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Posts com a tag "mulheres"

Casas de mulheres e casas de homens

17 de abril de 2012 Comentários desativados

Minha mãe vive num mundo muito masculino. Mora com o meu pai, tem um único irmão, seu pai viveu dez anos a mais que a sua mãe e meus dois irmãos moram próximos a ela. Não tem irmãs, amigas confidentes e poucas de suas conversas comigo estão fora do radar do meu pai. Durante os vinte anos que compartilhei com ela este habitus, eu sentia muita falta de mais cumplicidade feminina nos ambientes familiares. Talvez por isso tenha saído de casa tão cedo.

Como consequência desse fato, ela não é muito vaidosa (eu tampouco sou), tem uma autoestima bem boa, não se intromete na vida de ninguém, ainda que se preocupe horrores, e fica muito cansada com as reuniões familiares que ocorrem na sua casa. Jesus, to virando ela todinha nos últimos tempos.

Todo mundo quer vê-la, quer conversar com ela, quer estar perto, mas ninguém está a fim de ajudar, de dividir as tarefas de verdade, de entender o lado dela. As relações ao seu redor são sempre unilaterais, ela dificilmente tem alguma contrapartida, para não entrar em outros méritos.

Nas casas onde há diversas mulheres, a situação é exatamente oposta, geralmente. Todo mundo ajudando, mais harmonia, mais gargalhadas e alegria. Entenda, isso não é um manisfesto anti-homem, só estou analisando alguns núcleos familiares com os quais convivo.

Alguns homens reclamam da 'papagaiada' que rola numa casa cheia de mulheres,  o meu inclusive fazia piadas e se queixava quando eu juntava mais mulheres aqui, ou quando sua mãe vinha nos visitar. Um dia desses, me veio um lâmpejo de  luz e quando ele chegou do trabalho, num sábado de manhã, eu lhe propus o seguinte exercício: - Imagina se cada mulher aqui fosse um homem. A tua mãe fosse um velho de muletas, eu fosse um amigo teu, ou primo, e a Anita fosse um gurizinho de 7 anos. Você ía entrar em casa agora e o clima que ía encontrar certamente seria bem diferente, não acha? E, seria melhor, na tua opinião? Ele parou, pensou e nunca mais reclamou dos nosso hábitos.

Minha vizinha T. comentou que a sua filha fez cartazes designando banheiros diferentes para os homens e as mulheres da casa. E ainda lançou uma questão filosófica na roda: - Já pensou como seriam as casas se os homens menstruassem? Prefiro nem pensar.

Pra encerrar, na semana passada, em um curso que estávamos dando, pedimos para os alunos levarem fotos de sua família para se apresentarem, uma vez que pretendíamos fazer uma análise apoiada na Sociologia Biográfica. Entre todos os casos, o que mais me chamou a atenção foi o de uma menina, que trouxe uma foto com sete mulheres de diversas idades, todas elas super bem arrumadas e lindas.

Ela nos contou, rapidamente, que sua avó havia se separado, bem como a mãe e que morava com mais duas ou três tias, mães solteiras, numa grande casa só de mulheres. Como fora a primeira neta a nascer, cresceu cercada de muitos muitos mimos mesmo. Eu achei interessantíssimo e fiquei com muita vontade de conversar mais com ela para conhecer melhor sua história.

As putas tristes

16 de agosto de 2011 Comentários desativados

Canso de ouvir as mulheres comentando que têm curiosidade em conhecer os puteiros da cidade, especialmente a tal Tia Carmen e o Gruta Azul. Eu definitivamente tenho vontade zero, mas eu não sou parâmetro, minha libido está a anos-luz de distância disso.

No sábado uma amiga minha, hoje separada, contou que há muitos anos, quando ainda era a Sra B. saciou sua grande vontade de conhecer o tão comentado Gruta Azul. É um clichê gaudério. Sempre que vou a um espetáculo de teatro, todo artista querendo ser engraçadinho faz a velha piadinha sobre o estabelecimento, que não tem graça nenhuma, aliás. A casa também é citada por pessoas que adoram falar mal de gente bonita que faz sucesso. "Sabe a fulana? Fazia programa no Gruta Azul!"

O que minha amiga contou só corroborou com a ideia que eu já fazia do assunto. Sabe o que tem lá? Mulheres cansadas, longe de estarem na melhor forma, com o semblante triste por ter deixado o filho com vizinha, por não ter dinheiro para pagar a kombi ou por ter a noção exata de que estar ali, seminua dançando para um monte de babaca (muitos deles casados com mulheres incríveis) é uma ignonímia.

Ela disse que viu uma mulher dançar nua - toda rebolativa, com mil olhos na sua bunda e nenhum no seu rosto - um tempão num palco e sair fora. Depois viu a mesma mulher lá fora, com uma mochilinha nas costas, indo pro ponto de ônibus. Qual a graça disso, sério? Acho bem deprimente na real.

Histórias urbanas (nojentas)

30 de janeiro de 2011 Comentários desativados


[Se você tem estômago fraco, não leia este post]

Há meses ouvi estas bizarrices, mas, na época, não havia tempo nem disposição para escrevê-las. Conheci uma menina que tinha uma amiga que estava com feridas na boca. Eram aftas profundas que nunca se curavam. A guria pulava de dentista em dentista e ninguém resolvia. Até que certo dia, um periodontista teve uma suspeita sinistra e encomendou-lhe uma série de exames.

O resultado confirmou o que ele temia: as crateras incuráveis na boca da pobre paciente eram resultado de uma bactéria muito rara, que só é em encontrada em, em, em CADÁVERES! O diagnóstico era preciso pela exclusividade do caso. A mocinha deveria estar saindo alguém que transava com gente morta. A menina, uma gauchinha do interior, perguntada sobre sua vida sexual, confessou que ficava, de vez em quando, com um cara meio estranho.

O médico pegou leve e foi explicando a situação paulatinamente. Ela, apavorada, assentiu em contactarem a polícia. Operação armada, invadiram a casa do rapaz e, adivinha só, o freezer estava povoado. Moravam naquela casa, o rapaz e mais duas mulheres, estas conservadas a - 10° C mas, ainda assim, com este frio todo, com um vida sexual ativíssima. Ele, o maluco, foi preso, os cadáveres enterrados e a garota voltou para sua cidade. Em tempo, isso aconteceu em Porto Alegre, no ano de 2009, a menina morava na Cidade Baixa, estava com uns vinte e poucos anos e eu não sei mais detalhes.

O outro causo é tão nojento quanto, por isso, se você ficou chocado (a) com este, é melhor parar por aqui. Infelizmente essas histórias não são lendas urbanas, aconteceram mesmo. A irmã de uma amiga minha mora no interior. Recentemente, a melhor amiga dela separou-se e veio morar na capital. Nova, bonitona e cheia do ouro. Conheceu um cara todo garboso e passou a sair com ele. Certa noite, após o roteiro completo dos hot dates - jantar, barzinho e sexo - pernoitaram em um conhecido hotel da cidade. Bem perto da minha casa, aliás, avisto o estabelecimento da janela do quarto diariamente, entre pores-do-sol e navios que atravessam o famoso rio.

Tudo estava ótimo, a noite tinha sido incrível. Fulana mal podia acreditar. Que bem tinha feito a si mesma de se separar do brucutu que vivia na zona! Isso sim era vida. Eis que o príncipe honorário acorda. Enche-lhe de beijos e vai ao banheiro. Leva junto uma bandeja. - Estranho - pensou. Na volta, uma surpresa: um baita cocô repousava no utensílio. Ops! Muda a trilha, escurece a imagem e o romance filme vira de terror. Sim, ele pediu a ela que comesse a "obra", enquanto se masturbava. Não sei como ela lidou com isso, mas certamente ficou bem mal.

Manifesto feminista

23 de outubro de 2010 Comentários desativados

As pessoas estão perdendo completamente a noção de respeito em sociedade e agindo de maneira muito pior que animais (estes, cada vez mais acuados e tímidos). Ops, começo a entender um pouco aqueles que preferem os seres de quatro patas.

Porto Alegre está recebendo a Cow Parade, uma exposição com 80 vacas pintadas por designers, espalhadas pela cidade. É bonito, é lúdico, alegra a vida da gente. No entanto, muitos de meus concidadãos pelo visto parecem não concordar comigo: na primeira semana, atearam fogo em algumas vacas, picharam outras tantas e teve até uma que foi roubada (ainda que devolvida depois).

Nessa semana tivemos mais um festival de baixarias públicas. Independente de eu gostar ou não dos candidatos à presidência fiquei horrorizada com as hostilizações que ambos receberam. Não podemos bater em ninguém, nem no mendigo da esquina, nem num (a) futuro (a) presidente (a). Um deles será nosso dirigente máximo, poxa vida, e ouso dizer quem não os respeita, só pode ser mentalmente regido ou pelo crack, ou por alguma entidade religiosa-financeira.

E os verdes, hein, resgatando os príncipios da TPF em pleno 2010? A Marina, à essa hora, deve estar tirando passaporte para ir aos EUA, dar as mãos à Sarah Palin em sua bizarra Tea Party Tour.

Pra que tanto conservadorismo? As mulheres perderam uma grande oportunidade de conquistarem o direito a vida, à escolha do seu destino quando ajudaram a jogar pás de areia em uma discussão urgente, que é a legalização do aborto. À respeito disso, encontrei um texto genial no blog da humanista Denise Arcoverde, do qual recortei um trecho:

Todo bebê é concebido por uma mulher em associação com um homem. Todo aborto é feito por uma mulher com a participação (e/ou omissão) de pelo menos um homem. Bebês abortados são utilizados para demonizar e inculcar toneladas de culpa nas mentes femininas – exclusivamente das mentes femininas, como se os homens não participassem da concepção e do nascimento, ou do aborto. O abominável homem das florestas demoniza o aborto, mas não é porque queira defender a vida – ele quer é atentar contra ela, por intermédio do controle dos corpos (e das mentes) das mulheres.

Os homens da cervejaria Brahma que gostam mais de cerveja e de futebol que de mulher são os homens que não assumem o pedaço de gente que injetam no corpo de “suas” mulheres – e preferem ir ao futebol com uma cervejinha na mão a acompanhá-las até a clínica clandestina de abortos. (Pedro Alexandre Sanches)

Ontem saí com umas amigas casadas e percebi o quanto elas andam inseguras. Na segunda-feira também conversei com outra amiga e vi que ela estava passando pela mesma situação. Na real este post era pra ser só sobre isso, mas acho que a exposição acima é relevante para entendermos PORQUE nós estamos ficando tão inseguras.

Minhas amigas - inseguras - não fizeram 30 anos ainda e são muito mais bonitas e novas que seus maridos. Mas, enquanto a mídia (e até as campanhas políticas) representam o homem como um ser evoluído, que não está nem aí para a mulher, que toma cerveja e fica rodeado de beldades; representa a mulher como frágil, que deve lutar contra o tempo e o envelhecimento, que precisa ser linda e dócil. Só que a mídia não avisa que todo este esforço será em vão, porque o seu macho está orientado para outras coisas (que mesmo? futebol, cerveja, piadinhas misóginas e por aí vai).

Com isso não estou dizendo que não devemos ser vaidosas, apenas devemos nos arrumar e planejar nossas vidas de forma a deixarnos felizes e não dependentes da opinião de um homem. Se existe uma fórmula para não viver insegura e dependente, acho que é esta. Nós somos maioria no mundo, nas empresas, em breve assumiremos os cargos mais importantes do mundo (dále, como diz Angélica Següi), no entanto continuamos nos comportando como Amélias e Bibianas. PRA QUÊ?

Vamos sorrir mais, encarar a vida numa boa, ser Poliana em doses homeopáticas não faz mal a ninguém, lutar pelos direitos, respeitar os outros e principalmente nós mesmas e os nossos corpos e abrir os olhos para não deixar que os reacionários decidam nosso futuro, senão daqui uns anos ainda vão querer suprimir nosso direito de voto.


A idade para casar

31 de agosto de 2009 7

Ana Emília Cardoso

Hoje recebi um convite da filha de um primo que é formada em medicina e vai se casar. Ela tem 25. Eu pensei: caramba, tão novinha e já vai c-a-s-a-r!

Aí me lembrei que também estava prestes a juntar os trapos com essa mesma idade. E também lembrei de várias teorias que eu tinha a respeito dessa época da vida.

Noto que as pessoas estão casando mais tarde. Conheço muita gente com mais de 30 solteira aqui em Porto Alegre. Ouço falar bastante sobre um suposto 'desespero' para casar das mulheres nessa faixa etária em oposição a um total comodismo masculino, principalmente da parte dos que moram com os pais.

Sempre acreditei (e essa deve ser a minha teoria #522) que um homem solteiro, que se gaba dessa situação, leva uma rasteira violenta da vida perto dos 50. Ser solteiro com 30 é o máximo de liberdade que a sociedade [machista] lhe outorga.

Com 40, o sujeito tende a insistir em uma vida com múltiplas possibilidades. Agora, quando vem os 50 e ele não tem mulher, não tem filho e a mamãe já não está mais tão disposta a mimar seu filhinho, ou está velhinha mesmo. Aí o cara só falta enterrar o Santo Antônio. Viram donzelos casamenteiros.

Outra teoria que eu nem sei mais se acredito, mas muito a propaguei por aí, é a dos casamentos aos 25. Quando as mulheres reclamam que não tem homem por aí, elas têm que se fazer a seguinte pergunta: com quem eu andava quando tinha meus 24 anos? Ou então, onde estão os homens de 24, 25 solteiros?

É, normalmente, nessa época que jovens adultos se encontram e constroem planos em comum, ou - instucionalmente - se casam. Os 25 são uma idade emblemática. É ali que você define como será sua vida adulta. Não que todo mundo vá casar com 25 anos, mas passa a encaminhar sua vida em um sentido ou outro.

Acredite, os melhores homens se casam nessa época. O que sobra são os galinhas, os que ninguém quer e os que nunca vão deixar o conforto de morar com os pais, não ter responsabilidade pela vida de outra pessoa que não si mesmo.

Pouco importa aqueles longos namoros da adolescência
. Todas as minhas amigas que estão solteiras hoje, da geração 77, eram as mais namoradeiras e românticas. Já as encalhadas (como eu) daquela época, estão todas aí, com seus filhotes.

E note, isso não significa nada. Ninguém está melhor do que ninguém em função disso. O bom mesmo é ter 25 anos_ deixar de ser velho junto aos de 20 e passar a a ser um adulto jovem. Melhor ainda é ter bastante discernimento e saber aproveitar essa fase.

E com trinta e poucos, o que a gente faz, hein?