Justiça aceita denúncia contra policiais envolvidos em morte de refém em Gravataí
29 de março de 2012 6Correção: Os policiais do PR se tornaram réus no no caso da morte do agricultor e não do PM morto. O texto da matéria já foi corrigido
A 1ª Vara Criminal de Gravataí aceitou a denúncia do Ministério Público Estadual contra 12 pessoas envolvidas na morte de um refém ocorrida em 21 de dezembro de 2011, em Gravataí. Entre os denunciados, estão dois delegados do Paraná, Danilo Zarlenga Crispim e Renato Bastos Figueiro, um investigador do mesmo estado, Fábio Lacerda Gusmão, e um delegado gaúcho, Leonel Fagudes Carivali. No caso dos policiais civis do Paraná, eles foram denunciados por omissão penalmente relevante com relação ao crime de extorsão mediante sequestro, segundo o promotor André Luis Dal Molin Flores.
No caso do delegado Carivali, a juíza aceitou a denúncia do MP contra ele pela morte do agricultor Lírio Darcy Persch, 50 anos. Além disso, a juíza Eda Salete Zanatta de Miranda determinou a prisão preventiva de mais cinco suspeitos de terem participado do sequestro do agricultor: Marinete Alves da Silva, Edinei Figueiro, Nívea Rosa Galindo da Silva, Vladimir Aparecido Carvalho Grade e o paraguaio Fábio Eliandro Kelm Zarbock..
Outros três suspeitos de participarem da ação já tinham contra si mandados de prisão preventiva: João Rodrigues Ferreira, Márcio Lourival da Silva e Claudemir Correa dos Santos. Estes três últimos foram presos após operação da Polícia Civil, que resultou no estouro do cativeiro, em Gravataí, aonde estava o agricultor e um amigo, Osmar José Finkler, este que foi libertado.
Em janeiro, o delegado Leonel Carivali pediu exoneração do cargo de diretor da primeira da Delegacia Regional Metropolitana. O ofício foi encaminhado ao chefe de polícia, delegado Ranolfo Vieira Júnior, que informou que acatou a solicitação. O motivo do pedido de exoneração do cargo se deve, segundo o ofício, ao seu indiciamento, que teria deixado sua permanência na função inviável. No dia 20 de janeiro, Carivali foi indiciado pela Corregedoria da Polícia Civil pela morte do agricultor. O cargo foi assumido pelo delegado Cleiton Freitas, que já exercia a função nas férias de Carivali.
Entenda o caso
Na noite de 20 de dezembro de 2011, três policiais civis do Grupo Tigre do Paraná chegam ao Rio Grande do Sul para investigar uma quadrilha que mantinha em cárcere privado dois agricultores moradores daquele estado. Em uma viatura discreta, procuram pelo cativeiro em Gravataí. No bairro Morada do Vale II, eles cruzam com o sargento Ariel da Silva, à paisana, que estava de folga em uma motocicleta. Após desconfiança mútua, teria ocorrido troca de tiros. Cinco deles atingiram o PM. Os paranaenses são levados para o plantão da Polícia Civil de Gravataí. Depois de serem ouvidos, os três são liberados e retornam para Curitiba.
Os policiais civis paranaenses, que estiveram envolvidos na morte do sargento Ariel da Silva, na madrugada daquele dia, tiveram prisão preventiva decretada. O inquérito que investiga a morte do PM ainda não foi concluído. Silva, que estava à paisana, suspeitou de três homens em um carro com placas do Paraná e acabou morto com uma rajada de metralhadora. Em um carro discreto, os paranaenses buscavam, em Gravataí, o cativeiro de um agricultor daquele estado. Um laudo pericial do Instituto-geral de Perícias (IGP) revelou posteriormente que o sargento havia ingerido álcool antes de morrer.
PM Ariel da Silva - Foto: Reprodução
Uma segunda equipe do Paraná, com quatro agentes, chega à Gravataí para continuar as buscas aos reféns. São seguidos pela Polícia Civil gaúcha. A Brigada Militar não é informada da ação. Os carros discretos dos policiais civis chama a atenção de moradores, que ligam para o telefone 190. PMs abordam os policiais na rua Doutor Luiz bastos do Prado. Em seguida, um Corsa com placas procuradas pelos agentes começa a sair de ré da garagem de um sobrado com cinco pessoas em seu interior (três bandidos e dois reféns). Os sequestradores deixavam o cativeiro, após receberem o resgate, para libertar os agricultores. Os policiais identificam as placas e correm em direção à casa. O delegado Carivali afirmou que atirou após um dos criminosos ameaçar sacar uma arma. O tiro atigiu o agricultor Lírio Persch.











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