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Golden Globes 2012

15 de janeiro de 2012 0

Vamos fingir que o que eu acho interessa a alguém. E computar quantos unfollow eu ganho hoje ;-)

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Novos significados

20 de dezembro de 2011 0

Quando era adolescente,  não gostava de vestir de novo uma roupa que houvesse vestido numa ocasião desagradável – normalmente relacionada a algum namorico mal resolvido. Era como se alguma energia ruim tomasse conta daquela inocente peça de tecido e então a tornasse amaldiçoada, fadada a sempre atrair situações indesejadas. Eu devia ter uns 16 anos quando a minha mãe, essa sábia senhora que percebeu que eu abandonava roupas de que gostava tanto, me disse que não era assim que as coisas funcionavam. Que se algum dia uma peça de roupa tivesse me acompanhado num momento de azar, eu deveria vesti-la novamente justamente para reenergizá-la com algo melhor.  Desde então, nunca mais tive esse tipo de superstição. Até porque depois que eu mesma comecei a pagar pelas minhas peças de vestuário, deixar de usar alguma coisa por conta de uma bobagem dessas virou algo evidentemente indefensável.

Dia 20 de dezembro era um dia assim. Desde 20 de dezembro de 1995, quando soubemos que meu pai estava com um câncer de estômago avançadíssimo e sem qualquer esperança de cura, a data tomou contornos sombrios na minha história de vida. Nos últimos 15 dias 19 de dezembro, sentia, ao dormir, um aperto no estômago, fazendo com que eu voltasse a sentir um pouco daquela sensação de desamparo absoluto.

Hoje, porém, esse significado foi sobrepujado por outro. Em vez de desamparo, esperança. No lugar das lágrimas incontidas de tristeza, lágrimas silenciosas da mais pura alegria. Descobri que meu pai vai ter uma netinha. O bebê que está dentro da minha barriga é uma menina, e a descoberta disso justamente nesse dia veio, principalmente, para comprovar a tese da minha mãe: nada como expor um dia velho a novas energias para mudar o nosso olhar sobre ele.

Que venham todos os outros dias 20 de dezembro da minha vida.

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Das alegrias – uma lista (Parte 1)

16 de dezembro de 2011 0

Muita gente diz que não se sabe o que é felicidade ou amor antes de se ter um filho. Sempre achei a observação meio deprimente, principalmente porque conheço muita gente feliz e cheia de amor que não teve filhos (porque não quis ou não conseguiu ter) e muita gente infeliz e solitária apesar (ou até por causa) dos filhos.

O bebê que estou esperando é motivo de uma das maiores alegrias da minha vida. Foi desejado, esperado, planejado e sonhado. Porém, principalmente porque não quero que o peso da minha felicidade (e da felicidade da minha família) fique sobre ombros tão pequenininhos que ainda estão em formação, decidi começar uma lista (que certamente não se encerrará neste post) para dividir comigo mesma, com meus poucos – e valorosos – leitores  e também com esta criança já tão querida, parte das tantas alegrias que acumulei nos 37 anos de vida sobre este planeta, antes mesmo da chegada dela.

Tenho certeza de que a lista seguirá crescendo – e certamente ganhará novos focos depois da maternidade. O que vem abaixo não está organizado nem por ordem de importância, nem por relevância. Vão desde imensas até minúsculas alegrias. Creio que posso chamá-la também de "grande lista de pequenas conquistas". Parte 1, claro.

  • Sou amiga do meu marido, da minha mãe e da minha irmã
  • Fui uma grande amiga do meu pai
  • Minha letra cursiva é muito bonita quando escrevo com calma
  • Assisti a mais filmes durante a infância e a adolescência do que muita gente que conheço
  • Minha mãe me ensinou a ler aos 3 anos com o Pé de Pilão de Mario Quintana
  • Sei a letra completa de todas as minhas músicas preferidas dos Beatles e do Chico Buarque
  • Aprendi inglês tirando de ouvido as letras das canções dos Beatles e vendo a filmes na TV com a legenda tapada por um papel com fita durex
  • Quando vou ao Rio de Janeiro, não me sinto culpada por não ir a nenhum ponto turístico
  • Ainda mantenho grandes e queridas amigas que ganhei na infância, na adolescência, na faculdade e na vida adulta
  • Traduzi três livros do Kurt Vonnegut
  • Entrevistei o Brizola antes dele ficar gagá
  • Entrevistei o Lula mais de uma vez (antes de ele ser presidente)
  • Posso dizer que sou amiga de jornalistas do peso do Sérgio Augusto, da Maria Lúcia Rangel e da Ana Maria Bahiana – e continuo sendo fã deles
  • Aprendi a fazer panquecas iguais às da minha mãe!
  • Quando fui a Paris, consegui me comunicar bem em francês
  • Um dia uma americana me perguntou de que parte dos EUA eu era porque não estava reconhecendo meu sotaque
  • Em 2007, passei numa seleção para uma vaga no YouTube/Google. Não aceitei porque não queria morar em São Paulo (a vaga para a qual comecei a seleção não seria em São Paulo)
  • Em 2003, tive coragem de admitir a mim mesma que não havia nascido para morar em São Paulo e que isso não era motivo de vergonha
  • Tenho prazer de conviver com meus colegas de trabalho e de fazer o que preciso fazer
  • Quando saio de férias, consigo me desligar do trabalho
  • Saber que sou substituível não me atormenta, mas, pelo contrário, me estimula a querer ser desejável
  • Aprendi que injustiças nos ajudam a crescer e melhorar
  • Consigo tocar nos pés com as pernas esticadas
  • Digito muito, muito rapidamente
  • Não consigo dormir sem ler ao menos uma página de um livro
  • Muita gente que indiquei a vagas de empregos se deram muito bem com as minhas indicações
  • Tive chefes ótimos, razoáveis, medíocres e abaixo da média. Aprendi com todos
  • Tenho ex-chefes que me tratam com carinho até hoje
  • Sou ex-chefe de pessoas especiais que me tratam com carinho até hoje
  • Acompanhei minha mãe no processo da cura de um câncer
  • Tive o prazer de estar à mesma mesa de pessoas como Carlos Lyra, Luis Fernando Verissimo e Fernando Morais. Eles certamente não sabem quem eu sou, mas e daí?
  • No colégio, era quase sempre uma das primeiras a ser escolhidas para os times das aulas de Educação Física
  • Um dia me disseram que quando criança eu devia ser igual à Mafalda
  • O poder alheio não me intimida
  • Uma eventual incapacidade minha de lidar com meu próprio poder – por menor que seja – me apavora
  • Plantei pelo menos uma árvore no meu jardim
  • Ainda não escrevi um livro, mas traduzi mais de 30
  • Já faz mais de 5 anos que eu mesma asso o peru do Natal da família
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O jovem avô que vou ter de ensinar ao meu bebê

07 de dezembro de 2011 4

Uma das pessoas que mais admirei na infância – e mais senti não ter conhecido – foi o meu avô materno, o "vô Fritz". Sempre olhei com uma certa inveja para os primos que tiveram o privilégio da sua convivência. Foi por meio deles - e dos meus pais, principalmente - que fiquei sabendo um tantão de alguém que foi tão marcante para quem o conheceu.

Infelizmente, vai ser assim também que o/a meu/minha filho/a vai conhecer o homem mais importante da minha vida até eu conhecer o Márcio. Seu Jurandir Antonio Zanon ficou pouco tempo conosco (48 anos no total, 22 como meu pai), mas deixou um legado que me acompanha até hoje.

Meu pai foi um homem interessado pelo mundo, por história, pelo comportamento humano. Foi o meu Google particular durante muito tempo. Foi quem me ensinou a ler, a gostar de cinema, a questionar o porquê de tudo, a buscar meu espaço sem invadir o espaço dos outros.

Sempre bem humorado, com um senso de humor ao mesmo tempo sofisticado e palhaço, deixou como maiores ensinamentos que não é preciso ser sisudo para ser sério e que a sinceridade e a honestidade são o melhor caminho para conseguirmos o que queremos. Mesmo que esse caminho por vezes acabe se mostrando mais longo.

Hoje, no dia em que ele completaria 64 anos - e que eu completo 19 semanas de gravidez -, minha tia Rita , a irmã caçula que ele via como uma espécie de filha mais velha, fez uma homenagem a ele no Facebook, postando uma música de que ele gostava muito. E cuja letra, percebi hoje, diz muito sobre o homem que ele foi.

Saudade, pai. Que pena que não estejas aqui neste momento tão feliz das nossas vidas.

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Surreal? Imagina...

10 de novembro de 2011 0

Então o Itaú me manda um e-mail me oferecendo a oportunidade de acertar uma dívida. Depois de conferir e ver que não era vírus e temendo ter esquecido de pagar alguma parcela do carro durante a greve dos Correios, ligo para o número indicado. Querem cobrar uma dívida de mais de 8 anos que não existe – e, se existisse, estaria prescrita.

Irritada, demando não receber mais ligações, sob o risco de entrar com um processo por danos morais contra o banco (ouço terror e pânico do outro lado) e, depois de ligar para o SAC, recebo a garantia de que não mais serei importunada.

Como se deu a narração disso no meu Twitter, com direito a diálogo com "o banco":

  • cassiazanon não existe NO MUNDO instituição bancária mais NOJENTA do que o @itau #semmais
  • cassiazanon
    então ligo pro @itau para pararem de me contatar sobre uma dívida que não tenho, e a moça me diz que vão me ligar a respeito... #oi?
  • itau30horas @cassiazanon Olá Cássia. Podemos te ajudar de alguma forma?
  • cassiazanon @itau30horas sim, não entrando mais em contato comigo. só isso. obrigada. (verificar atendimento sob protocolo 125255378).

=====================================

Atualização às 11h16 do dia seguinte (11/11/11):

  • itau30horas @cassiazanon Olá Cássia. Para que possamos ajudar você, por favor, informe via DM o seu CPF e telefone de contato com DDD.

Só pode ser sacanagem...

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Porque mudar é preciso

07 de novembro de 2011 0

Estava começando a ter engulhos toda vez que abria este tão mal atualizado humilde blog e deparava com o layout ao lado. Mudei. Na ausência de talento como designer, apelei para a máxima segundo a qual menos é sempre mais. Sem mais, obrigada.

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Bocaberteando lindamente

14 de outubro de 2011 0

"Bocabertear" é um verbo criado e muito usado pelo meu querido amigo Ernesto Fagundes. E é um verbo perfeito para situações como a que a pessoa viveu na hora do almoço de hoje.

*

Almoço com o marido, em mesa encostada na janela de restaurante de shopping – com uma "bela" vista para o estacionamento. O marido da pessoa pergunta:

– Teu carro tá onde?

– Logo ali, atrás daquele Gol vermelho – responde a pessoa, apontando para o lado de fora da janela.

Então, depois do almoço, os dois resolvem tomar um café fora do restaurante antes de ir embora. Chegando ao estacionamento, a pessoa se apavora...

– Cadê meu carro?!?!?!?

Passam-se muitos – não poucos – segundos de um pânico incontido e cálculos rápidos de toda incomodação que a ausência do carro certamente vai provocar até que o susto dá lugar à vergonha e à percepção de que a pessoa estava procurando o Gol vermelho para encontrar o próprio carro logo atrás dele.

*

Bocaberteei ou não?

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Das crenças convenientes

11 de outubro de 2011 0

Toda vez que vou viajar ou planejo alguma atividade ao ar livre e a previsão do tempo é de tempo bom, viro a maior defensora da precisão da meteorologia. Se a previsão é de chuva, acho que tudo não passa de uma bobagem.

Apesar de acreditar na Astrologia e me enxergar perfeitamente nos mapas astrais que já fiz, minha crença no horóscopo diário vai mais ou menos por esse caminho. Hoje, por exemplo, meu "novo trânsito astrológico" segundo o site Astral está tão relacionado com o momento que estou vivendo, que não ouso dizer que não tem nada a ver.

E tenho dito.

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Da relação entre o volume de posts e a movimentação da vida

14 de setembro de 2011 1

Desde que criei meu primeiro blog em dezembro de 2003, passando pela adoção do Twitter e do Facebook, venho tentando compreender a relação existente - se é que existe - entre o volume de posts que publico/cometo e a movimentação da minha vida. A conclusão é que não consigo chegar a conclusão sobre o assunto.

Houve períodos de muito, muito trabalho em que eu postei ensandecidamente no twitter e no blog, como se quanto maior fosse a minha produtividade profissional, mais intensa se tornava a minha capacidade de escrever rapidamente sobre qualquer assunto. (Ah, sim, este tanto é fácil de confirmar: nunca um post me toma mais do que 15 minutos, por mais longo que seja. Faço um blog pessoal e sem pretensão, não jornalismo.)

Em contrapartida, há momentos da vida como os das últimas cinco semanas em que muita, muita, muita coisa acontece, e eu fico muda. Mas não é o excesso de coisas que me paralisa ou me impede de me manifestar no blog ou nas redes sociais - eu não acredito que a troca de informações em twitter e facebook seja coisa de desocupados -, é um je ne sais quoi que, imaginava, a tal relação iria explicar.

O fato hoje é que me dei conta de que faz mais de um mês e meio que não escrevo aqui. Agosto passou incólume - e, acreditem, poucos meses da minha vida foram tão relevantes para todos os aspectos da minha vida quanto o mês de agosto de 2011. Não que vá fazer alguma diferença na vida dos meus queridos 17 leitores, mas prometo voltar logo.

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Pela democratização do elitismo

28 de julho de 2011 0

A bandeira não é minha, mas do mestre e melhor texto vivo do jornalismo brasileiro, Sérgio Augusto - ok, concedo que talvez seja um dos melhores, mas como é o que eu tenho a honra de poder chamar de amigo, é o melhor. Ponto. A ideia do título deste post surge na última frase do último ensaio do livro Lado B, coletânea de artigos das revistas Bravo! e Bundas publicado em 2001, que acabei de reler há alguns dias: "Precisamos democratizar o elitismo".

Na apresentação do livro, outro mago do texto em português brasileiro - Luis Fernando Verissimo - dá uma medida de quem é o Sérgio: "Para poupar quem me pariu, não vou chamá-lo de ensaísta, nem dizer que é raro ver alguém tão erudito (' "Erudito", porra?!' Sérgio Augusto) ser tão divertido, ou alguém divertido ser tão profundo, ou alguém profundo ser tão comunicativo ('Gozação, não!' S.A.)". Perfeita descrição.

Leitora de livros linear que sou - preferindo deixar a hipertextualidade para os meios digitais -, comecei a (re)leitura pelo LFV e terminei pela frase supracitada. E os dois textos fecharam um círculo perfeito, gerando um insight muito mais forte do que qualquer outro que eu poderia ter tido (e que não me lembro de ter tido) em 2002. Estamos emburrecendo? Pior: estamos nos esforçando para emburrecer?

A cada texto do livro do Sérgio eu me perguntava como eles teriam sido transformados para ganhar as páginas dos jornais de maior circulação do país se fosse seguida a lógica corrente de "explicar tudo" para o leitor. Certamente, não teriam causado os pequenos desconfortos que causam nas almas ignorantes como eu a necessidade de ir em busca de mais informações sobre os assuntos tratados ou de procurar a tradução para uma expressão consagrada em francês, inglês ou latim que se ele usou ali certamente eu preciso saber o que quer dizer. Porque a regra de hoje é cada vez mais a de mastigar tudo para o cristão não ter trabalho.

E agora eu rezo para que o Sérgio jamais pouse seus olhos nessas mal digitadas (e nem preciso rezar muito, pois leitor de blogs deste tipo sei que ele não é), porque a partir de agora faço uso do meu exemplo preferido para o caminho que corremos o risco de estar trilhando e para o qual podemos estar embarcando nossos herdeiros. E o exemplo não é um ensaio acadêmico com várias citações e referências culturais e históricas, nem um filme cabeça de um obscuro (porém genial) diretor de cinema escandinavo.

Num final de semana de abril de 2008, aluguei um filme seguindo meio desconfiada uma dica do Edu, ilustrador da Zero Hora. Nasceu ali meu fascínio pelo Idiocracy e o meu receio de que se a gente seguir muito ao pé da letra a orientação do título do livro-referência na minha área de trabalho - Não me faça pensar, do Steve Krug - possa acabar colaborando além da conta na estupidificação da humanidade.

Não, eu não vou contar o filme. E não vou resenhar o livro. Recomendo ambos fortemente. Depois a gente se junta e discute, que tal? Vai daqui a minha pequena contribuição para a democratização do penso.

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