Por que tem que ser tão difícil? A relação entre patroas e empregadas é arcaica, completamente construida com bases paternalistas, nada objetiva, injusta do ponto de vista humanista, ou seja, uma aberração mesmo.
Cresci vendo minha mãe reclamar que elas gastavam muito produto de limpeza, vi minha tia sendo rapelada completamente por uma faxineira a quem ela confiava a vida e hoje, estou aqui, indignada, com ódio no coração porque descobri que a minha faxineira - com quem me dou relativamente bem - gastou meio pote grandão de Vanish em pó para lavar o chão da cozinha. Raivaaaaaaaaaaaaaa
Ela não lava roupa, só os panos de chão. Usa a máquina, óbvio. Já expliquei mil vezes que é um desperdício enorme lavar 5 panos velhos na máquina (no modo completo e com nível de água alto, é claro). Reclamei outras mil vezes, bem como a instruí a não usar Vanish para lavar os tais panos. Adivinha o que ela continua fazendo?
Se fecha na cozinha, que é grudada com a área de serviço, e manda ver. Só não usa a secadora para secá-los porque teria que esperar a secagem terminar para ir embora, o que ocorre em média às 13h30.
O chão da cozinha sempre fica grudento, colante. E agora - finalmente - depois de anos descobri porquê: Vanish. Eu tava comprando só o líquido, porque é mais barato e consequentemente não funciona. O chão não tava mais ficando aderente quando ela vinha. No domingo, comprei em pó e escondi dentro de um pote, no alto do armário.
Na terça de manhã quando fui pegar o milagroso alvejante para tirar umas manchas das roupas da Anita - o pote tava na metade! Fiquei emputecida.
Segunda-feira, quando ela chegar, vou soltar o verbo. Imagina se o teu chefe fala: não use meu computador. Você vai usar?
Todas as minhas vizinhas têm problemas com as suas empregadas. Mas, precisam delas porque não têm com quem deixar os filhos nem tampouco tempo para cuidar da casa. Mas, todas são unânimes em afirmar que a convivência beira o impossível. Ainda mais nesses apartamentos apertados de hoje em dia.
Eu testo minha tolerância com uma faxineira uma vez por semana. Dia desses minha mãe dispensou a sua empregada de milianos e eu achei errado, mas cada vez a entendo melhor. Não é fácil.
Minha amiga Dani Cedola, que mora na Inglaterra, levou a sua fiel escudeira Luísa para lá. A relação delas também não é lá essas coisas, até porque empregada na Europa é mega luxo, então quem tem fica um pouco constrangido. Em função de pouca gente ter uma assistente doméstica, a Dani me conta que as casas -quase sempre - são ultra bagunçadas, mas os maridos ajudam muito, o que definitivamente não vejo acontecer por aqui.
Em tempo, vou contar a história da minha tia Janete e sua queridíssima Olinda. Minha tia ganhava muito dinheiro e comprava joias semanalmente. Tinha um baú que parecia um tesouro de filme de pirata, com inúmeros colares, anéis e brincos. Um sonho, um deguste aos olhos. Pérolas, diamantes, rubis, esmeraldas e muito muito ouro.
Sua faxineira, mais evangélica impossível, trabalhou anos para os meus tios; tinha chave de casa, ganhava presentes e mimos, comia na mesa com eles, levava o resto do almoço pra casa. Meus tios amavam ela.
Um dia, a tia Janete estava na praia e o tio Ademir, meu único por parte de mãe, foi pra Floripa comigo, para eu não viajar sozinha de carro. Era janeiro e eles moravam e ainda moram em Curitiba. Quando o tio chegou em casa teve uma bela surpresa: a querida O -linda (que se tornaria O - rrorosa a partir daí) havia limpado suas economias, uns 60 mil dólares e mais todo o legado da tia.
Eles não foram suas únicas vítimas. Hoje, felizmente, ela está presa. Já a minha, não, tá solta, por aí, desperdiçando água e usando os produtos de limpeza inadequadamente!
Quer ver ela ficar brava, é eu fazer uns detergentes ecológicos, assim se eu não tiver coragem de brigar, dou esse tapinha de luva de película nela.

