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Posts com a tag "saúde"

Amém, kefir

24 de abril de 2012 Comentários desativados

Me converti ao kefir, uma religião com mais de 4 mil anos de história, que teve sua gênese na região da Cordilheira do Cáucaso, a saber no extremo oriental da Europa, fronteira com a Ásia.

Lá foram desenvolvidos os venerados grãos brancos da substância mais saudável que já se teve notícia. Sua aparência simplória, que remonta a uma ambrosia albina, oculta os mais magnifícos poderes de cura da biologia.

Tem gente que tem cachorro, há quem crie gatos, eu optei por esta espécie de fungo em função dos benefícios acima mencionados. O kefir demanda cuidados diários, como um tamagotchi não de carne e osso, mas de leite e lactobacilos.

Estou com o meu há cerca de uma semana e ainda estamos nos adaptando. Fora ou dentro da geladeira? lavo ou não os grãos na peneira? leite desnatado ou integral? frio ou quente? Um dia todas estes questionamentos serão parte do passado e eu não porei mais minha fé de lado, nem considerarei a heresia de talvez me cansar desta missão e desistir de criá-los para o bem da humanidade.

O kefir não é indulgência e não está a venda. Alguns sites prometem (e não são aqueles que falam de aumento peniano) mudas, mas fiz uma busca e vi que estão todos com a mesma desculpinha: sem sementes no momento. Pudera, a prática religiosa não permite o comércio, apenas as doações, o que é no mínimo complicado nos dias de hoje, na sociedade capitalista.

Acho que quem inventou isso - de não vender, logo não existir para o grande público - foi a indústria dos lacticínios que tem medo de perder espaço, compactuada com a indústria farmacêutica, já que o milagroso kefir previne desde o câncer, à asma, às doenças de pele, ao envelhecimento, às depressões e tudo mais.

Em suma: o kefir é um bichinho que faz iogurte. Todo dia, de graça, pra você. E ainda se multiplica de forma que pode ser compartilhado com outras pessoas que também gostam dessas coisas saudáveis. Eu tenho falado tanto que já estou cheia de encomendas e os meus ainda nem se reproduziram muito.

A parte chata é que todo dia você tem que cuidar deles, ou seja, peneirar o leite que ele está e colocá-lo num leite novo. O iogurte, que os sites de kefir dizem que não é iogurte, é uma delícia. É azedinho, dá pra misturar com frutas e já descobri até um jeito de deixá-lo aerado, como se tivesse batido no liquidificador. É só tampar bem o vidro, de forma que as bolhas de fermentação não consigam sair.

E quando for viajar, ou tem que levar junto, ou emprestar para alguém cuidar. Estou totalmente apaixonada, tomara que eu não enjoe nunca nem mate jogue fora esta iguaria tão divina. Hoje me bateu uma preocupação "E quando eu for pra maternidade?". Meu marido me garantiu que vai levá-los junto. Ufa.

PS - Como TUDO publicado neste blog, as informações deste post são verdadeiras.


Diga AAAA

11 de abril de 2011 Comentários desativados

Acho que nunca falei aqui deste traço meio bizarro que carrego. Sou hipocondríaca, do tipo capaz de passar horas a fio na internet pesquisando sintomas e de me mega surpreender com uma doença qualquer. Deve ser porque meu pai é médico e minha mãe psicóloga, então, todos os males sempre tiveram alguma explicação científica, ou era físico mesmo ou eu estava somatizando algo.

Ciente desta neurose, nem leio os efeitos colaterais das bulas para não sentí-los. A bola da vez é a minha garganta e sinto que estou muito perto de desvendar o enigma. Há meses noto uma pressão na garganta, como se algo estivesse me sufocando ou uma mão estivesse querendo me esganar. Achei que era tireóide. Comecei a tratar e nada. Os médicos também acharam,ok? Não saio por aí fazendo tratamentos randômicos, a saber.

A ginecologista sugeriu um anti-histamínico, disse que podia ser alergia, já que meu exame de sangue mostrava que meus eosinófilos estavam altos. Foi o que fiz no último mês. Não adiantou.

Na semana passada eu tava tão incomodada que pedi pra Nise, minha amiga fonoaudióloga, olhar minha garganta. Mas era noite e ela não enxerga direito. Não ajudou muito. Meu irmão Hugo vive de papo comigo no gmail. Na quarta, peguei ele de surpresa, já que ele odeia dar opiniões à distância. Abri o bocão e gritei AAAA no vídeo, mas ele não pode me ajudar, apesar de ser médico. Disse qe não dava pra enxergar nada. Sei...

Ontem apelei para uma vizinha. Eu odeio encher o saco dos vizinhos, acho que é trauma. Meu irmão mora num prédio cheio de velhinhos que nos conheceram criança e que adoram consultar com ele no elevador ou tocar a campanhia assim que ele pega no sono depois de chegar de um plantão de 48 hrs.

A Rose, minha vizinha, olhou a garganta e disse: Tuas amídalas são dois buitás, só isso! Por mais estranho que possa parecer, e quem não tem essa mania de doença jamais me entenderá, me deu um alívio ter um diagnóstico assim, tão verossímel. Hoje acordei cedo para pegar guia e consultar com um otorrinolaringologista. Adoro ir ao médico sabendo das coisas e quando ele perguntar o que eu tenho não ter que responder: Olha, eu não sei direito... Desta vez, eu sei sim!

Na fila do SUS

22 de abril de 2010 3

Muito se fala a respeito da saúde no mundo e no Brasil. Influenciada pelo documentário SICKO, do Michael More, tendo a pensar que é realmente complicado adoecer mundo afora. Talvez na França não, desde que você seja um cidadão francês, em Cuba não, desde que você aceite e encare todo o resto com serenidade e no Brasil não, desde que você tenha um bom plano de saúde ou muito dinheiro.

Minha sogra sempre achou que nunca ía acontecer nada com ela e tinha orgulho de pagar suas despesas médicas em dinheiro cada vez que necessitava. Acontece que, se não fosse o SUS, a essa altura, se tivesse que quitar suas despesas como particular, já deveria ter vendido seus imóveis, carro e raspado suas economias. Porque, no Brasil, pagar UTI, internações e cirurgias é algo realmente inviável. Nas palavras de meu irmão, médico: o céu é limite. Cinco dias numa unidade de tratamento intensivo é o preço de uma casa. Com piscina e vista para o mar.

Felizmente o serviço de saúde público é muito melhor do que a gente imagina quando sequer cogita utilizá-lo. Os hospitais públicos atendem tantos casos e casos tão complexos que seus médicos adquirem uma prática incomparável, principalmente quando o assunto é trauma. E basta uma espiadela num pronto socorro para perceber que aqueles jovens, em sua grande maioria bem nascidos, não está lá de brincadeira. Alguma motivação maior os leva a atender pobres, baleados, bandidos e mendigos imundos com atenção e gentileza.

Quando chegamos em Curitiba na terça-feira e fomos recebidos em um dos hospitais que meu irmão trabalha, eu presenciei uma cena comovente. Para não atrapalhar o processo de internamento, ele me pediu que ficasse no setor do pronto socorro enquanto minha sogra fazias radiografias e tomografia.

No meio daquela confusão eu vi uma médica bem jovem, muito bonita, costurando a mão de um pedreiro, que havia caído de uma construção, todo sujo. Ela limpava com todo cuidado, conversava com ele e fazia o curativo naquela mão grosseira como quem pega na mão de seu próprio filho. Coisa que ela nem tem idade para ter ainda, principalmente por ser médica.

Tenho certeza que minha sogra preferiria estar num hospital chiquérrimo, repleta de mimos e luxo. Quem não gosta? No entanto, sinceramente, não tenho certeza de que nesse caso ela estaria em melhores condições, e nas mãos de melhores profissionais. O médico que vai operá-la é o cara nesse tipo de fraturas que ela tem e o hospital, mesmo sendo público, é referência em ortopedia em todo o país.

Não sou ingênua de achar que o sistema não tem falhas e, evidentemente, não pretendo ficar nunca sem plano de saúde, mas o fato é que o SUS, de uma forma ou de outra, funciona e em alguns casos, surpreendentemente bem. Muitas amigas minhas tiveram seus filhos no HU, em Floripa, por opção e adoraram.

Um dia desses, um outro parente nosso, que também não tem plano, passou por uma que renderia uma crônica. Estava no Bonfim, no apê da namorada. O olho não parava de coçar. Desceu para ir à farmacia, achando que aquele pepino seria fácil de descascar. O farmacêutico, não querendo vender produto equivocado e sem receita, palpitou que era melhor ele ir a um oculista.

-Tem tempo? perguntou. -Sim. - Por que não vai ao HPS então, é ali na outra rua. Por que não? pensou V. H. P.. Chegou lá com apenas uma coceirinha no olho, mas tantas mazelas presenciou, entre fraturas, feridas, gente tendo ataque ou quase morrendo na sala de espera, que começou a sentir tonturas, pontadas e enxaquecas que culminaram em um desmaio. Resultado: teve que ser colocado em uma maca e medicado.

Por isso, meu conselho é o seguinte: só não faça um plano de saúde se realmente não puder. E quanto ao SUS, só use se realmente precisar, e nesse caso vá de coração aberto e sangue doce.

Tudo sobre alimentação saudável

14 de abril de 2009 7

Por Ana Emília

Na semana passada assisti a um programa muito educativo sobre alimentação na Globonews. No primeiro bloco uma mulher com 60 - corpo de 20 - cara de 40 mostra sua geladeira. Era um amontoado de tupperware com folhas e outros tantos pirex com gelatinas. A rotina dela é mais ou menos assim: acorda, coloca uma gota de geléia real [guardada no freezer dentro de um isoporzinho em forma de favo] embaixo da língua. Eu já vi essa tal geléia na vida real. Em Floripa tem uma geração que quer ser forever young e usa isso. Depois ela toma um copo de água com gotas de limão. Para limpar o organismo. Me lembrou uma propaganda de Veja limão, para desinfetar pisos e azulejos.

Depois ela pega uma centrífuga, bota várias folhas verdes, uma maçã [a melhor amiga do homem segundo um nutrólogo do mesmo programa] e faz um suco eca meleca. Próximo passo: liquidificar linhaça. Também já vi na vida real, minha amiga Nise sempre faz e isso a deixa ligada 220 o dia todo, segundo ela. Mistura as delícias: suco verde + gosma de linhaça.

Tá alimentada? Então mãos à obra que eu vou ensinar o restante da dieta! Pegue um saco de gelatina de alga asiática e prepare. É possível adicionar essa gelatina eca-meleca a tudo. Ela tomou pura de manhã, depois do suco e foi pro fogão fazer a sua papinha, opa, comidinha.

Separe 32 potinhos, 5 rãs, alho, cebola, azeite de oliva e uma boa dose da supra-citada gelatina. Refogue as rãs com pouco sal marinho, alho e cebola e cozinhe. Peneire (como eu nao sei, talvez a rã se desintegre durante o cozimento, humm, aconselho uma power panela de pressão), guarde nos potinhos e congele o que não for comer no dia. Talvez uns 3 potinhos a day sejam suficientes. A rã parece um franguinho, desses de borracha que se vende em casa de festa.

À essa altura você já perdeu a fome, né? Só pra finalizar, a gelatina sem gosto pode ser misturada a um suco orgânico de uva e vira uma... gelatina de uva! Para mostrar que era normal ela comeu castanhas, chocolate e disse que come carne, às vezes, e até toma umas canas, não com esses termos é claro.

Interessante, mas pouco aplicável. A segunda parte do programa eu gostei mais e aprendi uma série de coisas. Primeiro: temos que comer muito verde, em forma de folhas - pode ser qualquer uma, de preferência todas, e brócolis e couve-flor (que não é verde). Este é o segredo do sucesso, da longevidade, da saúde, da elegância e da pele bonita. Há que diga que brocólis dá gases. Repolho e couve também sofrem tal acusação. Pois bem, o nutrólogo explicou que não basta comer, tem que comer todo dia. Aí o organismo acostuma. Faz sentido. É a mesma coisa com as pessoas que pararam de comer carne... quando voltam, no começo, qualquer bifinho é um horror, dá dores estomacais, cólicas e não sei o que mais. Passa um mês, tá lá a pessoa entre uma picanha e uma costela feliz da vida. Nunca esteve melhor.

Voltando ao programa e saindo do campo das minhas teorias pessoais. Segunda coisa importante de se comer: raízes ou alimentos com amido. Cenoura, aipim, batata, abóbora, grãos. Só que aí mora um perigo. Se você é sedentário, esses alimentos viram açúcar e gordura. Se você pratica esportes, os teus músculos se abrem pro amido, que se transforma em proteína e em mais músculos ou em alimento para você viver, forte e saudável. Moral da história: se você já está bem, fica melhor, se está mal, tá perdido...

Terceiro grupo: frutas. São importantes porque têm vitaminas e muita fibra. Fibra vira cocô, quanto mais cocô, menos toxina no seu corpo. Faz sentido, também. A maçã é a melhor amiga do ser humano, porque é gostosa e têm muita casca, ou seja, muita fibra, ou seja, muito cocô.

O nutrólogo disse que não precisamos nos preocupar com venenos nas cascas, basta lavar bem os alimentos. Palmitos, pepinos e aspargos em conserva: atenção! abra o pote e deixe correr uma aguinha por cima do vidro sem tampa. Faz com que boa parte dos conservantes vá embora. Legal.

Estou escrevendo aqui porque achei útil mesmo, aprendi várias dicas e até me motivei a comer cada vez mais verduras. Sempre fui contra os vegetarianos, que são chatos, anêmicos, com aquelas caras de paisagem; mas gosto muito de me alimentar bem. Até porque eu amo comer, cozinhar, ir a mil feiras e aprender receitas.

Só ficou uma dúvida no programa pra mim: por que ele nem mencionou as carnes e as massas? Duvido que elas sejam dispensáveis. E as cervejas, então? Estou certa de que esse programa tem uma continuação, eles só esqueceram de anunciar.