Eficiência na conclusão de inquéritos parados depende da prova testemunhal, diz futuro secretário
30 de dezembro de 2010 0Em entrevista ao Blog Caso de Polícia e à Rádio Gaúcha, o futuro secretário da Segurança Pública Airton Michels falou sobre as principais metas na área.
Os três maiores desafios do novo governo passam pelos presídios, combate ao crime organizado e também por levar o Estado aos locais mais violentos do Rio Grande.
Além de reformular o Presídio Central, construir pelo menos sete cadeias no entorno da Capital, Michels prevê o primeiro presídio federal nos Pampas.
Sobre os inquéritos policiais parados no RS, Michels afirmou que pretende investir na prova testemunhal. O futuro secretário, porém, afirmou que a prioridade será investigar os casos em andamento.
Blog Caso de Polícia – Como a Secretaria vai trabalhar na conclusão de inquéritos parados?
Airton Michels – Hoje já temos legislação no Brasil que fala sobre crimes de menor potencial ofensivo. Para esses casos, cabe uma solução direta da autoridade policial na detecção dele e o rápido encaminhamento ao Judiciário. Este delito implica em possibilidade da acordo, transação penal e de pena alternativa. Apesar da importância da prova técnica e pericial, só haverá eficiência nos inquéritos se houver a prova testemunhal. Para isso, a testemunha lá na vila precisa do Estado junto para garantir a segurança.
Blog – Existe projeto para concluir inquéritos parados?
AM – Vamos conversar e buscar uma solução racional, a mais eficaz. Não podemos só concentrar as forças nestes casos em detrimento dos casos que estejam ocorrendo na atualidade. É de se lamentar, mas vai depender de estudo de abrangência.
Presídios
Este será o primeiro enfrentamento, a prioridade absoluta, garante Michels. Uma área que também está ligada ao combate das organizações criminosas, as penitenciárias têm sido se tornado depósitos superlotados de pessoas e locais de onde muitos delitos são encomendados. O futuro secretário da Segurança vai buscar recursos, parcerias e a criação de projetos para construção de cadeias com custos mais baixos.
Blog – Qual o projeto para o Presídio Central?
Airton Michels – Não vamos destruir, será reformado e terá entre 800 e mil vagas apenas para presos provisórios, aqueles que ainda aguardam julgamento.
Blog — E os outros 4 mil detentos que superlotam o local?
AM – Para isso, vamos construir a médio e longo prazo a partir do próximo ano de sete a oito cadeias na Região Metropolitana apenas para desafogar o Central. Serão presídios com no máximo 500 apenados.
Blog – Há projeto de um presídio federal?
AM – Sim, mas diferente dos quatro que já existem pelo País e de um quinto que está sendo implementado. Para o Rio Grande do Sul está previsto um presídio federal que não será de segurança máxima. Terá de 350 a 400 vagas para apenas pessoas condenadas pela Justiça Federal.
Blog – Quais os outros objetivos deste presídio?
AM – Além de abrigar presos federais, é mais uma forma de combate ao crime organizado ao não misturar estes detentos com outros de facções existentes nas cadeias gaúchas, o que ocorre em todo o Brasil. E também continuaremos a mandar presos perigosos do Rio Grande do Sul para os cinco presídios federais de segurança máxima. Esta medida, mais a continuidade das ações da Polícia Civil gaúcha e uma parceria com a Polícia Federal vão ser as principais medidas de combate às quadrilhas especializadas.




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