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Posts com a tag "porto alegre"

Vaso ruim quebrado

15 de junho de 2012 Comentários desativados

Nunca te contei, mas depois que minha mãe largou meu pai, ele casou com uma mulher de boate e teve um filho. Esse meu irmão tinha 25 anos. Eu nunca me dei com ele. Nem com o meu pai, que morreu na rua, mendigo, com aids, ali perto do Gasômetro.

De madrugada ligaram lá pra casa pra avisar que o Ricardo, meu irmão, tinha sido encontrado morto e se a gente não pagasse R$ 1,5 mil ele ía ser enterrado como indigente, vala comum, aquelas coisas. Eu nem tchuns. Ele era 'pá viradinha', vendia droga, se gostava de algo, passava logo a mão.

Minha irmã mais nova se agilizou e conseguiu que ele fosse enterrado em Eldorado. Lá a prefeitura paga tudo, caixão, coveiro, o kit enterro básico. Ele tava pelado, com os braços amarrados pra trás, na margem de um arroio perto da Sertório, mas acho que apagaram ele na Restinga. Deram tanto tiro na cabeça que não sobrou nada em cima do pescoço.

Só identificaram pela tatuagem. Meu namorado ouviu dizer no ônibus, hoje de manhã, que quem matou ele foi o ex-marido da mulherzinha dele. Ela tem um guri desse outro cara e parece que meu irmão tinha queimado todo o guri com cigarro. Ah, quer saber, bem feito então. Não derramei uma lágrima, aliás, a última vez que chorei foi quando meu cachorro morreu.

Atropelados

18 de agosto de 2011 Comentários desativados

Nunca perdi ninguém próximo no trânsito. Mas, sempre ouço histórias de gente que é atropelada. Os velhinhos então, nem se fala, é um perigo deixá-los caminhar sozinhos pelas ruas das cidades grandes e, imagino eu, que das pequenas também.

Meu avô foi atropelado por um motoboy em Curitiba no começo dos anos zero e nunca se recuperou. Ficou com um coágulo na perna e a ameaça iminente de uma embolia. Familiares acreditam que foram o estresse e o nervosismo causado por aquele acidente que o levaram a desenvolver um tipo bem agressivo de câncer anos depois, que terminaria com sua vida. Apesar de achar que uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa, concordo que o corpo é um sistema complexo e interdependente e que uma mácula no dedinho do pé pode - de alguma forma - acarretar em problemas capilares sim.

Lembro também da sogra do meu ginecologista, um amigão do meu pai. Ela era bem velhinha e gostava de ir à igreja à noite sozinha. Certo final de semana, a família viajou para Atami, a praia onde têm casa no litoral paranaense, e quando voltaram, nada dela. Procuraram pelas delegacias e hospitais e descobriram que havia sido atropelada e estava morta. Triste assim.

Hoje em dia, as notícias ruins chegam voando. A polícia sempre encontra um celular e liga contando que o gato subiu no telhado. Ou então, alguém que tá passando na rua, acha o celular e liga, muitas vezes, sem qualquer tato. Vai direto ao assunto.

Conta uma amiga minha que uma conhecida dela esses dias atendeu o telefone e uma voz falou:
- Você conhece o fulaninho?
- Sim, sou tia dele.
- Olha, então é melhor tu vir agora aqui pra João Pessoa. Um ônibus atropelou ele e ele tá aqui, durinho e mortinho no chão.

Tinha 15 anos este guri.

Esta mesma amiga perdeu uma "comadre" na Azenha. A mulher desceu do ônibus, veio um carro e passou por cima dela. Deixou marido e dois filhos, que felizmente, estavam na escola na hora do ocorrido.

Mas, o que eu acho pior são as histórias de gente que atropela crianças nas estradas e foge. Sei de dois casos, de pessoas relativamente próximas, ambas ricas, com suas caminhonetes. Um deles atropelou e matou duas crianças pequenas e outro uma. Como é que estas criaturas dormem à noite?

Tendo em vista todas estas questões que têm me atormentado as ideias, estou ensinando a Anita a atravessar a rua. Já percebi que ela não tem qualquer noção e que nem cogita a hipótese de olhar para os dois lados antes de cruzar uma rua. Ontem não estava chovendo e eu dei a primeira aula, que ía ser prática, mas acabou sendo teórica, porque ela ficou com medo de atravessar sozinha, mesmo com as minhas orientações. Me senti um guardinha de trânsito, só faltou o apito.

Ser mãe é isso, a gente tem que encarar essas coisas. Infelizmente não vou estar sempre junto, em todas as ruas da vida, por isso, preciso ensiná-la a discernir as coisas, por si própria.

As putas tristes

16 de agosto de 2011 Comentários desativados

Canso de ouvir as mulheres comentando que têm curiosidade em conhecer os puteiros da cidade, especialmente a tal Tia Carmen e o Gruta Azul. Eu definitivamente tenho vontade zero, mas eu não sou parâmetro, minha libido está a anos-luz de distância disso.

No sábado uma amiga minha, hoje separada, contou que há muitos anos, quando ainda era a Sra B. saciou sua grande vontade de conhecer o tão comentado Gruta Azul. É um clichê gaudério. Sempre que vou a um espetáculo de teatro, todo artista querendo ser engraçadinho faz a velha piadinha sobre o estabelecimento, que não tem graça nenhuma, aliás. A casa também é citada por pessoas que adoram falar mal de gente bonita que faz sucesso. "Sabe a fulana? Fazia programa no Gruta Azul!"

O que minha amiga contou só corroborou com a ideia que eu já fazia do assunto. Sabe o que tem lá? Mulheres cansadas, longe de estarem na melhor forma, com o semblante triste por ter deixado o filho com vizinha, por não ter dinheiro para pagar a kombi ou por ter a noção exata de que estar ali, seminua dançando para um monte de babaca (muitos deles casados com mulheres incríveis) é uma ignonímia.

Ela disse que viu uma mulher dançar nua - toda rebolativa, com mil olhos na sua bunda e nenhum no seu rosto - um tempão num palco e sair fora. Depois viu a mesma mulher lá fora, com uma mochilinha nas costas, indo pro ponto de ônibus. Qual a graça disso, sério? Acho bem deprimente na real.

Dicas para lidar com o frio

01 de agosto de 2011 Comentários desativados

[Se você gosta do blog e tal, mas mora numa região quente, não perca seu tempo com o sofrimento alheio, a não ser que seja masoquista]

Venho atravessando invernos horríveis há tempo suficiente para chegar a estas pérolas da sabedoria:

1) Tomar a vacina da gripe é a grande pedida, mesmo que você tenha 18 anos e viva de barriga de fora. Eu já vivenciei uma gripe A e advirto: é uma merda gigantesca. Não corra o risco.

2) Ao contrário do que meus pais me ensinaram, não é bom deixar a janela do banheiro aberta enquanto tomamos aquele banho fervendo que cozinharia um Miojo com certeza. O bom mesmo é fazer uma sauninha, antes mesmo de entrar no banho. Limpa as vias áreas, dilata a queratina do cabelo, deixando-o ideal para a lavagem (em Santa Catarina: lavação) e fica bem mais agradável. Mas, atenção: quando já estiver vestida, abra bem as janelas e pendure as toalhas de forma adequada, senão elas emboloram ou ficam fedidas.

3) Não saia no vento de cabelo molhado (nisso meus pais estavam certos), o mal-estar pode não vir na hora, mas certamente vai aparecer em forma de dor de garganta, de ouvido, nariz escorrendo ou rinite nas próximas horas. Ou pior: uma gripe mesmo. A não ser que você - rá! - tenha tomado a vacina (dica 1).

4) Como a gente fica muito mais na cama, o cabelo tende a ficar mais amassado e oleoso. Por isso, nada como um xampu bem neutro. Aliás, eu sou a inimiga #1 dos Frutics da vida. Prefiro cabelo palha do que grudento.

5) Por falar em cabelo, isto é apenas um nota mental para o ano que vem: Ana, não corte o cabelo esta época, você sempre se arrepende. E ainda: Franja nunca mais, ok?
6) Guarda-chuvas nunca são demais. Tenha 3, 4, use combinando com a roupa. Galochas são desconfortáveis e capas são frias e nos sentimos embalados com papel contact, mas protegem muito. E podem ser bem engraçadinhas.

7) Crianças não gostam de roupa de lã. Mentem que não estão com frio, reclamam que tudo coça. Não caia nessa conversinha, a não ser que queira matar o trabalho & esperar numa sala de espera lotada de gente mais pesteada que o teu filho & gastar os tufos em Decongex, Alivium, Celestamine e Salsep (isso, na melhor das hipóteses). Use sua mente para criar histórias inverídicas do bem: eu falo pra Anita que tal casaco é da Hermione, por exemplo, ela não tira mais!

8- Aproveite para emagrecer, tomando sopa toda noite. Sopa e água. Você vai hidratar seu organismo, se encher de legumes e perder uns quilinhos. Tá, pode tomar um vinhozinho também. Mas, esqueça a cerveja... ela só vai te gelar, inchar, empobrecer (se for boa) e ocupar um lugar sagrado na geladeira que deve se destinar a tofus, carnes e queijos pra incrementar as sopas.

9) De manhã, se for uma daqueles raros dias em que não chove, tente abrir a casa pra ventilar, e se tiver sol, se joga. Quem estiver comendo tantos legumes e verduras quanto eu, pode até fazer fotossíntese nos raros minutos que conseguir lagartear.

10) Corra (numa esteira, não na rua, plis). Não adianta nada ficar sarada, com a cara toda queimada do frio, parecendo que fez um peeling e cheia de ruga. #not. Não tem esteira? Faça abdominais, polichenelos, o que for. Não saia tanto à noite, só vai ter gente feia, encolhida e embolarada reclamando na rua. Fique em casa, leia muitos livros, baixe filmes, pense na vida.

Tenho certeza que quando o verão chegar estarei mais feliz, bonita e serena se eu mesma seguir estas minhas dicas e não me jogar da ponte de Guaíba.

PS - Ainda não terminei os posts da viagem, mas eles virão. Esta semana ainda.

A viagem - parte 1

20 de junho de 2011 Comentários desativados

Passei duas semanas quebrando a cabeça sobre como eu levaria xampu para a Europa. Afinal, nossa viagem, que eu carinhosamente chamo de um-quarto-de-volta-ao-mundo, mas que na verdade é muito menos que isso, inclui alguns trechos de avião em companhias low cost, ou seja, nada de malas a despachar, nem tampouco cosméticos, estes últimos indispensáveis para quem está com um cabelo esquisito como eu e já tem trinta anos.

Minha solução estava quase perfeita. Achei um kit viagem numa daquelas lojas de cabeleireiros do centro, uma necessairezinha com potinhos que certamente nao excediam os 100 ml permitidos por frasco. Em tempo: chique pra mim e é ser prática e viajar só com bagagem de bordo é o supra-sumo da modernidade.

Estava eu, bela e faceira, no aeroporto na quarta-feira, prestes a embarcar na novidade do momento nos pampas: o vôo direto Porto Alegre-Lisboa, da TAP, quando uma funcionária da Infraero me sabota. Abre minha mala, olha todos os meus míseros potinhos- Hidrafil, um perfuminho, desodorante_ poxa vida, nem maquiagem eu uso, e o creme e o xampu naqueles plásticos, dentro de uma embalagem mais grossa escrito: PARA VIAGEM.

Mas a moça, que outro dia já me levou um hidratante e um xampu, cismou com a minha cara. Olha- falou- como aqui nao tá escrito nada, eu nao posso te deixar levar isso. Bastava uma fungada nos potes para ela saber que era pro cabelo. Mas, tudo bem. Fechei a cara e pensei que ía ser isso que ía estragar a minha noite. Aliás, nada teria este poder já que eu iria tomar um rivotril para atravessar o oceano.

No avião, outra surpresa: nossos assentos eram separados. Primeiro eles pegaram meus xampus, depois o meu marido. Essa nao! O cara que tava sentado ao lado do Marcos, nossa primeira opção de troca,  era uma mala. A quarta da noite se contabilizarmos nossas bagagens. O cara disse que só trocava por corredor e ficou tentando persuadir a comissaria portuguesa a lhe arrumar um lugar na primeira classe.

Por fim, um simpático senhor português trocou. O vôo estava ocupado -predominantemente - por casais da terceira idade. O avião me surpreendeu muito, super moderno. Dormi na primeira turbulência, chegamos em Lisboa quase uma da tarde, onde a querida da Dani Abreu nos esperava com seu pequeno Jordan e a sua mãe.

Uma história real não peçonhenta

03 de março de 2011 Comentários desativados

Sempre é assim. A prima da vizinha da amiga. Pois bem, ela mesma, a prima... mora no Belém Novo, na zona sul de Porto Alegre. Pelo pouco que conheço da região, é um bairro bem rural, mas isto, por si só, não justifica a opção da garota no que tange animais de estimação. Nossa personagem de hoje tinha, no cantinho do seu quarto, uma jiboia, a quem tratava com amor e carinho.

A dieta do bicho era assim: água, frutas, verduras e uns ratinhos de laboratório vez ou outra. Da relação das duas, pode-se dizer que era excelente. A garota adorava brincar com a cobra, mostrar aos amigos, cuidar de seu serzinho rastejante.

Lá pelas tantas, a tal da jiboia parou de comer. Ficou próxima a uma parede, se esticou toda e nem tchun para as ofertas e os afagos de sua dona. Assim foi por 15 dias. A menina, preocupada, procurou um veterinário que lhe esclareceu quais eram os planos do ofídio. A cobrita estava se preparando, esticando seu corpo, expandindo seus órgãos internos para engolir algo realmente grande. Começaria pelas mãos de quem lhe alimentava!

Cobra comigo, só se for minha amiga, com duas pernas e inofensiva. Pode ter uma linguinha afiada para animar as conversas, mas é só. Ah, ja ía me esquecendo de terminar a história, o animal foi doado a algum zoológico. E a menina_ quem sabe dela é o guri que trabalha com minha amiga Nídia, eu não sei de mais nada.

Histórias urbanas (nojentas)

30 de janeiro de 2011 Comentários desativados


[Se você tem estômago fraco, não leia este post]

Há meses ouvi estas bizarrices, mas, na época, não havia tempo nem disposição para escrevê-las. Conheci uma menina que tinha uma amiga que estava com feridas na boca. Eram aftas profundas que nunca se curavam. A guria pulava de dentista em dentista e ninguém resolvia. Até que certo dia, um periodontista teve uma suspeita sinistra e encomendou-lhe uma série de exames.

O resultado confirmou o que ele temia: as crateras incuráveis na boca da pobre paciente eram resultado de uma bactéria muito rara, que só é em encontrada em, em, em CADÁVERES! O diagnóstico era preciso pela exclusividade do caso. A mocinha deveria estar saindo alguém que transava com gente morta. A menina, uma gauchinha do interior, perguntada sobre sua vida sexual, confessou que ficava, de vez em quando, com um cara meio estranho.

O médico pegou leve e foi explicando a situação paulatinamente. Ela, apavorada, assentiu em contactarem a polícia. Operação armada, invadiram a casa do rapaz e, adivinha só, o freezer estava povoado. Moravam naquela casa, o rapaz e mais duas mulheres, estas conservadas a - 10° C mas, ainda assim, com este frio todo, com um vida sexual ativíssima. Ele, o maluco, foi preso, os cadáveres enterrados e a garota voltou para sua cidade. Em tempo, isso aconteceu em Porto Alegre, no ano de 2009, a menina morava na Cidade Baixa, estava com uns vinte e poucos anos e eu não sei mais detalhes.

O outro causo é tão nojento quanto, por isso, se você ficou chocado (a) com este, é melhor parar por aqui. Infelizmente essas histórias não são lendas urbanas, aconteceram mesmo. A irmã de uma amiga minha mora no interior. Recentemente, a melhor amiga dela separou-se e veio morar na capital. Nova, bonitona e cheia do ouro. Conheceu um cara todo garboso e passou a sair com ele. Certa noite, após o roteiro completo dos hot dates - jantar, barzinho e sexo - pernoitaram em um conhecido hotel da cidade. Bem perto da minha casa, aliás, avisto o estabelecimento da janela do quarto diariamente, entre pores-do-sol e navios que atravessam o famoso rio.

Tudo estava ótimo, a noite tinha sido incrível. Fulana mal podia acreditar. Que bem tinha feito a si mesma de se separar do brucutu que vivia na zona! Isso sim era vida. Eis que o príncipe honorário acorda. Enche-lhe de beijos e vai ao banheiro. Leva junto uma bandeja. - Estranho - pensou. Na volta, uma surpresa: um baita cocô repousava no utensílio. Ops! Muda a trilha, escurece a imagem e o romance filme vira de terror. Sim, ele pediu a ela que comesse a "obra", enquanto se masturbava. Não sei como ela lidou com isso, mas certamente ficou bem mal.

Escolhas

03 de setembro de 2010 1


Sempre achei que eu iria tirar de letra quando chegasse a minha vez
. Que seria praticamente como resolver uma equação matemática, com algumas variáveis. Mas, para minha surpresa (e agonia) escolher para qual escola a Anita vai na primeira série, está se revelando um nó filosófico, que não consigo desenrolar de forma alguma.

Logo eu, que vivia dando pitacos nas escolhas alheias, sem um pingo de responsabilidade. Já influenciei muita gente a trocar os filhos de escola. Mas, agora, que é comigo, estou em pânico.

Essa semana conhecemos três escolas, L., P. e J
. A L. tem fama de ser boa. Eu adorei os livros didáticos (artigo raro hoje em dia em escolas) e as turmas com - no máximo - 12 crianças. A estrutura antiga da escola e a falta de espaços para brincar são seus pontos fracos. Crianças comportadas, muito conteúdo e comprometimento. Gostei muito.

A P. é muito parecida com a escola que eu estudei quando pequena. Toda linda, bem construtivista, com muitos alunos com dificuldades especiais nas turmas, professoras que são referência no país, mas_ muito cara e bem contra-mão. E só vai até a quarta série.

Mal cheguei na J. ontem de manhã, já achei que tinha encontrado a solução para todos os meus anseios.
A escola tem uma infra de universidade, com MUITO verde, mil parquinhos, tem até um mini zoo. Adorei muito. Quando a Anita me perguntou se eu queria que ela estudasse lá (ciente da minha felicidade), tive um surto de sinceridade e disse que até eu queria estudar lá. Além disso é um pouco mais barata e mais perto de casa.

O problema da J. é que visivelmente não é tão puxada quanto as outras e as turmas têm até 22 alunos. A Anita, que fica muito tímida nessas visitas, pareceu gostar mais da P. Se o critério fosse $, a J. seria melhor; se fosse nota do ENEM (e isso realmente mexe comigo) a L., sem dúvida. E, finalmente, do fundo do meu coração, acho que ela seria mais feliz na P., por ser uma escola menor, mais especial.

Agora estou ligando para conhecidos que têm filhos nestas escolas e ponderando suas impressões. A Anita, percebendo nossa inquietação, hoje no almoço trouxe uma solução: Eu quero a que tiver laboratório de informática. Porque eu amo computador. Não ajudou muito, porque isso todas têm.

Minha cunhada, Lu, também já passou por esse drama. Gostei muito do que ela escreveu em seu blog.

O show do Guns em POA

17 de março de 2010 3


Eu estava realmente feliz de ir ao show do Guns. Depois de vinte anos, blá-blá-blá. Eu não sou muito de show, mas esse, de uma banda que eu amava, sabia todas as música de cor e ainda mais com ingresso de graça, eu não podia perder, de jeito nenhum.

A Anita capotou lá pelas seis, assim que chegou da escola, suja e vestida de Cinderela. Ela dormiu na casa da Lívia, a melhor amiguinha, que mudou de escola este ano. Nós decidimos sair lá pelas dez, porque sabíamos que tava tudo atrasado-engarrafado-indeterminado.

Acordei a Anita para levá-la na amiga, botei uma roupa preta e lá fomos nós. Fizemos uma parada no Bier Market (R. Castro Alves) e provamos várias cervejas fantásticas. Eu fui de dunkel, ele, red ale. A que a gente mais gostou foi uma que se chama Annes, red ale, feita aqui em Porto Alegre. Espetacular. Aliás, hoje é St. Patrick's Day, dia perfeito pra ir lá. Eu obviamente não vou de novo em função das próximas linhas, o show rolou muito tarde e eu to quebrada.

Chegamos na FIERGS perto da meia-noite. Tava frio pra caramba
. Conseguimos estacionar lá mesmo, por R$ 15,00. Maior tranquilidade. Lá dentro tinha de tudo, mais homem que mulher, gente de idades variadas e até umas crianças. O que eu achei mais engraçado eram as pessoas com camisas da Janis Joplin, do Raul Seixas, sou do rock e por isso estou aqui.

O público estava revolto quando entrei, xingando a Rosa Tatooada, que tentava se apresentar. A piadinha era ver os caras com camisas GN'R, eu fui e imaginar, mas o Axl não. Porque quando chegamos lá, o papo que rolava era que ele ainda estava no Rio.

Quando o Sebastian Bach, sósia da Fernanda Lima, entrou no palco e começou a balançar a cabeleira, ainda pairava no ar gelado a dúvida sobre a presença da grande estrela naquela noite. O show dele, do Sebastian, foi bem legalzinho_ várias baladinhas que eu sabia cantar inteiras. Só não consegui ver a cara dele, porque eu tava bem lá atrás e o telão não mostrava closes.

Ele falou várias coisas em português no palco. Acho que se vira melhor no idioma que muito jogador de futebol por aí. To brincando, devia ter alguém soprando no ponto pra ele. Era bem enrolation, mas dava pra entender direitinho. Ele contou que perdeu o equipamento no Rio, que o Axl estava vindo, essas coisas.

Quando o show do Guns começou, eu fiquei toda histérica pulando. O Axl, coitado, além de gordo, com uma cara inchada que me lembrou - não sei porquê - o Jack Nicholson, está com o cabelo todo fraquinho, parece da noiva do Chuky.

O palco era duma cafonice sem fim, com fogos, telões de LED, e ele, com aquelas roupas bregas, correndo de uma lado pro outro. Achei muito deprê. A banda sem o Slash não tem graça. Não vou falar do playlist porque eu não fiquei até o fim. Eram 3 horas, tava frio pacas, a cerveja R$ 8,00 e meu marido tinha que trabalhar cedo.

Até a hora que eu fiquei, ele tocou poucas músicas legais. Claro que eu queria ouvir só os mega hits da época áurea e não as chatices de agora, mas ok, acho que quem assistiu o show inteiro, curtiu mais, porque o final deve ter sido emocionante, pelo que li na blogosfera.

Valeu a pena ter ido, mas pra mim, fica a lição: não deixe pra ver amanhã o show da banda que hoje curte hj, pode ser muito decepcionante.

A aula de natação

06 de janeiro de 2010 1

Tenho milhares de lembranças de aulas de natação na minha infância. Eu odiava, mas nunca deixei de fazer. Nadar borboleta, melhorar o tempo, nadar com chuva. Eu achava tudo um saco. Gostava mesmo era da coxinha da cantina do Amaral, uma escola que nadei uns bons maus 5 anos.

Só me libertei do sacrilégio quando eu tinha 13 anos, época em que já nadava num clube, o Golfinho. Só não não gerar mal entendido eu nunca competi, nem treinei todos os dias, mas - enfim- eu nadava, sempre, por anos a fio.

Passada a alegria da alforria, voltei às piscinas uma meia dúzia de anos depois. Eu e meu irmão Hugo, o mais novo, fazíamos natação depois do almoço. Era meio desagradável, porque geralmente eu tava com sono e tinha comido a casa toda pouquíssimo tempo atrás. Além de o Hugo ficar puxando meu pé e tentando me afogar ou me empurrar na piscina na hora do aquecimento. É claro que eu também fazia essas coisas com ele e até pior, provavelmente.

Com dezenove anos eu parei de nadar e entrei pro geriátrico mundo da hidroginástica. Aquilo sim era legal, divertido, que maravilha. Eu ía todo dia, frequentava turmas de manhã e a tarde. Trocava receitas, fofocava horrores e era - sem qualquer modéstia - a mais gostosona de todas, o que é muito fácil numa turma onde a média de idade é 70 e você tem 19.

Essa febre durou muito tempo. Grávida, eu era tão empolgada com a hidro que não ganhava peso e tive que parar à força. Essa piscina era o máximo, num jardim, todo florido, parecia um sonho. Porque eu odeio aqueles ambientes 'sauna' para a prática de esportes aquáticos.

Em Porto Alegre, logo achei uma academia na esquina de casa e lá fui eu com as minhas velhotas. Sério, é muito legal. Mas, chega desse papo. Acho que amadureci e agora estou pronta para... voltar a nadar.

Essa decisão decorreu de uma questão financeira. Eu sempre pago pra Anita ir pra natação com a escolinha, mas ela nunca vai. Ou tem aniversário, ou a gente viaja, ou eu esqueço de mandar as coisas. Então decidi levá-la eu mesma e aproveitar esse tempo para nadar também. Porque eu geralmente corro ou caminho no fim da tarde e busco a pequena mais tarde em função disso, o que me gera uma pequena dose de culpa.

Assim, hoje acordamos cedo e lá fomos nós de bicicleta para o Clube do Comércio. Eu tava há muito tempo sem nadar que achei que ía ter uma treco, uma cãimbra mortal, sei lá. Mas, pra minha surpresa, eu amei a aula, a piscina, a temperatura da água (bem fresquinha), os vestiários, tudo. E o professor falou: você nada bem, teu crawl e peito estão perfeitos, só tenta nadar costas na linha, pra não atropelar a colega de raia. Ops!

Tava até rolando uma aulinha de hidro na primeira raia e quer saber? Não me deu nenhuma vontadezinha de participar, ufa. To curada.