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Posts com a tag "morte"

Uma casa portal

11 de abril de 2012 Comentários desativados

Quem construiu aquela casa eu não sei, mas se tiver que enumerar a quantidade de defunto que passou pelo endereço nos últimos anos, eu sento e faço a conta.

Morei lá três anos. Foi onde minha mãe morreu, dormindo, plácida. A velha se foi não fazia nem 4 meses que a gente tava no imóvel. Eu gostava pacas da casa em si, até via uns vultos passando pra cá e pra lá de vez em quando. Mas, na boa, quem não enxerga essas coisas?

Tive que sair porque o cara que me "vendeu" era um baita dum picareta e nunca desenrolou a papelada. Ele comprou o imóvel a preço de banana de uns fodidos que herdaram a casa e sequer tinham como fazer a partilha. Quer dizer, um corretor fez a malandragem de botar a casa na mão desse cara que me vendeu, mas nunca me entregou os papeis. Então, tive que desfazer o negócio e desocupá-la. Não foi por outro motivo que cai fora dali.

Acontece que a dona Célia, um funcionária aposentada que ainda é vizinha de muro, me contou umas histórias de arrepiar os cabelos. O lance é meio 'pague para entrar e saia com vida se tiver sorte'.

Há muito tempo um casal de velhinhos morava lá, passados dos 80, os dois. Um dia, o homem baixou no hospital, com derrame e o escambau. Do leito pro caixão, deixou a velhinha viúva. Não passou um trimestre e ela se foi, encontrar o marido sabe deus onde. A causa da morte dela ninguém conseguiu apurar. Parou de atender telefone, abrir janela e porta. Foram ver, tava na cama, dura e já meio podre.

Aí que entra o picareta na história. Ele 'comprou' a casa dos herdeiros que não tinham a grana pra fazer a papelada e passou a alugá-la. O primeiro morador era um cara duns 50 anos. Viveu o suficiente para pintar as paredes. Em pouco mais de dois meses, foi encontrado morto na cozinha.

Depois se mudou um casal, recém-casado. O cara, meio japa, de uma hora pra outra, deu pra beber e usar droga. Muita droga. Perdeu o emprego e a patroa, que farejou a encrenca e se mandou. O malandro acabou tendo que sair dali. Se ficaram 4 meses foi muito.

Então veio Adélia, bruxa velha, com quem cheguei a falar no telefone. Adélia parou 10 anos  e neste tempo muito sangue correu naquela cozinha enoooorme. Era lá que fazia seus sacrifícios, em sua maioria cordeiros e galinhas pretas. Na área de serviço rolavam os despachos e na garagem, as reuniões. Gente fina, a Adélia. Me contou dos batuques na maior tranquilidade.

- O que, tu morou três anos lá e nunca te aconteceu nada? Tu deve ser muito do bem pra não incomodar o 'pessoal'.

Devo ser mesmo. Depois de Adélia, que se mudou pra parar de pagar aluguel, entrei eu. O louco é que quando eu fui ver a casa, eu só tava acompanhando uma amiga. Eu nem coagitava sair do meu apê, que eu tinha acabado de quitar o financiamento, ali na Tinga mesmo. Mas, foi eu entrar lá, me bateu uma parada tão boa, como se lá fosse o meu lugar, como se a vida toda eu tivesse morado naquela casa. Pra completar, a Lídia, minha amiga, não só propôs como insistiu muito pra eu vender meu apartamento pra ela e dar um lance na casa. E eu topei.

Tirando a morte da minha mãe, nada fora da curva me acometeu naquela época. Soube depois, pela Célia, a vizinha, que o moradores que me sucederam não tiveram tal sorte. Em um ano, já rodaram três inquilinos e mais dois defuntos, mas isso é assunto pra um outro dia.

Entre trakinas e defuntos

19 de janeiro de 2012 Comentários desativados

Minha mãe morreu dormindo. Passei em sua casa à noite, conversamos sobre a novela, sobre como minha irmã é chata e ela me disse que não sentia mais falta do meu pai, que morrera há dois anos num acidente de lotação.

Já era tarde. Ela tomou seu chá de jasmim e avisou que ía se deitar. Que remédio, fui pra casa. Bem tranquilo, é verdade. Depois até dei umas voltas com um chapa, queimei um na volta e dormi com os anjos.

No dia seguinte, aquele furdúncio. Acordei com a tia Clementina avisando que mamãe simplesmente não acordara no dia 12 de janeiro de 2005. Antes mesmo que eu chegasse, minha irmã, sempre ela, sempre mandona, já havia chamado a polícia, que havia removido o corpo.

Fiquei encarregado de ir ao IML fazer a identificação. Essas coisas mórbidas não me metem medo, saca? Mas também não vou dizer que gosto, como o camarada que conheci lá no necrotério.

Mal me identifiquei e o sujeito que nunca tinha me visto, mandou essa: - Tens tempo? Chega aí, vamos procurar a tua velha.

Tempo, tempo, eu não tinha muito não. Mas, era pra isso -procurar a minha velha- que eu tinha ido lá. Ele me chamou de canto, com um ar de quem pede permissão: - Tu te importa de dar uma olhada nesse pessoal aqui? disse, apontando pra uns dez corpos que jaziam em cima de macas.

Enquanto isso, o cara matava um pacote de bolacha recheada de morango, como se estivesse num pique-nique. Obviamente localizei minha mãe de primeira. Dormia plácida. Queira o bom deus que eu tenha o mesmo fim. Estava com 77 e o coração dava sinais de que não ía longe. Morrer assim, sem perder a dignidade, sem dar trabalho aos outros, é um presente divino. Só pode ser.

Em compensação, logo ao seu lado, estava uma mulher toda retalhada, com a pior cara de pânico que alguém pode ter. Os olhos saltavam das órbitas, a boca lembrava a de um cachorro rosnando e os braços, dobrados em frente ao corpo, demostravam que ela tentara se defender.

- O que houve com essa aqui? perguntei ao cara.
- Morreu com 32 facadas. Foi o jardineiro.
- Ele está preso?
- Ã-hã. Disse que fez isso pelos 32 anos que ela o maltratou.
- Puxa
.

Depois daquela, os sem-braços, sem-pernas e sem-cabeças me pareceram tão felizes na outra galáxia quanto a pobre da minha mãe.

- Vai uma bolachinha aí?

Histórias urbanas (nojentas)

30 de janeiro de 2011 Comentários desativados


[Se você tem estômago fraco, não leia este post]

Há meses ouvi estas bizarrices, mas, na época, não havia tempo nem disposição para escrevê-las. Conheci uma menina que tinha uma amiga que estava com feridas na boca. Eram aftas profundas que nunca se curavam. A guria pulava de dentista em dentista e ninguém resolvia. Até que certo dia, um periodontista teve uma suspeita sinistra e encomendou-lhe uma série de exames.

O resultado confirmou o que ele temia: as crateras incuráveis na boca da pobre paciente eram resultado de uma bactéria muito rara, que só é em encontrada em, em, em CADÁVERES! O diagnóstico era preciso pela exclusividade do caso. A mocinha deveria estar saindo alguém que transava com gente morta. A menina, uma gauchinha do interior, perguntada sobre sua vida sexual, confessou que ficava, de vez em quando, com um cara meio estranho.

O médico pegou leve e foi explicando a situação paulatinamente. Ela, apavorada, assentiu em contactarem a polícia. Operação armada, invadiram a casa do rapaz e, adivinha só, o freezer estava povoado. Moravam naquela casa, o rapaz e mais duas mulheres, estas conservadas a - 10° C mas, ainda assim, com este frio todo, com um vida sexual ativíssima. Ele, o maluco, foi preso, os cadáveres enterrados e a garota voltou para sua cidade. Em tempo, isso aconteceu em Porto Alegre, no ano de 2009, a menina morava na Cidade Baixa, estava com uns vinte e poucos anos e eu não sei mais detalhes.

O outro causo é tão nojento quanto, por isso, se você ficou chocado (a) com este, é melhor parar por aqui. Infelizmente essas histórias não são lendas urbanas, aconteceram mesmo. A irmã de uma amiga minha mora no interior. Recentemente, a melhor amiga dela separou-se e veio morar na capital. Nova, bonitona e cheia do ouro. Conheceu um cara todo garboso e passou a sair com ele. Certa noite, após o roteiro completo dos hot dates - jantar, barzinho e sexo - pernoitaram em um conhecido hotel da cidade. Bem perto da minha casa, aliás, avisto o estabelecimento da janela do quarto diariamente, entre pores-do-sol e navios que atravessam o famoso rio.

Tudo estava ótimo, a noite tinha sido incrível. Fulana mal podia acreditar. Que bem tinha feito a si mesma de se separar do brucutu que vivia na zona! Isso sim era vida. Eis que o príncipe honorário acorda. Enche-lhe de beijos e vai ao banheiro. Leva junto uma bandeja. - Estranho - pensou. Na volta, uma surpresa: um baita cocô repousava no utensílio. Ops! Muda a trilha, escurece a imagem e o romance filme vira de terror. Sim, ele pediu a ela que comesse a "obra", enquanto se masturbava. Não sei como ela lidou com isso, mas certamente ficou bem mal.

A morte

22 de janeiro de 2011 Comentários desativados


Ontem à noite recebi a seguinte mensagem: Amiga, a qualquer momento minha mãe se vai... Reza por ela... Bjs. Mesmo não sendo adepta de orações, mentalizei a mãe dela bem feliz em outro lugar, tão bonito quanto as casas que ela projetava.

A mãe da V. está com câncer na cabeça. O tumor é do pior tipo possível e havia desaparecido, mas ressurgiu com força total. Nós tínhamos até combinado de irmos juntas ao show da Amy, pois a sua mãe era muito moderninha, pintava uns quadros pra lá de loucos, muito surreais, estava sempre rindo e contando peripécias dos netos.

Por mais incrível que a a vida da E., mãe da V., fosse - repleta de viagens legais, exercícios diários, uma carreira bem sucedida, alimentos orgânicos e uma família bem estruturada e feliz -  foi abreviada. Afinal, hoje em dia o padrão é viver além dos 80 anos.

Há alguns anos ela e o marido tiravam 3 meses por ano para viajar para um país e aprender a sua língua. Bem me lembro da última vez que conversamos, no Café Luna Laguna, no centrinho da Lagoa, ela me contou que havia comido exageradamente e tomado tanto vinho em seu período sabático em Paris que engordara um monte e não havia caminhada nem corrida que resolvesse o problema.

Mesmo curtindo a vida da melhor forma possível, ela ficou doente. Ao meu redor, vejo muita gente da minha idade com problemas de saúde também. Minha geração, que está com 30 agora, engole muitos sapos, que se transformam em tumores. Duas grandes amigas tiraram a tireóide nos últimos meses. Eu também monitoro alguns cistos próximos à glândula. Cada sapo que desce goela abaixo, é bem lá que sinto a dor_ me esganando. E olha que, às vezes, eles são gigantes.

A vida é tão imprevisível que, com certeza, não vale a pena a gente fazer coisas que nos deixam doentes e/ou conviver com pessoas que a intuição aconselha evitar. A maior ironia da existência é que as pessoas que devemos evitar são justamente as que menos adoecem e mais causam mal aos outros.

Definitivamente a mãe da V. era muito do bem, e por isso, acredito que ela vá para algum lugar muito especial em outro plano. E, se não for, ao menos foi muito feliz em vida e isso já é grande coisa, é o que devemos buscar a cada instante, já que não fazemos a menor ideia de quão próximo nosso fim está.


Incidentes mortais

27 de dezembro de 2009 1

Sabe esse papinho de que pra morrer basta estar vivo? Senti na pele isso ontem, por um motivo relativamente simples. Torci o pé. No supermercado Condor, em Curitiba. Escolhendo salsichas. Escorreguei numa verdura mole, provavelmente um brocólis.

A dor foi tão lancinante que (I) eu fiquei tonta, (II) me apoiei numas bananas penduradas, (III) me pendurei no meu marido que veio me socorrer, (IV) declamei a clássica Acho que vou desmai... e (V) apaguei. Acordei após sonhos relâmpagos com personagens frescos do filme Avatar, que eu tinha acabado de assisitir por 3 horas num cinema Imax, legal, o cinema, não o filme.

Vários funcionários perguntavam se eu queria que chamassem a ECO-SALVA e eu pensei: eu quero é a minha mãe. Nada mais adequado, afinal, eu estava na casa dela, de onde sai há 11 anos. Me botaram numa cadeira de rodas e lá fui eu, com o tornozelo parecendo um ovo de avestruz para o sofazão da casa de mami.

Eu sei que soa meio retardado falar isso, mas - nessas horas - quando a gente está toda esgualepada, nada como uma cadeira de rodas pra nos transportar. Lembro de uma vez, eu de pé quebrado, todo mal enfaixado, num Hospital em São Paulo. Quando me botaram numa cadeira de rodas, me senti gente; vida de saci não é fácil.

Meu pai, que é médico, hipocondríaco e pessimista de carteirinha ficou todo encanado. Meu avô era uma velhinho bem serelepe, até o dia em que foi atropelado. Daí em diante, ficou cheio de problemas e teve uma morte bem sofrida.

Uma colega de ioga (ok, yôga) dos meus pais desceu na frente do carrinho do super na frente da esteira (acho que desse mesmo Condor, da Nilo Peçanha). O carrinho travou no final da esteira e caiu em cima dela. A mulher ficou toda fudida, nunca mais conseguiu fazer as asanas direito.

- Isso foi em 2005.

- E aí, como ela está agora?

- Morta.

Sangue na piscina

18 de novembro de 2009 4

A velha que me emprestou arroz um dia, me cobrou no dia seguinte e passou a me xingar aos quatro ventos, voltou. De onde, não sei, da puta que pariu que não foi porque a velha é tão velha e coroca que certamente já enterrou a genitora.

Estava eu, récem-chegada do salão, bela e faceira na piscina, com minha amiga Carolina Reque e duas crianças (Anita e Solano) passando protetor quando vejo aquela figura grisalha, com corte masculino de cabelo, roupas germânicas e a cara de bruxa mesquinha caminhando nas lajotas.

Ignorei. Ela se aproximou de um grupo - o das loiras peruas que tomam sol de manhã o verão todo com suas barrigas lipoaspiradas, peitos de silicone e histórias sobre cruzeiros. Eu gosto das loiras, não são as minhas melhores amigas, mas são divertidas e acham graça na Anita, o que colabora muito na nutrição de minha simpatia por elas.

Entre eu e a Carol e as loiras havia uma distância de uns 4 metros. Dei às costas e tentava aproveitar aquela minúscula fração de sol e descanso num dia que tinha muito trabalho pela frente. De repente escuto: É uma louca varrida! Uma cara de pau! Virei e a psicopata fazia gestos com a mão mostrando um suposto copo de arroz do tamanho de um galão de 25 litros de água e contado a SUA versão esquizofrência da história.

Primeiro foram as bochechas que se enrusbeceram, depois senti minhas têmporas se comprimirem e em seguida meu corpo inteiro ficou em fúria. Estou de TPM e isso catalizou o processo. Sem muito pensar, levantei, ajeitei o biquini e andei em sua direção. As crianças me seguiram. Com uma louca dessa não dá pra conversar, pensei. Parti logo para o ataque. Um chutão na barriga e a velha já estava na água, se debatendo na piscina funda.

Mergulhei para terminar o serviço. As crianças batiam palmas e gritavam. Puxei os cabelos, soqueei os dentes. Quebrei uma unha, droga! A velha me chutou e tentou me afogar, mas com 40 anos a menos e uns 20 centímetros a mais não me mixei perante a ensaguentada criatura. Para finalizar o serviço, esganei-a até ver que ela não estava mais respirando.

Sai da piscina triunfante. Um pouco descabelada, mas me senti uma heroína. Os gritos tinham atraído uma pequena multidão que me ovacionava.

-Dona Ana, preciso falar com a senhora. Disse o síndico.

Lá vem bomba, pensei.

- Em nome do condomínio Los Árbols, eu te agradeço por nos livrar dessa erva daninha. A senhora está isenta da taxa de condomínio por um ano pelos serviços prestados à comunidade.

Para entender este post leia Uma inimiga no elevador.

A morte da professora

06 de novembro de 2009 3

Na semana passada, quando eu estava em Florianópolis, uma ex-professora minha do mestrado se matou. Se jogou no Shopping Iguatemi. Aliás, dizem que é o sétimo óbito naquele templo do consumo (hahaha, essa é pra ti, Cedola!), inaugurado há pouco mais de um ano. Dois pedreiros morreram na construção, uma mulher foi assassinada num salão pelo ex-marido, que se matou em seguida e os demais foram suicidas que pularam no vão central, acredito eu. Essas histórias são meio tabus, então não consegui apurar muito os fatos.

Eu passei por este shopping naquele dia, voltando da Lagoa, dando um tempo para ir para Coqueiros. Pra quem não sabe, a travessia das pontes Pedro Ivo e Colombo Salles é altamente desaconselhável das 16h30 às 20h em função dos milhares de carros. Naquela noite, troquei um sapato (que havia comprado em POA, uns 3 números maiores) pra Anita e tomei vários choppes com minha sogra no Quiosque da Brahma (quase em frente ao salão do crime passional do primeiro parágrafo, ui!). Lembro vagamente de alguém comentar que uma mulher havia se matado lá, naquela tarde.

Uma semana depois fiquei sabendo que a tal suicida era minha conhecida. Meu nome até aparece no lattes dela. Conversei com algumas amigas da UFSC e notei o quanto esta morte impactou na vida de todos que de alguma forma a conheciam.

A carreira bem sucedida, o casamento e a filha poderiam causar inveja aos muitos que cobiçam uma vida aparentemente perfeita. Mas, como nem tudo são flores, ela tinha lá seus problemas. É uma pena que não tenha redirecionado sua vida ao invés de ir se afundando cada vez mais em tristeza. Poderia ter sido diferente? Agora é tarde para saber.

Mas, para nós, que ainda estamos aqui, ficou uma lição. Sucesso profissional não é tudo, casamento tem que ser bom senão é melhor terminar e viver longe de sua cultura, isso tem um preço (ela era francesa) e deve ser sempre repensado. Eu, como não tenho religião, acredito sim que a professora merece ser bem feliz onde quer que ela esteja agora.

A morte e a culpa

02 de março de 2009 2

Por Ana E

Hoje uma ex-vizinha me ligou para comentar que a sogra tinha morrido. Por sogra entenda-se uma velhinha de quase cem anos que vivia numa cadeira de rodas, numa casa geriátrica e que gemia o dia todo, às vezes bem alto. Dava pra ouvir da rua. O asilo era colado ao prédio em que morávamos.

Não sei o nome dela, mas a mãe do seu Cabeda, um coronel aposentado casado com Vera, uma carioca muito gente fina, tinha Alzheimer num grau elevadíssimo. Na semana passada, liguei pro seu Cabeda para saber se havia chegado algum telegrama para mim.

Passei num concurso da Petrobrás há 3 anos e já deviam ter me chamado, segundo o site. Mas, como me mudei duas vezes neste ínterim, não recebi nada. Ele comentou comigo, bem preocupado que sua mãe estava com pneumonia, internada.

Céus, pneumonia em pleno verão é coisa séria. Não deu outra, a velhinha se foi. Finalmente, na verdade. O que eu acho mais louco nessas situações é que as pessoas/parentes ficam num misto de alívio e culpa.

Quando meu avô materno morreu, no ano retrasado, após mais de um mês na UTI, todo entubado, minha mãe não se conformava. Coitada, estava um bagaço, visitava ele duas vezes por dia. Era muito deprimente. Eu acho que quando as pessoas ficam velhas, o melhor que temos a fazer é deixá-las morrer, não entupir de remédios, tubos e sondas.

O grande lance me parece dar atenção necessária aos nossos genitores e progenitores enquanto eles ainda estão bem, curtindo a vida dentro das limitações de cada idade. Tenho certeza que quem faz isso sente bem menos culpa quando os velhinhos morrem. Porque, ausência de culpa, nessa sociedade católica em que vivemos é mera utopia.