Encerrada a licença-maternidade, deixo a RBS pela terceira vez. Agora, passo a me dedicar apenas à tradução e ao meu melhor projeto: criar a Lina!
Com isso, este blog é desativado. Volto para o endereço antigo: www.cassiazanon.blogspot.com.
Encerrada a licença-maternidade, deixo a RBS pela terceira vez. Agora, passo a me dedicar apenas à tradução e ao meu melhor projeto: criar a Lina!
Com isso, este blog é desativado. Volto para o endereço antigo: www.cassiazanon.blogspot.com.
Uma querida amiga minha, mãe de uma linda guriazinha pouco mais velha do que a Lina, revelou esta semana que está pensando em fazer um blog sobre a maternidade. Jornalista e tradutora como eu, ela pensa, como eu, que pode ser bacana ter um espaço onde dividir nossas impressões e sentimentos. Não sei se as dúvidas dela são as mesmas minhas, mas, já que eu já tenho este espaço aqui, peço carona no assunto trazido à baila por ela para dividir as minhas primeiras considerações com meus supostos dezessete leitores.
1 - Alguém precisa de mais uma mãe blogueira?
2 - O que eu posso dizer sobre a maternidade que já não tenha sido dito milhares de vezes?
3 - Alguma coisa que eu possa dizer sobre a minha experiência pode vir a ajudar alguém?
4 - Será que as coisas que eu escrever não podem vir a se transformar no futuro em motivo de vergonha para a minha Lina adolescente?
5 - Tenho eu direito de expor minha pitoca, por menos leitores que possa ter este ou qualquer outro blog que eu venha a fazer?
São questões básicas, básicas, mas que, acreditem, têm tomado parte do tempo que passa tão rapidamente nesta minha licença que se aproxima do fim.
Durante a gravidez, fiz várias vezes a autocrítica de como estava monotemática. Mal sabia que depois do nascimento da minha filha a situação só pioraria. Nas primeiras semanas, pensei seriamente que meu cérebro jamais voltaria a absorver qualquer informação ou conhecimento que não estivessem relacionados àquela criaturinha linda, apaixonante e frágil no meu colo. Quatro meses e meio se passaram, e há alguns dias, naturalmente, comecei a pedir licença à maternidade e a olhar um pouco ao redor. Sigo completamente apaixonada, minha filha está cada dia mais linda e ainda me parece frágil, mas começo a perceber que posso aproveitar o fato de ser mãe da Lina e continuar interessada no mundo ao redor ao mesmo tempo. E essa percepção tem sido libertadora.
Este blog nunca foi sobre tema algum. Como disse na minha apresentação: "Jornalista, tradutora, arquiteta de informação, gerente de projetos e professora de jornalismo online, tudo ao mesmo tempo agora, sou incapaz de concentrar meus interesses numa área só. Com preguiça de ter um blog para cada assunto, acabei optando por este, que fala de tudo um pouco – e, claro, de quase tudo mal." O descompromisso com a profundidade sempre foi uma marca deste humilde e, mesmo assim, impressionantemente, cheguei a ter uma clientela fiel, que muito me animava a buscar novas informações sobre velhos interesses e novos interesses. Em busca desse estímulo, declaro o blog oficialmente "desparalisado" para assuntos que não apenas... a maternidade.
***
P.S.
Bendita seja a licença-maternidade. Bendita ao cubo seja a licença-maternidade de seis meses - que pode ser aumentada com um mês de férias. Porque só assim uma mãe consegue passar por esse processo que estou passando com um quê de tranquilidade.
Mas, vamos combinar, querido tempo, será que dá para passar um pouquinho mais devagar nos próximos dois meses e meio? ;-)
Meu último post aqui foi feito pouco menos de um mês antes da minha filha nascer. Em seis dias, ela completará três meses. Há quase três meses, portanto, minha vida tem sido repleta de acontecimentos importantes como a Lina mamou, a Lina arrotou, a Lina está com cólica, a Lina sorriu, a Lina está com a avó enquanto eu corro até o súper, a Lina fez cocô, a Lina mamou, a Lina engordou, a Lina sorriu de novo, a Lina fez mais cocô. Agora, neste instante, a Lina dorme. E eu, afinal, consigo fazer algo que achava que nunca mais conseguiria fazer: escrevo um post.
Somados os últimos aos meses da gravidez, devo ter lido bilhões de caracteres sobre gerar, parir e criar um filho. Livros, revistas, jornais, blogs, artigos médicos... a Lina está respirando pesado? Lá vou eu para o Dr. Google: bebê respiração pesada. A Lina dormiu seis horas seguidas? Dr. Google: sono bebê dois meses. Com isso, acabo caindo em cada coisa... Como é que essas mães acham tempo para escrever tanta coisa? Tem gente que faz pesquisas imensas e publica posts incríveis com muita informação de qualidade. A maioria, porém... deuzolivre. Muitas agem como se fossem as primeiras mães do mundo moderno. Como se gerar, parir e criar um filho fosse a maior novidade do universo. E é preciso dizer que, felizmente, não é.
A Lina dorme e acabo de finalizar o segundo parágrafo deste post sem dizer nada. É que, entendam, não tenho o que dizer que possa interessar a alguém que não a mim e aos mais próximos. Ao menos não agora. A Lina dorme e daqui a pouco vai acordar para mamar e depois vai dormir de novo (depois de eu trocar a fralda cheia de xixi). Parece um tédio olhando daí? Pois eu posso garantir que está sendo a minha maior aventura.
É assim mesmo, ou só eu que sou maluca?
Então que é noite de Oscar. Tenho que acordar cedíssimo amanhã para ir ao médico e depois fazer exames e não vi nenhum dos filmes candidatos ao prêmio de melhor filme - estou em estado de gravidez monotemática, lembram? Então que daí vou, sim, de novo, me dispor a perder followers do Twitter e no Facebook com meu flood de comentários baseados estritamente no meu humor e na minha paixão antiga pelo cinema – que não anda mais tão apaixonada assim, o que é fácil de notar com a minha ignorância sobre a maioria dos "astros" que surgiram depois de 2000.
Ready? Set? Go!
Não é fácil enumerar a quantidade de mudanças que a gravidez traz para a vida do ser humano. A maioria consta dos inúmeros livros, blogs e sites sobre o assunto, mas algumas são inesperadas mesmo. Uma das coisas que a gravidez da Lina - que amanhã fecha 28 semanas - me trouxe foi um novo olhar sobre as vagas especiais nos estacionamentos.
Sempre classifiquei quem estaciona sem precisar em vaga reservada para portadores de necessidades especiais (deficientes, grávidas e idosos) como vivente de quinta categoria, gente desprezível e mal educada, estúpida até. Só que a forma encontrada pelos gênios administradores de estacionamentos para evitar esse mau uso tem sido o inacreditável bloqueio físico das vagas.
Principalmente nesses dias de muito calor, com a minha pança deveras relevante, tenho usado o direito de parar em tais locais com frequência. Também com frequência, acabo me vendo obrigada a descer do carro, remover obstáculos (cones, cabos de vassoura presos em rodas pintadas de amarelo e quetais) da frente das vagas, voltar para o carro e só então estacionar. Sempre me perguntando como fazem, nestes casos, os cadeirantes e usuários de muletas ou bengala.
Nas minhas manifestações a respeito do assunto no Facebook, alguns amigos - defensores deste modelo de "proteção do direito dos deficientes dos mal intencionados" - alegaram que bastaria eu esperar que alguém tiraria os cones para mim. Pois bem, hoje cheguei com algum tempo de antecedência ao trabalho e resolvi fazer o teste.
Diante da vaga que costumo usar no segundo andar do estacionamento coberto do Tecnopuc, deparei com dois cones (aparentemente apenas um cone não basta para coibir os mal intencionados, esses malvados) e, confiante que ninguém pode ser tão estúpido quanto eu estava imaginando, dei uma buzinadinha simpática e fiquei esperando.
Um minuto depois, mais uma buzinada. No minuto seguinte, outra. Três e quatro minutos depois, novos apelos. Foi então que, calmamente, abri a porta do carro, tirei uma foto do absurdo e - 9 minutos depois de ter chegado - fiz uma postagem no Facebook:
Estacionado o carro, resolvi questionar a menina da cabine da Moving para saber se, por acaso, o cone não estava alertando para algum problema com o local (tipo risco de desmoronamento, vá saber).
- Oi, por que tem cone na frente da vaga para deficiente.
A menina me olha de cima a baixo e responde, com um tom de prepotência condescendente:
- Porque é para deficientes.
(Como eu não pensei nisso antes???)
Sobre este caso específico, liguei para a prefeitura da PUCRS e fui muito bem atendida pelo responsável pelo estacionamento e o relacionamento da universidade com a Moving. Acredito que isso não voltará a suceder no caso específico desta vaga - pois a mesma pessoa já tinha resolvido uma questão semelhante quando um guarda da Moving me disse que eu não podia estacionar em vaga especial porque não estava "suficientemente grávida" (!). A questão é que esses cones e obstáculos existem em vários estacionamentos por aí, muitos deles pagos e muito bem pagos.
Cá entre nós: o prezado leitor não concorda que devem ir para o mesmo círculo do inferno os mal intencionados que ocupam as vagas a que não têm direito e os estúpidos criadores do bloqueio dessas vagas?
Quando era adolescente, não gostava de vestir de novo uma roupa que houvesse vestido numa ocasião desagradável – normalmente relacionada a algum namorico mal resolvido. Era como se alguma energia ruim tomasse conta daquela inocente peça de tecido e então a tornasse amaldiçoada, fadada a sempre atrair situações indesejadas. Eu devia ter uns 16 anos quando a minha mãe, essa sábia senhora que percebeu que eu abandonava roupas de que gostava tanto, me disse que não era assim que as coisas funcionavam. Que se algum dia uma peça de roupa tivesse me acompanhado num momento de azar, eu deveria vesti-la novamente justamente para reenergizá-la com algo melhor. Desde então, nunca mais tive esse tipo de superstição. Até porque depois que eu mesma comecei a pagar pelas minhas peças de vestuário, deixar de usar alguma coisa por conta de uma bobagem dessas virou algo evidentemente indefensável.
Dia 20 de dezembro era um dia assim. Desde 20 de dezembro de 1995, quando soubemos que meu pai estava com um câncer de estômago avançadíssimo e sem qualquer esperança de cura, a data tomou contornos sombrios na minha história de vida. Nos últimos 15 dias 19 de dezembro, sentia, ao dormir, um aperto no estômago, fazendo com que eu voltasse a sentir um pouco daquela sensação de desamparo absoluto.
Hoje, porém, esse significado foi sobrepujado por outro. Em vez de desamparo, esperança. No lugar das lágrimas incontidas de tristeza, lágrimas silenciosas da mais pura alegria. Descobri que meu pai vai ter uma netinha. O bebê que está dentro da minha barriga é uma menina, e a descoberta disso justamente nesse dia veio, principalmente, para comprovar a tese da minha mãe: nada como expor um dia velho a novas energias para mudar o nosso olhar sobre ele.
Que venham todos os outros dias 20 de dezembro da minha vida.
Muita gente diz que não se sabe o que é felicidade ou amor antes de se ter um filho. Sempre achei a observação meio deprimente, principalmente porque conheço muita gente feliz e cheia de amor que não teve filhos (porque não quis ou não conseguiu ter) e muita gente infeliz e solitária apesar (ou até por causa) dos filhos.
O bebê que estou esperando é motivo de uma das maiores alegrias da minha vida. Foi desejado, esperado, planejado e sonhado. Porém, principalmente porque não quero que o peso da minha felicidade (e da felicidade da minha família) fique sobre ombros tão pequenininhos que ainda estão em formação, decidi começar uma lista (que certamente não se encerrará neste post) para dividir comigo mesma, com meus poucos – e valorosos – leitores e também com esta criança já tão querida, parte das tantas alegrias que acumulei nos 37 anos de vida sobre este planeta, antes mesmo da chegada dela.
Tenho certeza de que a lista seguirá crescendo – e certamente ganhará novos focos depois da maternidade. O que vem abaixo não está organizado nem por ordem de importância, nem por relevância. Vão desde imensas até minúsculas alegrias. Creio que posso chamá-la também de "grande lista de pequenas conquistas". Parte 1, claro.
andam dizendo por aqui