Polícia Civil conclui inquérito sem indiciamento de policiais paranaenses que mataram PM em Gravataí
18 de abril de 2012 1A Corregedoria de Polícia concluiu no começo do mês o inquérito que investigou as circunstâncias da morte do sargento Ariel da Silva.
O delegado Paulo Grillo decidiu não indiciar os policiais civis do Paraná e pediu o arquivamento do inquérito. Na avaliação dele, as partes agiram em legítima defesa. De acordo com o delegado, a perícia não conseguiu apurar quem atirou primeiro, só que houve tiros dos dois lados. A possibilidade maior é que o PM tenha sacado a arma e atirado antes, já que ele foi atingido por uma rajada de metralhadora.
O inquérito chegou na sexta-feira ao promotor de Gravataí, André Luis Dal Molin Flores. Ele ainda não avaliou o caso e, numa análise genérica, entende que o arquivamento de um caso de legítima defesa só se daria se não deixasse dúvidas. O promotor poderá pedir mais diligências, pedir o arquivamento ou oferecer denúncia.
Entenda o caso:
Na madrugada de 21 de dezembro de 2011, três policiais civis do Grupo Tigre do Paraná chegaram ao Rio Grande do Sul para investigar uma quadrilha que mantinha em cárcere privado dois agricultores moradores daquele estado. Em uma viatura discreta, procuravam pelo cativeiro em Gravataí. No bairro Morada do Vale II, eles cruzaram com o sargento Ariel da Silva, à paisana, que estava de folga em uma motocicleta. Após desconfiança mútua, ocorreu troca de tiros. Cinco deles atingiram o PM.
Após o desdobramento da morte do PM, uma segunda equipe de policiais do Paraná foi a Gravataí para continuar as buscas aos reféns. Eles foram seguidos pela Polícia Civil gaúcha. Os carros discretos dos policiais civis chamou a atenção de moradores, que ligam para o telefone 190. PMs abordam os policiais na rua Doutor Luiz Bastos do Prado. Em seguida, um Corsa com placas procuradas pelos agentes começa a sair de ré da garagem de um sobrado com cinco pessoas em seu interior (três bandidos e dois reféns). Os sequestradores deixavam o cativeiro, após receberem o resgate, para libertar os agricultores. Os policiais identificam as placas e correm em direção à casa. O delegado Leonel Carivali afirmou que atirou após um dos criminosos ameaçar sacar uma arma. O tiro atingiu o agricultor Lírio Persch.
Sobre a morte do refém, a Justiça aceitou a denúncia contra os policiais e os assaltantes. Além disso, A juíza Eda de Miranda da 1ª Vara Criminal de Gravataí determinou o afastamento dos policiais civis paranaenses dos atuais cargos.


[...] Apesar da Polícia Civil do RS concluir inquérito em abril deste ano sem indiciamento, o Ministério Público de Gravataí denunciou por homicídio qualificado três policiais do Núcleo Tático Integrado de Grupos de Repressão Especial (Tigre) do Paraná. Alex Olguerd Danielewicz Filho, Cleber Custodio Furquim e João Paulo Heitaro estavam acompanhando uma quadrilha que mantinha reféns no Rio Grande do Sul. Sem saber que estavam perante o sargento da Brigada Militar Ariel da Silva, que desconfiou da movimentação, acabaram atirando. O brigadiano foi morto com quatro disparos de arma de fogo no dia 21 de dezembro do ano passado. PM Ariel da Silva/ Foto: Reprodução [...]