Investigadores da Defrec tentam, desde a madrugada desta quarta-feira, reconstruir a sequência de acontecimentos que culminaram na morte do sargento da reserva da Brigada Militar, Jorge Alberto Amaral, de 44 anos. O ex-policial foi morto com um tiro, no final da noite de terça-feira. Com sua moto particular, ele perseguiu um carro roubado e tentou prender um assaltante. Ele havia se aposentado e deixado o policiamento de rua há quase dois meses.
A Polícia Civil ainda não tem certeza das circunstâncias e do horário em que Amaral ficou sabendo do roubo de uma Spin, no bairro Madureira, na área central da cidade. O roubo do veículo aconteceu às 22h30min. Um pastor da Igreja Batista e a mulher foram rendidos por um homem armado, logo após cruzarem o portão de entrada da residência deles. De acordo com o religioso, o bandido usava um capacete e vestia um moletom branco, com manchas pretas. O bandido mandou o casal desembarcar, deixar a chave na ignição e abrir o portão. A vítima também avistou outro homem em uma moto, que acompanhava a certa distância o ataque. O criminoso na moto seguiu a perua roubada.
Conforme o delegado Caio Fernandes, plantonista da 2ª Delegacia de Pronto-atendimento, ainda é uma incógnita como Amaral ficou sabendo do crime. Esse contexto é importante para inquérito pois pode dar indícios da autoria e também auxiliar a polícia na localização de imagens de câmeras de segurança de prédios privados no trajeto da perseguição.
Uma das hipóteses investigadas é de que o policial tenha ficado sabendo do roubo pela rede de rádio da corporação. É comum PMs, mesmo os da reserva, terem radiocomunicadores particulares. Porém, o equipamento foi encontrado por peritos no baú da moto do ex-policial. Outra linha da investigação é que o brigadiano da reserva tenha reconhecido o bandido que conduzia o carro e iniciado a perseguição. Como estaria em alta velocidade, não teria conseguido informar ao Centro Integrado de Operações em Segurança Pública sobre o que acontecia e nem mesmo pedir apoio. A última ligação no celular de Amaral era de uma hora antes da ocorrência.
Mas pelo o que já foi apurado, Amaral teria iniciado a perseguição ao carro roubado ainda na Avenida Rubem Bento Alves, a Perimetral Norte. Teriam acontecido várias tentativas de abordagem, mas o motorista da Spin não parava e ainda tentava derrubar Amaral da moto.
Na Rua Cristiano Ramos de Oliveira, quase no entroncamento com a Avenida Bruno Segalla, a Perimetral Sul, o motorista do carro roubado parou. Amaral investiu contra o assaltante e eles começaram a lutar. A briga só cessou quando o criminoso teria conseguido atirar contra o sargento aposentado. A polícia ainda investiga a possibilidade do disparo ter sido efetuado pelo bandido que participou do assalto e acompanhava a perseguição. Durante a madrugada, enquanto quatro testemunhas eram interrogadas por agentes da Defrec, PMs faziam buscas e abordavam suspeitos nos bairros próximo ao crime. Porém, ninguém foi preso.
O corpo de Amaral será enterrado no final da tarde desta quarta. Integrante de uma família com tradição na Brigada Militar, o ex-sargento é irmão do capitão Juliano Amaral, policial que comandou o resgate dos reféns da quadrilha que assaltou uma fábrica de joias em Cotiporã, no final do ano passado. Informações sobre a identidade dos bandidos podem ser encaminhadas à BM pelo 190 ou à Polícia Civil pelo 181. Não é necessário se identificar.
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