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Susepe quer transferir preso catarinense que tentou montar facção criminosa no Noroeste gaúcho

28 de outubro de 2014 0

* Por Cid Martins e Marcela Panke

A Superintendência dos Serviços Penitenciários (Susepe) está tentando transferir do presídio de Ijuí, no Noroeste gaúcho, Marlon Cardoso, detento de Santa Catarina (SC) e considerado o segundo principal responsável pelo Primeiro Grupo Catarinense (PGC) que articulou diversos ataques no estado vizinho. De acordo com o Setor de Inteligência da Susepe, ele e Nelson de Lima, considerado o principal responsável pela facção criminosa catarinense e que seria transferido para a Penitenciária de Alta Segurança de Charqueadas (PASC), estavam tentando instalar uma célula do grupo no Rio Grande do Sul.

Transferência

O superintendente Gelson Treiesleben enviou para Ijuí um diretor de Segurança Prisional para tentar transferir para SC o detento ligado ao PGC. Cardoso, nascido em Blumenau, foi enviado para o Noroeste gaúcho no dia 11 de setembro deste ano através de uma permuta de apenados entre a Justiça de Ijuí com a de São Pedro de Alcântara (SC). A informação é do próprio superintendente Treiesleben. Ele lamenta dois fatos: um deles é que a Susepe não foi comunicada e o outro é que a direção da casa prisional também deveria avisar o Setor de Inteligência.

“Este preso não deveria estar no RS, em princípio, já que deveria ter pelo menos o consentimento da Susepe e pela periculosidade dele, deveria estar na PASC”, diz Treiesleben.

Na semana passada, Treiesleben enviou um comunicado à Justiça pelo fato de que outro preso, Nelson de Lima, considerado o fundador do PGC, seria transferido para a PASC. Ele estava detido no Mato Grosso do Sul e iria ocorrer outra permuta. O traficante gaúcho Erineu Soligo e o filho seriam encaminhados para o Centro-Oeste e de lá viriam dois apenados, um deles Nelson de Lima. A Vara de Execuções Criminais de Porto Alegre suspendeu a transferência após ser informada do envolvimento do preso com incêndios, tumultos, vandalismo e ataques em geral em SC.

Posição da Justiça

Em atenção ao solicitado, informo que a transferência de Marlon Cardoso para a Penitenciária Modulada Estadual de Ijuí ocorreu em função de permuta com outro preso oriundo de Santa Catarina e estava cumprindo pena em Ijuí.

Não se tratou, no entanto, de uma “permuta entre juízes, sem a Susepe saber”.

Em toda a permuta, seja ela solicitada pelo preso ou indicada pela casa prisional, o setor de segurança da casa prisional é consultado.

E nesse caso, como se pode verificar do expediente em anexo, foi o seguinte:

Em 11/07/2014 o advogado do preso, alegando que a família dele era de Florianópolis, e que era direito dele cumprir a pena perto dos familiares, solicitou a transferência.

Diante desse pedido, nesse mesmo dia (11/07/2014) foi determinado que fosse expedido ofício à VEC de Florianópolis, solicitando vaga para a transferência.

Expedido esse ofício, o Juiz da VEC de Florianópolis consultou o DEAP (Departamento de Administração Prisional de Santa Catarina), que indicou o preso Marlon Cardoso para permutar com Luis Carlos Mundins.

Essa indicação foi feita pelo DEAP, de Santa Catarina, diretamente ao Departamento de Controle Legal (DCL) da SUSEPE.

Em 18/08/2014 a SUSEPE, através do Departamento de Controle Legal, indicou o preso Marlon Cardoso para permutar com Luis Carlos (ofíci0 241342/2014).

Diante dessa indicação, a direção da Penitenciária Modulada de Ijuí foi consultada, tendo concordado com a permtura.

Em função disso, foi deferida a permuta.

No entanto, no final da tarde da última sexta-feira, o diretor do Departamento de Segurança e Execução Penal da Susepe, Irineu Koch, compareceu nesta VEC solicitando a transferência de Marlon para a PASC.

Saiba mais:

Justiça nega transferência de fundador de facção criminosa catarinense para presídio do RS.

A máfia das cadeias em Santa Catarina.

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