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Posts com a tag "gravidez"

Últimas da gravidez e mais Anitices

17 de maio de 2012 Comentários desativados

Estou contando os dias para o parto. Faltam só três. Isso se ela esperar até segunda. Sinto muita pressão pélvica. Na barriga, parece que tem uma hélice de lancha. Ontem, eu comecei a sentir pontadas no meio da feirinha orgânica. Imagina que prosaico, nascer na Secretaria do Meio Ambiente. Mas não. Isso combinaria mais com a minha cunhada, que vai ter a sua Flora em setembro. Meu irmão é quase um Policarpo Quaresma paranaense, seu filho mais velho (que só tem um ano) chama-se Heitor Pinhão. Juro. A Flora provavelmente será Flora Araucária (eu acho).

Ontem fiz minha última eco de controle. Foi rápido, ela está bem, com 3 kgs, e eu ainda tenho 10 cm cúbicos de líquido, um litro. Vi a carinha da Rory rapidamente e achei bem bonitinha. Conheci só uma grávida na sala de descanso do hospital. Estava com 20 semanas e sentia dores abdominais. Sempre foi gorda, mas no ano passado se submeteu a uma cirurgia bariátrica (é isso que o Hugo, meu irmão Policarpo faz) e perdeu 53 quilos.

Ela contou que no começo, logo depois da operação, não se reconhecia naquele corpo magro. Quando passava perto de um espelho ou vidro nem se olhava porque achava que era outra pessoa (!). Disse também que demorou meses pra parar de entrar nas lojas e procurar roupas enormes. Não se dava conta que tinha virado outra pessoa. Agora, grávida, engordou pouquinho e tem tido cólicas. Tomara que esteja tudo bem.

Já estou com tudo mega pronto, só falta mais um sutiã amamentação, a cinta e uma chaleira elétrica, para esquentar a água do banho no banheiro bem rápido (eu e minhas ideias). Agora à tarde vou ao shopping e já resolvo tudo isso.

Agora vem a parte dramática do post. Sério, eu não imaginava que era tão querida pelos mais próximos. O que tem de gente se lamentando porque acha que eu não lhe darei mais atenção... Ontem minha faxineira mandou uma mensagem à noite dizendo que estava chorando porque gostava muito de mim e que ía sentir a minha falta. Porque eu arrumei uma babá e não posso ficar com as 2. Algumas amigas também têm falado coisas assim, mas o que me dói mais é a Anita. Ela tá muito triste.

Essa é de partir o coração. Hoje de manhã fomos ao salão pra eu me depilar. Eu comprei uma maquininha santinelle que tornou a minha vida mais fácil, principalmente no que tange axila e meia perna. Sempre posso sair de regata ou de perna de fora, MAS, com a barriga, tem toda uma região que eu sequer enxergo que precisava de um tratamento profissional.

A Anita foi junto e ficou brincando com as crianças do salão (a Sofia, neta da Ione que é a dona e o Cauã, filho da Luana, manicure). Tem até espaço kids. Como a Sofia também tinha prova de LETB (já escrevi sobre isso no post anterior)), elas passaram a manhã lá estudando. Eu até voltei pra casa e depois a peguei mais tarde.

Perto do meio-dia encontramos uma ex-professora dela. Ela correu, abraçou e elogiou um pouco a Anita. Quando a Anita ía começar a contar histórias, o papo mudou pra minha barriga, Aurora, parto e tal e a Anita ficou no vácuo. Ele fez uma carinha que me deu muita pena.

Que coisa. Anda se divertindo com histórias de irmãos que pedem aos pais para devolver os bebês ou querem jogá-los no lixo. Ontem falou isso para uma vizinha, que pretendia jogar a Aurora no lixo. Ao que a vizinha, que é psiquiatra, respondeu: Joga lá em casa Anita, ap 704, torre 2. E a Anita: Vou anotar!

Tirando isso ela tá muito fofinha e criativa como sempre. Criou uma pastinha no meu iphone chamada Sacaniação, com apps de brincadeirinhas do tipo avacalhar o Justin Bibier. Outro dia estávamos brincando de rima e ela disse: Mãe, Emíla combina com o quê? E eu: Ervilha. Ela: Não, melhor com tomilha, aquela tua plantinha que tu sempre me pede pra pegar umas folhas pra cozinhar. Óin.

A quinze dias do parto

08 de maio de 2012 Comentários desativados

Faltam menos de duas semanas para o bichinho da goiaba #2 nascer e cá estou eu no hospital esperando pra fazer meu ultrassom semanal.

TUDO está arrumadíssimo pra esperar Rory. Sim, ela já tem apelido.  Em janeiro, quando a Dani Cedola veio me visitar, adorou o nome e declarou que ela seria chamada assim. Claro, eu pensei, Rory, como eu não tinha pensado nisso? A Dani é muito engraçada e como ela morou na Inglaterra muito tempo, é especialista em apelidos inglesados. Disse que vai até criar um app pra iphone com esta funcionalidade. Você digita lá JOÃO e o app diz JOHNNY.

Rory é um nome/apelido de origem irlandesa. É usado como nome de homens e como apelido nas mulheres que se chamam Aurora e Aurélia (outro nome da minha lista de favoritos). Essa tem tudo pra nascer ruivinha. Será?

Na gravidez da Anita eu ganhei muita coisa. Desta vez, como não tenho nenhuma amiga próxima com bebês ou meninas, foi bem diferente. Fazer umas comprinhas era inevitável. Nessas horas a gente vê a inflação e as transformações no setor de moda infantil e de artigos levemente supérfluos (aquelas coisas mega fofinhas, que hoje trazem na etiqueta a descrição 'fios de algodão egípcio com finalização de cerâmica').

Olha a prova aí que eu não to mentindo.

As roupinhas estão caríssimas. A média de preço de um tip top é R$ 100,00. Pra minha sorte, achei um brechó maravilhoso perto de casa. As roupinhas são lindas, das melhores marcas, super novas (algumas estão com a etiqueta) e custam um décimo do valor. Graças a isso, a Aurorinha vai ser um bebê mega fashion. Senão ía seguir a moda mendigo fácil.

Na semana passada, fui lá pra procurar um carrinho guarda-chuva pra minha mãe e encontrei um sling muito legal, igual a um que a Carla Bruni carrega sua Giulia. O melhor foi o preço: 39,00, novinho, marrom com forro estampado de rosa pálido e marrom, de uma marca italiana.

Outra cliente que estava lá com uma baby de menos de um mês enlouqueceu com meu achado. Até testamos com o bebê dela e eu nem senti o peso. Ela queria, mas eu vi primeiro! Grávidas são os seres mais escrotos e egoístas nesses momentos.

Estou super bem fisicamente, mas minha ansiedade está a mil. Claro que eu quero que a bichinha engorde mais, não quero que ela nasça antes do dia 21, quando está marcado o parto, mas quero muito que o tempo voe até lá! Não vejo a hora de ver a carinha dela.

Hoje tem 3 grávidas de seis semanas com sangramento. Uma mais indignada que a outra. "Acho que esqueceram de mim" é a queixa mais recorrente. Ok, já fui uma delas. Daqui uns meses terão adquirido a malemolência necessária para tirar sangue, coletar urina, esperar e esperar.



Dois partos solitários

02 de maio de 2012 Comentários desativados

Certa vez minha mãe me contou que a mãe dela, minha vó Alzira, teve os filhos sozinha em casa. Tá, ok. Isso nunca havia causado qualquer sinapse em meu cerébro. Até agora.

Na verdade, essa memória difusa - será que era isso mesmo?- tinha uns detalhes complicantes, como o fato do meu tio ter nascido de 7 meses. De umas semanas pra cá, só de pensar nessas coisas eu tenho ficado com um nó na garganta.

De todos os relatos de parto, esses são os que mais me intrigam e comovem. Ontem, quando liguei pra minha mãe pra por o papo em dia, perguntei a história direito. Era pior do que eu pensava.

Apesar de ter várias irmãs - Ana, Roberta, Catarina e Marina - Alzira vivia longe da sua família, constantemente em mudança para acompanhar meu avô, que trabalhava na Klabin. Até por Guaíba eles andaram.

Minha mãe, a filha mais velha, nasceu em Arapoti, no Paraná. Na manhã do dia 20 de agosto de 1948, Alzira Rodrigues Barros avisou seu esposo Geraldo que o bebê iria nascer. Ele não lhe deu ouvidos.

A pequenina Marly Barros.

Horas mais tarde, chegou em casa e deu ouvidos, mas ao bebê, uma linda menininha gorduchinha de olhos azuis, que estava enrolada num cobertor, ainda com o cordão umbilical. Aí o Geraldinho saiu correndo atrás de uma parteira, pra finalizar o serviço.

Um ano depois, aconteceu a mesma coisa. Mais uma vez, Alzira, agora com 24 anos e uma filha nos braços, deu a luz, em casa, sem qualquer auxílio, ao meu tio, que nasceu prematuro.

Estes autoatendimentos obstétricos deixaram algumas seqüelas na minha vó, que não conseguiu mais 'segurar' nenhum bebê e teve uma sucessão de abortos nos anos seguintes.

Assim, só tenho um tio e um primo por parte de mãe. Com o tempo, meu avô passou a acreditar no que a dona Alzira dizia. Mas, naquela manhã de inverno de 1996, quando anunciou do banheiro "Geraldo, vou morrer", mais uma vez o velhinho não teve tempo de agir. O fato estava consumado. Minha vó caiu mortinha, aos 73 anos.

The never ending guy

25 de abril de 2012 Comentários desativados

Ontem foi uma noite muito especial na minha vida, tive a oportunidade, provavelmente única, de assistir a um show do Bob Dylan, na minha própria cidade e numa situação bem tranquila, considerando que estou no nono mês de gestação e nem deveria ficar serelepeando.

Só pra registrar, a Aurora já assistiu Eric Clapton, Ringo Starr, foi campeã desfilando pela Unidos da Tijuca na Sapucaí e agora ouviu o mestre dos mestres. Não é pouca coisa para uma menininha que nem nasceu ainda. Não, hoje eu não vou pra Floripa ver o Paul de novo. Não sou louca a esse ponto.

Essa minha paixão por Bob Dylan não é muito antiga, tem mais ou menos 3 anos. Antes disso eu conhecia e gostava de algumas músicas, como a maioria das pessoas. E parava aí. A coisa ficou séria quando eu assisti o documentário 'No direction home', do Martin Scorcese, produzido pela Apple. Então eu li 'Like a rolling stone' de Greil Markus, 'Crônicas- volume 1'(antes que vc me pergunte se não for um dylanmaníaco, só existe o volume 1 mesmo), livro autobiográfico do próprio Dylan, assisti mais um bocado de filmes como 'Don't look back' e 'I'm not there' (incrivelmente criativo) e li mais trocentos livros sobre diversos outros assuntos, mas que sempre convergem para o Huckle Finn de Minnesota.

O que aconteceu comigo foi que além de ouvir e gostar cada vez mais de suas músicas, ele passou a estar onipresente na maioria das minhas referências. De repente eu lia um romance como Liberdade, de Jonathan Franzen, e lá encontrava páginas e páginas dedicadas a ele. E isso passou a acontecer o tempo todo.

O maluco do Steve Jobs era talvez um dos seus fãs mais fervorosos, passou boa parte de sua juventude atrás de gravações piratas de shows (que viriam a se tornar as Bootleg Series), namorou Joan Baez (por que será?) e não sossegou enquanto não ficou amigo (naquelas) do cara e fez negócios com ele.

Quem mais já foi amigo dele e se influenciou pela sua maneira poética e sensível de enxergar o mundo? Johnny Cash, os Beatles, Allen Ginsberg e mais milhares (e eu realmente não estou exagerando) de artistas e de pessoas comuns, de gerações de pessoas comuns. O cara é foda, num grau máximo.

Vejo as pessoas na internet meio que reclamando que ele não fica bajulando o público, mas quem é fã mesmo sabe que ele nunca fez isso. Aliás, já tomou muita vaia quando incluiu guitarras elétricas nos shows, em uma época que era cultuado no meio folk. Ele é esse cara, que se diverte e emociona cantando, tocando (principalmente a sua gaita) e pronto, não tem saco de ficar fazendo socialzinho. Não que eu seja contra socialzinho, achei super simpático ver que o Paul chamou o público de Recife  de povo arretado - lindo, fofo -, mas o Paul é o Paul, um gentleman e não é o Bob Dylan, ponto.

Então, dentro disso tudo que eu to falando, eu fiquei realmente tocada de vê-lo ontem, vestido de cowboy, cantando - a uns 10 metros de mim, 'Like a rolling stone', a música mais importante do século passado na opinião de diversos críticos (e por que não dizer, na minha também).

Outra característica peculiar dele é modificar totalmente uma música, como fez com 'Blowin' in the wind' no encerramento do show ontem. A letra permanece, mas a música não tem nada a ver com as versões mais conhecidas. É quase um exercício de adivinhação, ainda mais pra quem é ruim de ouvido como eu. Mas, enfim, valeu e muito e hoje sou uma pessoa mais feliz por ter visto este show.



Eu que desenhei, graças a umas dicas da Carla Barth.



Rachando o suco

24 de abril de 2012 Comentários desativados

Eu não diria que o tempo passou voando, mas uma coisa é certa, no prazo de um mês a Aurora nasce. E nessas últimas semanas de espera que me restam, só tenho pensado em coisas boas e feito planos fantásticos. A Anita tem estado incrivelmente fofinha e me ajuda tanto em tudo e até na arrumação das coisas pra novo bebê, que cada dia tenho mais certeza de que fiz a coisa certa, de engravidar de novo depois de tanto tempo, sete anos.

Adoro uma história do Kurt Vonnegut sobre uma mulher de 43 anos que escreve pra ele perguntando se estava errada de querer ter um filho, trazer ao mundo sujo e mau que vivemos uma criatura bondosa, doce e inocente. Ele morre de vontade de dizer que sim, que numa sociedade com pobres obesos e sem qualquer  programa de saúde público disponível (ele mora nos EUA e a mulher da carta também), é erradíssimo ter um filho.

Mas, não. Ele fala que vale a pena sim ter um filho, mesmo neste mundo escroto que tá aí. E o que o faz pensar assim é a música, em primeiro lugar, e em segundo, os santos, ou seja, as pessoas que têm um comportamento decente numa sociedade chocantemente indecente. E comportamento decente não tem a ver com moral, mas sim com ser bom e fazer o bem, outra grande premissa da existência humana para Vonnegut.

Hoje perguntei pra Anita no almoço se topava rachar um suco de laranja, daqueles de caixinha. Ela não entendeu nada. 'Mãe, como rachar um suco, suco é líquido, é como água, não racha!'. Expliquei a expressão rachar com o exemplo clássico de 'rachar a conta' e ela entendeu. Agora me diz, é ou não uma coisa mágica conviver com essa pureza que são as crianças? Posso ser ingênua, mas eu acredito que as crianças são tábulas rasas e que cabe a nós mostrar o certo e ensiná-las a serem boas e honestas. Aliás, se não acreditasse nisso, eu jamais estaria com uma barrigona chutativa desta mais uma vez.

O mistério da barriga desaparecida

05 de abril de 2012 Comentários desativados

Esta semana finalmente desvendei um enigma que há meses vinha me intrigando. Logo que engravidei, encontrei uma grávida bem barriguda diversas vezes na portaria do condomínio que eu moro. Não a conheço, mas sabia que ela tinha um filho de mais ou menos 8 anos e que morava na torre um (eu moro na três).

Não sou nenhuma especialista em saber de quantos meses é uma barriga, mas imaginava que ela estivesse no sétimo ou oitavo mês. Nunca puxei papo com ela, que sempre passava rapidamente pela portaria.

Quando as férias da Anita começaram, eu nunca mais fiquei lá, de bobeira, esperando a van chegar e tampouco vi aquela grávida.

Durante o verão, vi o filho dela e ela própria andando rapidamente pelas áreas do condomínio, mas barriga, bebê, choro ou carrinho...necastipitibiriba. Minha curiosidade me levou ao ponto de cometer a pequena indelicadeza de especular com conhecidos. Mas, ninguém sabia dela, onde morava, quem era. Parecia que eu, grávida louca, tinha inventado essa história toda.

No entanto, esta semana, já em abril, eu vi, bem de longe, a tal mulher, uma morena, de cabelos lisos na altura do ombro, empurrando um carrinho de bebê. Eu sabia que não era uma alucinação, que ela tinha estado grávida lá por outubro e novembro do ano passado.

Neste mesmo dia fez um final de tarde bem quente e eu fiquei esperando a Anita voltar da escola embaixo do prédio, conversando com outras mães e babás. De repente, adivinha quem surge com uma menininha de 4 meses? Ela e sua mãe, uma senhora de uns 70 anos que é a verdadeira moradora do prédio. Agora entendi tudo, ela mora num outro condomínio aqui perto, teve a Alice um pouco antes da hora e nunca apareceu por aqui com a bebê porque os pais, um casal de jovens idosos, a exemplo de muitos outros casais da capital, passou o verão todo na praia.

As vezes que a vi no verão, deviam ser porque o filho tem amigos no prédio, que é um antro de crianças, e ela veio rapidamente trazê-lo ou buscá-lo na casa de alguém. Mas, enfim, fiquei bem aliviada de saber que está tudo bem porque eu odeio casos de grávidas que perdem os bebês, principalmente as que já estão bem no final.

O sexo da segunda gestação

31 de março de 2012 Comentários desativados

Existe um modelo de excelência de gênero na sociedade para quem tem dois filhos: o primeiro deve ser um menino (um herdeiro!) e a segunda, uma menina.

Qualquer desviozinho deste padrão é visto pela sociedade como uma certa incompetência do casal ou da mãe, sempre ela. A variação uma menina e depois um menino fica com a segunda colocação no ranking das vontades alheias.

Quando eu engravidei, 100% das pessoas tinha "certeza" de que agora viria um gurizinho, bem danado, para me dar muito trabalho. Talvez, aos olhos dos outros, a Anita não me exija tanto, ou o suficiente. Ouvi muito "Agora você vai ver só". Uma coisa é fato: a Anita é uma criança educada e só os pais sabem o trabalho que dá para se ter um filho que aos olhos dos demais parece não dar trabalho.

Demorou pra eu ver o sexo da Aurora, se não me engano, já estava com quase vinte semanas. Em momento algum eu quis ter um menino, tanto que eu nem havia escolhido nome para esta possibilidade. Eu queria porque queria outra menina. Gosto de ser mãe de menina (e possivelmente também gostaria de ter um menino), adoro tudo relacionado ao universo feminino. E não deveria, uma vez que sou, eu própria, uma mulher?!

Muitas pessoas ficaram decepcionadas e até hoje escuto diariamente coisas como "vai seguir tentando um gurizinho?" ou "mas esse teu marido não sabe fazer um macho". Não que eu me ofenda, mas  - é sério - o que os outros têm a ver com o gênero das minhas bebês?

Hoje recebi a notícia de uma amiga, mãe de menino, também grávida, que terá outro menino. Ela estava digerindo a história, sabia desde quinta e hoje ía fazer a divulgação oficial, naqueles emails spams que costumamos escrever para dar estas notícias. No hospital, ouviu de tudo: "Ah, que azar, outro guri", "Puxa, sinto muito" e por aí vai.

Eu não tive irmã e a possibilidade de dar uma irmã para a Anita, assim como da J. dar um irmão para o seu pequeno J. me parece fantástica e quer saber, pouco nos importamos com o que os outros acham, mas que é chato ouvir os comentários, isso é.

Vou ficando por aqui, porque tenho um chá de fraldas agora, de uma amiga, que contraria mais ainda as expectativas sociais e está grávida da terceira menina.

Sétimo mês e meio

19 de março de 2012 Comentários desativados

Faz um tempinho que não conto minhas agruras gravídicas aqui, então, vamos lá. Estou com 30 semanas o que me coloca num grupo que a) não pode viajar de avião no Brasil sem autorização, pra fora nem pensar b) pode parir a qualquer momento c) é cobrado para fazer chá de fralda constantemente.

Não que eu seja do contra, mas, adivinha? Só agora me dei conta que não comprei nem um paninho de boca e que deveria ter aproveitado um mega ofertão de passagem num site de compra coletiva ou trocado umas milhas pra comprar tudo fora por décimos do valor cobrado na terrinha. Quanto à indústria nacional... não to nem aí, tudo hj é feito na China mesmo :/

A ficha de que eu realmente tinha que arrumar as coisas da bebê só caiu no dia que a médica perguntou, com o intuito de apenas constatar, se eu já estava com tudo pronto. E eu não estava há duas semanas e ainda não estou. No momento, minha mãe já reuniu mil coisas da família em Curitiba, um berço acampamento inclusive e uma vizinha me doou um bebê conforto. Também já compramos o carrinho em Londres (pela internet) e uma amigona vai me trazer. Eu sou fresca com relação a carrinho, admito. Sempre quero o mais moderno, legal e aerodinâmico porque eu uso muito, sou a rainha de passear com baby.

Um objeto muito legal que o Marcos achou na internet são as novas banheiras, que imitam um útero. Um balde, na verdade. Ocupam pouco espaço e deixam os bebês super felizes. Pelo menos é o que vemos nos vídeos. Já tá na wishlist.

Tirando essas preocupações com o 'enxoval', eu estou bem. Como pra engordar e vivo uma vida quase normal. Às vezes, tenho umas dores na barriga e deito, mas acho que é normal. O fato do calorão estar diminuindo também ajuda muito a vida das grávidas, em geral.

A única coisa que vinha me preocupando/irritando era o tal do chá. Aí, parei e pensei - eu não gosto dessas liturgias, dessas festinhas bobas, gasto uma grana gigante pra fazer, me canso horrores - e decidi NÃO FAZER. Pronto, fiquei bem mais feliz. E a Aurora também, até deu uns chutinhos de 'é isso aí, mãe'.

Atualizações

26 de janeiro de 2012 Comentários desativados

Há algum tempo não tenho escrito sobre a minha vida aqui. Estou me dedicando mais à leitura e tentando, com muita dificuldade, escrever contos e roteiros. É um parto normal, com todas as complicações possíveis. Às vezes, publico alguma coisa (vide posts anteriores). Tenho pelo menos uns dez inacabados ou impublicáveis. Não é fácil.

Mas, vamos lá, algumas trivialidades da minha vida:

* Estou entrando na vigésima terceira semana, no meio do segundo trimestre. Sim, a gestação é como o atual calendário escolar do ensino fundamental, dividida em módulos de 3 meses.

* Não tenho enjoos, sono, pesadelos nem desejos estranhos. Mas, como a barriga de fato está crescendo, uma mudança no guarda-roupa faz-se urgente. Esta noite sonhei que eu tava na Renner, provando vários vestidos.

* Engordei um pouco e consegui voltar para o que eu pesava antes de engravidar. A Aurora me chuta o tempo todo. A Anita, coitada, ficava tão esmagada na minha micro barriga que nem tinha espaço pra se mexer. Imagino que a Aurora vai ser aquele tipo de criança que as pessoas pensam: meu deus, que criança agitada, tem que botar essa guria fazer um esporte!

* Eu andava meio triste com a Anita. A forma germânica com que lidava com a chegada da Aurora me agredia, de alguma maneira. Alternava momentos de indiferença com outros de planos para não ser legal com a irmãzinha. Felizmente está mudando. Há dias começou a brincar de bonecas, aquelas que falam, mamam, choram e dizem 'te amo, mamãe'. Agora mesmo, acabou de descer com uma delas num carrinho. Antes, perguntou: "Vou poder levar a Aurorinha pra passear?". Ela tem uma amiga aqui no prédio, a Duda, cuja mãe também está grávida. Tem sido interessante observá-las brincando de boneca e conversando. "Onde vai ficar o berço na tua casa?", ouvi uma tarde dessas.

* Eu e a Maria estamos promovendo outro curso aqui em Porto Alegre, desta vez de monitoramento de tendências. Está tendo muita procura, vai ser ótimo. A Maria finalmente está se mudando pra cá, o que me deixa feliz também, porque além de trabalharmos juntas, somos muito amigas. E, como temos a mesma idade e filhos, nossos problemas também coincidem. Por que, hein, que a vida tem que ser assim, recheada de sombras?

* O calor dessa semana, escaldante diga-se de passagem, me fez sentir saudades do frio. É sério, e isso que eu odeio o frio, profundamente. Quando a Aurora nascer vai estar frio. Bem frio, no fim de maio. Às vezes, fico horas pensando no verdadeiro ninho que esta casa vai se tornar quando ela chegar. Um ninho bem quentinho e aconchegante.

Licenças de grávida

05 de dezembro de 2011 Comentários desativados

A Anita faz piadinhas (de quem será que ela herdou esta verve cômica?) o tempo todo sobre a minha condição. Na verdade não é sobre eu estar grávida, mas sobre as coisas que eu falo que vou fazer ou deixar de fazer por causa da gestação.

Por exemplo, se eu quero dormir às 20 hs, deito e pronto. E durmo profundamente. Se como um quilo de pêssegos por dia, idem. Imagino que para eles deve ser meio chato conviver com uma pessoa que de uma hora pra outra odeia sushi e vive com vontades estranhas, mas faz parte do pacote.

Eu não sou do tipo sentimental e tenho até uma teoria que a gravidez me preenche de tal maneira que nunca me sinto sozinha, mas um dia desses, confesso, chorei de soluçar vendo um comercial. Sim, foi o de Natal do Zaffari. O mais curioso é que eu nunca passei por aquela situação, não me identifico nem um pouco, mas abri um berreiro mesmo assim.

Essa semana eu e a Maria fizemos um curso de pesquisa aqui em Porto Alegre. Foi muito legal, surpreendente mesmo. Já estamos até tramando o próximo. Então, todas as noites eu cheguei hiper tarde em casa. No sábado eu só tinha uma programação (além do pilates, que acordei não sei como pra ir, e da feirinha orgânica): DORMIR.

Mas, eis que a Anita queria ver a Lívia, sua melhor amiga, que passou a semana toda de molho e vomitando.  Eu estava levemente resfriada e tive uma atitude meio egoísta, na opinião da Anita. Não quis que a Lívia viesse aqui, fiquei com medo de pegar sua virose.

Também ando evitando eventos de fim de ano. Ou seja, to pagando de chata mesmo. Mas, o que eu vou fazer se não me sinto disposta? Depois, quem vai ficar cansada, com dores no corpo e contraçõezinhas na barriga sou eu e não quem me acusa de anti-social.