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Posts de setembro 2010

Se ficar o bicho pega, se chamar a brigada...

30 de setembro de 2010 2

A pessoa tenta estacionar o carro na frente de um teatro de Porto Alegre em via pública. Desce do carro e é abordada pelo flanelinha:

- Bem cuidado aí, tia. Só deixa o pagamento antes, que quando tu sair eu não vou mais estar aqui.

A pessoa resolve não questionar o fato de que ele não tem direito de cobrar pagamento por coisa alguma nem a cara de pau de admitir que sequer vai esperar a hora da saída para “cuidar do carro” até então para não se incomodar. Estende uma nota de dois reais.

- Ah, não! Pode dar no mínimo cinco pilas. O melhor é dez.

!!!!!!!!!!

- Bá, amigo, não tenho mais nada, não.

- Então não vai deixar o carro aí, porque eu tô perdendo dinheiro.

A pessoa resolve não bater boca, mas, num misto de medo com a postura agressiva e indignação, dá meia volta e diz:

- Então deixa. Vou embora.

- Não. Agora deixa aí. Me dá esses dois pilas, então.

- Agora não.

- Vaca! Ordinária! Vagabunda!

!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

A pessoa sai da frente do teatro com o carro e para num posto do outro lado da rua. Liga para o 190 e explica ao brigadiano a situação.

- Moço, não é uma emergência, mas tem um flanelinha extorquindo dinheiro das pessoas e sendo agressivo.

- A senhora ainda está no local?

- Não, moço, fiquei com medo e saí de lá. Mas seria bom a brigada fazer alguma coisa, pois ele está tomando conta da via pública como se dele fosse.

- Ah, mas a Brigada só poderia ir se a senhora ainda estivesse no local.

A pessoa pensa que morre e não vê tudo nessa vida.

Das histórias que se misturam e o meu status de leitora incompetente

30 de setembro de 2010 0

Nunca na história da minha vida – para parafrasear nosso estadista que se despede pero no mucho – consegui ler um livro por vez. Por quê, ó, senhor, por quê? O resultado disso é que frequentemente me pego sonhando sonhos que misturam enredos. Personagens de ficção interagem com narradores de autobiografias, romances que começam num chick-lit terminam num ensaio sobre tradução, crônicas de costumes norte-americanas invadem sem pudor a saga de irmãs chinesas sem nome.

Será que vem daí minha total, eterna e histórica incapacidade de citar trechos de memória, reconhecer autores por uma única frase ou relembrar ipsis litteris o começo inesquecível de algum texto, como tão bem faz o Todoprosa Sérgio Rodrigues? Deve estar aí também a origem da minha absoluta incompetência para creditar espontaneamente argumentos alheios em argumentos próprios. Confesso: tenho a sensação presunçosa de que, lido o argumento e absorvido pelas minhas sinapses, ele passa a ser meu também.

Olho agora para a pilha na minha mesa de cabeceira e a fileira na estante dos livros catalogados mentalmente como “em processo de leitura” ou “a ler” e me dou conta de que definitivamente não vai dar tempo. Principalmente ao pensar naqueles que estão ao meu redor, ainda esperando o momento de entrar em alguma dessas filas.

Antes que o querido leitor se pergunte, tem propósito nenhum este post, não. Só um pequeno desabafo provocado pela indecisão que me impede de ir logo deitar: qual livro ler hoje antes de dormir?

Ler ou não ler - ou o que ler?

A NET, essa musa inspiradora

28 de setembro de 2010 0

Tenho uns truques sujos no que diz respeito a inspiração para posts para este humilde. Alguns ativos -como ver o que as pessoas andam buscando para chegar até aqui -, outros passivos. O truque de hoje se encaixa na segunda categoria. Eu me aproveito das ligações esquizofrênicas de telemarketing que recebo. E dentre essas, a NET se destaca. Sempre.

Toca o celular. “Número desconhecido.” Pode ser da RBS, melhor atender.

- Senhora Cássia?

- Sim.

- Boa tarde. Aqui é da NET Serviços, tudo bem com a senhora?

Estou em cima da hora para uma reunião. Não vai rolar.

- Tudo.

- Então, dona Cássia, estou lhe ligando para estar lhe falando a respeito de benefícios a que a senhora, como cliente antiga da NET tem direito.

Estou louca ou ela ligou para o meu celular e não perguntou se eu podia falar naquele momento?

- Ah, querida, eu não posso falar agora, estou entrando numa reunião.

- Em que outro horário eu posso estar ligando, senhora Cássia?

- Tu vais me oferecer algum produto?

- Na verdade não é produto, senhora Cássia, mas benefícios da NET.

- E esses benefícios são de graça?

- Como assim, senhora Cássia?

- Os benefícios vão me custar quanto na fatura da NET?

- Aí depende dos benefícios que a senhora escolher.

Oi?!?

- Ah, então deixa, querida. Eu não tenho interesse. Obrigada.

- Mas, dona Cássia, a senhora não usa Internet?

- Sim, mas eu estou satisfeita com o meu plano de internet, obrigada.

- Mas a senhora não quer nem saber dos benefícios?

Pensando na reunião, começo a perder a paciência.

- Não, obrigada. Além disso, eu prefiro ter o mínimo de contrato possível com a NET.

- Mas a senhora vai economizar dinheiro.

- Não, obrigada.

- Muito dinheiro.

Nossa? Será que a NET vai me dar o prêmio da Megasena?

- Eu realmente não estou interessada.

A moça adota um tom agressivo e desafiador:

- A senhora quer dizer que não quer economizar?

- Não é isso, mas eu realmente não tenho interesse.

O tom vira praticamente desaforado:

- A senhora está me dizendo que não gosta de economizar dinheiro?

Pronto. Acabou a paciência e estou oficialmente atrasada para a reunião.

- Não, querida, não gosto. Eu gosto de gastar bastante.

- Então tá, a senhora que sabe.

- Obrigada.

Quando gênios se encontram

27 de setembro de 2010 0

Meu filme preferido em toda a vida: Era uma vez na América, do Sergio Leone. Com Robert de Niro. Trilha sonora do mestre Ennio Morricone. Hoje, numa sessão nostalgia por e-mail, minha querida Tia Rita me fez lembrar deste filme lindo. E desta música igualmente belíssima. Um encontro de gênios que marcou a minha adolescência e que vi mais vezes até do que O Poderoso Chefão.

O que se faz em 15 anos?

26 de setembro de 2010 16

Amanhã faz 15 anos que o Márcio e eu saímos juntos pela primeira vez. Pouco depois das 19h de 27 de setembro de 1995, aceitei fazer um lanche com ele no McDonald’s da Silva Só com a Ipiranga depois de um dia de trabalho na TV para continuar a conversa sobre música e cinema que começamos na redação. De lá para cá, é bem provável que não tenhamos passado mais do que 60 dias sem nos vermos pessoalmente – incluindo as poucas viagens que fizemos separados. É absolutamente certo que não ficamos mais do que cinco dias sem ao menos nos falarmos por telefone ou trocarmos um e-mail. Confesso que, agora, ao fazer esse levantamento mentalmente, fiquei um pouco assustada até.

Nesta semana que começa amanhã, cada dia será a celebração dos 15 anos de uma primeira vez. A primeira saída juntos. O primeiro jogo do Inter. O primeiro beijo. O primeiro desentendimento. Eu tinha 21 anos, ele, 28. Eu era estudante de jornalismo, e meu pai ainda era vivo. Ele trabalhava na RBS TV depois de uma temporada no Jornal do Brasil e uma passagem anterior pela Zero Hora – o que o transformava num ser absolutamente experiente aos meus olhos. Eu não sabia o que esperar da minha vida profissional, e ele esperava que a dele desse uma guinada. Eu demorei um pouco para gostar dele, mas depois da terceira hora conversando, vi que poderia ficar com ele para sempre. Ele gostou de mim de cara, mas só se convenceu de que queria me namorar três meses depois.

De lá pra cá, foram centenas de passeios pelas ruas de Porto Alegre, Gramado, Rio de Janeiro, São Paulo, Buenos Aires, Montevidéu, Lisboa, Porto, Recife, Vigo, Paris. Foram incontáveis restaurantes, bares, lanchonetes, cafés, delicatessens, supermercados e quaisquer lugares com boa comida e boa bebida. Os bifes mal cortados e esturricados e as massas além do ponto com manteiga demais do começo deram lugar a pratos triviais – ouso dizer – impecáveis e churrascos muito bem feitos. Somando, imagino que tenhamos ganhado e perdido e ganhado e perdido 40 quilos.

Pilhas de fotos impressas e gigabytes de imagens digitais registram mais de 30 festas de aniversário, vários almoços e jantares, festas juninas e quetais reunindo amigos queridos que vieram e foram, foram e voltaram, vieram e ficaram, cada um deles deixando uma marca no nosso caminho. Amigos que tiveram filhos, que curtimos desde bebês e que agora entram na adolescência. Perdemos pessoas queridas juntos. Passamos por belos sufocos e vivemos lindas voltas por cima. Tivemos dois cães especiais, um deles ainda conosco. Fizemos grandes amigos. Formamos famílias paralelas às nossas famílias de sangue.

Tivemos juntos quase uma dezena de empregos. Escrevemos para diferentes lugares e nos arriscamos em atividades diferentes da original. Compramos duas casas. A segunda, vendendo a primeira. Fizemos cinco mudanças. Fomos para São Paulo e voltamos. Agora, plantamos uma horta e uma bergamoteira. Ainda não escrevemos um livro, mas fizemos uma matéria a quatro mãos em 2009 e editamos um vídeo sobre o Tom Jobim nos idos de 1996. Planejamos o filho que ainda não veio há quatro anos. Confiamos que virá. O quarto dele, pelo menos, já está reservado.

Juntos, vimos o Internacional ser campeão de tudo, depois de quase cair para a segunda divisão. Assistimos a um sem número de filmes – muitos deles incontáveis vezes, para meu desespero. Brigamos muito pelas músicas do Emílio Santiago que ele insiste em ouvir perto de mim, mas também aproveitamos os 90% de gosto em comum para cantar, cantarolar, dançar. Lemos centenas de livros, revistas, jornais. Acumulamos boa parte deles em estantes que quadruplicaram em quantidade e tamanho. Quando começamos, ocupávamos cada qual um quarto nas casas dos pais. Estamos bem mais espalhados.

Datas redondas fazem a gente pensar. Repensar. Aos 15 anos, meninas são “apresentadas” à sociedade, num ritual cafona chamado “debu”. Por essa lógica, o Márcio e eu estamos debutando na vida juntos. Então, agora eu nos reapresento formalmente à sociedade. Cássia e Márcio, juntos há 15 anos e com um financiamento imobiliário de 30 pela frente, muito prazer.

Superego, chulé e felicidade - das buscas que me divertem

20 de setembro de 2010 0

Não tenho sobre o que escrever? Meus problemas sempre acabam quando dou uma espiada nas buscas que têm trazido gente até este humilde. E os seres consultantes do grande oráculo gúgol não cessam de me espantar. Vamos então ao que rolou por aqui nos últimos 30 dias.

frases de implicancia – se tá querendo colar é porque a implicância não é genuína. implicâncias são belas geradoras de frases per se.

felicidade é - se descobrir, me conta?

fromspring.me - é FORMspring, criatura! e eu acho um saquinho, to be quite honest.

pontos que eu faco em cruz - como eu vou saber, se é tu quem faz?

www.fromspring.me - enquanto não mudar o que tá errado, vai continuar caindo aqui!

cassia zanon - presente!

o dia se espatifa - achou!

dona de casa - só nas horas vagas, obrigada.

sapatilha chulé - não tenho. o chulé, i mean. sapatilhas eu tenho. #adoro

cassia - yo!

frases sobre lixo - oi? era um tema de escola? que medo desses alunos de hoje, meu deus.

como tirar chule de sapatilha - no meu tempo tinha um talco chamado tênis pé baruel. não sei se funciona, mas, sei lá, tenta.

alain de botton - adoro. escrevi sobre ele algumas vezes por aqui, mas tô com preguiça de dar link neste momento.

etiqueta ao longo dos tempos - a teoria melhorou bastante, já a prática… dose…

frase de implicancia - no singular dá igual que no plural, viu?

chulé sapatilha - tá feia a coisa, hein, amiga?

carl hiaasen caça turistas - ótimo livro! achou já? não empresto, mas posso vender. caro :-p

cronica zaffari ricardo freire - achou? é muito bacana, mas não sei se ainda está na web :-(

significado de implicancia - (im.pli.cân.ci:a) sf. 1. Manifestação ou sensação de má vontade, de antipatia; BIRRA; CISMA; IMPLICAÇÃO: Tenho implicância com bajuladores. [ antôn.: Antôn.: empatia, simpatia. ] 2. Impertinência, provocação: Não cedeu o lugar por pura implicância. [F.: implicar + -ância] Tá lá no aulete.uol.com.br, o melhor dicionário de português de acesso livre online. #ficaadica

frases sobre chulé - sério??? pra quê, pelamor?

www.clicrbs.com.brcom.br - não, assim não vai rolar. tenta de novo: www.clicrbs.com.br.

fromspring - tu tá brincando comigo, né?

cameron diaz chulé – amiga, se ela tem chulé ou não não interessa! vai cuidar da tua sapatilha, que é melhor…

www.semprefeliz,com.br - só se o ser for idiota, né? ou estiver sempre chapado… tira a vírgula e vê se funciona.

como tirar chulé de sapatilhas - a esta altura tu já descobriu? já pensou em botar fora?

paco sanchez - querido! baita professor! me acho só por ter tido aulas com ele…

cronica de ferias humoristica - problema com plurais, we have?

dialogos comidas - pode desenvolver melhor? diálogos sobre comida? diálogos com comida? diálogos depois da comida?

frase de sapatilha - hahahaha

borboletas no estomago - azar, eu curto

denise fraga penelope cruz - ainda vou usar essas buscas como prova científica de que, sim, as duas foram separadas no nascimento. só que uma tem um cabeleireiro melhor…

sapatilha da chule - dá! tu ainda não percebeu? compra sandália! ou usa com meia de algodão, quem sabe?

porto alegre melhor lugar para se ficar - eu curto a minha casa.

querido diário de agosto dia 12 - oi?

o dia 1 - é o primeiro dia do mês

crônica de cada escolha uma renúncia - verdade. não fiz uma crônica sobre isso, mas concordo.

e obrigatorio ter razão social - obrigatório não é, mas ajuda, né?

autores de filmes - quais? meus preferidos são italianos, judeus ou descendentes.

melissa x chulé - que fixação!

chulé de sapatilha - vou transformar o blog em um blog temático: sapatilha se espatifa.

reciclar é preciso livro - depende do livro. tem coisa que eu não dou, não empresto e não troco, sorry.

o’que quer dizer as tela vista baby - hahahahahaha! eu me divirto…

o que é falta de etiqueta - é grosseria, falta de noção… entendeu?

sapatilhas sao chule - não, não é bem assim. uma coisa é uma coisa, outra coisa… bom, outra coisa fede.

vizinhos indecentes - ui! me conta!

blog super ego - duas coisas meio contraditórias. se meu superego funcionasse direito, provavelmente eu não teria este blog. mas, enfim.

A dieta da leveza

20 de setembro de 2010 0

É tão fácil estar feliz, pensei várias vezes com o botão da minha calça jeans, ontem, durante o dia, enquanto amigos queridos conversavam ao redor da mesa sobre nada importante, enquanto ríamos das piadas de sempre e aproveitávamos a companhia uns dos outros com o sol brilhando pela janela. Durante todo este fim de semana, pedi mentalmente que essa a que estou sentindo por esses dias não deixe de me acompanhar por um instante sequer. Mas, infelizmente, não tem como ser exatamente assim.

A morte do pai de um amigo, mal-entendidos com pessoas importantes, tristezas alheias, frustrações que volta e meia nos assombram funcionam como uma corrente de minichoques de realidade a nos despertar da ideia romântica de que as coisas podem ser mais fáceis. Só que, neste momento, peço licença aos queridos leitores e ao pessimismo que insiste em me incomodar para decidir: declaro instaurada a “dieta da leveza”. Tudo o que pesar demais no coração será tratado com a atenção e o cuidado devidos, nem mais, nem menos.

E um bom começo de semana para vocês também! ;-)

O tempo passa, o tempo voa...

17 de setembro de 2010 1

… e eu, antes de começar a escrever, me pergunto que fim levou o barbudo da propaganda do Bamerindus.

Quase dois meses sem passar por aqui. E não que eu não tenha nada a dizer, pelo contrário. De 26 de julho pra cá, assinamos um contrato de financiamento imobiliário de 30 anos, usei os limites dos meus cartões de crédito parcelando material de construção,  finalizamos uma obra, fiz a 14ª mudança da minha vida e depois de muitas caixas abertas, muitas espanações, muitas doações de objetos e roupas que podem servir melhor a outras pessoas do que a mim, estou aqui sentada no meu novo escritório, de frente para o Márcio, pensando em quantas coisas ainda queremos fazer.

Em julho, eu havia retomado a publicação de posts. Como de costume, não havia qualquer intenção de gerar relevância ou reflexões importantes, apenas uma maneira de me conectar com meus poucos porém qualificadíssimos  leitores e de ter um registro divertido para, daqui a um tempo, lembrar do que me vinha ocorrendo. Porque, sim, eu ainda acredito no “blog” como um diário, um registro, uma marca. Deixei de registrar, por exemplo, várias coisas bacanas que rolaram e estão rolando na firma e perdi o timing.

Porque este blog é um pouco o meu jeito de cumprir parte do que determina a sabedoria popular sobre realização pessoal: plantar uma árvore, escrever um livro, ter um filho. Enquanto não escrevo meu livro, fico deixando minhas mal digitadas linhas por aqui. A árvore, plantei há três semanas no jardim da casa nova – uma bergamoteira, a Maricota. O filho? Espero do fundo do coração que venha quando estiver pronto para vir.