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Posts com a tag "Ministério Público"

Ministério Público de Livramento denuncia jovem que confessou assassinato de taxistas

17 de maio de 2013 1

Luan foi denunciado por dois, dos três assassinatos, em Livramento / Foto: Tadeu Vilani/Agência RBS

O Ministério Público (MP) em Santana do Livramento denunciou nesta semana, por latrocínio (matar para roubar), o jovem que confessou os três assassinatos de taxistas no município. Luan Barcelos da Silva, 21 anos, foi denunciado pelo promotor José Eduardo Gonçalves por dois destes crimes. São os que envolvem as vítimas Hélio Beltrão do Espírito Santo Pinto e Márcio Fabiano Magalhães de Oliveira. No caso de Ênio Rolim Lencina, que teve o corpo encontrado em Rivera, no Uruguai, a Promotoria encaminhou o caso para Porto Alegre. De acordo com o artigo 88 do Código Penal, somente a Comarca da Capital tem competência para analisar crimes cometidos por brasileiros em território estrangeiro.

* Ouça entrevista do promotor José Eduardo Gonçalves, de Livramento, concedida à Rádio Gaúcha:

De acordo com o MP, o procedimento sobre a terceira vítima na Fronteira-Oeste já foi distribuído para Porto Alegre e novo prazo para apresentar denúncia será estipulado.

Prisão Preventiva

O promotor Gonçalves, de Livramento, também pediu na denúncia a prisão preventiva de Luan e a Justiça no município aceitou. O jovem se encontra preso na Penitenciária de Alta Segurança de Charqueadas (PASC).

Porto Alegre

Em relação às três mortes na zona Norte da Capital, a Polícia deve concluir um inquérito único e remeter ao Poder Judiciário até a próxima segunda-feira. Luan também será indiciado por latrocínio. Nesta semana, ele foi interrogado mais uma vez e foi reconhecido por cinco testemunhas.

Caxiense que afirma curar câncer com remédios caseiros e massagens será investigada pelo MP

13 de maio de 2013 24

* Por Guilherme Pulita

Para quem sofre de uma desilusão amorosa, para quem está fragilizado por uma doença grave, como o câncer, as promessas de Carmem Lúcia são tentadoras. De conversa fácil, usando termos médicos em meio a diálogos com erros grosseiros de português, há mais de 30 anos ela ludibria pessoas de todo o Rio Grande do Sul, e até de outros Estados. Todos são atraídos para o porão da residência da mulher, no bairro Planalto-Rio Branco, Zona Sudoeste de Caxias do Sul, em busca na resolução dos mais variados problemas.

Durante alguns meses, a reportagem investigou a atuação de Dona Carmem, como a mulher é chamada pelas dezenas que pessoas que todos os dias lotam o porão da casa dela. Dizendo ter um grave problema de joelho, que segundo exames apresentados à mulher impossibilitariam qualquer pessoa de estar caminhando, a reportagem marcou uma consulta com Carmem Lúcia. Após explicar o problema, a mulher já sentencia:

- Teu joelho, vou ser sincera te dizer. Não seria bom fazer cirurgia. Agora não - afirma Carmem
- A senhora já tinha me dito para não fazer - relembra o repórter.
- Agora tu vai fazer a "filtração", vou fazer aqui, tu vai sentir, vai queimar. E depois, quando terminar de fazer as três (aplicações do suposto medicamento) tu pode fazer a cirurgia. Eu te libero daí, antes não - diagnostica a mulher enquanto prepara a aplicação da tal filtração.

O procedimento por ela nada mais é do que aplicar um curativo com um óleo que ela diz ser um medicamento elaborado por ela. Entretanto, Carmem não revela quais são os ingredientes, apenas garante a cura de uma ruptura total de ligamentos do joelho por meio daquilo que ela chama de "filtração".

A grande especialidade de dona Carmem, no entanto, não são as curas de problemas ortopédicos. A mulher diz curar doenças graves, especialmente o câncer.

- Meu Deus...eu tirei (o câncer) de várias pessoas aqui que não precisou fazer nada. Nem cirurgia, nada. Se tu tivesses vindo aqui hoje à tarde, tu irias ver. Vieram oito pessoas que não precisou fazer mais nada - assegura a mulher.
- Estavam com câncer também?
- Todas as oito - retruca ela.

Uma das "vítimas" da dona Carmem foi uma caxiense que escutou da mulher a promessa de cura de um câncer no útero. Durante as sessões do tratamento, Carmem disse ter estacionado o câncer e que ela poderia fazer uma cirurgia somente após completar o tratamento com ela. Para curar o câncer, o procedimento adotado é a aplicação de cremes.

- Ela passou uns creminhos. Daí, ela disse que eu ia precisar de um (creme). Mas ela não tinha.
Daí ela ligou pra alguém e encomendou. A gente tinha que estar ali às 20h com o dinheiro. Eram cento e poucos reais. Minha filha ficou louca pra conseguir o dinheiro. Ela disse que o câncer não ia mais evoluir. Ela tinha feito com que ele parasse. Eu tinha que tirar aquilo que tava lá (nódulo no útero), mas não ia mais evoluir. Ela também disse que ela ia estar comigo (na sala de cirurgia) e que ela era muito amiga de todos os médicos - revela a vítima.

Tratamentos caríssimos para o câncer, conforme Carmem podem ser substituídos pelos seus tratamentos alternativos que, assim como suas consultas e aplicação de supostos medicamentos, tem um preço, como a conversa que segue entre o repórter e a curandeira.

- E a senhora cobra quanto por um tratamento contra o câncer?
- Olha querido, é conforme as “filtração” (sic) que eu faço _ Tipo remédio....
- A maioria da R$ 280, R$ 300, R$ 260
- E dura quanto, uma semana?
- Isso ali, tem três, quatro dias que dá pra fazer.

Dizendo ter recebido um dom de Deus, Dona Carmem, não hesita em dizer que aquilo que ganha é destinado à caridade. Usa nomes de religiosos famosos de Caxias do Sul para dar mais credibilidade para seu discurso. Outras vezes afirma que o dinheiro é para comprar insumos para elaborar medicamentos que ela garante que curam doenças.

- Do câncer (remédio) é a senhora quem faz?
- Sim, só pego um do médico que eles colocam dentro das quimioterapia (sic), mas só pego umas gotas e boto dentro - Que doença grave mais a senhora trata?
- Tudo...tudo querido.

Para testar os poderes mediúnicos e de cura de Carmem, o repórter, que é filho único, disse ter um irmão doente e perguntou se ela poderia curar um câncer de testículo no rapaz. O falso irmão, segundo a história relatada pela Gaúcha, estaria internado em um hospital de Porto Alegre. A mulher então se superou. Na primeira consulta, ela colocou um terço sobre uma agenda e fez desenho com uma caneta. Segundo ela, naquele momento ela estaria dentro do quarto de um hospital de Porto Alegre e vendo o suposto irmão. Na segunda consulta, Carmem foi mais longe. Pediu que o repórter se sentasse e retirasse os tênis e meias. Em seguida, pingou um creme com aroma de rosas nas mãos e começou a massagear os pés do repórter. Desta forma, ela dizia estar curando o câncer:

- Eu vou fazer com que ele diminua (o câncer de testículos), mas os médicos são uns FDPs...
- O que, Carmem?
- Os médicos podiam ter tirado esse nodulozinho. Vou ver se eu consigo fazer....
- Sabe que ta doendo meu pé...
- Eu sei. To fazendo pra ele....aguenta só um pouquinho. Isso ai, Senhor. Obrigada Pai, Obrigada Senhor. Em nome do Pai, do Filho, do Espírito Santo. Consegui.

Para o presidente do Sindicato dos Médicos de Caxias do Sul e Região, as promessas da mulher são absurdas:

- É uma prática muito vulgar de curandeirismo que ela está fazendo e também estelionato. O pior disso não é prometer. O pior é que quem vai ali deve estar com fé de que será curado, vai ser amenizado seu sofrimento. Nós, médicos, acreditamos que a fé ajuda muito no tratamento da medicação que a gente aplica, mas esta não é a fé que a gente procura.

O Ministério Público prometeu agir. O promotor de Justiça de Caxias do Sul, Alexander Thomé, que coordena as Promotorias Criminais, disse estar clara a existência de crime e afirmou que vai tomar providências.

- Isso, evidentemente, constitui crime, a gente tem que apurar. A princípio o crime aqui é curandeirismo, é um delito de menor potencial ofensivo, mas isso tudo vai ser apurado no devido expediente - explica Thomé.

Enquanto não é responsabilizada, Carmem segue vendendo a ilusão da cura para as pessoas.

- Tu vai pagar em cheque ou dinheiro?
- Posso lhe pagar a primeira hoje e o resto lhe pago da próxima?
-Bah, mas como é que vou comprar os medicamentos pra te fazer os remédios....

Veja o vídeo:

Fraude no RS: Presos por adicionar no leite substância que causa câncer são interrogados nesta manhã

10 de maio de 2013 3

* Atualizado às 11h40m

O Ministério Público interrogou nesta manhã seis, dos sete presos no momento, na Operação Leite Compensado. Os depoimentos foram entre 9h e 11h, sendo ouvidos dois por vez. Ao todo, cinco detidos disseram que só falam em juízo e outro, o que se apresentou ontem à Polícia, ressaltaou que só transportava leite, que não sabia, não participava e nem desconfiava da fraude. O objetivo do promotor Mauro Rochemback foi buscar mais informações da fraude realizada por transportadores que adicionavam no leite substância que causa câncer. Entre outras informações que a Promotoria tentava obter, seriam se outras pessoas estavam envolvidas e principalmente, se transportavam para outras indústrias.

Operação Leite Compensado prendeu na quarta oito pessoas, seis em Ibirubá, no Norte do RS / Foto: Cid Martins

Do total de nove prisões, oito foram no dia da Operação, na quarta, e outra ocorreu ontem após um dos investigados se apresentar à Polícia em Ibirubá, no Norte do Rio Grande do Sul. Além disso, duas pessoas foram soltas no mesmo dia. As prisões ocorreram em Ibirubá, sete, e as outras foram em Selbach, ao lado de Ibirubá, e em Guaporé, na Serra.

Denúncia

O promotor Mauro Rochemback vai apresentar denúncia à Justiça na próxima segunda-feira e até o momento, deve indiciar 12 pessoas. Os nove que foram presos e outros três investigados, mas que tiveram a prisão indeferida pelo Poder Judiciário. A partir de segunda-feira, a Promotoria inicia nova fase da investigação, já que outras empresas suspeitas de participar desta fraude foram identificadas.

Saiba Mais:
- Cadeia leiteira já foi tema de CPI na Assembleia Legislativa
- Oito pessoas são presas por adicionar substância cancerígena ao leite
- Empresa LatVida está proibida de comercializar qualquer produto derivado de leite a partir de hoje
- Ministério da Agricultura afirma que fabricantes têm como identificar leite adulterado
- Leite no Rio Grande do Sul já está livre de formol e ureia
- Veja quais são os lotes de leite contaminado e orientações para o consumidor
- Fraude no RS: Ministério Público descobre no leite substância que causa câncer

Ministério Público identifica mais empresas envolvidas na fraude do leite no RS

08 de maio de 2013 6

Água deste poço era usada para adicionar ao leite em Ibiruba, norte RS / Foto: Cid Martins

* Por Cid Martins, de Ibirubá, norte gaúcho

O promotor Mauro Rochemback, do Ministério Público do RS, falou, nesta quarta feira, a respeito da nova etapa da Operação Leite Compensado, que se iniciará na próxima segunda-feira, 13. Nesta fase serão investigadas outras empresas, já identificadas, que integram o esquema de fraude. Ele não pode, por motivos óbvios, dar mais detalhes para não prejudicar a investigação.

Medidas

Rochemback também reforçou a importância da fiscalização do transporte da matéria-prima entre o produtor e as indústrias de processamento. Segundo o promotor, certamente alguma modificação será adotada nesse sentido.

O esquema de fraude investigado levou à prisão oito pessoas suspeitas, nesta quarta-feira, nos municípios de Ibirubá e Guaporé, respectivamente no Norte e na Serra. Duas mulheres, entre os oito presos, foram ouvidas e já liberadas. De acordo com o promotor, mais quatro pessoas além dos presos, totalizando 12, serão denunciadas até a próxima segunda.

O objetivo do esquema descoberto era a obtenção de um lucro 10% maior através da diluição do leite, além do acréscimo de ureia ao produto, substância capaz de mascarar a perda de nutrientes. O problema é que na ureia tem formol e formol causa câncer.

Ouça a reportagem:

Empresário é preso em Guaporé por ser um dos responsáveis pela fraude do leite no Estado

08 de maio de 2013 3

O município de Guaporé amanheceu estarrecida em ver o município de 22 mil habitantes, com a economia baseada na produção de joias e lingerie, envolvida em um escândalo estadual de fraude no leite. No centro desse crime, um ponto de resfriamento e transporte de leite, de propriedade do empresário Leandro Vincenzi.

De família tradicional, o homem que teve a prisão preventiva decretada pela Justiça foi detido em sua cobertura, avaliada em mais de R$ 700 mil. Não reagiu à prisão. Segundo policiais que participaram da prisão e do cumprimento de mandados de busca no apartamento, o empresário se manteve todo o tempo calmo. Apenas perguntou qual era o motivo da Operação Leite Compensado.

Enquanto parte dos 40 envolvidos na operação, entre Promotores de Justiça, fiscais da Receita Estadual, Ministério da Agricultura e policiais, prendia o empresário, outros servidores estavam na residência do pai de Vincenzi. O homem é sócio do filho no ponto de resfriamento, mas não foi preso. Na empresa de Vincenzi, todos os funcionários foram identificados e serão chamados para prestar depoimento. Ali, foram apreendidos documentos, computadores e recolhidas inúmeras amostras de leite.

Dois carros e oito caminhões também foram apreendidos. De acordo com o MP, a Justiça determinou o recolhimento dos veículos por entender que eles foram comprados após o início das investigações e, por consequência, com dinheiro obtido vendendo leite adulterado.

Mais de 40 mil litros de leite também foram apreendidos e encaminhados pelo Ministério da Agricultura para uma empresa de Taquara. O leite será transformado em leite em pó. O destino após o processamento será definido pelo ministério.

Fraude do Leite: Ministério Público vai denunciar doze pessoas por adicionar substância cancerígena ao produto

08 de maio de 2013 65

O promotor Mauro Rochemback informou agora a tarde  que além dos oito presos hoje, mais quatro pessoas serão denunciadas até a próxima segunda-feira, entre elas um suspeito que ainda está sendo procurado e outros três que estão sendo investigados por adicionar substância cancerígena ao leite.  Segundo ele, o crime hediondo é o de corrupção de produtos alimenticios, mas em Ibirubá, no norte gaúcho os envolvidos vão respoder também por formação de quadrilha.

"Em Ibirubá, dos seis presos, quatro são da mesma família e foi confirmado que cada um tinha uma função no esquema, como motorista, responsável pela mistura do produto e pela compra entre outras funções. " disse Rochemback. Do total de 12 indiciados, 9 são de Ibirubá 2 de Guaporé e 1 de Horizontina.

Depoimentos

O MP ouviu hoje, informalmente, duas mulheres que foram presas em Ibirubá, Rosilei Geller,  e Natália Junges, segundo Rochemback elas apenas se justificaram e não confirmaram envolvimento no esquema.

Entenda o caso

Oito pessoas foram presas na Operação Leite Compensado, realizada pelo Ministério Público (MP) em três regiões do Rio Grande do Sul. No início do ano, foi descoberta uma fraude que pode gerar sérios problemas de saúde. Estão adicionando água de poço, não tratada, e ureia no leite que é transportado do produtor para postos de resfriamento, antes de chegar na indústria. O problema é que na ureia foi constatado formol, substância que causa câncer. O risco é ainda maior porque atinge todos os derivados do leite e este produto adulterado é encaminhado também para São Paulo e Paraná.

*Apesar de informar que vai denunciar estas 12 pessoas, a promotoria destaca que devido a novas informações que possam chegar ou novos depoimentos, não descarta que este número pode ser diferente até a póxima segunda-feira. No momento 12 pessoas vão ser denúnciadas.

*No final da tarde a polícia liberou as duas mulheres presas e que foram ouvidas durante a tarde.


Ouça a entrevista com o MP

Fraude do Leite: Ministério Público busca mais envolvidos e interroga suspeitos presos

08 de maio de 2013 4

Na imagem, a ureia com formol que causa câncer e que vai para o leite consumido pelos gaúchos (Cid Martins)

O promotor Mauro Rochemback diz que os 7 presos em Ibirubá e Selbach começarão a depor a partir das 14h no Ministério Público de Tapera. O objetivo é obter mais informações e detalhes de como o grupo adulterava o leite com água, ureia e formol, este último uma substância cancerígena. O preso de Guaporé já foi ouvido pela polícia local, e o depoimento será encaminhado ao MP, com o intuito de saber se há mais envolvidos neste esquema criminoso prejudicial à saúde.

Saiba Mais:
- Cadeia leiteira já foi tema de CPI na Assembleia Legislativa
- Oito pessoas são presas por adicionar substância cancerígena ao leite
- Empresa LatVida está proibida de comercializar qualquer produto derivado de leite a partir de hoje
- Ministério da Agricultura afirma que fabricantes têm como identificar leite adulterado
- Leite no Rio Grande do Sul já está livre de formol e ureia
- Veja quais são os lotes de leite contaminado e orientações para o consumidor
- Fraude no RS: Ministério Público descobre no leite substância que causa câncer

"Continuamos procurando um suspeito foragido e investigando outros três que tiveram prisão indeferida, além disso queremos saber se há mais grupos criminosos realizando essa fraude no RS" diz Rochemback.

Os presos que serão ouvidos no MP de Tapera serão encaminhados para o presídio de Espumoso. Rochemback também vai acionar as indústrias para discutir maior controle da qualidade e vai procurar o governo gaúcho e a união para discutir também uma maior fiscalização do transporte do leite.

Entenda o caso

Oito pessoas foram presas na Operação Leite Compen$ado, realizada pelo Ministério Público (MP) em três regiões do Rio Grande do Sul. No início do ano, foi descoberta uma fraude que pode gerar sérios problemas de saúde. Estão adicionando água de poço, não tratada, e ureia no leite que é transportado do produtor para postos de resfriamento, antes de chegar na indústria. O problema é que na ureia foi constatado formol, substância que causa câncer. O risco é ainda maior porque atinge todos os derivados do leite e este produto adulterado é encaminhado também para São Paulo e Paraná.

Fraude no RS: Ministério Público descobre no leite substância que causa câncer

08 de maio de 2013 123

Galpão onde grupo adulterava o leite no RS (Fernando Goettems / Agência RBS)

* Por Cid Martins, de Ibirubá, Guilherme Pulita, de Guaporé, e Giane Guerra

Já chega a oito o número de presos em ação que o  Ministério Público (MP) realiza hoje em três regiões do Rio Grande do Sul: a Operação Leite Compensado. Entre eles, João Cristiano Marx. Ele foi preso em Ibirubá e é considerado suspeito pela promotoria de ser o responsável pelo transporte e adulteração. No início do ano, foi descoberta uma fraude que pode gerar sérios problemas de saúde. Segundo os promotores Mauro Rochemback, da Promotoria Criminal, e Alcindo Bastos Filho, da Promotoria do Consumidor, algumas empresas voltaram a adotar uma prática proibida para obter 10% a mais de lucro. Estão adicionando água de poço, não tratada, e ureia no leite que é transportado do produtor para postos de resfriamento, antes de chegar na indústria. O problema é que na ureia foi constatado formol, substância que causa câncer. O risco é ainda maior porque atinge todos os derivados do leite e este produto adulterado é encaminhado também para São Paulo e Paraná.

Operação Leite Compensado do MP é realizada em três regiões do RS / Foto: Cid Martins

Investigação

Tudo começou quando o Ministério da Agricultura analisou para amostragem a qualidade do leite em um posto de resfriamento, ou seja, quando o leite chega do produtor. Na ocasião, foi constatado que havia água e outras substâncias no produto. Uma delas é a ureia, utilizada para que as indústrias não notassem perda de nutrientes do leite. No entanto, o engenheiro químico Jerônimo Friedrich constatou que na ureia tem formol e este por si só causa câncer nos consumidores.

"Era uma técnica (uso do formol)  usada há 30 anos, quando não tinha muita eletricidade no campo e foi proibida desde o ano de 1981", diz Friedrich.

Em apenas um ano, estes empresários das três cidades que são alvo do MP transportaram cerca de 100 milhões de litros de leite com suspeita de adulteração. Além disso foram cerca de 100 toneladas de ureia, 83 toneladas somente em Ibirubá.

Operação

Estão sendo cumpridos mandados de prisão, busca e apreensão nos municípios de Ibirubá (8 mandados de prisão e 7 de busca), Horizontina (apenas 3 de busca) e Guaporé (1 mandado de prisão e 3 de busca). Além das prisões de empresários do ramo de transporte, o MP está apreendendo em empresas e residências documentos, computadores e 17 caminhões utilizados para transporte de leite adulterado. Em Ibirubá, entre os presos está o dono de uma transportadora, o pai, esposa e cunhado dele. A justiça indeferiu um mandado de prisão em Guaporé e dois em Horizontina.

Fraude no Leite

Água de poço com ureia, que contém formol (substância cancerígena), era adicionada no leite / Foto: Cid Martins

Segundo o MP, para um total de 10 litros, 9 são de leite e 1 de água de poço. Isso foi confirmado pela Corsan, já que no local onde estes transportadores retiram água não foi constatado atendimento pela companhia. Depois disso, para que não fosse constatada a diminuição de nutrientes do produto, os empresários adicionavam 100g de ureia, que tem formol, para cada 10 litros de leite. Pelo menos 20 laudos técnicos comprovam que o leite foi adulterado com substância cancerígena. A mistura de água com ureia é feita dentro do tanque de um caminhão e antes do leite ser colocado. O promotor Mauro Rochemback diz que a fraude não envolve produtores e indústrias, mas que estas deveriam ter um controle maior.

"O risco é grande porque o formol não sai mesmo com a pasteurização e tivemos que antecipar o fim da investigação para que a população do RS soubesse deste problema no leite que consome", diz Rochemback.

A adulteração consiste no crime hediondo de corrupção de produtos alimentícios, previsto no artigo 272 do Código Penal.

* Confira no Blog Acerto de Contas os lotes e marcas de leite, apontados pelo MP, com substância cancerígena. Saiba também como fazer uso dos direitos do consumidor.

* Confira entrevista em video com promotores e engenheiro químico:

Ministério Público ainda não recebeu as defesas dos réus da boate Kiss

02 de maio de 2013 4

Por Guilherme Zanini, da Gaúcha Santa Maria

A expectativa era que a entrega das defesas dos réus da boate Kiss acontecesse ainda na terça-feira, um dia após a apresentação dos advogados, mas isso ainda não aconteceu. O motivo para não ter sido encaminhado ainda para o Ministério Público (MP) é o grande volume de encaminhamentos feitos pelo cartório da 1ª Vara Criminal de Santa Maria. O trâmite para entrega das defesas, segundo a própria Promotoria, é o seguinte: Os advogados encaminham as defesas para a Justiça, depois vão para análise do MP e após isso, são reencaminhadas ao Judiciário.

Quando encaminhadas ao Ministério Público, as defesas têm um prazo legal de cinco dias para serem analisadas pelos promotores. Após feitas as análises, essas defesas são encaminhadas ao juiz responsável pelo caso. O prazo para a análise deveria iniciar nesta quinta, se estendendo até segunda-feira, mas como não houve a entrega das defesas na última terça-feira, não há uma definição para quando isso irá acontecer.

De acordo com o promotor Joel Dutra, se as defesas forem entregues hoje ao Ministério Público, o mais provável que a análise seja concluída até terça-feira da próxima semana.

MP analisa pedido de liberdade do integrante da banda que tocava na noite do incêndio na Kiss

23 de abril de 2013 2

Marcelo de Jesus dos Santos está preso preventivamente desde o dia 28 de janeiro, na Penitenciária Estadual de Santa Maria. Ele é acusado de homicídio com dolo eventual qualificado por asfixia, incêndio e motivo torpe, por ter sido quem utilizou o artefato pirotécnico no show da banda na boate Kiss na noite do incêndio.

Incêndio ocorrido no dia 27 de janeiro deste ano deixou 241 pessoas mortas / Foto: Agência RBS

O advogado do músico, Omar Obregon, entrou com pedido de liberdade na justiça ainda no dia 15 de abril. O juiz Ulysses Louzada encaminhou o documento ao Ministério Público para análise, nesta segunda-feira. Segundo o promotor Joel Dutra, não há prazo estabelecido para resposta, mas, como se trata de réu preso, ele e o promotor Maurício Trevisan devem se manifestar em até 48 horas. Após a manifestação dos promotores, o pedido volta ao juiz que decidirá se o músico permanecerá ou não na prisão.

* Por Viviana Fronza da Gaúcha SM