logísticas e minha advogada preferida ficou mais tranquila.

Eu, até o presente momento, não fiz nenhum tema para nem com a Anita, que deve ter trazido uns 5 no máximo este ano. Mas, realmente espero que o futuro trabalho remoto da pequena seja para ela, que precisa aprender as coisas e não para mim, que fazia as tarefas sozinha e até hoje sei calcular matrizes, PAs, PGs e equações de física, com  logaritmos e tudo.

Na minha escola era inadmissível fazer a lição com os pais, era como colar numa prova
. O que será que aconteceu nas duas últimas décadas?






CERTO









ERRADO. Só em casos extremos. Faça com moderação.





Como fazer sexo se você tem filhos?

23 de novembro de 2010 1


Taí uma pergunta que adoraria saber responder com uma longa lista. Lá em casa temos optado pelo banho juntos. É só abstrair as batidas na porta. Se você é do tipo que brocha por qualquer coisa, esse método não é o mais indicado porque tem muitos fatores complicantes, encabeçados pela temperatura da água que pode esfriar o clima ou pior, escaldar os pombinhos. Mas é divertido. E seguro.


Uma vizinha disse que a filha sempre comenta: quando eu tomo banho com o pai ou a mãe eles não fecham a porta; quando são eles que tomam juntos, trancam a porta, que estranho, né?! Uma amiga dela contou que um dia desses chaveou a porta do quarto à noite quando os filhos já estavam dormindo para ficar mais à vontade, pero... esqueceu-se de abrir mais tarde. No dia seguinte acordou com a porta sendo esmurrada e os pequenos indignados que haviam sido trancados pra fora do quarto. Ah, essas crianças.

Basta um mãe grávida para começarem as indagações a respeito de sexo numa turminha. As escolas geralmente instruem os pais a dar aqueles livrinhos com termos técnicos para pessoinhas que recém aprenderam a ler. É tão complicado pronunciar espermatozóide que eles se distraem e perdem o foco.

A filha de uma amiga, após concluir a leitura de tal material, entrou no carro e falou: pai, eu sei que você colocou o teu pênis da vagina da mamãe. Eles falam assim, anunciam a verdade do universo e sossegam. As escolas têm razão, esses livros são bons mesmo. O curioso é que eles acham que é uma vez e pronto.

Uma guriazinha do meu prédio, de 8 anos, ao saber que a mãe estava grávida, ergueu as sombracelhas, e constatou, em tom levemente indagativo: hum, vocês fizeram sexo de novo então...

Esse assunto veio à tona porque, além do nosso malabarismo para ter alguma vida sexual, coisa de pais de uma criança esperta de 5 anos, numa cidade sem avós, ontem ela chegou da escola com uma pergunta: - mãe, é verdade que o papai do céu botou uma sementinha na tua barriga e eu nasci? Bom, eu não vou enrolar ela com essa história, isso é certo. Então, devolvi: - quem disse isso? - A profe. -Bom, Anita, então deve ser verdade. Ah, não to preparada pra explicar essas coisas todas pra ela ainda. Acho que vou comprar um livrinho daqueles pra me preparar.



Quantos dias faltam pro dia das crianças?

27 de setembro de 2010 1

Acho que já ouvi essa frase umas cinquenta vezes na última semana. Acompanhada do aviso que a Hello Kitty Pocket (sandália com pochete), a pantufa igual à minha e o chaveiro de Lego com luzinha não servem como presentes. Ai, meu Jesus. Malditos sejam os breaks comerciais dos canais infantis. É um bombardeio de sugestões.

Eu queria era não dar nada como faziam os meus pais meio comunistas. Alegavam que era uma mera data comercial e punto finale.

A falta de noção de tempo infantil torna a pressão sobre os pais para ganhar presentes ainda mais pesada. Os pequenos têm uma dificuldade gigantesca em entender o significado de duas semanas, um mês, amanhã e até mesmo de 'daqui a pouco'. Ironicamente o 'daqui a pouco' apesar de ser temporalmente mais próximo para eles, é o que mais atiça sua ansiedade e frustração de não possuir uma máquina do tempo capaz de tornar AGORA qualquer outro momento.

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Sexta a Anita dormiu na casa da Lívia, sua melhor amiga. Sábado de manhã, busquei-a e passamos numa loja de brinquedos para comprar um presente para um ex-colega que nos convidara para sua festa de 6 anos, que seria neste domingo. Eu falei CINCO VEZES: ANITA, VAMOS COMPRAR UM PRESENTE PRO GUSTAVO R. (Muitas crianças chamam os colegas assim Fulano X. ou Y., a não ser em casos de pais engenhosos que dão nomes diferentes para os filhos como nós).

Dentro do templo de perdição, a saber a nova Del Turista da José de Alencar, ela afirmou: - Vamos levar aquela lanterna de Lego. Ok, pensei eu, estava dentro do orçamento.

No caixa, a sem-vergonhinha me abraça e diz: - Ai, mami. Obrigada, eu queria tanto. O QUÊ? Enquanto ela se encolhia e chorava, tive que gentilmente explicar que fucinho de porco não era tomada e que não levaria o leguinho. Escolhi um presente para Gustavo R. e fui firme de não comprar nada para ela. Mas, é difícil. Como consequência o papo sobre o dia da criança tornou-se uma constante desde então.