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Polícia e defesa de suspeito aguardam perícia para esclarecer quem matou publicitário em Porto Alegre

17 de abril de 2014 0

A Polícia Civil e a defesa de Jaerson Martins de Oliveira, 41 anos, acreditam que resultados periciais sobre o assassinato do publicitário Lairson José Kunzler, 68 anos, possam ser divulgados já na próxima semana, quando o crime completará dois meses. A vítima foi assassinada no dia 25 de fevereiro deste ano na zona Sul de Porto Alegre após ter saído de uma agência bancária com cerca de R$ 50 mil. O objetivo é esclarecer quem matou o idoso, já que em março, o suspeito foi preso e depois foi solto quando os advogados divulgarem um vídeo mostrando o detento do regime semiaberto trabalhando em local e horário em que foi apontado com o responsável pelos disparos contra Kunzler.

Defesa apresentou vídeo com álibi do suspeito e aguarda que perícia confirme a autenticidade / Foto: Reprodução

Defesa apresentou vídeo com álibi do suspeito e aguarda que perícia confirme a autenticidade / Foto: Reprodução

O Institituto Geral de Perícias (IGP) informou que ainda trabalha dentro do prazo e que em breve os resultados serão entregues à Polícia. A titular da 6ª Delegacia de Polícia, delegada Áurea Hoeppel, segue investigando o caso, apesar de já ter concluído o inquérito com indício de suspeita de três pessoas.

“A perícia é fundamental para comprovar o que já apurei com um informante que, infelizmente, não quer aparecer em público por questões de segurança. No caso, o que descobrimos foi o envolvimento de Jaerson de Oliveira”, diz a delegada.

Perícias

Os resultados aguardados para a próxima semana são a perícia na moto do suspeito, no capacete, no vídeo apresentado pela defesa e uma comparação de fotos de pessoas que estavam no banco no dia do crime com suspeitos apontados pela Polícia. O resultado sobre digitais já foi entregue, mas como foi negativo, já foi descartado.

Defesa

O advogado Eduardo Zottis Salla Duro também aguarda para a próxima semana o resultado pericial, já que o crime completa dois meses e inicialmente, segundo ele, se encerra um prazo extra-oficial de 20 dias para divulgar se o vídeo que ele apresentou é ou não autêntico. Zottis destaca ainda que não está fazendo pressão pelo fato de saber a demanda que o IGP tem, mas ressalta que Jaerson está sendo prejudicado e se quer consegue outro emprego.

* Ouça entrevista completa do advogado Eduardo Zottis Salla Duro:

Os caminhos da maconha no Uruguai: Autoridades admitem o risco do comércio ilegal continuar e prometem fiscalização rigorosa

16 de abril de 2014 0
Pé de maconha no Uruguai - Foto: Cid Martins / Rádio Gaúcha

Pé de maconha no Uruguai – Foto: Cid Martins / Rádio Gaúcha

A regulamentação do comércio e plantio da maconha no Uruguai, a partir deste mês, tem como objetivo estimular as plantações caseiras, a venda em farmácias, a criação de clubes, o uso terapêutico e também o combate ao narcotráfico. Autoridades do país vizinho admitem o risco do tráfico continuar e prometem fiscalização rigorosa, até pelo fato de que a Reportagem flagrou a venda direta de maconha para estrangeiros.

Seja em Rivera, na fronteira com o Brasil, ou nas praias, como em La Valizas, o tráfico de maconha ainda continua. A equipe da Rádio Gaúcha esteve por dez dias no país vizinho, em fevereiro, e flagrou o repasse de plantas e sementes em cultivos ilegais e também estava ocorrendo por meio de traficantes. Além disso, plantas de cultivadores estavam sendo roubadas para revenda nas praias.

Combate ao tráfico

Para tentar coibir estas práticas ilegais, o governo de José Mujica vai regulamentar nos próximos dias o comércio e o plantio da maconha. O cadastro de cultivadores e usuários terá segurança máxima e a fiscalização deverá ser rigorosa.

- Julio Calzada, secretário Geral da Junta Nacional de Drogas:

- Situação complica, casos complicam no ponto de vista social e econômico. Intervir com controle policial para coibir o comércio ilícito, promover cultura, educação, saúde e dar resposta sanitária também. A regulamentação é o primeiro passo que vai ser dado junto com o combate ao narcotráfico.

Enquanto isso, segue a polêmica inicial sobre o consumo da maconha. Do lado uruguaio…

- Álvaro Gomez, da Movida Cannabica de Rivera:

- E realmente isso tem um fator positivo, você tira pessoas da rede clandestina, você tira do narcotráfico. É aí que tem o jovem que acabou se perdendo no crack, que cometeu um delito.

E do lado brasileiro, o delegado gaúcho Rodrigo Zucco prendeu semana retrasada em Porto Alegre quatro traficantes que também são usuários de drogas e acabaram cometendo outros delitos. Segundo ele, todos começaram na maconha e atualmente passaram para o crack, consequentemente, também passaram a roubar.

“Alguns estão fumando inclusive o pitico, que é o cigarro de maconha com pedras de crack dentro”, disse Zucco.

E ainda do lado brasileiro, existe outra preocupação sobre a nova lei da maconha no Uruguai:

- Delegado de Polícia de Santana do Livramento, Eduardo Finn:

- Provavelmente essa pessoa que consome mais, uma vez terminada a maconha, digamos assim, oficial, vai passar a alimentar o tráfico, vai comprar no tráfico.

No Uruguai, o limite por mês para consumo será de 40 gramas por pessoa. Ao ser questionado se por ventura viesse a consumir mais maconha do que o permitido, um uruguaio destacou:

- Isso é outra coisa (risos), mas a flor da maconha aqui para um mês é muito, temos que ter o cuidado pra não compartilhar demais com amigos.

Reportagem: Cid Martins e Jocimar Farina

Produção: Igor Carrasco

Edição de vídeo: Michelle Raphaelli e Nicolas Andrade

Edição de áudio: Domingos Sávio

Colaboração: Lúcio Moraes

Homem que aplicava golpes em revendas de carros na Serra é preso em Caxias

16 de abril de 2014 0

Alexandre Silva Azevedo, o Gordinho, 30 anos, foi preso por policiais da Delegacia de Furtos, Roubos, Entorpecentes e Capturas (Defrec) na manhã desta quarta-feira. Havia uma semana que agentes da especializada de Caxias do Sul monitoravam seus possíveis esconderijos. Com prisão preventiva decretada pela Justiça, Gordinho se entregou ao receber voz de prisão no bairro Planalto, enquanto visitava o pai.

O homem é suspeito de uma série de estelionatos contra revendedores de veículos de Caxias do Sul, São Marcos e Três Cachoeiras. De acordo com o delegado Mário Mombach, responsável pela prisão, o criminoso está indiciado em 16 inquéritos nas três cidades. Gordinho, conforme o apurado pela polícia, simulava o pagamento de veículos com comprovantes falsificados e obtinha a transferências dos automóveis e depois sumia. O criminoso é investigado pelo 1º Distrito Policial. Ele será submetido a reconhecimentos.

 

Os caminhos da maconha no Uruguai: traficantes roubam plantas de cultivadores para vender nas praias

16 de abril de 2014 11
Foto: Cid Martins / Rádio Gaúcha

Equipamento tenta evitar furto de maconha – Foto: Cid Martins

O governo uruguaio pretende regularizar a partir dos próximos dias o comércio e plantio da maconha para vários fatores, sendo um deles o combate ao tráfico de drogas. Mas alguns cultivadores na lista de cadastro para plantio caseiro estão enfrentando um problema: traficantes estão atacando estas plantações para depois vender nas chamadas “praias da maconha“, entre La Paloma e Punta Del Diablo. Medidas estão sendo adotadas para evitar os roubos.

Nas matérias anteriores, mostramos a produção de alimentos e de pomadas derivados da erva, o comércio ilegal de sementes e as plantações irregulares, além do risco de um turismo canábico com o hotel da maconha e a ida e vinda de brasileiros da fronteira para consumo da droga em Rivera.

Roubos

As praias entre La Paloma e Punta Del Diablo já são procuradas pelo consumo livre há muito tempo, conforme a legislação uruguaia permite. Com a regulamentação do comércio e plantio nos próximos dias, estrangeiros com permanência inferior a 90 dias estão proibidos de adquirir. Mas como fumar é livre, fica a polêmica sobre como vão conseguir a maconha. A Reportagem confirmou que ainda continua a ação de traficantes e flagrou cultivadores ilegais repassando a erva para turistas. Agora, um fato que preocupa os cultivadores já inscritos pelo governo para o plantio caseiro: o roubo de plantas para vender nas praias. Uma cultivadora da praia de Santa Isabel, que respeita os padrões que a nova lei vai exigir, conversou com a Reportagem:

- Eu vi uma placa aqui, 10 metros de distância. Estão roubando? Sim, muito. Há uns quatro anos todo mundo sabe que estamos plantando. Se não tivesse o comprador, eles botariam em revista, livro e Internet, mas tem quem compra igual.

A cultivadora confirma que pequenos traficantes estão roubando as flores das plantas para vender a turistas nas praias, já que a erva do Uruguai é mais procurada pelo fato de ser mais pura. Mas também roubam para consumo próprio ou para obter sementes. Ela destacou:

- Tiraram as plantas da avó de meu filho, ela tinha a planta assim verde, sem flor, e eles tiraram igual, não sei pra que se é ignorância, se é maldade

Outro cultivador da praia de Santa Isabel foi obrigado a colocar junto aos pés de maconha um sensor que acende luz e toca alarme quando alguém ingressa no local.

- Estamos investindo para evitar o roubo.

- Julio Calzada, secretário Geral da Junta Nacional de Drogas:

- Trabalhamos na criação de mecanismos de controle, aspectos com produção, distribuição e cadastro de usuários. Além de incentivar o plantio legal e o tratamento terapêutico, queremos combater o narcotráfico.

* Veja o vídeo sobre traficantes que roubam plantas de cultivadores para vender nas praias:

* Ouça a reportagem completa:

- Na próxima matéria: A liberação da maconha para combater o tráfico

Reportagem: Cid Martins e Jocimar Farina

Produção: Igor Carrasco

Edição de vídeo: Michelle Raphaelli e Nicolas Andrade

Edição de áudio: Domingos Sávio

Colaboração: Lúcio Moraes

Leia mais:
- Os caminhos da maconha no Uruguai: flagrante de plantação ilegal
- Os caminhos da maconha no Uruguai: o comércio ilegal de sementes
- Os caminhos da maconha no Uruguai: a ida e vinda de brasileiros para fumar na fronteira
- Os caminhos da maconha no Uruguai: O hotel canábico em Colônia do Sacramento
- Os caminhos da maconha no Uruguai: o risco do turismo canábico
- Os caminhos da maconha no Uruguai: Consumo, venda ilegal e fabricação de produtos derivados nas praias

Os caminhos da maconha no Uruguai: flagrante de plantação ilegal

15 de abril de 2014 2

A Reportagem da Rádio Gaúcha esteve em sete plantações de maconha no Uruguai durante dez dias deste ano, em fevereiro. Em Rivera, a equipe falou com brasileiro que ensinou como cultivar a planta. Em Florida, presidente da Federação de Canabicultores do país mostrou local destinado a ser o primeiro clube de plantio e em La Pedrera, uma das chamadas “praias da maconha“, a equipe flagrou uma plantação ilegal com cerca de vinte pés de maconha, pelo menos três vezes mais do que a nova lei vai permitir.

Nas matérias anteriores, mostramos o hotel canábico, o comércio ilegal de sementes e a ida e vinda de brasileiros da fronteira para consumir a droga em Rivera. E agora…

Plantação no Uruguai tem três vezes mais do o permitido de pés de maconha / Foto: Cid Martins

Plantação no Uruguai tem três vezes mais do o permitido de pés de maconha / Foto: Cid Martins

Flagrante de plantação ilegal

Entre as praias de La Pedrera e La Paloma, a Reportagem flagrou uma plantação ilegal de maconha. Uma cultivadora chegou a destacar o seguinte para a equipe:

- Essas são sativas, por isso crescem tanto. Sativas são plantas daqui, da América tropical.

O número de plantas é três vezes maior do que o governo projeta por residência. Por isso o local é irregular, primeiro por que a lei vai ser regulamentada e quando for, o máximo permitido para uma pessoa é ter seis plantas. Outro cultivador ainda destacou:

- Aqui tem mais de quarenta variedades.

Praia de Santa Isabel

Deste local, a Reportagem foi para outra praia, em Santa Isabel, onde há um conjunto de famílias com várias plantações. Todos estão cadastrados para cultivar e condenam o tráfico de drogas. Também lamentam que tenha tanto preconceito sobre a maconha. Além de fumar maconha, estas famílias fazem azeite, pomada e bombons com a erva.

- Álvaro Calistro, cultivador de maconha em Montevidéu:

- Aqui não tem grandes cultivos e a idéia é de que a maconha não é droga para se vender, é para se compartilhar.

Fronteira

Em Rivera, brasileiro que reside nesta cidade não quis mostrar sua plantação, mas ensinou parte da técnica de cultivo que aprendeu com os uruguaios:

- Eu vou te ensinar, abelha não pode chegar nela, se ela polinizar acabou. Isso é uma coisa que não ensina na Internet.

- Julio Calzada, secretário Geral da Junta Nacional de Drogas:

- Não é uma liberação, mas sim uma regularização do mercado que já existe e cresce nos últimos 30 anos, nos últimos dez de forma explosiva.

Segundo Calzada, um grupo de 30 pessoas de sete ministérios do governo desenvolve mecanismos de controle, produção, distribuição e cadastro de usuários. O objetivo também é o tratamento terapêutico, mas também combater o narcotráfico. Além do plantio em casa, o uruguaio vai poder adquirir em farmácias ou formar clubes com cerca de 45 membros com direito a 99 plantas. E a Reportagem esteve no local, na cidade de Florida, onde já está quase pronta a área para o cultivo do primeiro clube cannabico uruguaio.

Em Florida, perto de Montevidéu, nesta área terá o primeiro clube canábico do país / Foto: Cid Martins

Em Florida, perto de Montevidéu, nesta área terá o primeiro clube canábico do país / Foto: Cid Martins

- Julio Rey, presidente da Federação de Cannabicultores do Uruguai:

- Se cultiva para não pegar a maconha nas bocas de venda. Queremos apenas fumar nossa maconha que é mais pura. Também não vamos vender para turistas.

* Ouça matéria sobre o flagrante de plantação ilegal veiculada no Chamada Geral 3ª edição:

- Na próxima matéria: Traficantes roubam plantas de cultivadores para vender nas praias

Reportagem: Cid Martins e Jocimar Farina

Produção: Igor Carrasco

Edição de vídeo: Michelle Raphaelli e Nicolas Andrade

Edição de áudio: Domingos Sávio

Colaboração: Lúcio Moraes

Ouça a matéria sobre o flagrante de plantação ilegal veiculada no Chamada Geral 3ª edição:

Justiça de Caxias nega pedido para soltura de envolvidos no assassinato de psicólogo

15 de abril de 2014 0

Por decisão do juiz Sérgio Fusquine Gonçalves, titular da 4º Vara Criminal de Caxias do Sul, foi negado o pedido formulado pela defesa de parte dos acusados do assassinato do psicólogo e ativista ambiental Samuel Eggers, 24 anos. Para o magistrado, a defesa de Aldemir Patrick Hoffmann da Silva, 20, e Andressa Chaves Canali, 28, e Waleska Chaves Canali, 18, não apresentou elementos que justificassem a revogação da prisão preventiva. Recentemente, o Tribunal de Justiça negou um habeas corpus que favoreceria Maurício Monteiro da Silva, 18. Maicon Tavares Feijó, 25, foi o único que não tentou judicialmente a soltura. Porém, ele poderia ser beneficiado no caso da revogação da preventiva dos corréus.

Eggers foi morto na madrugada de 13 de setembro do ano passado. Segundo a investigação da Polícia Civil, Samuel deixou duas amigas em casa, na Rua Henrique Dias, e seguiu a pé na direção da casa dos pais, no bairro Exposição. Logo depois das jovens entrarem no prédio onde moram, o psicólogo foi abordado pelos cinco indiciados que estavam em um Monza bordô. Maurício desembarcou do carro e tentou dominar Samuel.

O psicólogo, que era praticante de artes marciais, reagiu e agrediu o bandido. O criminoso retornou para o carro e resolveu voltar para se vingar e matou Samuel a tiros. Neste momento, as duas mulheres não estavam mais no carro. Eles estavam em uma esquina próximo ao ponto onde aconteceu a abordagem.

O crime começou a ser elucidado no dia 25 de setembro, quando dois indiciados foram detidos e acabaram dando detalhes do assassinato. A polícia chegou à identificação deles graças a um compartilhamento de informações entre a corporação, a Brigada Militar e o Ministério Público.

Os caminhos da maconha no Uruguai: o comércio ilegal de sementes

15 de abril de 2014 2

Para evitar o suposto risco de trazer uma planta de maconha para o Brasil, traficante de Rivera oferece sementes de maconha à Reportagem. Já nas praias, cultivadores chegam a dar sementes para a equipe. Uruguaios, que descartam o turismo canábico, dizem que as sementes têm validade por serem de plantas selecionadas e condenam o comércio ilegal. Eles destacam a diferença da droga plantada no país vizinho com outras dos demais países da América.

A maconha do Uruguai é valorizada por ser considerada mais pura e por ser usado apenas o chamado “camarão”, que é a flor da planta. Mesmo assim, a regulamentação do comércio limita o uso e proíbe para estrangeiros que não sejam residentes por mais de 90 dias. Por isso, os traficantes seguem oferecendo a droga, conforme comprovou a Reportagem nas “praias da maconha” e em um hotel na cidade de Colônia do Sacramento. E ainda existe um outro tipo de irregularidade…

Traficante vendia sementes em Rivera e cultivador oferecia de graça para consumidores / Foto: Cid Martins

Traficante vendia sementes em Rivera e cultivador oferecia de graça para consumidores / Foto: Cid Martins

Comércio ilegal de sementes em Rivera

A equipe da Rádio Gaúcha flagrou a venda de sementes no mercado negro na fronteira com o Uruguai. Este foi o contato feito com um traficante brasileiro que mora em Rivera:

- Isso aqui é maconha boa. Tem semente aí? Cuidado que, se tu abrir aí vai cair e terminou. Nessa aqui tem semente pra tu tirar. Aquela outra que te dei na mão, no papelzinho, dá pra abrir um pouquinho, pode, só não vai me derramar, pelo amor de Deus.

As sementes não foram compradas e para despistar o traficante, a Reportagem disse que pegaria o pacote mais tarde. Mas o traficante desconfiou e fez ameaças:

- Eu to é desconfiado de vocês (depois várias pessoas falam ao  mesmo tempo). Mato tudo eles e atiro, bem ligeiro, junto todos vocês. Polícia, ninguém se animou chegar em mim.

A situação foi resolvida sem maiores problemas.

La Valizas, uma das chamadas “praias da Maconha”

Um cultivador irregular, porque possui mais do que o número de pés de maconha que será permitido por lei, chegou a oferecer de graça sementes à Reportagem, explicando como plantar:

- Sacar um pé de semente. Melhor, guarda em um algodão, põe depois a semente na água e deixa que germine, em casa mesmo. Ao sair o broto, põe na terra.

Mas cuidado, a Polícia brasileira alerta que, com o rigor da lei, trazer semente de maconha de outro país é tráfico internacional de drogas.

Autoridades uruguaias

O governo destaca que a própria regulamentação do comércio e plantio vai servir para combater estas questões envolvendo traficantes. Destaca que só uruguaios cadastrados vão poder comprar e plantar. Sobre turistas, somente aqueles cadastrados e com permanência superior a 90 dias no país.

* Ouça a matéria sobre o comércio ilegal de sementes veiculada no Chamada Geral 3ª edição:

* Veja vídeo sobre sobre o comércio ilegal de sementes:

- Na próxima matéria: Flagrante de plantação ilegal de maconha

Reportagem: Cid Martins e Jocimar Farina

Produção: Igor Carrasco

Edição de vídeo: Michelle Raphaelli e Nicolas Andrade

Edição de áudio: Domingos Sávio

Colaboração: Lúcio Moraes

Os caminhos da maconha no Uruguai: a ida e vinda de brasileiros para fumar na fronteira

15 de abril de 2014 17

A Reportagem (Rádio Gaúcha e Blog Caso de Polícia) esteve por dez dias no Uruguai neste ano. Três deles na principal região de fronteira, entre Santana do Livramento e Rivera. A passagem de brasileiros para o país vizinho tem ocorrido não só para fazer compras, mas para fumar maconha no local onde o consumo é liberado. Enquanto o governo de Mujica admite que a fiscalização na fronteira será mais complicada, a Polícia brasileira alerta para o risco de tráfico internacional.

Nesta terça-feira (15/04), está sendo divulgada uma série de matérias sobre os caminhos da maconha no Uruguai. Na primeira edição, as praias da maconha, na segunda, o risco do turismo canábico e na terceira, o hotel da maconha. A série mostra que o país vizinho também está regulamentando o plantio e o comércio para tratamento terapêutico, bem como para combater o narcotráfico. Além disso, cultivadores e usuários estão sendo cadastrados (eles condenam a venda da maconha) e se fala em uma fiscalização rigorosa. Por outro lado, a série mostra que na fronteira a situação é mais complicada e que ainda continua o tráfico de drogas no Uruguai. Estrangeiros seguem adquirindo a erva de forma ilegal.

Fronteira

Uma rua apenas separa amigos que estão sob duas legislações diferentes: Rivera, Uruguai, e Santana do Livramento, Brasil. No país vizinho, moradores relataram o seguinte:

“Rivera é lugar livre pra fumar, por isso todo mundo quer vir pra cá”, disse uruguaio.

Já no Brasil, a jovem Bárbara da Costa ressaltou:

“Enquanto nós, no Brasil, sofremos com a lei do proibicionismo, contra essa liberdade de usar”, reclamou.

Tendo ao fundo o obelisco na Praça Internacional, o vai e vem principal de brasileiros é para fazer compras na fronteira, mas agora também ocorre para visitar amigos e compartilhar o uso liberado da maconha. Em Rivera, assim como em todo o Uruguai, alguns jovens estão optando pelo plantio da erva para sair da clandestinidade e para evitar comprar de traficantes.

Álvaro Gomez (à direita) confirma que brasileiros fumam maconha em Rivera, já que não é crime / Foto: Cid Martins

Álvaro Gomez (à direita) confirma que brasileiros fumam maconha em Rivera, já que não é crime / Foto: Cid Martins

- Álvaro Gomez, da Movida Cannabica de Rivera:

A gente, não quer dizer que a gente está apoiando ou fazendo apologia às drogas, é que o usuário tenha possibilidade de plantar na sua casa, é a forma mais fácil, mais prática, você preserva, está num âmbito íntimo, no seu lugar, sem nenhum problema de violência.

Assim como dizem ser a maconha a porta de entrada para outras drogas, Rivera está sendo mais uma porta de entrada dos brasileiros para o consumo da erva no Uruguai.

- Álvaro Gomez, da Movida Cannabica de Rivera:

Temos um lugar muito freqüentado no Uruguai (Rivera) por brasileiros, muita galera brasileira que sabe que neste lado não é crime, usuários vêm e consomem deste lado com tranqüilidade.

Durante uma festa em Rivera, moradores de Livramento disseram à Reportagem que o governo deve controlar o mercado negro e não a chamada integração canábica de jovens da fronteira.

- Bárbara da Costa, moradora de Santana do Livramento:

O estado não pode se omitir, tem que controlar sim, regulamentar como o Uruguai faz. O Uruguai tem que ser tomado como exemplo e a gente deve ter esse avanço de política no Brasil.

- Julio Rey, Presidente da Federação de Cannabicultores do Uruguai:

O Brasil tem que acordar como o Uruguai e isso vai levar tempo.

A exemplo do ano passado, brasileiros e uruguaios já estão organizando para o final de 2014 a 2ª Marcha Internacional da Maconha na fronteira. Eles também contam com uma medida proposta pela Federação de Canabicultores do Uruguai para facilitar ainda mais a venda de maconha a estrangeiros. No momento, turistas (desde que estejam a mais de 90 dias no país) não podem comprar maconha e a fronteira segue sendo considerada um risco.

- Secretário Geral da Junta Nacional de Drogas (Uruguai) Julio Calzada:

Estamos trabalhando para evitar o turismo canábico, a ação de traficantes e acreditamos que é um grande avanço esta regulamentação. Mas acredito que teremos maiores dificuldades na fronteira, no que diz respeito à fiscalização.

E a Polícia brasileira adverte…

- Delegado de Polícia de Santana do Livramento, Eduardo Finn:

É normal que aconteça, mas enquanto estiver acontecendo em território uruguaio, é uma questão que nós não temos ingerência, nós não vamos nos envolver nisso aí. Mas no momento que uma pessoa recebeu uma maconha e retorna ao Brasil, ela está sujeita à aplicação da lei penal brasileira, que neste caso é tráfico internacional de drogas.

* Ouça a matéria Fronteira com o Uruguai veiculada no Gaúcha Repórter:

- Na próxima matéria: o comércio ilegal de sementes

Reportagem: Cid Martins e Jocimar Farina

Produção: Igor Carrasco

Edição de vídeo: Michelle Raphaelli e Nicolas Andrade

Edição de áudio: Domingos Sávio

Colaboração: Lúcio Moraes

Os caminhos da maconha no Uruguai: O hotel canábico em Colônia do Sacramento

15 de abril de 2014 6

Após mostrar as praias da maconha e o risco do turismo canábico no Uruguai, a Rádio Gaúcha fala sobre o hotel da maconha. A reportagem flagrou o comércio livre para estrangeiros na cidade de Colônia do Sacramento, distante cerca de 190 quilômetros de Montevidéu, às margens do Rio da Prata.

Em fevereiro, quando a equipe passou dez dias no país vizinho, um uruguaio vendia até mesmo papel de seda para enrolar a erva e demais apetrechos para fumar, bem como para armazenar a droga.

A série tem o objetivo de mostrar como os uruguaios se preperam para a regulamentação do plantio e do comércio, que por sinal, busca combater o narcotráfico. Mas as reportagens também vão mostrar que estrangeiros estão adquirindo a droga de forma ilegal no país vizinho.

Hotel da maconha

Produtos vendidos por traficantes dentro de hotel em Colônia do Sacramento / Foto: Cid Martins

Produtos vendidos por traficantes dentro de hotel em Colônia do Sacramento / Foto: Cid Martins

Já no check-in de um hotel (o nome não é divulgado justamente para evitar o chamado turismo canábico), a reportagem informou-se com o recepcionista sobre a venda de maconha no local. Um rapaz que atendia no local apenas disse que haveria uma festa à noite (em fevereiro) e que se precisássemos de cerveja ou maconha, poderíamos obter. A bebida com o hotel, e a droga com um outro jovem.

Depois do primeiro contato, a equipe conversou dentro do próprio estabelecimento com o jovem indicado pelo recepcionistas. Foi no terraço do prédio, onde a festa já havia começado. Foi combinada a entrega da maconha da mesma forma como outros turistas estavam adquirindo.

Tele-entrega

Logo depois do segundo contato, tipo uma tele-entrega, o traficante entrou no quarto e levou a maconha para a suposta compra. Ele disse que era de Montevidéu.

“Vocês que querem a maconha? São de onde? Custa entre 300 e 500 pesos uruguaios”, destacou o traficante.

A reportagem não ficou com o produto e combinou de pegar a encomenda após efetuar o suposto pagamento. Na festa, a equipe flagrou não só a venda de maconha, mas o comércio de vários tipos de papel seda usados para enrolar a erva, bem como apetrechos para fumar e guardar a droga.

Papel seda para enrolar a erva e apetrechos para guardar a droga estavam à venda / Foto: Cid Martins

Papel seda para enrolar a erva e apetrechos para guardar a droga estavam à venda / Foto: Cid Martins

“Este papel é especial, é papel de arroz e tem outros com fotos e nome se Bob Marley, Che Guevara”, disse o traficante.

O comércio ilegal ocorria livremente, na frente de todos. Os demais integrantes da festa fumavam maconha livremente porque no Uruguai isso é permitido. E a equipe da Rádio Gaúcha não era o único grupo de estrangeiros no hotel de Colônia do Sacramento, havia também turistas alemães.

Nova Lei

O tráfico dentro do hotel em Colônia do Sacramento é um dos fatos que a nova lei quer combater. Cultivadores cadastrados pelo governo condenam esta prática e estão ajudando o poder público denunciando os casos. O governo lembra ainda que se um cultivador vender maconha será processado e perederá o cadastro.

- Secretário Geral da Junta Naciona de Drogas (Uruguai), Julio Calzada:

Estamos trabalhando em todos os aspectos para combater o narcotráfico e também o risco do turismo canábico. O objetivo da regulamentação do plantio e do comérico da maconha é ainda para o tratamento terapêutico. Além do cadastro de usuários e de cultivadores, teremos uma fiscalização rigorosa.

- Secretário Nacional de Políticas sobre Drogas (Brasil), Vitore Maximiano:

É importante que todos compreendam que a forma histórica que o Uruguai tem para tratar deste tema é bastante diferente da forma que o Brasil trata deste tema.

* Ouça a matéria sobre o hotel da maconha veiculada no Chamada Geral 1ª edição:

* Veja o vídeo sobre o hotel da maconha no Uruguai:

- Na próxima matéria: Fronteira com o Uruguai – A ida e vinda de brasileiros para fumar maconha em Rivera

Reportagem: Cid Martins e Jocimar Farina

Produção: Igor Carrasco

Edição de vídeo: Nicolas Andrade

Edição de áudio: Domingos Sávio

Colaboração: Lúcio Moraes

Os caminhos da maconha no Uruguai: o risco do turismo canábico

15 de abril de 2014 10

Depois de divulgar que praias uruguaias seguem procuradas por turistas, agora ainda mais com a regularização do comércio e plantio da maconha, a reportagem da Rádio Gaúcha e o Blog Caso de Polícia mostram o risco de o país se tornar uma rota de turismo canábico.

Cultivadores e policiais negam. O governo do presidente José Mujica diz que trabalha para evitar isso, mas a equipe esteve no país vizinho e confirmou que existe este risco. E ele não está ligado diretamente ao tráfico, mas a procura pelo Uruguai para consumir a droga.

Cultivador de maconha em Montevidéu não descarta o turismo canábico / Foto: Cid Martins

Cultivador de maconha em Montevidéu não descarta o turismo canábico / Foto: Cid Martins

O Uruguai, com suas belas praias e cidades históricas, já é procurado anualmente por milhares de turistas, mas agora também se discute o risco de ocorrer o chamado turismo da maconha. Na praia de Punta del Diablo, por exemplo, a equipe fez uma simples pergunta ao recepcionista de uma pousada: ”Brasileiro que vem aqui é para surfar?”

A resposta foi clara: “Tem alguns, mas não todos, geralmente não são surfistas (risos)”, disse o recepcionista.

Para Álvaro Calistro, cultivador de maconha em Montevidéu,  não será novidade que possa ocorrer o turismo da maconha. Segundo ele, é lógico e até racional. Mas adverte, que não é costume do cultivador do país vender a planta. Todos têm como objetivo o consumo próprio e o combate ao narcotráfico.

Com a nova lei que entra em vigor a partir deste mês, o Uruguai será o único país do mundo onde as pessoas já fumam livremente,  e vão poder plantar e comercializar a maconha. Há regras, limites, cadastro e promessa de fiscalização rigorosa.

Julio Rey acredita que turista não irá até o Uruguai para comprar maconha / Foto: Cid Martins

Julio Rey acredita que turista não irá até o Uruguai para comprar maconha / Foto: Cid Martins

Já o presidente da Federação de Canabicultores do Uruguai, Julio Rey, acredita que o gaúcho, por exemplo, não irá até o país para tentar comprar maconha. Para ele, a erva no Brasil e até na Argentina é mais barata.

O delegado de polícia de Livramento, Eduardo Finn, em princípio, não acredita em turismo canábico. Ele destaca a distância como principal obstáculo.

“A distância não vai favorecer alguém viajar tanto só para buscar maconha porque se busca na esquina de casa em Porto Alegre”, disse Finn.

Para o governo uruguaio, a nova lei visa também o tratamento terapêutico, mas principalmente regulamentar o já existente mercado das drogas e ainda o combate ao tráfico. Para Julio Calzada, secretário Geral da Junta Nacional de Drogas do país, o governo brasileiro teme o turismo e por isso a nova lei vai inibir este prática.

Segundo ele, temas sobre o assunto já estão sendo trabalhados. ”Estamos tomando todas as medidas para que não se desenvolva turismo canábico”, destacou Calzada.

Venda ilegal

A polêmica sobre o turismo canábico está mais ligada ao risco de viagens apenas para a compra da droga. Ao passar dez dias neste ano no Uruguai, a reportagem da Rádio Gaúcha comprovou que por enquanto isso não ocorre. No entanto, estrangeiros que estavam no local já fumavam, continuavam comprando de traficantes e ainda estavam adquirindo com cultivadores ilegais, principalmente nas chamadas praias da maconha.

Gonzalo Alonzo, da Movida Canábica de Rivera, destacou que há pessoas procurando a erva uruguaia, mas ainda “por debaixo dos panos” ou no mercado negro.

Turistas

Álvaro Calistro, cultivador de maconha em Montevidéu, disse que, por enquanto, o governo apenas trabalha com um prazo de permanência por 90 dias no país para o turista se cadastrar e poder comprar a droga. Mas para ampliar este período, ele disse que a Federação de Canabicultores está propondo novas leis em relação ao turista estrangeiro.

No Rio Grande do Sul, algumas autoridades divergem sobre a regulamentação do comércio da maconha no Uruguai. O secretário Estadual da Segurança, Airton Michels, esta é uma experiência que recebe grande repercussão internacional e que deve ser respeitada. Para ele, não vai trazer nenhum problema para o Estado.

Já o médico e deputado federal Osmar Terra, diz queaumenta muito o consumo de maconha e o número de pessoas doentes quando um governo relaxa ou diz que não há qualquer tipo de problema sobre o risco de turismo canábico.

* Ouça a matéria sobre o Risco do turismo da maconha veiculada no Gaúcha Atualidade:

*Na próxima edição: O hotel da maconha

Reportagem: Cid Martins e Jocimar Farina

Produção: Igor Carrasco

Edição de áudio: Domingos Sávio

Edição de vídeo: Michelle Raphaelli e Nicolas Andrade

Colaboração: Lúcio Moraes