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Extorsão entre traficantes dentro da Pasc termina em sequestro na Grande Porto Alegre

18 de maio de 2016 1
R$ 450 mil que teriam sido obtidos após sequestro de companheira de traficante / Foto: Reprodução

R$ 450 mil que teriam sido obtidos após sequestro de companheira de traficante / Foto: Reprodução

Uma investigação iniciada nesta semana pela Polícia Civil, a partir de dados repassados pela Susepe, e a transferência de um apenado são as primeiras medidas adotadas sobre uma extorsão envolvendo dois traficantes presos na Penitenciária de Alta Segurança de Charqueadas (Pasc) e que pode estar por trás de uma série de crimes na Grande Porto Alegre. Além de um sequestro confirmado no início deste mês, os agentes estão apurando a possibilidade de que alguns delitos começaram a ser ordenados de dentro da cadeia após este fato. Pelo menos duas execuções nos últimos dias em Canoas e o incêndio de um carro em Nova Santa Rita poderiam ter essa desavença como motivação. O Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) está com o setor de inteligência atuando, mas ainda não tem informações oficiais sobre o assunto.

Extorsão

Houve uma desavença entre dois presos da Pasc que ainda está sendo apurada, mas as primeiras informações são de que um dos envolvidos descobriu que o outro possuía grande quantidade de dinheiro e começou a extorqui-lo. As autoridades da área de Segurança investigam Lauri Sávio Cunha, que segue preso na penitenciária, como sendo o suspeito de articular o sequestro. A reportagem tentou contato com a defesa dele, mas até o momento, foi informada que ele possui apenas defensores públicos. Lauri é um dos alvos da Operação Cova Rasa, que investigou em 2009 um grupo de extermínio comandado por detentos responsável por mais de 100 assassinatos. Ele ainda foi alvo de outra investigação de 2013, envolvendo quadrilha também comandada por presos e que usava métodos de tortura em sequestros. As ordens foram dadas de dentro da Pasc.

O outro preso envolvido é Fabrício Santos da Silva, suspeito de matar um PM em 2012 na cidade de Sapiranga e que foi preso em 2013 no Paraná pela Polícia Federal, quando se encontrava na condição de foragido. Ele ainda é investigado por ser um dos responsáveis pelo comando de uma facção criminosa que age nos presídios gaúchos e por ser um dos distribuidores de drogas para quadrilhas da Região Metropolitana. Segundo as primeiras informações, Lauri Cunha teria ordenado o sequestro da companheira de Fabrício da Silva. Portanto, outros apenados ligados a Lauri estão sendo investigados. A reportagem também tentou contato com a defesa de Fabrício, mas ainda aguarda retorno.

Sequestro

Tudo começou com o registro de um roubo de veículo no dia 4 deste mês em uma delegacia de Novo Hamburgo. No entanto, foi descoberto dias depois que se tratava de um sequestro na RS-401 em Charqueadas. Um carro com giroflex se aproximou do veículo da mulher. Os dois ainda estavam em deslocamento, quando um homem armado fez sinal para que ela parasse. Dois criminosos desceram do veículo e renderam a motorista, que estava também com uma cunhada e uma criança de três anos. Eles seguiram com as três vítimas por mais de uma hora e foram até um matagal em Arroio dos Ratos.

A ocorrência policial, registrada com o número 9826, termina com este fato. Mas as autoridades da área de Segurança apuram que as três pessoas foram mantidas reféns por 24 horas. Enquanto isso, os sequestradores, com ordens de dentro da Pasc, cavaram uma cova e começaram a ameaçar a companheira do apenado Fabrício da Silva. Também gravaram um vídeo e enviaram para o detento. O principal suspeito do sequestro é Lauri Cunha, que teria exigido R$ 450 mil. Fabrício teria feito contatos e obteve o valor, pagando o resgate.

Troca de mensagens, entre um preso da Pasc e seu comparsa, sobre o dinheiro do resgate / Foto: Reprodução

Troca de mensagens, entre um preso da Pasc e seu comparsa, sobre o dinheiro do resgate / Foto: Reprodução

Outros crimes

A companheira de Fabrício foi solta, mas os problemas continuaram. Primeiro, por que o sequestro dela a caminho da penitenciária quebrou uma regra entre presos, gerando uma revolta no sistema prisional. Depois disso, começaram a ser articulados atos de vingança contra o sequestrador e até mesmo para cobrar o dinheiro obtido por Fabrício. Ou seja, credores estariam exigindo o pagamento, já que ele também teve de pedir emprestado para comparsas. Por questões de segurança, o Deic foi acionado pela direção da Pasc, a penitenciária está em alerta e o preso Fabrício da Silva foi transferido.

A Superintendência dos Serviços Penitenciários (Susepe) confirma a transferência, realizada na segunda-feira (16). Além disso, houve uma ação dentro da Pasc e foi recolhido o celular de um dos presos envolvidos, onde há informações sobre o valor do resgate pago, inclusive com fotos e troca de mensagens. A polícia também está apurando se alguns crimes ocorridos após o sequestro, principalmente na área de atuação de um dos traficantes investigados, tem como motivação essa desavença entre os dois presos. Duas pessoas foram executadas em Canoas e um carro foi incendiado em Nova Santa Rita.

Comentários (1)

  • Vergonha diz: 18 de maio de 2016

    PASC: prisão ou balcão de negócios. que absurdo. Por isso, que o Biron pediu transferencia para lá. Por mim, podia executar todos eles.

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