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Posts com a tag "relacionamento"

O inimigo é outro

17 de maio de 2011 Comentários desativados

Tem gente que não consegue viver sem alguém para declarar inimigo, culpado ou desafeto. Acho que todo mundo é um pouco assim, na verdade. Eu tenho dois irmãos. De uma forma ou de outra, era sempre dois contra um. As alianças oscilavam mais que o afeto. Hoje, somos adultos e nos damos muito bem. Eu mesma, super ultra bem, a mais de mil km de distância é fácil não brigar. Eles ainda se desentendem.

Cresci, mas de alguma forma, trouxe comigo esse lance de estar de um lado ou de outro. Não fico em cima do muro jamais. Quando estou de um lado, crio todos os argumentos do mundo para justificar minha escolha, seja de amiga, de escola pra filho, de trabalho, de opinião sobre qualquer assunto cabeludo. Adoro falar sobre aborto, pena de morte, machismo, alimentos orgânicos, casamento, traição, depilação, religião, que fulano é chato_ sou sempre toda ouvidos e dou minha opinião com gosto.

Mas, quando começo a duvidar de uma ideia, ou pessoa, me fecho e pesquiso mais sobre o assunto. Não gosto de defender nada que não me soe verdadeiro. Não consigo, na real. Mas, nessas situações pode acontecer algo no meio do caminho. Às vezes, quando me aborreço com alguém, de repente, outra pessoa me decepciona mais ainda. Aí, sabe o que acontece? Eu esqueço o primeiro problema e foco no segundo. Como alguém que para de reclamar da barriga porque fechou o dedo na gaveta. O inimigo passa a ser outro.

E não sou só eu que sou assim, não. Nunca te aconteceu de alguém estar irritado contigo e, de repente, voltar a sua fúria contra outra pessoa e agir normalmente contigo como se nada tivesse acontecido? Pode ter certeza que a mesma lógica operou: o inimigo passou a ser outro.

Parece papo de maluco, mas andei pensando sobre isso e cheguei à conclusão que esse mecanismo é apenas uma forma de convívio que vem de fábrica nesta espécie tão intolerante que é o ser humano.

Game over

12 de abril de 2010 3

Ela, beirando os 30, gaúcha de lisos cabelos castanhos, classe média alta, muito bonita. Ele, carioca, fisioterapeuta, 30 anos também. Conheceram-se na Cidade Maravilhosa e ela, pilchada de amor, laçou-o e lhe trouxe aos pampas. Viviam juntos. Ela trabalhava todo dia, o dia todo; ele dava plantão aos finais de semana numa clínica e atendia de vez em quando.

Para se ocupar enquanto a bela namorida não estava em casa ele jogava vídeo-game. O que era passatempo, em poucas semanas, virou vício, doença, obsessão. Certo dia, ela chega exausta em casa e ele está jogando. Ela respira fundo e decide que não vai brigar, a mulher gaúcha tem essa coisa de querer consertar o mundo e tolerar as fraquezas.

-Faça amor, não faça a guerra! Entoa seu mantra pessoal e adentra o chuveiro, onde esfolia a pele, hidrata os cabelos, lixa os pés e sai, perfumadíssima. Seca-se, abusa dos cremes, escova os dentes e lhe chama ao quarto, nua.

-Já vou! Ele diz. Ela não quer brigar, não quer brigar. Concentra-se em complexos cálculos matemáticos, ocupa sua mente com problemas de lógica, lê a bula de um remédio para tendinite que encontra ao lado da cama e adormece, sem dar um grito ou especular a razão do não-comparecimento do rapaz ao leito matrimonial.

Horas mais tarde, ela acorda. Apura o ouvido e -para seu desespero- ouve pils e pows. Eram 3 da manhã e ele ainda estava lá, sentado jogando. Levanta, se veste,  desliga a chave geral da luz do apartamento (só assim) e anuncia que as coisas precisam mudar.

A cada dia ele tem menos pacientes durante a semana e no entanto não há uma folga nos finais de semana para que eles possam viajar ou fazer algum programa diferente, mesmo que seja com o dinheiro dela, isso pouco importa.

-Estranho, por que o colega dele folga sempre? Foi essa a pergunta que ela fez à namorada do melhor amigo dele (tirando o video-game, é claro). - Ah, mas isso foi um acordo deles - explicou a outra, ingenuamente - ele vai pagar o video-game novo que comprou do fulano com plantões no final de semana.

Foi a gota d'água. Ela está bem, obrigada, noiva de um cara que odeia jogos; quanto à ele deve estar online, em algum joguinho do computador, porque o video-game foi transformado em milhares de pedacinhos.

[Essa história é verdadeira e aconteceu com a irmã de uma amiga minha]

A universalidade feminina

30 de maio de 2009 1

Por Ana Emília Cardoso

Mira que cosa más rica.
Tenho três grandes amigas chamadas Daniela. Nome de balaio da geração late 70's. Bueno, uma é a vermelhinha, Daniela Entrudo, co-autora deste blog; outra Daniela Cedola - agora Tedoldi, explodindo de grávida da segunda filha - e outra, jornalista, Daniela Weber, uma gaúcha que trilhou um caminho inverso ao meu. Saiu de PoA rumo a Curitiba ainda baby e hoje tem seu filhote Pedrito, de um ano e uns 7 ou 8 meses, accordind to her nick on msn.

Eis que um dia, ou melhor uma tarde, estávamos nós quatro em altos papos no msn. Duas em Porto Alegre; Weber tomando leite quente e Cedola-Tedoldi in the UK. Lá pelas tantas, eu, discutindo relacionamento pra variar, perguntei pra Entrudo sobre uma amiga que havia casado e estava tenho problemas com o casório em SP. Ela me respondeu longamente.

Mas, ops. Essa pergunta era pra Cedola, não pra ela. Será que toda Daniela tem uma amiga em SP com problemas no casamento?! É muito engraçado como as histórias se repetem e se assemelham e por isso é tão rico trocar experiências e discutir nossas opiniões_ porque no fundo, no fundo, tudo é tão parecido.

O silêncio e as mulheres tagarelas

20 de maio de 2009 3

Por Ana Emília Cardoso

Nós mulheres somos por natureza mais tagarelas. A maioria de nós fala pelos cotovelos. Lembro que costumava levar amigas pra almoçar na minha casa e meu marido quase ficava tonto no carro de tanta papagaiada. Nós somos fogo mesmo.

Mas, se eu pudesse dar um conselho para um homem, seria: case com uma mulher bem falante. Um pessoa que gosta de falar geralmente é alegre, presta atenção nas coisas (até para ter mais assunto) e enche a casa, sem necessariamente fazer muitos filhos.

Quem me conhece deve estar pensando: a Ana está num dia de se achar um exemplo pra humanidade, porque eu falo pra burro. Mas, não é isso. A questão é outra. Por mais que as 'tagarelas' falem um pouco de bobagens, nós não conseguimos ocultar sentimentos e verdades. Por isso, tendemos a ser mais sinceras e - num relacionamento sério - expor ideias, angústias, medos e, na melhor das hipóteses, surtos de amor, compreensão e reconhecimento agrega muito.

Você já reparou que quando conhecemos alguém o silêncio incomoda muito? Se é com um gatinho, pior ainda; mas mesmo com amigas ou qualquer pessoa. Basta um silenciozinho e ambos já ficam pensando em que diabos o outro está pensando e por que não está falando nada.

Com o tempo e observação passamos a ler melhor os sinais e lacunas surgem entre as conversas. Agora, imagina: se vocês já não conversam no começo... como será o fim?

Eu, particularmente, tenho medo de pessoas muito quietas. Às vezes, têm outros por dentro; às vezes, não estão de fato nem aí pra nada.

No filme 'Ele não está tão a fim de você', uma das personagens principais - o filme não tem protagonista - é a amalucada Gigi. Ela é super ansiosa e fala muito. À primeira vista uma encrenca total. Mas, no decorrer ela ganha espaço e a simpatia do público. Esse filme é muito legal, tem que ser visto.

Foto96